quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A legislação sobre bibliotecas no Brasil by EXTRALIBRIS on dez 12, 2005 • 11:19 am

A legislação sobre bibliotecas no Brasil
by EXTRALIBRIS on dez 12, 2005 • 11:19 am Nenhum Comentário
A LEGISLAÇÃO SOBRE BIBLIOTECAS NO BRASIL

CECÍLIA ANDREOTTI ATIENZA
Diretora do Centro de Documentação e Informação da Câmara Municipal de São Paulo.

Revista Palavra-Chave, São Paulo, n.1, p.15-18, 1982.

1 Introdução

Os profissionais bibliotecários, já não sem tempo, estão começando a tomar consciência dos problemas atuais existentes sobre a invasão de outros profissionais (não bibliotecários), na área da Biblioteconomia brasileira.

Ora, esse mercado de trabalho, que deveria ser privativo do bacharel em Biblioteconomia, está sendo utilizado por profissionais de outras áreas, sobre as mais diversas alegações. Isto porque a profissão biblioteconômica vem se desenvolvendo a passos largos, ampliando a escala de valores, que por definição, sempre pertenceu à Biblioteconomia, mas que na impossibilidade natural dos legisladores de 1962 de preverem esse desenvolvimento na Ciência da Biblioteconomia, fez com que a parca legislação existente sobre o assunto se tornasse inadequada, dando margens a interpretações jurídicas as mais diversas, embora saibamos que essas interpretações deveriam respeitar o conceito da matéria a intenção do legislador ao elaborar uma norma, ou seja, obedecendo a interpretação lógica da norma, que nada mais é que a investigação do fim ou da razão da lei, para fixar-lhe o seu real sentido.

Mas nem sempre isso acontece, pois por conveniências diversas, o intérprete poderá justificar sua tese segundo uma interpretação gramatical, ou seja, aquela que estabelece o sentido objetivo da lei, com base em sua “letra”.

Muitos autores jurídicos não se satisfazem com essa interpretação, pois as palavras escondem ou representam um significado não representado, na maioria das vezes, com fidelidade.

Por esta razão, os intérpretes da lei partem a investigação da “ratio legis”, ou melhor, para o fim perseguido pela lei, de modo que, em função dele, possa fixar exatamente o sentido depreendido da “letra da lei”.

Interpretar o Direito “é estabelecer o sentido objetivo da norma, não o sentido retrógrado e nem aquele que de forma alguma poderia ser incluído, mas o que se depreende do texto ajustado à realidade social. Pra descobri-lo, o intérprete deve pensar como homem de sua época e não como homem do tempo em que a lei foi sancionada. Assim, o sentido da lei deve ser atual, e não retrógrado e nem revolucionário” (13).

Uma vez explicadas as divergências possíveis de interpretação, vamos detalhar os problemas legais da Biblioteconomia, dividindo em partes as áreas mais atingidas, começando pela lei maior que disciplina o exercício da profissão, mediante a Lei Federal nº. 4084, de 30 de junho de 1962 (1) e o respectivo Decreto Federal regulamentador, nº. 56.725, de 16 de agosto de 1965 (2).

2 Princípios da Lei 4084/62

Essa lei é o resultado da situação biblioteconômica correspondente aos anos de 1962. Ora, passados vinte anos de sua promulgação, ela não pode atender mais aos objetivos da época atual, pela natural evolução da profissão e as conseqüências resultantes desse fator cultural, mas isto não significa que se deva permitir as “convenientes” interpretações de outrens, menos preocupados com o destino das bibliotecas brasileiras. Sabemos que se faz necessário modificar a Lei 4084/62, mas, antes que isso aconteça, vamos defender os princípios existentes na lei, que por extensão, permitem a defesa dos interesses profissionais dos bibliotecários.

Quais são esses princípios? Então, vejamos:
2.1 Exercício profissional

O exercício da profissão de bibliotecário foi objeto de disposição da Lei 4084, de 30 de junho de 1962 e de sua respectiva regulamentação, pelo decreto 56.725, de 16 de agosto de 1965.

Esta norma apresenta para o estudo do problema, basicamente, a disposição que exige para provimento e exercício de cargos técnicos de bibliotecários (e documentaristas), na administração pública, autárquica, parestatal, empresas sob intervenção governamental ou concessionárias de serviço público, a obrigatoriedade da apresentação de diploma de bacharel em Biblioteconomia. (Obs.: Não existe, juridicamente, a profissão de documentarista. O exercício das funções de “documentarista” é sempre do profissional bibliotecário. Esta nomenclatura precisa de uma reavaliação por autoridade competente.)

2.2 Funções privativas ou atribuíveis ao profissional bibliotecário

O art. 1º., do próprio diploma legislativo em questão, estabeleceu expressamente a intenção citada em primeiro lugar, ao declarar ser “a designação profissional de bibliotecário, privativa dos bacharéis em Biblioteconomia”, como também, assim podem entender, no art. 3º., em relação ao preenchimento dos cargos da série de classes de bibliotecário (e documentarista), onde está clara a exigência peremptória do diploma para aquele fim.

Porém, no art. 2º. quando diz a quem caberá o exercício da profissão de bibliotecário, usa a palavra “permitido” e não “privativo” que impediria, legalmente, as aberrações que estão acontecendo em nosso país, onde pessoas não habilitadas estão dirigindo nossas bibliotecas e centros de documentação, muitas delas sob a alegação (errônea) de que os cargos são de confiança.

O art. 6º. quando diz: “São atribuições dos bacharéis em Biblioteconomia…”, também não deixou claro essa intenção, dando oportunidade a alguns técnico-jurídicos, de adotarem a tese segundo a qual a lei diz que são atribuíveis aos bacharéis em Biblioteconomia as tarefas relacionadas no artigo mencionado, sem afirmar que lhes seriam, também, privativas, pretendendo, apenas, evidenciar que do exercício do cargo em comissão de direção intermediária, não se origina qualquer desvio de atribuições.

Temos como exemplo, o caso da Biblioteca Nacional. Embora a alínea “c” do art. 6º. dá como atribuição ao bacharel em Biblioteconomia “a administração e direção de bibliotecas”, tivemos um não bibliotecário na direção da Biblioteca Nacional, sob a alegação de especialistas jurídicos ligados ao MEC de que “segundo a Lei 4084, que regulamenta a biblioteconomia, o diploma de bibliotecário é imprescindível para a ocupação de cargos técnicos de bibliotecários e documentaristas. A direção da Biblioteca Nacional, entretanto, não se enquadra nestas especificações, sendo um cargo de direção e assessoramento superior, com funções essencialmente administrativas” (8).

Outro exemplo a ser citado é o caso da direção de Serviços de Documentação que, embora, expresso na alínea “d” do art. 6º. “a organização e direção dos serviços de documentação”, tivemos um parecer da Consultoria Geral da República, aprovado pela Presidência da República, onde encontramos a alegação de que “a Lei 4084/62, não tornou privativo dos bacharéis em Biblioteconomia, as funções de direção dos serviços de documentação. É aconselhável, entretanto, o recrutamento entre aqueles que tenham a qualificação de que trata a referida Lei” (3).

Esses exemplos retratam o resultado dessa omissão legislativa que permitiu a elaboração dos pareceres acima mencionados entendendo (esses pareceres) que o diploma legislativo em causa não deu exclusividade aos ocupantes de cargos de bibliotecário (e documentaristas), ou que pelo menos isso não ficou expresso na lei e consideram o diploma legal, apenas, quanto à sua interpretação literal, ou seja, onde a lei não distingue, ao intérprete não será lícito distinguir.

A gravidade, nesses casos, reside no fato (como aconteceu com o Parecer 382-H/66, de autoria do Consultor Geral da República, Dr. Arnaldo Mesquita da Costa) de que esses pareceres quando aprovados pela Presidência da República, não se pode recusar sua aplicação na esfera administrativa, embora essa exigência de habilitação seja perfeitamente legal quando entendida sob a luz da interpretação lógica da norma. (Ao “caput” do art. 6º. Deve ser dada nova redação como: “São atribuições privativas dos bacharéis em Biblioteconomia…”. E, para resolver definitivamente o problema de “cargos de confiança”, deve ser acrescentada uma alínea nesse mesmo artigo, referente às atribuições, constando do seguinte: “o exercício de cargos ou funções de direção, chefia e encarregatura, em comissão ou mediante contrato, nas áreas abrangidas pelas bibliotecas, bancos de dados bibliográficos, redes, sistemas, centros e serviços de documentação e/ou informação e demais entidades e/ ou instituições que tenham como objetivo o armazenamento e/ou a disseminação da informação em qualquer área de atividade intelectual” (4)).

2.3 Direção de Bibliotecas e de Serviços de Documentação

As alíneas “c” e “d” do art. 6º. Declaram como “atribuições dos bacharéis em Biblioteconomia a organização, direção e execução dos serviços técnicos de repartições públicas federais, estaduais, municipais e autárquicas e empresas particulares, concernentes às matérias e atividades seguintes”:

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c) a administração e direção de bibliotecas.
d) a organização e direção dos serviços de documentação.
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Ora, hoje temos que fazer a interpretação lógica, extensiva dessas alíneas, uma vez que além de bibliotecas de uma forma pura, temos em razão do desenvolvimento dessas mesmas bibliotecas “o planejamento, assessoramento, consultoria, organização, implantação, administração e direção de bibliotecas, bancos de dados bibliográficos, redes, sistemas, serviços e centros de documentação e/ou informação e demais entidades e/ou instituições que tenham como objetivo o armazenamento e/ou disseminação da informação em qualquer área de atividade intelectual” (4).

3 Definição de bibliotecas

Outro comentário a ser feito, ainda com relação ao art. 6º., onde o dispositivo menciona, textualmente, “organização, direção e execução dos serviços técnicos (…) de administração e direção de bibliotecas”. Mas, a aplicação desse preceito esbarra numa indagação: o que é biblioteca? Com efeito, sob esta denominação cabem realidades muito distintas, desde a Biblioteca Nacional com seis milhões de peças (livros, discos, mapas, periódicos etc.) até a de uma escola primária modesta.

E, aqui, poderemos citar alguns exemplos com comentários relativos a essas bibliotecas exemplificativas.

3.1 Biblioteca Pública

O manifesto da UNESCO sobre a biblioteca pública, define-a como força em prol da educação, da cultura, da informação e como instrumento indispensável para promover a paz e a compreensão entre os povos e as nações. Esse manifesto diz ainda que a biblioteca pública deve ser estabelecida à base de dispositivos legais inequívocos que regulem a prestação de um serviço de biblioteca pública de alcance nacional.

Portanto, é indiscutível a necessidade de serem baixadas normas por autoridade competente, baseadas numa publicação de nível internacional, como Internationl Federation of Library Associations, denominada Standards for Public Libraries traduzida para o português como “Normas para Bibliotecas Públicas” e onde inclui o citado manifesto da UNESCO (11).

3.2 Biblioteca Infanto-Juvenil

Em artigo publicado por Yvette Z. Duro (9) encontramos o pensamento de Cecília Merirelles, segundo o qual “as bibliotecas infantis correspondem a uma necessidade da época e têm a vantagem não só de permitirem à criança uma enorme variedade de leituras, mas de instruírem os adultos acerca de suas preferências”.

Yvette diz que “o número de bibliotecas infantis no Brasil é pouco significativo, embora na década de 70 fosse verificado maior desenvolvimento em algumas regiões”. Diz, ainda, que “as atuais diretrizes do ensino brasileiro contribuíram para o maior afluxo de estudantes às bibliotecas públicas mas relegaram a um plano secundário as escolares e infanto-juvenis”.

Não seria o caso de se estabelecer normas por autoridade competente, que poderiam ser baseadas, também, na publicação “Normas para Bibliotecas Públicas”, no item que se refere às crianças, lembrando sempre que “as crianças formam um grupo identificável dentro da comunidade, com necessidades e interesses especiais” (11).

3.3 Biblioteca escolar

A biblioteca escolar permanece entre nós como um simples repositório de material impresso ou um depósito de livro apenas.

Tereza da Silva Freitas Oliveira (16), em seu artigo, diz muito bem e de forma sucinta como a biblioteca escolar representa uma unidade integrante do núcleo de Apoio Técnico Pedagógico, no Regimento das Escolas de 1º. e 2º. graus no Estado de São Paulo, explicando a integração do bibliotecário nos planejamentos e programações escolares e, ainda, o relacionamento que se almeja no processo ensino-aprendizagem. Esses elementos todos fazem parte da estrutura funcional dessas escolas, de uma forma técnico-legal a não deixar dúvidas, mediante decretos estaduais (para São Paulo): nº. 10.623, de 26 de outubro de 1977 e nº. 11.625, de 23 de maio de 1978.

Temos que citar nesse item que “de acordo com o determinado nos artigos 2º. e 3º. do Decreto Estadual (São Paulo) 5.771, de 4 de março de 1975, o governo paulista assumiu o encargo de criar bibliotecas e, simultaneamente, os cargos de bibliotecários nas escolas de 1º. e 2º. graus da rede estadual de ensino, quando estas tiverem mais de 200 alunos. Infelizmente a exigência legal não está sendo cumprida, apesar da sua indiscutível necessidade” (10).

