sexta-feira, 2 de março de 2012

BLOGS DA BIBLIOTECONOMIA: NOVO POTENCIAL PARA A ATUALIZAÇÃO PROFISSIONAL

http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo_print.php?cod=480
BLOGS DA BIBLIOTECONOMIA: NOVO POTENCIAL PARA A ATUALIZAÇÃO PROFISSIONAL
[Novembro/2009]

A blogosfera, expressão que designa os blogs, webblog ou simplesmente blogue – termo utilizado em Portugal – é o espaço onde se localizam os diários digitais ou eletrônicos da internet. De acordo com o diretório dos blogs Technorati [URL: http://technorati.com/blogs/directory/] esse tipo de aplicação tem crescido de forma assustadora, chegando a dobrar de quantidade a cada seis meses.

O Technorati indica que, diariamente, são criados cerca de 75.000 novos blogs, praticamente um novo sítio a cada segundo! Todavia, muitos desses diários digitais deixam de ser atualizados e/ou são abandonados pelos seus criadores. Mesmo com essa “morte” prematura, o número de blogs atuantes é impressionante, com mais de 70 milhões de endereços.
Mas, o que é um blog? É uma “página que contém textos curtos, organizados segundo a ordem cronológica e atualizados constantemente. Pode incluir ponteiros para hiperligações a sítios importantes, avaliação de sítios, notícias sobre organizações ou pessoas. Às vezes inclui diário pessoal” (CUNHA, p. 56-57). Essas atualizações, denominadas de postagens (posts), são organizadas como se fossem um diário, na ordem cronológica inversa, isto é, as mensagens mais atualizadas aparecem primeiro.



Alguns especialistas da Comunicação de Massa acreditam que os blogs estão se tornando numa importante forma de mídia alternativa, agregando informações oriundas de diversas fontes, revelando diferentes pontos de vista e, possivelmente, influenciando a opinião em larga escala – uma visão chamada “mídia participativa”. “Provavelmente a maior diferença entre os blogs e a mídia tradicional é que os blogs compõem uma rede baseada em ligações – os links, propriamente. Todos os blogs por definição fazem ligação com outras fontes de informação, e mais intensamente, com outros blogs. Muitos blogueiros mantêm um “blogroll”, uma lista de blogs que eles frequentemente lêem ou admiram, com links diretos para o endereço desses blogs. Os blogrolls representam um excelente meio para observar os interesses e preferências do blogueiro dentro da blogosfera; os blogueiros tendem a utilizar seus blogrolls para ligar outros blogs que compartilham os mesmos interesses” (BLOG OLHAR COMUM).



O blog geralmente aborda conteúdos específicos: notícias, informações, entrevistas, reportagens e furos sobre política, Câmara dos Deputados, Senado Federal e bastidores do governo, como o Blog do Noblat [URL: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/]. Esse blog, por sinal, possui uma audiência média de mais de cem mil acessos por dia – maior que a tiragem de muitos jornais brasileiros!



Assim como as outras profissões, a Biblioteconomia compartilha o seu conhecimento por meio de livros, periódicos e comunicações em eventos técnicos. O blog, por outro lado, começa a chamar a atenção dos bibliotecários pelas suas características de prover um maior senso de imediatismo, interatividade e informalidade. Esse é, talvez, uma das fontes mais informais da comunicação técnica.



Os efeitos do crescimento no número de blogs chegaram também à nossa área. Já existem inúmeros blogs. Usando como exemplo, uma busca simples feita no Technorati com o termo “library” apresentou a existência de 2791 blogs. Muitos desses sítios se referem a ações desenvolvidas por bibliotecas em diversos países.



A seguir são comentados os principais blogs em língua portuguesa nas áreas da Biblioteconomia. Foram listados apenas os sítios que estão sendo publicados regularmente; o arranjo é por ordem alfabética de títulos dos sítios. Não foram comentados os blogs institucionais de bibliotecas e das empresas de produtos e serviços da área. Todos os exemplos foram visitados em 29 de outubro de 2009, estando, portanto, ativos naquela data.



Abrindo Espaço [URL: http://katyushasouza.blogspot.com/] Editado por Katyusha Souza; cobre a “gestão do conhecimento, da Informação, usabilidade, Arquitetura de Informação, Ciência da informação, Biblioteconomia, mídia”.
Balcão de Biblioteca [URL: http://balcaodebiblioteca.blogspot.com/] Editado pela bibliotecária portuguesa Claudia Lopes; inclui “notícias, histórias, reflexões, novidades e curiosidades, na área das Ciências Documentais, mais especificamente das bibliotecas”.
Bibliofilmes [URL: http://bibliofilmes.blogspot.com/] Editado por um grupo de portugueses que aborda filmes e livros; é uma “iniciativa para a Comunidade da Língua Portuguesa usando um novo conceito de promoção do livro, da biblioteca e da leitura através das novas tecnologias e do cinema”.
BiblioFotoTeca [URL: http://bibliofototeca.blogspot.com/] Inclui “fotografias sobre mundo dos livros e das bibliotecas”.
Biblioteca de Jacinto [URL: http://abibliotecadejacinto.blogspot.com/] Editado por Maria Clara Assunção, aborda noticias da área e da literatura. Nota: inclui um aviso de que não aplicará no blog o novo Acordo Ortográfico!
Bibliotecário Anarquista [URL: http://bibliotecarioanarquista.blogspot.com/] Editado pelo bibliotecário português Adalberto Barreto Lisboa, aborda as bibliotecas públicas, história em quadrinhos, direitos do autor e acesso à informação.
Bibliotecas em Portugal [URL: http://bibliotecas-.blogspot.com/] Editado por Fernando Vilarinho e José Pedro Silva; inclui notícias sobre a área de Biblioteconomia e bibliotecas públicas.
Bibliotecários sem fronteiras/design e inovação [URL: http://bsf.org.br/] Editado pelos bibliotecários brasileiros Tiago Murakami, Moreno Barros, Viviane Silva, Diego Abadan e pela colega portuguesa Maria Clara Assunção. Blog de grande audiência e inclui muitos comentários dos seus leitores.
Bibliotecas portuguesas [URL: http://bibliotecasportuguesas.blogspot.com/] Editado por José Pedro Silva, é um espaço “de notícias, novidades, troca de idéias, partilhas, experiências, e reflectir sobre o futuro das bibliotecas”.
Biblioteconomia [URL: http://blogbiblioteconomia.blogspot.com/] Editado em Portugal, inclui notícias gerais sobre a área.
Biblio Portal [URL: http://www.biblioportal.blogger.com.br/] Editado desde março de 2004, pelo bibliotecário paraense Alexandre Siqueira; inclui notícias gerais sobre a área.
Bibliotequices [URL: http://bibliotequices.blogspot.com/] Inclui notícias sobre bibliotecas, ciências documentais e informação; com ênfase em filmes e vídeos.
Bibliovagas [URL: http://www.bibliovagas.blogspot.com/] Editado por Fernanda Gilhon, Nelson Oliveira da Silva e Marcos Girardi; noticia opiniões sobre o profissional da informação e noticiário sobre o mercado de trabalho.
Bibvirtual [URL: http://bibvirtual.blogs.sapo.pt/] Editado por António Regedor, inclui notícias sobre bibliotecas e bibliotecários portugueses; com ênfase na biblioteca escolar.
Bitbiblio [URL: http://bitbiblio.blogspot.com/] Editado pelo professor David Vernon; com ênfase nos aspectos de tecnologia e informação voltada para a ciência da informação
Blog do Kuramoto [URL: http://kuramoto.wordpress.com/] Editado por Hélio Kuramoto, aborda o movimento dos arquivos abertos e as fontes de informação de acesso livre.
Cibertecário 0.2 [URL: http://cibertecario02.blogspot.com/] Editado pelo bibliotecário português Eloy Rodrigues, aborda “o acesso livre à literatura científica (Open Access), os repositórios institucionais, as bibliotecas universitárias e as digitais”.
Edson Nery da Fonseca [URL: http://edsonnerydafonseca.blogspot.com/] Editado por alunos de Biblioteconomia da Universidade Federal de São Carlos; inclui noticiário sobre a obra do grande bibliotecário brasileiro Edson Nery da Fonseca.
Educação Bibliotecária [URL: http://francisco-chagas-souza.blogspot.com/] Editado pelo professor Francisco Chagas Souza, da Universidade Federal de Santa Catarina; aborda a informação e sociedade, a biblioteca e educação, ética e estudos de usuários.
Entre Estantes [URL: http://entreestantes.blogspot.com/] Editado por Bruno Duarte Eiras, com notícias e comentários enfatizando a leitura.
Gestão da Informação [URL: http://www.gestaoinformacao.blogspot.com/] Editado por Sofia Neto, aborda a gestão da informação em seus variados aspectos.
Infofagia [URL: http://infofagia.wordpress.com/] Editado por Tudor Mendez; inclui notícias sobre variados assuntos da área.
Infohome [URL: http://www.ofaj.com.br/] É quase um portal, dirigido pelo professor Oswaldo Francisco de Almeida Junior; inclui colunas produzidas por especialistas, imagens, curiosidades, mercado de trabalho e noticiário sobre as mais diversas áreas da Biblioteconomia.
Informação [URL: http://a-informacao.blogspot.com/] Editado, desde junho de 2005, por três profissionais brasileiros (André Ricardo Luz, Michelangelo Viana, Murilo Bastos da Cunha) e três portugueses (Eloy Rodrigues, Nuno de Matos, Paulo Sousa); cobre aspectos variados.
Informação para a Internet sobre as bibliotecas 2.0 [URL: http://informacaoeinternet.blogspot.com/] Editado pelos bibliotecários portugueses Sérgio Bernardo e Filipa Marinho Caldeira; com ênfase nos aspectos da biblioteca no ciberespaço.
Librarian [URL: http://andremonteirovieira.blogspot.com/] Editado pelo bibliotecário português André Monteiro Vieira; inclui notícias diversas relacionadas com a área.
Na Biblioteca, ao Sul [URL: http://a-bibliotecasul.blogspot.com/] Editado pela bibliotecária portuguesa Emilia Lucia Pacheco; inclui notícias sobre as bibliotecas localizadas no Sul de Portugal.
Librarianship [URL: http://biblio20.wordpress.com/] Editado pelos estudantes de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais, Anderson Batista e Joana Angélica; inclui notícias gerais da área.
Papalugui [URL: http://opapalagui.blogspot.com/] Editado pelo português Nuno Marçal; com fotografias e comentários sobre as viagens do carro-biblioteca na região de Proença-A Nova.
Rato de Biblioteca [URL: http://ratodebiblioteca.blogspot.com/] Editado pelo bibliotecário português Pedro Príncipe, aborda as inúmeras facetas da biblioteconomia, com ênfase na tecnologia.
Sphere [URL: http://sphere-project.blogspot.com/] Editado por seis portugueses; aborda os aspectos da tecnologia digital nos processos de acesso e difusão da informação científica.
Usabilidade & Arquitetura da Informação [URL: http://www.blogdeusabilidade.blogspot.com/] Editado por Alex Castro e Isabel Lofgren, aborda o design de interação e a experiência do usuário.
Viva Biblioteca Viva [URL: http://vivabibliotecaviva.blogspot.com/] Editado pela bibliotecária portuguesa Luisa Alvim, com ênfase na tecnologia da informação.
Web 2.0 PT [URL: http://web20pt.wordpress.com/] Editado pelo português Lino Oliveira; cobre as tecnologias, aplicações e ferramentas da web social e semântica.
Web Librarian [URL: http://wl.blog.br/] Editado pelo bibliotecário Alexandre Berbe; cobre a Biblioteconomia, Cibercultura e Arquitetura de Informação.