“Ora, se a lei estabeleceu que as bibliotecas fossem instituídas nos estabelecimentos de ensino de 1º. e 2º. graus, não se compreende e muito menos se admite a omissão do governo estadual” (10). E, nós acrescentamos: e os trabalhos de base a serem elaborados pelos órgãos de classe?

Ainda assim, São Paulo possui alguma norma sobre o assunto. E as demais regiões? Não seria o caso de termos uma legislação em âmbito nacional como diretriz básica? E, conseqüentemente, normas paralelas em cada região, salvaguardando as peculiaridades de cada um?

Nos Estados Unidos, temos a American Association of School Libraries que cuida de tornar realidade normas legais sobre biblioteca escolar.

3.4 Bibliotecas Universitárias

Conforme Indicação do CFE, nº. 20, de 8 de outubro de 1968 (7), nos processos de autorização e reconhecimento de escolas superiores ou de universidades devem ser objetivamente consideradas as condições de suas bibliotecas. Esse mesmo documento diz que “a biblioteca constitui a peça central de uma escola. Mesmo antes de a escola existir, pode existir a biblioteca. Por sua natureza um núcleo de estudos, tem sido, em casos raros porém altamente expressivos, o ponto de partida de escolas e universidades. Isso porque a dinâmica de uma biblioteca se enriquece dia a dia: é, ao mesmo tempo, uma fonte de bibliografia e uma instituição de consulta e pesquisa. Habitualmente promove cursos, conferências, exposições, seminários, publicações. Ao acervo de livros, outros departamentos se juntam, como os de revistas, os de gravura, os de dispositivos, a discoteca e a filmoteca. Enfim, todos os veículos em que a cultura se perpetua, e através dos quais pode ser definida. Por vezes, a biblioteca inteligentemente dinamizada vale tanto ou mais que uma escola. Impõe-se, pois, considerar a biblioteca como exigência preliminar à existência de qualquer escola”. E, ainda, diz que “a organização, as instalações específicas, a relação entre estas e o numero de alunos e mestres, a bibliografia geral, as bibliografias especializadas, os técnicos e funcionários hão de ser considerados na apreciação de autorizações e reconhecimentos no tocante às bibliotecas”.

3.5 Bibliotecas especializadas ou de empresas

Nice Figueiredo (12), em artigo publicado, diz que: “as bibliotecas especializadas diferenciam-se por sua estrutura orientada ao assunto, uma vez que as organizações maiores nas quais se inserem, têm normalmente objetivos mais específicos que gerais. Distinguem-se também pelos tipos de pessoas de que são servidas: pessoas associadas às organizações mantenedoras e que têm interesses e habilidades especiais”.

Não podemos deixar de citar, também, Antonio Miranda (15) quando diz que: “o objetivo da biblioteca de empresa é de capacitar o indivíduo para que ele, bem informado, acompanhe a evolução tecnológica e científica e garanta, para a empresa, rendimento e produtividade em termos de qualidade e efetividade profissionais”.

Segundo os conceitos de biblioteca especializada preconizados por Nice Figueiredo e Antonio Miranda, deveríamos ter normas específicas sobre definição, características, funções e objetivos desse tipo de biblioteca, a exemplo do que acontece com a Special Libraries Association quando descreve os objetivos da biblioteca especializada.

3.6 Deliberação do Conselho Federal de Biblioteconomia

Voltando ao início da nossa indagação, nesse comentário “Definição de bibliotecas”: poderíamos aplicar a toda essa heterogeneidade de situações o mesmo critério? – ou, mesmo, identificar a todas sob a mesma denominação, no seu sentido legal? – ou, ainda, fazer as mesmas exigências a todas elas? Acreditamos que não.

Essa dificuldade existe na Lei 4084/62, pois o termo “biblioteca”, no texto legal, é carente de definição. Caberia, pelo menos, distinguir entre uma biblioteca como entidade autônoma e outra que é, apenas, uma coleção de textos para consulta, servindo em caráter suplementar a uma atividade principal. Mesmo no primeiro caso, uma biblioteca que seja, em si mesma, uma entidade, pode serão tão modesta que não se concebe exigir à sua administração um profissional qualificado.

A perfeita interpretação da regra contida nas alíneas “c” e “d”, do art. 6º., conforme redação da Lei 4082/62, exige atenção ao conceito de “bibliotecas” e de “serviços de documentação”. Essa cautela se impõe porque os vocábulos são mencionados em todas as disposições legais existentes, como referência às diretrizes para a fixação de exigências e qualificação profissional.

Daí chegamos à conclusão de que o dispositivo acima mencionado não é auto-aplicável, sendo ao contrário, carente de regulamentação ou interpretação que tenha validade normativa. Ora, a própria Lei 4084 consigna, na alínea “f”, do seu art. 15, como atribuição do Conselho Federal de Biblioteconomia, a de “expedir as resoluções que se tornem necessárias para a fiel interpretação e exceção da presente Lei”. Podemos citar, como exemplo, o final do art. 3º. da Lei 4084, que oferece um caso de exceção à regra geral contida no art. 2º., que exige a formação técnica específica para o exercício da profissão de bibliotecário. Essa exceção se refere aos casos dos “atuais ocupantes efetivos” da função de bibliotecário e documentarista na época da promulgação da Lei 4084. Como essa disposição compreendendo a norma da exceção não está muito clara, o Conselho Federal de Biblioteconomia solicitou a especialista no assunto, um parecer técnico-jurídico (14) sobre a interpretação da mesma. Esse parecer teve como resultado a Resolução do CFB nº. 131, de 21 de outubro de 1975 (5), que interpretou e definiu o campo de aplicação do art. 3º. da Lei mencionada e que deu solução aos processos referentes à questão.

Por que os Conselhos não continuam a adotar o mesmo critério, uma vez que a própria Lei manda?

Àquele órgão cabe, portanto, não a outro qualquer, persistindo a omissão regulamentadora do Poder Executivo, deliberar sobre o âmbito exato de aplicação da regra, não somente por ser esta lacônica, senão, também, por ser absolutamente impreciso o seu objeto.

4 Conclusão

Movimentam-se os bacharéis em Biblioteconomia para discutir a questão do mercado de trabalho do bibliotecário. Muito se tem dito a respeito. Quase tudo é lógico e pertinente à matéria. As soluções apontadas, se praticadas, não deixariam de melhorar, de alguma forma, a situação. Contudo, à evidência, as análises não aprofundam o tema, até o desejável. E, as saídas apontadas são parciais, portanto, insuficientes.

E, em primeiro lugar, vêm as graves seqüelas que o arbítrio deixou em nosso ordenamento jurídico, a partir da Lei 4084/62, que com o decorrer do tempo (20 anos), sem querer sofrer as naturais modificações de redação, tornou-se ultrapassada, permitindo que determinadas soluções fossem encontradas fora das normas regulamentadoras da profissão.

Outra questão importante é a da prevalência de atos emanados por órgãos diretivos. Onde estão as Resoluções dos Conselhos Federal e Regionais que deveriam suprir as lacunas existentes e interpretar o que não está claro? Esquecem esses Órgãos que os atos normativos por eles baixados têm força de lei quando suprem ou interpretam os claros de uma lei maior?

Apesar de estarmos com uma legislação omissa e que, apesar de insuficiente, o pouco que existe, ainda á inadequado, não devemos, contudo, perder o ânimo de lutar pelo que de direito nos pertence.

Do quadro singelamente traçado, decorre que o reencontro do profissional de Biblioteconomia com seu mercado real de trabalho depende de mudanças estruturais, mais do que simples medidas corretivas da conjuntura.

Referências bibliográficas

1 BRASIL. Leis, decretos, etc. Lei 4808, de 30 de junho de 1962. Dispõe sobre a profissão de bibliotecário e regula o seu exercício. Diário Oficial, Brasília, 2 jul. 1962. Seção I, Parte 1.

2 BRASIL. Leis, decretos, etc. Decreto 56.725, de 16 de agosto de 1965. Regulamenta a Lei 4084, de 30 de junho de 1962 que dispõe sobre o exercício da profissão de bibliotecário. Diário Oficial, Brasília, 19 ago. 1965. Seção I, Parte 1.

3 BRASIL. Consultoria Geral da República. Parecer 382-H, de 18 de agosto de 1966. A Lei 4084/62, não tornou privativo dos bacharéis em Biblioteconomia as funções de direção dos serviços de documentação. É aconselhável, entretanto, o recrutamento entre aqueles que tenham a qualificação de que trata a referida Lei. Diário Oficial, Brasília, 8 set. 1966. Seção I, Parte 1. (Observação: este parecer foi aprovado pela Presidência da República, em 2 de setembro de 1966 e encaminhado ao DASP em 8 de setembro de 1966.)

4 CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Anteprojeto de reforma da Lei 4084 de 30 de junho de 1962. Brasília, 1978.

5 CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Resolução 131, de 21 de outubro de 1975. Interpretação e definição do campo de aplicação ao art. 3º. da Lei Federal 4084/62. Diário Oficial, Brasília, 21 nov. 1975. Seção I, Parte II, p. 4288.

6 CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO. Comissão de Legislação e Normas. Parecer de 18 de agosto de 1971. Exigência de bibliotecário profissional para as bibliotecas dos estabelecimentos de ensino.

7 CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO. Indicação 20, de 8 de outubro de 1968. Constituição das bibliotecas nos processos de autorização e reconhecimento de escolas superiores ou de universidades. FEBAB. Boletim. São Paulo, 19 (5/6) : 58-63, maio/jun. 1969.

8 DIREÇÃO de biblioteca. Diário Popular, São Paulo, 16 abr. 1979.

9 DURO, Yvette Zietlow. Dimensão atual da biblioteca infanto-juvenil. Rev. Bras. de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, 12 (3/4) : 211-222, jul./dez. 1979.

10 ESCOLAS sem bibliotecas. O Estado de São Paulo, 4 out. 1981.

11 FEDERAÇÃO INTERNACIONAL de ASSOCIAÇÕES de BIBLIOTECÁRIOS. Seção de Bibliotecas Públicas. Normas para bibliotecas públicas; trad. de Antônio Agenor Briquet de Lemos. São Paulo, Quirón, Brasília, INL, 1976.

12 FIGUEIREDO, Nice. Serviços oferecidos por bibliotecas especializadas: uma revisão da literatura. Rev. Bras. de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, 11 (3/4) : 155-168, jul./dez. 1978.

13 GUSMÃO, Paulo Dourado. Introdução à Ciência do Direito. São Paulo, Forense, 1976.

14 LACERDA, Paulo Rubens de Moraes. Parecer s.n., de 21 de abril de 1975. Bibliotecário – Exercício regular da profissão – A regra de exceção contida no art. 3º. da Lei Federal 4081/62: como interpretá-la e definir seu campo de aplicação. (Observação: não foi publicado. Este parecer foi oferecido ao CFB e uma vez aprovado pelo Plenário do Conselho foi transformado na Resolução CFB-131/75).

15 MIRANDA, Antonio. Informação na empresa: o papel da biblioteca. Rev. Bras. de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, 12 (1/2) : 67-88, jan./jun. 1979.

16 OLIVEIRA, Tereza da Silva Freitas. A biblioteca escolar no regimento comum das escolas estaduais de 1º. grau. Diário Oficial do Estado, São Paulo, 24 mai. 1978.

17 SÃO PAULO (Estado). Leis, decretos, etc. Decreto 10.623, de 26 de outubro de 1977. Aprova o Regimento comum das escolas estaduais de 1º. grau. Diário Oficial do Estado, São Paulo, 27 out. 1977.

18 SÃO PAULO (Estado). Leis, decretos, etc. Decreto 11.625, de 23 de maio de 1978. Aprova o Regimento comum das escolas estaduais de 2º. Grau. Diário Oficial do Estado, São Paulo, 24 mai. 1978.

19 SÃO PAULO (Estado). Leis, decretos, etc. Decreto 5.771, de 4 de março de 1975. Fixa a estrutura básica das escolas de 1º. e 2º. graus e regulamenta os artigos 11, 12 e 13 da Lei Complementar 114, de 13 de novembro de 1974. Diário Oficial do Estado, São Paulo, 5 mar. 1975

Original: ATIENZA, Cecília Andreotti. A legislação sobre bibliotecas no Brasil. Palavra-chave, São Paulo, n.1, p.15-18, 1982.

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

DESIGN DE BIBLIOTECAS VIRTUAIS CENTRADO NO USUÁRIO

DESIGN DE BIBLIOTECAS VIRTUAIS CENTRADO NO USUÁRIO: a abordagem do "Sense-Making" para estudo de necessidades e comportamento de busca e uso de informação
Miguel Ángel Márdero
INTRODUÇÃO
Na área da Ciência da Informação, os estudos centrados no usuário podem se dividir em dois grupos, os tradicionais que examinam os sistemas apenas com base em características grupais e demográficas de seus usuários e os alternativos que estudam as características e perspectivas individuais dos usuários. A mudança neste campo de estudo, segundo Ferreira (1996, p.221-222), acontece no momento em que o enfoque deixa de ser sobre quem usa os sistemas de informação e com que freqüência, e passa a ser com que propósito os sistemas são utilizados e como eles efetivamente ajudam. Uma dessas abordagens alternativas tem sido o Sense-Making de Brenda Dervin (1989, 1993, 1994). O trabalho de Dervin procura identificar quais são os indicadores potenciais do comportamento de busca e uso da informação sob a ótica do usuário, prestando maior atenção as mudanças temporais e espaciais que ocorrem no cotidiano dos indivíduos.
I TÓPICO: estudos de necessidades, comportamento da informação e dos usuários
Segundo Dervin, as abordagens tradicionais de estudos de usuário estão baseados em certos mitos, que colocam os sistemas de informação como sendo estruturados herméticamente contendo unicamente informação e tecnologia. A informação é entendida como um produto fechado e estruturada em "tijolos de informação". Esses "tijolos" são transmitidos às pessoas dentro de um processo de comunicação pouco flexível. Para a Professora nesses estudos, os produtos de informação (artigos, livros, relatórios, fatos, etc.) são armazenados e achados pelos individuos de uma maneira aleatória. Os indivíduos são vistos como seres habituados a obter informação e pelo mesmo motivo obrigados a passar pelos sistemas de informação constituídos.
Baseados nesses mitos, todos os sistemas de telecomunicação também vêem aos usuários como tendo a obrigação de, no decorrer de sua vida, passar pelo ambiente das telecomunicações formado pelas regulamentações governamentais, os grupos de cidadãos organizados e as companhias produtoras de sistemas e redes de comunicação.
A expectativa de que os usuários terão a mesma capacidade organizativa que tem o sistema é comprovadamente um mito; um conjunto de idéias que produz comportamentos discordantes com as verdadeiras necessidades de informação de uma sociedade, e que ao mesmo tempo, produz teorias para explicar porque "as pessoas fracassam na suas tentativas de obter informações através dos sistemas constituídos".
Para Dervin (1989, p.230), as categorias com as quais têm-se tradicionalmente tratado de compreender como as pessoas usam a informação são insuficientes para cobrir os aspectos mais relevantes dos usuários, e em conseqüência evitam um acesso democrático as informações. O que ela propõe é um novo processo de comunicação.
Na percepção dos indivíduos, os sistemas de informação aparecem como uma ajuda nos momentos que precisam "dar sentido" ou resposta a seus questionamentos sobre o que pretendem fazer, onde querem chegar, como e porque agir de uma forma ou outra. O sistema somente terá resposta a essas perguntas quando for um sistema responsável do seu papel determinante para a interpretação da realidade dos individuos que compõem a sociedade em que o sistema está inserido.
II TÓPICO: a abordagem do 'Sense-Making'(o ato de fazer sentido) e a sua prática
Para exemplificar como o conhecimento do real no Ocidente é influenciado pelas nossas perspectivas ontológicas (da natureza das coisas e dos seres humanos) e epistemológicas (visões da natureza do conhecimento e padrões de avaliação do conhecimento como informativo), a Profa. Dervin dividiu, em seis grupos de pressupostos, as abordagens que nas áreas das ciências e das humanidades tem tido como foco de discussão a informação. Os seis grupos "estereotipados" de pressupostos ontológicos e epistemológicos analisados foram: o do dogma/autoridade, o do naturalismo/empirismo/positivismo, o do relativismo cultural, o do constructivismo, o do post-modernismo, e o do sense-making baseado em algumas idéias do comunitarianismo (Dervin,1994 p.377).
O modelo do discurso teórico do Sense-Making foi apresentado como uma metodologia onde é permitido inventar opções para interpretar e analizar o fenômeno da informação; a metodologia parte de certos presupostos sobre o fenómeno, como o de que a informação ser um meio e não um fim. Para Dervin todas as outras perspectivas do conhecimento são válidas, como passos a ser percorridos para o entendimento da realidade, uma realidade composta de ordem e caos, estabilidade e desestabilidade, hábito e mudança, mas, que em qualquer delas existe a necessidade de informação. Até para aqueles que são capazes de ver a falta de acesso efetivo à informação, a construção de um mundo informado nunca poderá cobrir toda a riqueza e complexidade da diversidade da existência humana. Mas, geralmente, diversidade é entendida como caos e o sistema como ordem, ou seja, o oposto da diversidade.
A estratégia proposta pela abordagem do Sense-Making, parte da idéia básica de que nós humanos temos a capacidade de nos entender mutuamente apesar de cada um de nós ver as coisas desde pontos de vista diferentes. Isto leva ao pressuposto de ter-se no mínimo duas possibilidades para tudo. Para o Sense-Making as pessoas procuram informação quando estão em um "gap" ou quando estão em uma situação de mudança ou caos, em outras palavras, quando não têm respostas claras ou estão tratando de "fazer sentido". Para cruzar esse "gap" as pessoas constroem "pontes", quer dizer, respostas tentativas frente ao que não apresenta ter uma resposta clara. Mesmo dos pontos de vista diferentes sobre a mesma coisa precisam de um enorme componente de flexibilidade para ter uma resposta aceita mutuamente.
A Professora chamou a atenção para a enorme flexibilidade que os novos meios de comunicação possuem e que ainda continuam pouco explorados para benefício dos usuários. Os novos sistemas eletrônicos agilizam a informação em quantidades e velocidade inimagináveis através do espaço, mas as evidências mostram que os responsáveis por esses sistemas continuam fazendo as coisas da mesma maneira que nos sistemas tradicionais de informação, isto é, se perpetua a percepção de que as pessoas são ineptas a atuar frente à estrutura de informação estabelecida. No ciberespaço, o uso da metodologia do Sense-Making pode ajudar a revelar o potencial que está na realidade dos usuários e que pela reprodução dos sistemas não centrados no usuário pode deixar ainda encoberta.
O trabalho dos profissionais da informação é o de lidar com sistemas de informação que deveriam ter respostas para todas as necessidades dos usuários. Por esse motivo duas perguntas básicas dentro da metodologia do Sense-Making são: qual é o "gap" que está querendo se cobrir? e o que conduz a pessoa para esse ou aquele raciocínio? O reconhecimento da importância dessas questões surge depois de ter-se comprovado que é necessário usar os fatos para organizar a realidade e dessa maneira colocar a informação dentro do seu contexto. Os fatos devem estar sempre ligados a um contexto; se as pessoas olham para a informação através do seu contexto, a realidade pode ficar um pouco mais compreensível, no mínimo, no momento-espaço em que os fatos acontecem.
O profissional da informação deve ser capaz de saber fazer a pergunta que leve ao ponto central do assunto. Nos estudos que usaram a metodologia do Sense-Making aparece claramente, como as respostas a esse tipo de questões podem-nos levar a compreender como as pessoas "dão sentido" à realidade do seu trabalho e nos sistemas de informação que utilizam.
Basicamente, as entrevistas feitas dentro dos estudos de Sense-Making das necessidades de informação de diferentes categorias de usuários têm como característica perguntas que fazem referência a algum dos quatro momentos que formam a "metáfora do Sense-Making": situação, "gap", ponte (bridge), ajuda (help), representados da seguinte maneira: S B H G
A proposta é pensar as situações como forma de movimento no tempo e no espaço; primeiro tem que se localizar o interlocutor detido em alguma das chamadas pela professora Dervin de "situation movement stops" e tentar saber porque parou nela. A resposta à questão de porque a pessoa parou nessa "situação-movimento" pode ajudar ao sistema de informação na sua própria tomada de decisões.
Alguns desses momentos "situação-movimento-parada" são:
esperando enrolando
passando o tempo obstaculizando
problematizando sendo levado
decidindo fracassando
paralizando mexendo
observando desfrutando

A perspectiva que o Sense-Making oferece para entender os processos de informação/comunicação tem como elemento principal o movimento, onde as entidades e os estados tornam-se processos e dinâmicas, transformando os substantivos que identificam essas entidades/estados em verbos que indicam algum tipo de movimento.
O método de ir sempre na procura do "gap" ou da ponte entre a situação e a ajuda significa olhar para a situação problemática como um momento de decisão, onde a resposta a nossas perguntas vão ser sempre expressar confusão, idéias, emoções, sentimentos, perguntas e conclusões. A linearilidade da narrativa não deve ser o fator que determine a nossa percepção das situações. A Professora Dervin mostrou como, pelo fato do profissional da informação deixar de impor uma linearilidade na narrativa do seu usuário, as ações descritas conterão outra interconexão que poderá ajudar ao próprio usuário na construção de suas "pontes" ou idéias formadas.
As considerações acima podem ser muito úteis no momento de coleta de dados, com usuários de sistemas de informação que estão atualmente em serviço. Em qualque tipo de entrevista, tanto individual como em grupo, o procedimento pode se iniciar na narração da última vez que tiveram acesso ao sistema; a atividade do entrevistador nesse momento deve ser a de tentar identificar três partes do triângulo: a situação (o que está se manifestando), o "gap" (aquilo sobre o qual se deseja ter uma resposta) e a ajuda (o que você pode fazer).
O instrumento de ajuda básico para a pesquisa de usuário no Sense-Making é a entrevista do "micro-momento" (Dervin, 1986), essa entrevista é formada por três passos básicos que precisam estar sob o controle do entrevistador e do entrevistado:
1º narração de eventos ordenados no tempo ou sem ordenar,
2º expressão de confusões, idéias, emoções, sentimentos, perguntas e conclusões,
3º as respostas a perguntas tais como: - o que ajudou você nesse momento? - o que levou você a essa conclusão? - quais conexões você percebe? - como você quer ser ajudado agora?
As perguntas realizadas durante a entrevista dão lugar a muitas repetições, mas como a Professora Dervin mostrou, cada resposta obtida, diferente da obtida na pesquisa demográfica, tem contida a visão do mundo do entrevistado e, se no lugar de criticar ou corrigir, o entrevistador organiza a fala em triângulos (situação/gap/ajuda), obterá não unicamente o registro das emoções mas também elementos para o desenho de uma base de dados sobre as necessidades de informação de um determinado tipo de comunidade.
III TÓPICO: o Sense-Making para as bibliotecas virtuais
Entre as múltiplas aplicações do Sense-Making estão o desenho de:
- sistemas de informação,
- sistemas expertos,
- software de testagem,
- software de interface,
- sistemas de recuperação,
- bibliotecas virtuais.
Para esta última, os idealizadores devem ter claro como uma interface eletrônica pode ajudar a resolver necessidades de diferentes categorias de indivíduos. Em primeiro lugar, o desenho das páginas deve conter diálogos baseados na metodologia do Sense-Making, ou seja, conseguir fazer que a pessoa participe de uma entrevista claramente articulada para obter informações que sejam para o seu beneficio.
Entretanto, é evidente que toda situação de obtenção de informação contém algum índice de stress, e é por esse fato que a recomendação da Dra. Dervin é que as perguntas a serem formuladas reproduzam um fidedigno interesse de escutar o que o usuário tenha para dizer.
As perguntas podem aparecer em qualquer lugar das páginas, desde o momento em que a pessoa entra na biblioteca virtual até, o momento de sua saída. Recomenda-se que os ícones sejam utilizados como orientadores do que pode ou não estar indo bem ou sendo um obstáculo para o visitante. Todas as respostas devem ser codificadas para mais tarde serem convertidas em uma base de dados que informe sobre as necessidades reais de informação dos usuários.
Frente a questão de como ter sobre o sucesso ou fracasso da utilização dessa prática na obtenção de dados que possam ajudar a dar um melhor serviço, a professora Dervin afirmou que esse resultado pode ser avaliado quando o usuário afirmar que se está fazendo algo útil para ele.
Quando se realiza uma pesquisa do tipo Sense-Making com pessoas que utilizam bases de dados computarizados não se deve perguntar diretamente pelas emoções, o entrevistador deve ser capaz de identificá-las nas respostas recebidas. Todas as respostas podem ajudar a criar um novo desenho de biblioteca virtual que utilize as vantagens do hipertexto e da livre busca de informação sem criar maior confusão.
O que existe atualmente na Internet é a reprodução da tradicional estrutura de sistemas de informação com textos, imagens e botões dos quais o usuário depende para fazer sua pesquisa mais amena mas isso, em realidade, vai depender mais da rapidez e precisão do sistema acessado na recuperação da informação solicitada.
Dervin propõe que para algumas áreas de pesquisa como Ciência e Tecnologia, em função de sua complexidade e multiciplinariedade, incremente-se nas bibliotecas virtuais um lugar onde as pessoas possam fazer comentários sobre os documentos acessados, para que os demais usuários também possam ler e opinar a seu respeito. O "design" de um lugar onde as pessoas possam trocar opiniões pode ser um meio de mostrar aos usuários que o sistema, não simplesmente se preocupa com o acesso aos documentos, mas promove o intercâmbio e diálogo interdisciplinar.
Para Dervin, um bom inicio é a realização de ligações telefônicas sistemáticas aos usuários a fim de registrar suas opiniões e mais tarde divulgá-las on-line; dessa forma os usuários irão acostumando-se a saber que no sistema tem "alguém" ouvindo. Isto superaria as barreiras encontradas na administração das chamadas "áreas de sugestões" onde as pessoas simplesmente escrevem sugestões de rotina, sem nenhum conteúdo que possa levar a determinar o seu verdadeiro interesse. Não se trata de fazer um tipo de "relações públicas" mas de permitir uma autêntica intervenção humana que modifique a forma como as relações sociais estão sendo estabelecidas pelo avanço tecnológico na nossa época.
Por último, a professora Dervin expôs o fenômeno que ocorre atualmente nos Estados Unidos na área das bibliotecas virtuais. No setor público, o governo americano investiu um grande orçamento na edificação de dez grandes bibliotecas virtuais através da National Science Foundation Digital Library Iniciative, mas ele agora esta preocupado por não saber quem vai sustentar essas bibliotecas quando a verba da Iniciativa acabar, pois aparentemente não existe um público definido que possa arcar com as despesas.
CONCLUSÃO
Deve-se reconhecer a importância desta abordagem, pelo fato de encaminhar os estudos de usuário para uma compreensão mais humanista dos sistemas de informação, e por propor que esteja sempre em primeiro lugar a procura por conhecer melhor o usuário. Algumas das suas propostas fazem parte dos princípios teóricos da psicologia e da lingüística cognitiva.
A discussão proposta pela professora Devin sobre a necessidade de tornar o sistema de informação mais flexível, aceitando as diferenças, e construir assim um sistema mais responsável e democrático, coloca o usuário definitivamente como o agente que através de suas necessidades pessoais deve definir o sistema, fazendo dele algo realmente útil.
A abordagem de sense-making chama a atenção para a importância de que exista um diálogo aberto entre a iniciativa privada e a pública para estabelecer um respaldo mútuo aos trabalhos que vêm sendo feitos na área das bibliotecas virtuais, reafirmando a necessidade de que exista em todos os envolvidos na estruturação dos novos sistemas de informação um pouco mais de entendimento sobre as necessidades reais dos usuários.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DERVIN, B.; DEWDNEY, P. (1986). Neutral Questioning: a new approach to the reference interview. RQ, p. 506-513.
DERVIN, B. (1989). Users as research inventions: how research categories perpetuate myths. Journal of Communication, v. 39, n. 3, p. 216-232.
DERVIN, B.; CLARK, K. D. (1993). Communication and democracy: a mandate for procedural invention. In: SPLICHAL, S.; WASKO, J. ed. Communication and Democracy. Norwwod, NJ: Ablex, p. 103-140.
DERVIN, B. (1994). Informação<->Democracy: an examination of underlying assumptions. Journal of the American Society for Information Science, v. 45, n. 6, p. 369-87.
FERREIRA, Sueli Mara S. P. (1996). Novos paradigmas da informação e novas percepções do usuário. Ciência da Informação, Brasília, v. 25, n. 2, p.217-223, maio-agosto 1996.