Como se pode notar pela listagem acima, os blogs na língua portuguesa estão fazendo cobertura dos mais diversos aspectos da nossa área. É inegável que os blogs estão cumprindo um importante papel de informar o bibliotecário a respeito das novidades, das dificuldades e das políticas públicas da área. Eles também servem como um contexto ideal para a reflexão e compreensão sobre o importante papel do bibliotecário no ciberespaço.



Referências

BLOG OLHAR COMUM. URL: Acessado em: 28/10/2009.

CUNHA, M. B. da; CAVALCANTI, C. R. de O. Dicionário de biblioteconomia e arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2008. 451 p.



Sobre Murilo Bastos da Cunha


Murilo Bastos da Cunha é professor do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília (UnB). Fez doutorado em biblioteconomia na University of Michigan (EUA) e mestrado na Universidade Federal de Minas Gerais. Dentre as atividades que exerceu na UnB estão a de diretor da Biblioteca Central, Faculdade de Estudos Sociais Aplicados e chefe do Departamento. Foi presidente da Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal (ABDF) e do Conselho Federal de Biblioteconomia. Publicou: Uso de informações científicas e técnicas no Brasil, com Victor Rosenberg (1983); Bases de dados e bibliotecas brasileiras (1984); Documentação de hoje e de amanhã (1986 e 1994), com Jaime Robredo; Para saber mais: fontes de informação em ciência e tecnologia (2001); Dicionário de biblioteconomia e arquivologia (2008), com Cordélia Cavalcanti.