Design de biblioteca virtual centrado no usuário: a abordagem do Sense-Making para estudos de necessidades e procedimentos de busca e uso da informaçã

Design de biblioteca virtual centrado no usuário:
a abordagem do Sense-Making para estudos de necessidades e procedimentos de busca e uso da informação*
Sueli Mara S. P. Ferreira
Resumo
Analisa a abordagem do Sense-Making na busca e uso da informação.
Palavras-chave
Biblioteca virtual; Biblioteca eletrônica; Biblioteca digital; Design; Sense-Making.





INTRODUÇÃO

Falar de bibliotecas virtuais, tanto quanto de redes de comunicação, esbarra em uma questão básica: quem são os atuais usuários da rede e dos sistemas de informação? Como e por que os estão utilizando? Quais suas características? E, principalmente, como projetar sistemas e serviços que efetivamente satisfaçam a atual demanda?

Estudos recentes sobre uso das atuais tecnologias emergentes têm evidenciado que a tendência de comportamento dos usuários é buscar, cada vez mais, serviços: a) interativos, ou seja, que utilizem todos os recursos tecnológicos disponíveis para estimular e promover a participação da clientela, tanto na utilização como na produção e avaliação das informações a serem inseridas nos próprios serviços de informação que lhe estão sendo oferecidos; b) personalizados e contextualizados, o que significa: serviços comprometidos com grupos específicos de comunidades, tratando de identificar suas necessidades intrínsecas, "customizando", ou seja, personalizando produtos e serviços em função de pessoas ou grupos, e ainda tratando de contextualizar a informação (fornecer elos de compreensão para o usuário); c) relevantes com valor agregado, isto é, que venham ao encontro das expectativas e conveniências do consumidor, sendo muito questionada a vital importância da manutenção de diálogos constantes entre provedor e consumidor de informações.

Uma análise destes três aspectos nos leva a um repensar sobre o próprio conceito de informação. Vale refletir que qualquer informação só tem sentido quando integrada a algum contexto. A informação por si só se constitui em um dado incompleto, é o indivíduo que lhe atribui sentido a partir de suas experiências passadas e interesse futuro.

O ser humano raramente busca informação com um fim em si mesmo. Ao contrário, ela é parte de um processo de tomada de decisão, solução de problemas e/ou alocação de recursos. Portanto, qualquer tentativa de descrever padrões de busca de informação deve admitir o indivíduo como o centro do fenômeno e considerar a visão, necessidades, opiniões e problemas desse indivíduo como elementos significantes e influentes que merecem investigação, quer seja para o desenvolvimento de produtos e serviços em ambiente eletrônico, ou não.

As tecnologias emergentes oferecem oportunidades para melhorar o gerenciamento de informações, os serviços e a colaboração interna e externa, bem como de oferecer serviços de acordo com a conveniência dos usuários traduzindo relevantes informações. Para isto, todavia, é exigido atualmente que o planejamento de toda e qualquer atividade de informação seja feito com base em pesquisas centradas no indivíduo, partindo-se de uma perspectiva cognitiva, buscando interpretar necessidades de informação tanto intelectuais como sociológicas.

Sense-Making Approach

Dentre as atuais metodologias de estudos de usuários, a mais completa e abrangente, com grande número de adeptos em todo o mundo, é a abordagem intitulada Sense-Making Approach, apresentada ao público em maio de 1983 pela professora doutora Branda Dervin**, na International Communications Association Annual Meeting, em Dallas/TX/USA.

Como consiste na pontuação de premissas teóricas e conceituais e outras tantas metodologias relacionadas, a abordagem Sense-Making se propõe avaliar como pacientes/audiências/usuários/ clientes/cidadãos percebem, compreendem, sentem suas interações com instituições, mídias, mensagens e situações e usam a informação e outros recursos neste processo. Tem, portanto, como foco o fenômeno do Sense-Making***.

Ao definir, amplamente, em termos de uma série de suposições ontológicas e epistemológicas, como a atividade humana de observações, interpretação e compreensão do mundo exterior, inferindo-lhe sentidos lógicos, advindos do uso dos esquemas interiores, Dervin define essa atividade tanto como um comportamento interno (cognitivo), como externo (atitudes, reações em face do meio social) que permite ao indivíduo construir e projetar seus movimentos, suas ações através do tempo e espaço. A busca e uso de informação, portanto, é central para tal atividade.

A base conceitual do Sense-Making foi desenvolvida com suporte na teoria de vários estudiosos, como Bruner & Piaget (cognição), Kuhn & Habernas (constrangimento das ciências tradicionais e alternativas), Ascroft; Beltran & Rolins (teórica crítica), Jackins & Roger (teoria psicológica) e principalmente em Carter, teórico da comunicação, afirmando que o homem cria idéias para transpor as lacunas que lhes são apresentadas em decorrência da descontinuidade sempre presente na realidade.

Dervin e seus seguidores têm verificado a crescente adoção desta abordagem, tanto nas áreas de comunicação, informação e biblioteconomia, como na educação, assistência social, psicologia, medicina e outras. Tem sido empregada em estudos desenvolvidos com amostras desde 20 a cerca de 1000 elementos - principalmente teses de doutoramento, pesquisas acadêmicas, projetos encomendados e estudos empíricos. De maneira geral, as aplicações abrangem grande variedade de contextos (em pesquisas de opinião pública sobre política, processos de comunicação na área de saúde, estudos acerca de imagens organizacionais, recepção de audiência e, recentemente, sobre uso de telecomunicações) e a uma variedade de níveis analíticos (individual, grupal, organizacional, comunitário, cultural).

Workshop - "Design de bibliotecas virtuais centrado no usuário"

Reunindo estes três grandes temas - Design de Bibliotecas Virtuais, Estudos de Necessidades de Informação e o Sense-Making Approach -, foi projetado o workshop Design de Bibliotecas Virtuais Centrado no Usuário: a abordagem do Sense-Making para estudo de comportamento e busca e uso de informação.

Ministrado pela professora Brenda Dervin, no período de 17 a 21 de março de 1997, teve como proposta apresentar e discutir usos e implementações de abordagens sistêmicas interpretativas para estudos de usuários e parâmetros norteadores para o design e avaliação de bibliotecas virtuais, partindo dos resultados obtidos com tais estudos. O respaldo metodológico de todo o workshop foi a abordagem do Sense-Making.

Com vistas a identificar pares, motivar estudos e criar uma massa crítica sobre o tema em nível nacional, o Grupo de Trabalho sobre Biblioteca Virtual do Comitê Gestor Internet-Brasil, em seu Programa de Capacitação Docente, promoveu a participação de representantes de cada uma das Coordenadorias Regionais da Associação Brasileira de Escolas de Biblioteconomia e Documentação (ABEBD) e de cada um dos cursos de pós-graduação vinculados à Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (Ancib).

Os 16 docentes beneficiados com este programa assumiram, em contrapartida, a responsabilidade de difundir e servir de veículo multiplicador de informações à comunidade de sua região e/ou instituição. Mais adiante, encontram-se relacionados os seminários de divulgação já promovidos e/ou agendados com o objetivo de atender este compromisso.

Identificação dos participantes

Embora o número de vagas tenha sido delimitado a 40, a grande procura acarretou o número de 57 participantes, 42 fixos e 15 freqüentando apenas sessões esporádicas.

Entre estes, encontram-se professores universitários (a maioria), representantes de associações de classe, bibliotecários de sistemas de informação e analistas de sistema. As linhas de atuação e especialidade dos participantes são as seguintes: controle bibliográfico; representação; indexação; serviço de referência, ciência da informação; ensino de biblioteconomia; automação; ciência da computação; metodologia de pesquisa; terminologia; informação para educação; informação para biblioteconomia; administração de bibliotecas; administração de recursos humanos; planejamento estratégico; bibliotecas digitais; gestão da qualidade; editoração eletrônica; bibliotecas públicas; bibliotecas escolares em ciência e tecnologia; informação em novas tecnologias; epistemologia; antropologia; estatística; novas tecnologias aplicadas à educação.

Metodologia e programa de trabalho

Os trabalhos da semana foram organizados de maneira a que todas manhãs fossem dedicadas a revisões teóricas dos temas específicos do programa, utilizando-se do recurso de tradução consecutiva, e as tardes a atividades em grupo com exercícios práticos, leituras, reflexão sobre temas específicos e avaliações.

O programa de trabalho contemplou os seguintes tópicos:

• Necessidades e busca de informação: conceitos. Foco nos aspectos filosóficos e metodológicos relacionados a estudos de necessidade, comportamento da informação e dos usuários.

• O processo de "produzir sentido" (Sense-Making). A abordagem do Sense-Making: a história de seu desenvolvimento teórico, aspectos filosóficos de suas aplicações para estudos de usuários, necessidade, busca e uso da informação. A metáfora gapbridging. Definição de conceitos como tempo, espaço, poder, motivação, restrições e, ainda, aplicação destes conceitos para se compreenderem os usuários.

• Como projetar estudos utilizando a abordagem do Sense-Making. Comparação entre as práticas de pesquisa. Os aspectos de continuidade dos estudos de usuários versus desenvolvimento tecnológico constante.

• Coleta de dados, utilizando a teoria do Sense-Making para desenvolver entrevistas para pesquisa específicas. Tipos de entrevistas: micromoment timeline, abbreviated time-line, focus group, time-spanning, help chainging, com o emprego da teoria para guiar a prática da entrevista.

• Prática: como aplicar resultados de estudos de usuários para a projeção de sistemas de informação e bibliotecas virtuais.

Avaliação final

Em conjunto com a professora Brenda Dervin e utilizando a bordagem do Sense-Making, foi elaborado um instrumento de avaliação para ser preenchido pelos participantes em diferentes etapas do workshop. Este instrumento, distribuído logo no primeiro dia e disponível permanentemente aos interessados em enviar sugestões e comentários, foi aplicado em dois momentos específicos: no terceiro dia de atividades, objetivando uma análise pontual de um dos tópicos em discussão e, ao final da semana, visando a uma avaliação global. Os dados compilados com esses formulários estão disponíveis no endereço: URL: http://www.eca.usp.br/eca/prof/sueli/workshop.htm

De maneira geral, pode-se afirmar que o workshop atingiu seus propósitos de incitar reflexões sobre os usuários de bibliotecas virtuais a um grande grupo de profissionais, divulgar a abordagem do Sense-Making, cultivar adeptos, iniciar atividades e trabalhos cooperativos com outras instituições. Vários são os fatores que levam a esta constatação. Por um lado, tem-se a expressiva demanda, a dispersão geográfica dos participantes, as entidades representadas e, principalmente, o alto nível de companheirismo e espírito de grupo que uniu os participantes durante toda a semana. Sem dúvida, essa união - cujo mérito é todo da estimulante professora Brenda - favoreceu os excelentes resultados obtidos. Por outro lado, no curto espaço de três meses que sucederam o workshop, um grupo de pesquisa já foi constituído, uma lista de discussão eletrônica está em vias de ser implementada e vários seminários já foram promovidos e/ou agendados pelos participantes docentes para repasse das informações obtidas. São eles:

• Seminário ABEBD da região Sudeste. São Carlos, 08 de maio de 1997. Palestra - A Abordagem do Sense-Making. Proferida pela professora Elizabeth Márcia Martucci da UFSCar.