BIBLIOTECA: UM LUGAR DE DESCOBERTAS

http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo_print.php?cod=605
BIBLIOTECA: UM LUGAR DE DESCOBERTAS
[Maio/2011]

Entre os vários projetos existentes no colégio onde atuo, tem um no 7° ano cujo principal objetivo é possibilitar ao aluno conhecer e vivenciar o trabalho que cada funcionário executa na escola. Numa manhã, no período de 6 aulas, o aluno acompanha todos os passos do funcionário em sua jornada, ganhando por isso o carinhoso apelido de “sombra”.

O conteúdo é passado em sala de aula e durante 7 dias os alunos “trabalham” nos diferentes departamentos, e essa experiência se torna muito rica à medida que permite o conhecimento, a prática, a teoria do trabalho e acontece sempre dias antes do 1° de Maio.

Dependendo das necessidades de cada departamento, podem abrigar até 4 alunos, inclusive limpeza, cozinha e segurança. Isso já ocorre há 7 anos e na Biblioteca, a cada ano que passa, notamos que a surpresa fica mais evidente, pois eles conseguem conhecer a biblioteca do lado de dentro, como prestadores de serviço e não como clientes e isso faz toda a diferença.



De uns dois anos pra cá, eles já podem escolher o local que querem conhecer melhor e para os que preferiram a biblioteca, nós perguntamos o porquê e a resposta é, quase sempre, por acharem legal, tranquilo e gostoso. Por um lado é ótimo que se sintam à vontade de estar na biblioteca, por outro, porém, é necessário desmistificar esse tal de sossego e tranquilidade que muitos alunos, professores e até mesmo colegas funcionários pensam da biblioteca, ou seja, se estamos em período de férias escolares, a equipe da biblioteca não tem o que fazer; se por outros vários motivos não tem alunos na biblioteca, que nós ficamos fazendo? E por aí vai. Acredito que muitos funcionários de bibliotecas já viram esse filme!!!!



Estamos tendo uma grande oportunidade de alterar essa imagem, pois antes de começarem o trabalho, fazemos uma pequena preleção com a apresentação geral da biblioteca e as bocas vão se abrindo de espanto: ”nossa, não fazia ideia que tinha tudo isso pra fazer”; “caramba! não imaginava que até o livro chegar pra gente, passava por tudo isso...”; “tem que fazer faculdade para trabalhar em bibliotecas?” e aí no final do período, dá até para perceber se algum deles terá jeito para esses serviços.



Agora o gratificante é o resultado da avaliação apresentada para os professores. A maioria que por aqui passou, gostou muito, aprendeu um pouco mais sobre o funcionamento de uma biblioteca, sobre a responsabilidade de cada um, por menor que seja sua função e quem sabe dessa vivência possa sair, futuramente, usuários mais conscientes da importância de uma biblioteca, e até mesmo profissionais bibliotecários.



A exemplo da proposta do 7°, o 5° ano do Ensino Fundamental I também tem seu projeto, diferenciado apenas no modo de aplicação. Para eles, consiste em escolher uma profissão dentro dos vários setores do colégio e fazer uma entrevista, a fim de colher maiores e melhores informações a respeito da profissão exercida.



Nesse ano vários alunos escolheram a profissão de bibliotecário e com dias e horários marcados, nos encontramos para a entrevista. Alguns vieram em duplas, outros só e outros em grupos maiores. Foi uma verdadeira maratona.



Cada grupo preparou uma série de perguntas super interessantes. À medida que eu ia respondendo, curiosamente, a atenção de alguns deles ficava mais aguçada e notei um certo interesse pela profissão de bibliotecário, tal a minha emoção e entusiasmo ao responder as questões sobre porque escolhi ser bibliotecária; o que me levou a fazer isso; o que mais gostei e gosto na profissão; se o salário é bom ou não; se é necessário gostar e ter que ler muito para ser bibliotecário e por aí vai... Porém quase todos tinham uma questão em comum: o que eu recomendaria a eles, alunos do 5° ano, para seguirem essa profissão também.