• Seminário Globalização, informação e desenvolvimento humano sustentável: um desafio para os profissionais da informação e da comunicação. Goiânia-GO, 01 a 04 de junho de 1997. Promoção da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás.

• Palestra - Estudos de usuários e a abordagem do Sense-Making. Proferida pelo professor doutor Eduardo J. W. Dias da UFMG, como representante do Grupo Centro-Oeste da ABEBD.

• Seminário Globalização, informação e desenvolvimento humano sustentável: um desafio para os profissionais da informação e da comunicação. Goiânia-GO, 01 a 04 junho de 1997. Promoção da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás.

• Palestra - Os periódicos eletrônicos como caso de Sense-Making. Proferida por Sueli Gomes do IBICT.

• VI Encontro de Cursos de Biblioteconomia da Região Sul da ABEBD. Florianópolis-SC, 12 a 14 de junho de 1997.

• Palestra - Design de bibliotecas virtuais centrado no usuário: a abordagem do Sense-Making para estudo de necessidades e comportamento de busca e uso da informação. Proferida pela professora Maria Lourdes Blatt Ohira - Udesc.

• Encontro de Cursos de Biblioteconomia da Região Leste. Niterói, 25 a 27 de junho de 1997. Palestra - Sense-Making, proferida pela professora Sandra Rebel da UFF.

• Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação. Simpósio sobre formação e desempenho profissional no âmbito da biblioteconomia no Mercosul. São Luís, MA, 24 a 31 de julho de 1997. Seminário: Abordagem do Sense-Making na Pesquisa em Biblioteconomia. Proferida pela professora doutora Sueli Mara S.P. Ferreira.

• Seminário na Universidade Federal do Paraná, previsto para agosto de 1997, a ser proferido pela professora Patrícia Zeni Marchiori.

• Seminário na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, previsto para setembro de 1997, a ser proferido pela professora Jussara Santos.





User-centered design of virtual library: the Sense-Making approach to study the information needs seeking and use
Abstract
The article analyses the aspects of Sense-Making approach in the search and use of information.
Keywords
Virtual library; Electronic library; Digital library; Design; Sense-Making.





Sueli Mara S. P. Ferreira

Professora doutora do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
smferrei@usp.br




* Relatório do workshop promovido pelo Departamento de Biblioteconomia e Do-cumentação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, com apoio do Grupo de Trabalho sobre Biblioteca Virtual do Comitê Gestor Internet-Brasil, de 17 a 21 de mar-ço de 1997, sob coordenação da professora doutora Sueli Mara S.P. Ferreira. Informações adicionais em: URL: http://www.eca.usp.br/eca/prof/sueli/workshop.htm
** Professora titular no Departamento de Comunicações da Ohio State University. Foi professora da Escola de Comunicações da University of Washington e na School of Information Transfer da Syracuse University. Recebeu seu Ph.D. em Comunicações pela Michigan State University. Antiga presidente e agora membro honorário da ICA/International Communication Association. Concentra suas pesquisas em necessidades de informação, procedimentos de busca e uso da informação, comunicação/informação e democracia, design de sistemas de informação no usuário, teoria de comunicação, aplicações filosóficas e culturais de comunicação/informação. Foi a autora mais citada nos últimos dois anos, segundo estudos feitos no Social Science Citation Index.
*** Conforme mensagem eletrônica, recebida recentemente da professora Brenda Dervin, seu grupo de seguidores instituiu, desde final do ano de 1994, o uso de letras maiúsculas para se referir à abordagem e minúsculas para o fenômeno.

Design de biblioteca virtual centrado no usuário: a abordagem do Sense-Making para estudos de necessidades e procedimentos de busca e uso da informação *

INTRODUÇÃO Falar de bibliotecas virtuais, tanto quanto de redes de comunicação, esbarra em uma questão básica: quem são os atuais usuários da rede e dos sistemas de informação? Como e por que os estão utilizando? Quais suas características? E, principalmente, como projetar sistemas e serviços que efetivamente satisfaçam a atual demanda? Estudos recentes sobre uso das atuais tecnologias emergentes têm evidenciado que a tendência de comportamento dos usuários é buscar, cada vez mais, serviços: a) interativos, ou seja, que utilizem todos os recursos tecnológicos disponíveis para estimular e promover a participação da clientela, tanto na utilização como na produção e avaliação das informações a serem inseridas nos pró- prios serviços de informação que lhe estão sendo oferecidos; b) personalizados e contextualizados, o que significa: serviços comprometidos com grupos específicos de comunidades, tratando de identificar suas necessidades intrínsecas, “customizando”, ou seja, personalizando produtos e serviços em fun- ção de pessoas ou grupos, e ainda tratando de contextualizar a informação Design de biblioteca virtual centrado no usuário: a abordagem do Sense-Making para estudos de necessidades e procedimentos de busca e uso da informação * Sueli Mara S. P. Ferreira (fornecer elos de compreensão para o usuário); c) relevantes com valor agregado, isto é, que venham ao encontro das expectativas e conveniências do consumidor, sendo muito questionada a vital importância da manutenção de diálogos constantes entre provedor e consumidor de informações. Uma análise destes três aspectos nos leva a um repensar sobre o próprio conceito de informação. Vale refletir que qualquer informação só tem sentido quando integrada a algum contexto. A informação por si só se constitui em um dado incompleto, é o indivíduo que lhe atribui sentido a partir de suas experiências passadas e interesse futuro. O ser humano raramente busca informa- ção com um fim em si mesmo. Ao contrário, ela é parte de um processo de tomada de decisão, solução de problemas e/ou alocação de recursos. Portanto, qualquer tentativa de descrever padrões de busca de informação deve admitir o indivíduo como o centro do fenômeno e considerar a visão, necessidades, opiniões e problemas desse indivíduo como elementos significantes e influentes que merecem investigação, quer seja para o desenvolvimento de produtos e serviços em ambiente eletrônico, ou não.

Design de biblioteca virtual centrado no usuário: a abordagem do Sense-Making para estudos de necessidades e procedimentos de busca e uso da informação *

INTRODUÇÃO Falar de bibliotecas virtuais, tanto quanto de redes de comunicação, esbarra em uma questão básica: quem são os atuais usuários da rede e dos sistemas de informação? Como e por que os estão utilizando? Quais suas características? E, principalmente, como projetar sistemas e serviços que efetivamente satisfaçam a atual demanda? Estudos recentes sobre uso das atuais tecnologias emergentes têm evidenciado que a tendência de comportamento dos usuários é buscar, cada vez mais, serviços: a) interativos, ou seja, que utilizem todos os recursos tecnológicos disponíveis para estimular e promover a participação da clientela, tanto na utilização como na produção e avaliação das informações a serem inseridas nos pró- prios serviços de informação que lhe estão sendo oferecidos; b) personalizados e contextualizados, o que significa: serviços comprometidos com grupos específicos de comunidades, tratando de identificar suas necessidades intrínsecas, “customizando”, ou seja, personalizando produtos e serviços em fun- ção de pessoas ou grupos, e ainda tratando de contextualizar a informação Design de biblioteca virtual centrado no usuário: a abordagem do Sense-Making para estudos de necessidades e procedimentos de busca e uso da informação * Sueli Mara S. P. Ferreira (fornecer elos de compreensão para o usuário); c) relevantes com valor agregado, isto é, que venham ao encontro das expectativas e conveniências do consumidor, sendo muito questionada a vital importância da manutenção de diálogos constantes entre provedor e consumidor de informações. Uma análise destes três aspectos nos leva a um repensar sobre o próprio conceito de informação. Vale refletir que qualquer informação só tem sentido quando integrada a algum contexto. A informação por si só se constitui em um dado incompleto, é o indivíduo que lhe atribui sentido a partir de suas experiências passadas e interesse futuro. O ser humano raramente busca informa- ção com um fim em si mesmo. Ao contrário, ela é parte de um processo de tomada de decisão, solução de problemas e/ou alocação de recursos. Portanto, qualquer tentativa de descrever padrões de busca de informação deve admitir o indivíduo como o centro do fenômeno e considerar a visão, necessidades, opiniões e problemas desse indivíduo como elementos significantes e influentes que merecem investigação, quer seja para o desenvolvimento de produtos e serviços em ambiente eletrônico, ou não.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

BibMargarida: Diagnostico em bibliotecas publicas

BibMargarida: Diagnostico em bibliotecas publicas

Diagnostico em bibliotecas publicas

Descrição
Autor: Adalberto Diehl Rodriguez
Ano: 2008
Páginas: 111

Compreender o contexto de uma biblioteca pública e o papel social e cultural desempenhados por esta instituição em uma comunidade requer conhecimento e prática de ferramentas capazes de situar o gestor em meio à mobilidade e a manipulação de um conjunto de objetos muitas vezes abstratos. O presente guia propõe a prática do diagnóstico como um meio de conhecer a realidade da biblioteca pública, seus problemas e suas potencialidades. O leitor aprenderá que a biblioteca pública é uma instituição dotada de níveis decisórios, cuja compreensão é definida pelo uso do dignóstico nas funções administrativas de planejamento e controle, tornando-se apto a identificar os problemas existentes em uma biblioteca pública, transformar os problemas em objetivos, conceituar variáveis e indicadores pertinentes à análise da situação e propor soluções que alimentem um projeto orientado para o alcance dos objetivos institucionais.

Diagnóstico em bibliotecas públicas

http://extralibris.org/concursos/2008/12/04/diagnostico-em-bibliotecas-publicas/
Diagnóstico em bibliotecas públicas
Um grande livro na biblioteconomia. Na minha opinião, este “Diagnóstico em Bibliotecas Públicas: Guia para a solução de problemas a partir o reconhecimento de situações decisórias na instituição”, de Adalberto Diehl Rodriguez, publicado pela Armazem Digital, é o principal lançamento da biblioteconomia brasileira desde o “Introdução à Biblioteconomia” de Edson Nery da Fonseca. Exagero? Vá ler. Este livro é fantástico. Ainda não está sendo solicitado em concursos, mas não tenho dúvidas de que isso não demorará a acontecer.

Primeiro, o autor é um profissional atuante, que escreve muitíssimo bem, escrevendo sobre sua profissão. A gente precisa mais disso. Precisamos que nossos profissionais escrevam, compartilhem suas preocupações diárias conosco em livros. Foi o que Adalberto fez. Ele que desde 2002 comanda a Biblioteca Pública de Alvorada, RS, e que chegou a manter um blog, muito bom, na ExtraLibris em tempos idos.

É preciso que este livro seja lido. As bibliotecas públicas sofrem com falta de tudo, não devem sofrer também por nossa culpa. E o diagnóstico é o primeiro passo para saber por onde começar.

É impressionante o número de pontos de verificação (checklists) que Adalberto coloca no livro. E o melhor é que ele pediu licença a ninguém (leia-se: poucas citações). São pontos que sua própria experiência e vivência em bibliotecas públicas mostram ser importantes. O livro também traz esquemas e quadros para melhor visualização das situações.

Eu fico muito feliz quando leio (página 51) a resposta à pergunta abaixo:

“c) A biblioteca realiza um esforço para assegurar a disponibilidade de uma obra e as maiores facilidades possíveis de seu acesso aos usuários?”
E a resposta:

“Uma biblioteca em que não é encontrado um título de divulgação e procura atual tende a perder usuários. A biblioteca que não pensa em facilitar ao máximo a aquisição de títulos para os usuários está abrindo as portas para que estes usuários abandonem sua frequência e uso.”

E é de bibliotecas públicas que estamos falando. Bibliotecas públicas devem se preocupar em manter usuários, sim.

“Diagnóstico em Bibliotecas Públicas: Guia para a solução de problemas a partir o reconhecimento de situações decisórias na instituição”", de Adalberto Diehl Rodriguez, é um livro que todo bibliotecário deve ler e se debruçar sobre.

Força nos estudos!!!

p.s.: Adalberto é sagitariano, assim como eu, Edson Nery e mais um bom número de ótimo bibliotecários que conheço.

ENTRE A ACADEMIA E A BIBLIOTECA PÚBLICA: O METAESPAÇO

ENTRE A ACADEMIA E A BIBLIOTECA PÚBLICA: O METAESPAÇO COMO LOCUS DISCURSIVO
Adalberto Diehl Rodriguez

RESUMO: A partir da afirmativa de que a relação entre Academia e Biblioteca
Pública pode ser observada, o trabalho questiona qual é o espaço privilegiado para
tal observação e como o mesmo pode ser avaliado. Fundamentado na Teoria
Sistêmica de Luhmann, admite que as instituições sugeridas dependem de um
metaespaço comunicativo onde a relação se torne compreensível. O locus em
questão é aquele realizado na totalidade dos eventos congregadores, tais como os
fóruns, encontros e simpósios. A partir da documentação desse espaço e de sua
referência em artigos de periódicos eletrônicos de livre acesso na web, elaborou-se
uma pesquisa na Base de Dados Referenciais em Ciência da Informação (BRAPCI).
A pesquisa levantou os artigos de periódicos eletrônicos publicados no Brasil, entre
2005 e 2009, alusivos à temática sugerida, através da busca pela expressão
“Biblioteca Pública” na consulta Palavras-chaves. A seguir, analisou as referências
constantes dos artigos de periódicos recuperados pelo levantamento bibliográfico,
relativas às comunicações científicas em eventos. Por fim, estudou nas referências
os indicadores qualificação do metaespaço, abrangência geográfica, data e
quantidade de referências. Os resultados apuraram que apenas quatro artigos
alusivos à temática Biblioteca Pública, dentre dezessete, nos últimos cinco anos,
referenciaram comunicações científicas. De 294 documentos referenciados em todos
os artigos, apenas seis documentam metaespaços. O intervalo de tempo entre o
artigo citante e o metaespaço referenciado variou de três a onze anos. O trabalho
conclui que a produção acadêmica focada na Biblioteca Pública através de artigos
de periódico é ínfima. Considera que é raro o uso dos metaespaços como
promotores do discurso comum entre Academia e Biblioteca Pública. Apura que as
pautas formadoras do discurso nos metaespaços ainda persistem com uma
significativa passagem de tempo. Sugere, por fim, uma maior interatividade na
relação entre Academia e Biblioteca Pública, bem como a busca de um maior
impacto por parte dos metaespaços próprios do discurso comum entre as
instituições relacionadas.

*
Bacharel em Biblioteconomia e Especialista em Projetos Sociais e Culturais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Aluno de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Coordenador da Biblioteca Pública Municipal de Alvorada (RS) e autor das obras Diagnóstico em Bibliotecas Públicas: guia para a solução de problemas a partir do reconhecimento de situações decisórias na instituição (Porto Alegre:
Armazém Digital, 2008) e A Condição Civilizatória: uma visão essencialista da informação, da inovação e do conhecimento (Leme: Mundo Jurídico, 2010), vencedora do I Concurso Literário da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições.

PALAVRAS-CHAVE: Academia, Biblioteca Pública, Comunicação Científica
1 INTRODUÇÃO
Relacionar Academia e Biblioteca Pública constitui uma construção reflexiva
que foge ao óbvio. Fosse tal relação proposta entre Biblioteca Universitária e
Academia, firmar-se-ia uma construção muito mais evidente. Mas relacionar
Academia e Biblioteca Pública pressupõe uma complexidade maior, considerando-se
a expressão de dois domínios distintos.
Não obstante a distinção, é mister haver um denominador comum de visão,
ou tal associação seria inviável. Isso não significa necessariamente uma intersecção entre os campos, fundamentada numa racionalidade subjetiva, na qual o sujeito e o objeto emergem com muita propriedade, dependendo de como os fatos são vistos. 3Em outras palavras: para relacionar as instituições sugeridas é preciso observá-las, mas qual delas constitui um espaço privilegiado para a observação da relação?
Uma avaliação da Biblioteca Pública pela Academia possibilita questionar
cientificamente a primeira. Mas uma avaliação da Academia pela Biblioteca Pública
tem razão de ser no debate amplo, quanto ao fato de a primeira estar ou não
conseguindo problematizar as necessidades da segunda como objeto de estudo. A
interrogação é o ponto de partida para este trabalho, que visa discutir o elo entre as instituições propostas, e como este elo pode ser observado e avaliado.
Academia e Biblioteca Pública podem ser vistas numa perspectiva sistêmica,
como a proposta por Luhmann (1996), pois não se confundem: são estruturas
formadas numa perspectiva particular, diferenciadas do ambiente em que se
encontram presentes. São sistemas fechados, auto-suficientes para atualizarem
suas estruturas internas a partir da seleção que são capazes de fazer perante os
influxos que observam nas mudanças do ambiente. Usando um termo tomado de
empréstimo da Biologia, por Luhmann, os sistemas são autopoiéticos.
Assim, a Biblioteca Pública e a Academia observam-se mutuamente sem que
suas próprias estruturas e funções se confundam com aquelas observadas. Na
verdade, sequer trata-se de uma observação direta: um sistema sempre observa a si (auto-observação) ou a observação de outro sistema a si (hetero-observação). O
denominador comum de visão que viabiliza a associação entre os domínios depende
de um observador de segunda ordem, que possa reunir, num único espaço e
momento as distintas observações, observador esse situado num espaço entre a
poiesis e a praxis: o metaespaço da comunicação científica.
2.2 A Razão para Relacionar Academia e Biblioteca Pública
Nos últimos anos, as políticas públicas brasileiras têm produzido uma série de
atualizações a partir de demandas específicas dependentes de observações ligadas
à Biblioteca Pública. São observações tão relevantes que, no Plano Nacional do
Livro e da Leitura (PNLL), de 2005, a participação das bibliotecas públicas é
lembrada em todos os seus eixos de ação – do fomento à leitura, à economia do
livro. Também na segunda edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil,
realizada pelo Instituto Pró-Livro, em 2008, apontou-se a necessidade de expandirse a freqüência e o uso das bibliotecas municipais pela população.
A relação entre incentivo à leitura, fortalecimento de bibliotecas públicas e
desenvolvimento econômico e social não constitui um elo novo para os
bibliotecários. Estes profissionais, dentre os quais destaca-se Emir Suaiden (1980),
já o afirmavam no início dos anos oitenta. Desde aquela época, várias tentativas de
buscar a definição de políticas próprias para o desenvolvimento das bibliotecas
públicas e do incentivo à leitura culminaram com o PNLL, quando o Ministério da
Cultura apresentou um documento elaborado a partir do debate entre representantes
de toda a cadeia de produção do livro, onde foram discutidas as prioridades que
deveriam orientar uma política nacional de incentivo à leitura, cujo componente
fundamental é o desenvolvimento de bibliotecas publicas.
Pode-se considerar o PNLL como uma vitória para todos os profissionais da
informação, sobretudo para os bibliotecários que insistiram por décadas na
necessidade de políticas voltadas ao desenvolvimento de bibliotecas públicas. Não
obstante, se há hoje o reconhecimento da biblioteca pública no contexto prático de afirmação das políticas, como a instituição é reconhecida em sua dimensão teórica pelos bibliotecários e cientistas da informação?
A importância dessa pergunta tornase visível porquanto a ação política requeira que haja competências para serem
desenvolvidas, competências cujo foro privilegiado reside no corpo de
conhecimentos constituídos pela Biblioteconomia. O desenvolvimento das políticas
públicas requer que os profissionais atuantes na instituição Biblioteca Pública
detenham, portanto, não só comprometimento com a instituição, mas também
conhecimento de seu sistema, como um conjunto de conhecimentos bibliotecários
pertinentes a essa área.
Nesse sentido, a razão para relacionar Academia e Biblioteca Pública
justifica-se no reconhecimento da dimensão teórica, fundamental para o
aprimoramento dos profissionais que atuam nas bibliotecas públicas. Esse
reconhecimento depende de resposta a duas perguntas: o que se tem produzido na
temática Biblioteca Pública e quais são as suas fontes? Investigar essas questões
permite que se descubra o estado da arte da temática no Brasil. É na heteroobservação dessa necessidade que a Academia atualiza a sua agenda de
pesquisas, desenvolvendo estudos potentes para a pauta.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A produção acadêmica focada na Biblioteca Pública através de artigos de
periódico é ínfima. A constatação é preocupante, considerando-se que a partir do
PNLL exige-se um posicionamento estratégico das bibliotecas públicas em torno do
desenvolvimento da leitura no país. A ausência de uma quantidade maior de artigos
sobre a temática indica que há pouca produção de investigação na área.
Entretanto, mesmo entre os poucos artigos acerca da temática proposta, há
uma quantidade inexpressiva de referências alusivas às comunicações científicas, o
que indica o raro uso dos metaespaços como promotores do discurso comum entre
Academia e Biblioteca Pública. No que diz respeito às bibliotecas públicas, os
eventos que lhe são próprios tendem a esgotar-se em seu acontecimento, sem que
sua memória registrada seja reutilizada como referência para novos trabalhos.
Deve-se considerar, ainda, que os metaespaços, quando citados em um
artigo, dataram de pelo menos três anos anteriores, chegando mesmo a doze anos.
Isso significa que as pautas formadoras do discurso nos metaespaços ainda
persistem com uma significativa passagem de tempo. Há a necessidade de se
investigar se trata-se de problemas ainda não solucionados.
A observação mútua entre Biblioteca Pública e Academia necessita de uma
atualização, dada pelo observador de segunda ordem, o pesquisador. Deve haver
incentivo para que os bibliotecários comprometidos com o serviço público dediquemse à investigação científica através da Academia, tanto quanto os pesquisadores acadêmicos dediquem-se ao estudo das problemáticas apontadas pelos
bibliotecários na Biblioteca Pública. Requer-se uma maior produção de artigos nesse 11
âmbito, tanto quanto um maior impacto por parte dos metaespaços próprios do
discurso comum entre Academia e Biblioteca Pública, de modo a gerar contribuições
importantes ao pensamento dos profissionais e pesquisadores bibliotecários.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. PNLL: Plano Nacional do Livro e da Leitura. Brasília: Ministério da Cultura,
Ministério da Educação, 2005. Disponível para download em:
. Acesso em: 19.10.2009.
CARRIZO SAINERO, Gloria; RODRIGUEZ-LÁZARO, Antonio Franco; DEL AMO,
Pilar Ordás. Historia de las Técnicas Estadísticas Aplicadas a los Estudios de
Usuarios. In: A.H.E.P.E. Historia de la Probabilidad y la Estadística (III). Madrid:
Delta Publicaciones Universitarias, 2006.
CBO: Classificação Brasileira de Ocupações. Brasília: Ministério do Trabalho e
Emprego, 2002. Disponível em:
Acesso em 19.10.2009.
ESCOBAR MELO, Hugo. Saber, Sujeto y sociedad: una década de investigación
en psicología. Bogotá: Pontificia Universidad Javeriana, 2006.
FONSECA, Edson Nery da (org.). Bibliometria: teoria e prática. 9. ed. São Paulo:
Cultrix, EDIUSP, 1993.
LUHMANN, Niklas. Introducción a la Teoría de Sistemas. México (D.F.):
Universidad Iberoamericana, 2002.
ORTELLADO, Pablo. As Políticas Nacionais de Acesso à Informação Científica.
Liinc em Revista, Rio de Janeiro, v. 4, n. 2, p.186-195, set. 2008.
RETRATOS da Leitura no Brasil. [S.l.]: Instituto Pró-Livro, 2008.
SUAIDEN, Emir. Biblioteca Pública Brasileira: desempenho e perspectivas. São
Paulo: Lisa; Brasília: INL, 1980.

sábado, 3 de setembro de 2011

A gestão da qualidade em serviços de informação no Brasil: uma nova revisão de literatura

http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/viewFile/58/261
A gestão da qualidade em serviços de informação no Brasil uma nova revisão de literatura, de 1997 a 2006

Descreve a implantação da gestão da qualidade em serviços de
informação no Brasil, por meio de revisão de literatura nacional, com o objetivo
de complementar a revisão de literatura publicada em 1998 e apresentar um
novo panorama, com trabalhos publicados e divulgados a partir de 1997,
objetivando contribuir para o avanço das discussões a respeito da aplicação da
gestão da qualidade em serviços de informação no Brasil e adicionar um novo
estudo teórico sobre o tema.
Palavras-chave: Gestão da qualidade; Serviços de informação
Recebido em 17.10.2005 Aceito em 27.03.2006




O SERVIÇO DE REFERÊNCIA DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFSC E O PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO DO USUÁRIO:

O SERVIÇO DE REFERÊNCIA DA BIBLIOTECA CENTRAL Da UFSC E O PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO DO USUÁRIO:desenvolvimento de uma ferramenta colaborativa com base na tecnologia wiki.
Fernanda Schweitzer
Resumo: Relato das atividades desenvolvidas durante o estágio curricular do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Santa Catarina. Discorre sobre as mudanças ocorridas nas bibliotecas universitárias decorrentes da nova demanda de usuários e das novas tecnologias. Ressalta a importância do desenvolvimento de novos produtos e serviços na Biblioteca Universitária para satisfação dos usuários o campus. Contextualiza o setor de referência inserido na biblioteca universitária. Enfatiza a importância do Programa de Capacitação do Usuário. Demonstra o desenvolvimento de uma ferramenta colaborativa com base na tecnologia wiki, para servir como apoio ao Programa de Capacitação de Usuário. Conclui que o profissional bibliotecário deve assumir cada vez mais seu papel de educador para o uso dos recursos informacionais.
Palavras-Chave: Biblioteca Universitária. Serviço de Referência. Educação do usuário. Wiki