A princípio senti uma responsabilidade enorme, depois a tensão foi diminuindo e a conversa aconteceu mais leve e solta e fui desfiando um novelo de motivos que eles poderiam se ater para cursarem biblioteconomia (palavra que não conseguiram pronunciar de primeira). Esse projeto também não é a primeira vez que acontece na escola, porém neste ano foi mais profundo, senti que as crianças levaram mais a sério e tiveram muito mais interesse em conhecer, de fato, as profissões existentes na escola. As perguntas, claro que com supervisão da professora, foram bem mais elaboradas e lhes deram uma ideia bastante interessante do que seja ser bibliotecário e no desenrolar do bate papo uma aluna veio com essa: “ eu acho que a biblioteca é onde a gente pode descobrir um montão de coisas, por isso eu acho também que é muito bom e gostoso ser bibliotecária.” Não é o máximo?



Essas entrevistas duraram cerca de 4 dias, pela manhã ou no período da tarde e sempre nos recreios deles. Era corrido e eu precisava ser bastante objetiva e sucinta nas respostas, mas bem cuidadosa. Após a sessão de fotos e recreio acabado, os alunos foram embora e eu fiquei a pensar na importância do nosso papel na escola, como precisamos cuidar de nossa imagem, nossa postura, nosso linguajar, nossa conduta.



E nesses pensamentos todos, pegando o gancho na fala da aluna que achava ser a biblioteca um lugar de descobertas, viajei no tempo, remexendo no baú de minhas memórias para resgatar lembranças maravilhosas de minhas primeiras idas á uma biblioteca, essa denominada de Gabinete de Leitura, lá em Jundiaí, minha cidade natal.



A alegria que tinha em entrar naquele centro de cultura, sabedoria, memória, onde o silêncio era primordial e só conseguia ouvir um pequeno ranger ao andar, sendo o piso todo de tábua corrida, era indescritível, ímpar. O prédio, de 2 andares, tinha uma escada linda, meio que em espiral, que sempre me dava uma estranha e gostosa sensação de estar em um castelo.



Era e ainda soa engraçado, ao recordar, pois o Gabinete de Leitura Ruy Barbosa ficava em frente ao Quartel de Infantaria de Jundiaí e eu preferia me entreter com todos aqueles livros maravilhosos a olhar para os pracinhas, tal qual muitas meninas que se debruçavam nas janelas, estrategicamente abertas de frente para o quartel, faziam. E ainda ficava muito orgulhosa quando os soldados me viam entrar no Gabinete, pois acreditava que me achariam culta e inteligente. Na época, essa oportunidade era para bem poucos.



Não foram poucas as vezes em que minha mãe me deixou de castigo, pois tinha hora marcada para retornar, e como eu me deixava levar vendo a riqueza lá existente, saia atrasada e perdia o ônibus. Durante o trajeto de volta ia me preparando para as broncas que, com certeza, e com razão eu levaria, pois combinado é combinado. Mas valia a pena, pois além de ter feito as lições, minha cabeça estava cheia de imagens e informações.



O acervo era composto de livros muito antigos, ricamente encadernados, os famosos capa dura, que nos chamava muito a atenção. Continham mais textos e as ilustrações, embora mais modestas e em banco e preto, nos atraia também. O cuidado que tínhamos em relação a esse objeto de desejo e o carinho com que os funcionários o tratavam, assim como a nós leitores, não esqueci jamais e sempre que podia retornava àquele ambiente mágico.



Me lembrei, claramente, de como tinha admiração por aqueles funcionários que sabiam tudo sobre os livros; davam dicas para todos os interessados; viviam arrumando as estantes para que todos pudessem localizar o que buscavam; quanta preocupação em manter a ordem do espaço e com o atendimento; enfim, naqueles momentos eu queria trabalhar em biblioteca, mesmo sem saber, assim como nossos alunos atuais, que precisaria fazer tanta coisa para ser bibliotecário e poder usufruir desse lugar de descobertas.



Uma das coisas que mais me marcou e recordei com alegria, era a paciência e atenção que os funcionários tinham para conosco, os mais jovens. Claro que eu, assim como os colegas de minha idade, não éramos tão traquinas (para não dizer mal educados) como muitas crianças de hoje. Nós obedecíamos mais rapidamente. Mas mesmo assim isso me fez pensar em como agimos, hoje, com os alunos mais rebeldes, pois aí está o grande desafio da educação. Trabalhar com os bonzinhos e educados é tarefa menos trabalhosa. E com os “diferentes”, como tratá-los e atraí-los?



Já tive a oportunidade de citar que a biblioteca escolar, como parte integrante do processo educativo, também tem que descobrir como trabalhar e criar em nossos alunos mais difíceis o prazer de frequentar a biblioteca.