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Bibliotecas públicas: bibliotecas para o público

http://bsf.org.br/wp-content/uploads/2011/08/Texto01.pdf
Bibliotecas públicas: bibliotecas para o público
algumas notas para uma reflexão estratégica sobre as bibliotecas públicas
Por Filipe Leal
Biblioteca Municipal de Vendas Novas
Resumo
É feita uma reflexão em torno da biblioteca pública na comunidade que serve, designadamente o seu posicionamento
estratégico perante esta, os serviços prestados e a cultura
organizacional que lhe está subjacente. No âmbito da filosofia de funcionamento apresentada, que pressupõe que a biblioteca pública seja equacionada em função do público que
serve, são ainda abordadas as questões de promoção da
leitura, estratégias de funcionamento globais adequadas à
realidade nacional e ainda a qualificação sistemática dos recursos disponíveis.
A tese presente no título desta comunicação (bibliotecas públicas: bibliotecas
para o público) parece ser uma daquelas ideias tão óbvias que carecem de uma
abordagem mais aprofundada. Todavia, será que esta tese é efectivamente posta
em prática nas bibliotecas públicas portuguesas?
Essencialmente, podemos perspectivar o funcionamento de uma biblioteca pública
em função dos recursos disponíveis ou em função da comunidade a servir. Em Portugal, consciente ou inconscientemente, tem-se optado pela primeira destas opções.
Não é pois de admirar que ao tentarmos caracterizar as nossas organizações deparemos com o seguinte quadro institucional:
 missão institucional: adquirir, tratar, organizar e disponibilizar documentos
 organização dos fundos documentais segundo sistemas disciplinares de saberes
 perspectivação dos serviços em função dos recursos documentais
 pouca segmentação dos públicos: serviços genéricos / utilizadores indiferenciados
 pouca utilização das TIC nas rotinas de funcionamento e no acesso à informação
 concentração dos esforços do pessoal no tratamento e disponibilização dos documentos
 gestão burocrática e administrativa, a tónica é colocada nas rotinas técnicas
 forte hierarquia vertical, que separa os técnicos decisores dos técnicos executantes
 (em suma) biblioteca pública: instituição neutra, estática e reactiva
Tendo em conta estas características torna-se óbvio, no nosso ponto de vista, que
não existe uma correspondência efectiva entre aquela tese e a sua aplicação na
prática. É neste contexto que surge esta comunicação, cujo principal objectivo é o
de apresentar algumas notas de uma reflexão estratégica sobre as bibliotecas públicas portuguesas, estruturada em três níveis intimamente relacionados: visão estratégica, onde são apresentadas as características de uma biblioteca pública que corresponda àquela tese; cultura organizacional, onde são apresentados os princípios
de uma nova cultura organizacional que corresponda a essa visão estratégica; filo-sofia de funcionamento, onde são apresentadas as opções estratégicas de funcionamento que correspondem a essa cultura organizacional.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

CDD on line

link da CDD on line

http://www.sisdoc.com.br/biblioteca/apoio_cdd.php

Pacto pela Biblioteconomia Brasileira‏

Pacto pela Biblioteconomia Brasileira
Daniela F. A. Oliveira Spudeit
Bibliotecária CRB 14ª 791/Pedagoga
Mestre em Ciência da Informação/UFSC

Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação
Maceió, 10 de agosto de 2011.
Reunião dos Conselhos, Associações e Sindicatos de Bibliotecários brasileiros
Frente às atuais necessidades da formação profissional configurados pelos:
· novos modelos de formação acadêmica
· educação continuada e as demandas do mercado
· mercado de trabalho ocupado por outros profissionais
· fortalecimento da área de P&D no país
e os conquistas das entidades de classe em prol do exercício profissional tais como:
· instalação de bibliotecas escolares (Lei n. 12244)
· valorização da leitura e de formação de leitores (censos das bibliotecas públicas municipais)
· valorização da biblioteca pública (projeto MinC)
e perante aos desafios propostos pela atual conjuntura brasileira, tais como:
· Sistema de regulação profissional – desregulamentação das profissões e demanda dos profissionais por maior qualidade na governabilidade das instituições.
· Integração profissional e social – reconhecimento do papel social da profissão, reconhecimento do papel das entidades profissionais, inserção no contexto latinoamericano das entidades.
· Maior quantidade de profissionais formados – Redução do tempo de formação (Cursos seqüenciais, tecnólogos e à distância) para atender Leis como exemplo a Lei 12.244.
· Alguns cursos de Biblioteconomia que tiveram a nomenclatura alterada (gestão e ciência da informação).
· Existência de técnicos e auxiliares com formação específica.
· Educação continuada com espaços assumidos também por outros profissionais com outras formações (interdisciplinaridade).
· Perfil do profissional da área – censo profissional CRB
· Governabilidade das instituições da área: ausência de articulação entre as entidades de classe em busca de um bem comum, ausência de lideranças, desconhecimento por parte dos profissionais do papel de cada instituição e que implica na pouca visibilidade institucional, pouco envolvimento dos profissionais com suas entidades, o que compromete a continuidade das ações.

Perante este cenário definiu-se elaborar o PACTO PELA BIBLIOTECONOMIA BRASILEIRA: O que de fato queremos para o futuro da Biblioteconomia no Brasil? É necessário construir um Projeto Político para a Biblioteconomia Brasileira para estabelecer coletivamente o que fazer, como fazer e as responsabilidades de cada ator no pacto.

Caminhos a percorrer a partir deste evento:
Estabelecer a constituição deste pacto para construir este projeto político e levar esta discussão para a base dentro das associações, conselhos, sindicatos, universidades de Biblioteconomia e Ciência da Informação para definir as responsabilidades de cada ator no pacto para criar um plano de ação.
Convido todos os bibliotecários interessados nesta causa que envolve o destino da nossa profissão em nosso país para se integrar junto aos conselhos, associações e/ou sindicatos de bibliotecários em seus estados para construirmos coletivamente este projeto político.Em Santa Catarina, em breve será realizada uma reunião e convidaremos todos os bibliotecários catarinenses para este debate.

Precisamos nos unir para defender nossa profissão perante o atual cenário social e político. Se não houver união e participação dos bibliotecários para defender esta causa, em breve nossa profissão pode ser desregulamentada e enfraquecida.
--

At.te.,
____________________________
Daniela F. A. Oliveira Spudeit
Bibliotecária CRB 14ª 791/Pedagoga
Mestre em Ciência da Informação/UFSC
Currículo: http://lattes.cnpq.br/4660698668153332


--
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

AÇÃO CULTURAL E BIBLIOTECA PÚBLICA, NOVOS CAMINHOS PARA A EDUCAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO HUMANO

AÇÃO CULTURAL E BIBLIOTECA PÚBLICA, NOVOS CAMINHOS
PARA A EDUCAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO HUMANO
ANDRÉIA S. RIBEIRO
*
(asribeiro2001@yahoo.com.br)
VANDA ANGÉLICA CUNHA
**
(avangeli@ufba.br)
RESUMO: Trata da ação cultural em bibliotecas públicas como interação e integração da
instituição aos usuários na expressão da diversidade cultural. Aborda o processo de ação
cultural nas bibliotecas públicas de Salvador através da análise de conceitos propostos por
autores consagrados no tema. Analisa a estrutura e a dinâmica das práticas cotidianas
considerando sua importância na educação e no desenvolvimento humano. Objetiva
disseminar os frutos desse estudo para sensibilizar outras unidades de informação e ocorreu
em bibliotecas de governo estadual, governo municipal e em uma fundação particular com
uma biblioteca aberta à comunidade. Investigou o campo com questionários estruturados.
Ofereceu resultados do ponto de vista estrutural e da concepção que bibliotecários e
usuários têm do tema. Conclui por identificar um modelo de ação cultural distante do
sistema conceitual e por apontar novos caminhos no desempenho de suas funções.
Acredita-se que maior difusão da experiência resulta em mudanças do cenário encontrado.
Palavras-Chaves: Ação cultural; Bibliotecas Públicas – Salvador.

*

AS FUNÇÕES BÁSICAS DA BIBLIOTECA PÚBLICA

AS FUNÇÕES BÁSICAS DA BIBLIOTECA PÚBLICA
Para que uma biblioteca torne-se verdadeiramente pública, faz-se necessário assumir as seguintes funções: educativa, cultural, recreativa
e informacional.
Antes de descrever essa categorização, é interessante salientar que, na prática, as funções acima destacadas encontram-se interrelacionadas, não sendo possível trabalhá-las isoladamente.
Porém, como nossa intenção liga-se à exposição dessas funções de forma didática, visou-se apresentá-las separadamente para que o processo de compreensão ocorra com maior qualidade.
No que se refere à educação, Susana P. M. Muller (1984) afirma que a função educacional não deve ser entendida como sendo a mesma da escola ou da educação de massa, pois a biblioteca deve visar o benefício da sociedade através da prática de leitura, sem ganhar
grandes abrangências, ou seja, apenas estimular o uso dos livros.
Contudo, junto à evolução histórica dos papéis e objetivos atribuídos às bibliotecas, observa-se que, inicialmente, sobretudo ao final do século XIX, a razão de afirmar que a origem da biblioteca de caráter público correspondeu, eminentemente, à função educacional, haja vista que esse tipo de biblioteca nasceu a partir das reivindicações da população em obter um maior acesso à educação (Nogueira, 1986).
De acordo com Walkíria Toledo de Araújo (1985), a biblioteca pública, desde seus primórdios até os dias atuais, constitui-se em uma instituição educativa por excelência. Todavia, não deve oferecer seus serviços apenas aos públicos real e potencial, bem como voltar-se unicamente à educação formal − entendida como sendo a pesquisa escolar.
Partindo desse pressuposto, pode-se dizer que a função educativa desenvolvida pela biblioteca pública deve ser entendida como sendo as atividades que servirão, exclusivamente, como complemento, suporte e apoio à educação formal, sem, contudo, deixar de atender à educação não-formal e a informal

Isso implica dizer que a biblioteca pública deveria se preocupar não só com o público estudantil, devido o fato de que, atualmente, 90% dos usuários freqüentadores da biblioteca são constituídos por alunos, sobretudo, dos níveis fundamental e médio, como destaca Oswaldo Francisco de Almeida Júnior (1997), mas também com o público
potencial e, sobretudo, o não-público.
Para isso, necessitar-se-ia modificar os objetivos da biblioteca, alterando-se sua postura, suas atitudes e atividades para abranger a comunidade em geral, isto é, o público alfabetizado, o neo-alfabetizado e o não-alfabetizado.
A parte cultural é denominada a segunda função básica da biblioteca pública, sendo que esta foi incorporada somente na primeira metade do século XX.
Na prática, a função cultural é pouco desenvolvida, pois esta confunde-se com o caráter erudito, de superioridade, não estando, portanto, disponível ao público em geral.
Porém, o desenrolar dessa função deve ser entendida como sendo todo e qualquer tipo de manifestação artística oferecida à comunidade, dando, segundo Ana Maria Cardoso de Andrade e Maria Helena de Andrade Magalhães (1979), aos indivíduos a oportunidade “de contato, participação, apreciação das artes, proporcionando ambiente agradável, estimulando e agindo, tanto quanto possível, como contra-peso à cultura comercialmente orientada de nossos dias”
Isso implica dizer que a biblioteca poderia oferecer desde uma programação de música clássica, ópera, ballet, até algumas sessões de cinema, vídeo e TV, abrangendo, também, um acervo de literatura emnível variado, palestras, debates, exposições, conferências, concertos,cursos e tudo o mais que se possa imaginar em favor da cultura.
É interessante salientar que não é pretensão da biblioteca pública ocupar o espaço dos museus, galerias de artes ou instituições afins, nem mesmo servir como influenciador de opiniões. Todavia, pelo fato de se continuar concebendo a cultura como algo que leva apenas ao refinamento, acaba deixando de lado a incultura, a ignorância e a
rudeza.
A função recreativa ou de lazer, embora tenha sido criada na mesma época que o processo cultural, é vista como sendo a que mais vem perdendo espaço junto aos meios de comunicação, uma vez que a mídia relega o hábito de leitura para segundo plano.
Com o intuito de promover o gosto pela boa leitura, a partir do detrenimento, a função recreativa visa atender a uma importante necessidade social, que é o equilíbrio psíquico.
Em sendo assim, a finalidade dessa função corresponde ao oferecimento de uma leitura descompromissada e de livre escolha para proporcionar ao público que a procura o relaxamento e/ou recreação do indivíduo, cuja rotina encontra-se inserida nas pressões exercidas pela vida moderna, como destacam Andrade e Magalhães (1979).
Isso não implica dizer que essa função proporcionará à biblioteca um estado de desordem, pelo contrário, através da aparente leitura descompromissada, esta poderá tornar-se indispensável para a comunidade que, apriori, irá procurá-la apenas para a obtenção de uma
leitura que desperte a imaginação, ficção, criatividade ou, simplesmente,prazer estético, a fim de obter uma forma de evasão e de compensação.
Progressivamente, esse mesmo público que solicitava apenas a leitura descompromissada, começará a se interessar pelos demaisgêneros literários existentes no acervo da biblioteca, podendo a vir se tornar um usuário real.
Por fim, destaca-se a função informacional, cuja origem deu-se a partir da Segunda Guerra Mundial, mais precisamente, após os anos 50.
Inicialmente, essa função foi implantada nos Centros Referenciais dos Estados Unidos, sendo em seguida, difundida à Inglaterra.
Para se manter como uma instituição relevante à comunidade, a biblioteca percebeu que deveria fornecer a informação de forma cada vez mais confiável, rápida e, principalmente, com qualidade.
É válido ressaltar que a função informacional foi resultante não só da finalidade de encontrar um meio de se manter importante, necessária e imprescindível à comunidade, mas também devido sua própria existência encontrar-se ameaçada, em decorrência da falta de verbas.
Durante o desempenho dessa função, os serviços que a biblioteca deveria oferecer ao público em geral, liga-se à informação que corresponde à necessidade das pessoas que a solicitam, tornando-se, portanto, de vital importância para a comunidade, mesmo que tal
solicitação seja uma informação do cotidiano, conhecida como utilitária.
Por esse tipo de informação, entende-se como sendo aquela que não se encontra apenas no suporte tradicional, sobretudo no livro, pois “A ênfase portanto, do trabalho do bibliotecário deve estar voltada para a disseminação das informações e não para promover,
exclusivamente, o acesso dos usuários ao suporte dessas informações. Até hoje o profissional da área não assumiu nem percebeu o papel que deve desempenhar para a sociedade” (Almeida Jr., 1997:56).
Desenvolver essa função implica na prestação de serviço junto à informação que visa satisfazer as necessidade imediatas da comunidade, não estando, por sua vez, localizada nos documentos existentes na biblioteca, já que se volta para as questões de esclarecimentos diversos, endereços de pessoas ou instituições, indicação de emprego, pontos turísticos, preços de hotéis, etc. (Nogueira, 1983; Vergueiro, 1988).
Diante do exposto, é interessante resgatar que as quatro funções descritas não caminham isoladamente, pelo contrário, encontram-se interligadas entre si, bem como não são exclusivas, uma vez que somente através da união entre elas é que a biblioteca poderá tornar-se uma instituição verdadeiramente pública.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por biblioteca pública, entende-se como sendo aquela que visa oferecer seus serviços à comunidade em geral, voltando-se, portanto, ao público alfabetizado, neo-alfabetizado e não-alfabetizado, independente de sua cor, raça, sexo, faixa etária e classe social.
De acordo com a historiografia, a origem da biblioteca verdadeiramente pública, deu-se nos países anglo-saxônicos, a partir daSegunda metade do século XIX, devido refletirem as necessidades do povo, haja vista que foram resultantes das suas reivindicações, em favor
da democratização da educação.
Com base em Lívia Marques Carvalho (1991), observa-se que, apesar das bibliotecas que se localizaram nos Estados Unidos terem sido criadas, praticamente, na mesma época que as bibliotecas da Inglaterra, estas atuaram em um outro contexto, em relação àquelas, já
que para a realidade americana, a função educativa correspondeu à oferta de oportunidade aos homens de forma igualitária − democratização da educação −, enquanto que na inglesa serviu apenas para a manutenção da ordem.
No que diz respeito às práticas das bibliotecas públicas brasileiras,pode-se observar que, desde seu início, apresentaram um caráter elitista − conservando o bem público biblioteca apenas à pequena parcela que pode e sabe utilizá-la −, fechando, desta forma, suas portas a quem realmente precisavam delas, isto é, o não-público.
Em sendo assim, apesar de defenderem o caráter público, negligenciam sua função pública, pois não se voltam para a comunidade em geral − que não se identifica com o ato de ler −, não sendo reconhecida, portanto, pelos cidadãos que a cercam, causando conflitos
nos papéis a serem desempenhados, uma vez que ela se reserva ao direito de cumprir suas funções de forma a não responder aos interesses da população em geral, não acompanhando, assim, as transformações sociais.
Com efeito, para transformar cidadãos críticos, a partir do hábito de leitura, ao cumprir as quatro funções básicas − educacional, cultural, recreativa e informacional −, a biblioteca pública passa a desempenhar verdadeiramente seu papel público, haja vista que visará atender àsdemandas coletivas, colocando-se como um espaço para contestação e
desnudamento dos interesses ideológicos, local adequado para fortalecer dinamicamente as transformações sociais, sendo capaz de contribuir para as alterações no âmbito das sociedades que, através do conhecimento, desvelam o mundo e buscam a qualidade de vida para todos os que nelas vivem.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Bibliotecas públicas e bibliotecas alternativas. Londrina: UEL, 1997. 171p.
ANDRADE, Ana Maria Cardoso de. Objetivos e funções da biblioteca pública. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v.8, n.1, p. 48-59, mar.1979.
_________________, MAGALHÃES, Maria Helena de Andrade. Objetivos e funções da biblioteca pública. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v.14, n.1, p.106-122, mar.1985.
ARAÚJO, Walkíria Toledo de. A biblioteca pública e o compromisso social do bibliotecário. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v.14, n.1, p. 106-22, mar.1985.
CARVALHO, Lívia Marques. Biblioteca, instituição preservadora da cultura dominante? Inf. Soc., João Pessoa, v.1, n.1, p.33-43, 1991.
FLUSSER, Victor. Uma biblioteca verdadeiramente pública. Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v.9, n.2,p. 131-138, set.1980.
FONSECA, Edson Nery da. Introdução à Biblioteconomia. São Paulo: Pioneira, c1992. 153p.
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MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. Tradução: Pedro Maia Soares. 4. reimp. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. 405p.
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WADA, Madalena Sofia Mitoko. Democratização da cultura nas bibliotecas infanto-juvenis. Belo Horizonte: UFMG, 1985. (Dissertação, Mestrado em Biblioteconomia)

Mashup

Mashup
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Um mashup é um website ou uma aplicação web que usa conteúdo de mais de uma fonte para criar um novo serviço completo.
O conteúdo usado em mashups é tipicamente código de terceiros através de uma interface pública ou de uma API. Outros métodos de codificação de conteúdo para mashups incluem Web feeds (exemplo: RSS ou Atom), Javascript e widgets que podem ser entendidas como mini aplicações web, disponíveis para serem incorporadas a outros sites.
Assim como os blogs revolucionaram a publicação online, os mashups estão revolucionando o desenvolvimento web possibilitando a qualquer um combinar dados de fontes como o eBay, Amazon.com, Google, Windows Live e Yahoo! de maneiras inovadoras. Uma maior disponibilidade de APIs leves e simples tem possibilitado mashups relativamente simples de projetar. Requerem um conhecimento técnico mínimo e os mashups feitos sob encomenda muitas vezes apresentam inovações que eram consideradas improváveis, combinando uma nova disponibilidade pública de dados e novos caminhos criativos.
Algumas vezes encontrou-se também referências aos termos aplicação situacional ou ad hoc sites, referindo-se aos mashups.
Em 2004, o termo Web 2.0 foi cunhado em uma conferência da O’Reilly Media, referindo-se a uma assim chamada “segunda geração” de aplicações web, caracterizadas por um grau maior de interação e colaboração entre usuários. De lá para cá, o termo passou a ser constantemente utilizado pelo mercado, na esteira do rápido crescimento de um número significativo de blogs, comunidades virtuais, wikis e outras aplicações.
Em "What is the Web 2.0"([1]), Tim O’Reilly menciona que o conceito da Web 2.0 não possui fronteiras rígidas. Mas, de uma forma geral, pode-se entendê-la como um conjunto de princípios e práticas.
Alguns desses princípios são:
Web como plataforma (de serviços): O’Reilly menciona duas aplicações surgidas antes da criação do termo Web 2.0, como exemplos de utilização da web como uma plataforma de serviços: DoubleClick (propaganda) e Akamai (serviços de caching de informação).
Oferta de serviços e não pacotes de software.
Arquitetura focada em participação.
Escalabilidade.
Mistura de fontes de dados e de transformação de dados.
Software utilizável em vários tipos de dispositivos.
Aplicações que atuam como potencializadores da inteligência coletiva.
É neste contexto em que os mashups se inserem, pois podem ser considerados um dos tipos de aplicação da chamada Web 2.0. E não seria exagero dizer que eles sejam, talvez, o tipo que mais se adere aos princípios da Web 2.0.

[editar]Exemplos

WikiCrimes
musicplace
Django People
Chicago Crime
Criticar BH - @criticarbh - Belo Horizonte - A crítica como fonte de inovação em processos

Arquitetura de um Mashup

Em Mashups: The New Breed of Web Applications [2], Duane Merrill propõe que, em termos de arquitetura, uma aplicação mashup é constituída pelos seguintes elementos:
Provedores de conteúdo (ou de APIs),o mashup site a aplicação cliente (tipicamente, um navegador).
Os provedores de conteúdo normalmente publicam seu conteúdo através de APIs, que implementam protocolos ou paradigmas de interação baseados nos princípios REST, tais como RSS, Atom ou SOAP. Em alguns casos, o provedor de conteúdo não foi necessariamente preparado para ser utilizado por outra aplicação. Ou seja, seu conteúdo é utilizado na composição de um mashup, sem que o criador do site ou aplicação o tenha concebido para tal tipo de interação. Nestes casos, como não há uma API previamente definida, os construtores de mashup podem utilizar uma técnica chamada de screen scrapping para obter conteúdo desses sites.
Uma outra forma de publicar conteúdo para a construção de mashups é através de widgets, que são pedaços de códigos que podem ser incorporados pelas aplicações mashup.
O mashup site é onde reside a lógica da aplicação. Não necessariamente a execução da aplicação (ou de parte dela) ocorrerá no servidor do mashup site. Isto porque várias partes da aplicação poderão ser executadas no provedor de conteúdo ou na aplicação cliente (browser).
Um dos principais exemplos de mashup site é o [3]. Neste caso, Google Maps (fornecendo os mapas) e o Departamento de Polícia de Chicago (fornecendo os dados das ocorrências de crime) são os fornecedores de conteúdo.
De fato, pode-se entender que o grande diferencial desse tipo de aplicação está na possibilidade de combinar dados resultantes de computação em vários pontos (nos três elementos da arquitetura) para obter o resultado final do mashup.
A aplicação cliente tipicamente é um navegador sendo executado no computador do usuário. Nele executa-se a lógica para a apresentação do conteúdo. Muitas vezes, utiliza-se alguma lógica rodando no cliente para compor e agregar o conteúdo, além da apresentação propriamente.

Tecnologia e padrões que suportam os Mashups

Ao analisar a arquitetura proposta, percebe-se que essa baseia-se num paradigma que, de certa forma, já era utilizado pelos protocolos e padrões da web. Ao utilizar pequenos “pedaços” de software, como os antigos contadores de acesso, ou mesmo pedaços de client-side code (como os códigos em JavaScript), os criadores de sites já estavam, de certa forma, montando mashup applications.
Assim, não seria errado entender que os mashups são, na verdade, uma natural evolução dos paradigmas anteriores, com a possibilidade de agregar conteúdo mais dinâmico (extraídos de bases de dados), e de apresentá-los em formatos distintos, combinados com outras informações.
Neste ponto, é interessante apresentar algumas das tecnologias e padrões que suportam o conceito de mashups. Tome-se como base os três elementos considerados os componentes de uma aplicação mashup.
Os provedores de conteúdo publicam serviços ou APIs para que outras aplicações obtenham informações de seus sites. De maneira ideal, esses serviços ou APIs devem funcionar de acordo com os princípios de arquitetura conhecidos como REST.
REST é definido por Roy Thomas Fielding como “um estilo de arquitetura para sistemas distribuídos de hipermídia”. REST define um conjunto de propriedades com ênfase na escalabilidade, uso de interfaces genéricas, implantação de componentes independentes, além do uso de componentes intermediários para reduzir latência, prover segurança e encapsular sistemas legados.
Mas, além dessas tecnologias básicas da web, pode-se identificar outras tecnologias mais recentes (ou seria melhor dizer, modelos de aplicações), cuja evolução permitiu o surgimento e a disseminação dos mashups. Não se pretende que a lista a seguir seja extensiva, dada a diversidade e o dinamismo da web, mas podemos citar Web feeds, Ajax, Web Services (SOAP), Screen Scrapping e Web semântica (RDF).

Classificação dos mashups

Considerando-se a natureza dinâmica e, até certo ponto, anárquica da web, seria de certa forma até arriscado propor algum tipo de classificação dos mashups. Porém, como há algumas propostas diferentes de classificação, entende-se que é interessante mostrar essas possibilidades, a título de informação.
No artigo da Wikipedia (Mashup (web application hybrid)) em inglês, os mashups são classificados, conforme a sua destinação, como consumer mashups, data mashups e enterprise mashups. Mas esta classificação pode ser melhorada, pois um dos tipos mencionados (data mashups) poderia pertencer a uma dimensão de classificação diferente de dos outros dois. Ou seja, pode-se entender que um data mashup pode ser também classificado como um consumer mashup, por exemplo.
David Linthicum em "Critical Business Data for Mashups, SOAs, and Enterprise Applications"(http://www.kapowtech.com/pdf/A%20Primer%20on%20Enterprise%20Mashups.pdf), por sua vez, classifica-os em dois tipos: centrados em apresentação (presentation-centric) e centrados em dados (data-centric). Estes, por sua vez, podem ser classificados em agregação de conteúdo, fluxos automatizados de dados, dados compostos e migração de conteúdos.
Já Duane Merrill em "Mashups: The New Breed of Web Applications"(http://www.ibm.com/developerworks/xml/library/x-mashups.html), propõe uma classificação baseada no tipo de aplicação em que um mashup é utilizado. Assim, eles podem ser classificados em mashups de mapas (mapping mashups), de vídeo e fotos, de busca e compras, e de notícias.
Considerando-se as possibilidades acima, parece fazer sentido classificar os mashups em mais de uma dimensão: conforme a origem e composição das informações (seguindo a proposta de David Linthicum, por exemplo); conforme o público-alvo; conforme seu objetivo ou utilizão.