No livro Os jovens e a leitura: uma nova perspectiva, de Michèle Petit, tem um capítulo intitulado A hospitalidade do bibliotecário que mostra várias entrevistas que a autora realizou com jovens frequentadores de biblioteca e um deles, que conhece bibliotecas desde pequeno, narra: “o importante é que o bibliotecário tenha tempo para se dedicar ao que é da ordem da vida, a tudo que se refere à vida e, no que toca aos jovens, também à moral; e fazê-lo de maneira simples, impregnando-os de emoções, de coisas positivas. Mais que ser um conservador ou um guardião de livros, ser uma espécie de mágico que nos leva aos livros, que nos conduz a outros mundos.”



Pois foi algo bastante semelhante que os funcionários do saudoso Gabinete de Leitura me proporcionaram. Não sei dizer se eram ou não bibliotecários formados, mas tinham essa preocupação, essa postura, permitindo que eu sonhasse e tivesse devaneios naquele mundo de descobertas.



A título de informação, o Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, em Jundiaí data de 1908 e até hoje está no mesmo local, apenas mais ampliado, com mais salas, acervo maior e até um anfiteatro.

Sobre Marilucia Bernardi

Formada pela PUCCamp, é bibliotecária e professora de Biblioteca no Colégio Santa Maria, dede 1996. Atuou na Fundação Getulio Vargas de São Paulo, na Metal Leve e chefiou a Biblioteca da Faculdade Anhembi-Morumbi. Possui textos publicados e ministrou palestras sobre Biblioteca Escolar. Atualmente é conselheira do CRB-8ª – São Paulo.

BIBLIOTECA PÚBLICA: teimosia ou prioridade?

http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo_print.php?cod=582
BIBLIOTECA PÚBLICA: teimosia ou prioridade?

[Março/2011]

A decisão de ser bibliotecário chegou um tanto devagar na minha vida. Foi a terceira faculdade após duas desistências. O objetivo inicial de trabalhar com documentos da área musical mudou no meio do curso. Resolvi trabalhar em biblioteca pública e perseguir a equação: democracia da informação + formação de leitores = desenvolvimento e autonomia dos indivíduos. Sem muitas ilusões e sabendo dos espinhos a enfrentar. Não existe conversa de missão ou renúncia a realidade, é um objetivo a perseguir. Vou seguindo…



Nesta semana duas notícias aparentemente contraditórias rondavam a rede: a reinauguração da Biblioteca Mario de Andrade e o possível fechamento de 400 bibliotecas públicas na Inglaterra. Quer dizer que o país que não valoriza a leitura abre e o país que constituiu um padrão de biblioteca pública gerida pelas comunidades vai fechá-las. Não é contraditório?



Biblioteca Pública segundo o Manifesto da Unesco é: … o centro local de informação, tornando prontamente acessíveis aos seus utilizadores o conhecimento e a informação de todos os gêneros. Simples e direto, mas a clareza do documento da instituição internacional, na maioria das vezes não é acompanhada pelo senso comum. A biblioteca pública como instituição fica numa área cinzenta e os seus usos e funções não são muito claros. Para a maioria das pessoas algumas “falsas ou meia verdades” são definitivas quando se fala em biblioteca pública:



1 – serve para fazer trabalho escolar, logo com o surgimento da internet ela está perdendo o sentido de existência: nos últimos anos cada vez menos se procura biblioteca para fazer trabalho escolar e não por só conta da internet, a dinâmica de sala de aula mudou, faz-se mais trabalhos em classe e em grupo, a ida à biblioteca por conta disso esta rareando. O perfil do público que frequenta as bibliotecas públicas vive um momento de indefinição, ele existe e em que pese sua quantidade, tem que ser considerado. Aumento de público e mudança de perfil da biblioteca não brotam do mundo vegetal, dependem diretamente de políticas e ações concatenadas para atingi-los;



2 – é desatualizada e não tem o livro que procuro: mesmo que o indivíduo nunca tenha sequer procurado um livro em alguma BP ele afirma sem pestanejar o enunciado acima. Sem pressão de público e sem articulação de critérios de formação de acervo este sempre estará desatualizado, e o mais grave: ninguém vai ficar sabendo disso. A pergunta básica é: quando você procurou e não encontrou, fez um pedido formal ou encaminhou uma reclamação aos setores responsáveis? Ou você nunca procurou e/ou reclamou?



3 – biblioteca tem que se transformar em um centro cultural: oferecer as atrações para que o indivíduo se interesse em frequentá-la e daí conhecer e usar seu acervo, isto tudo como mera relação causal, pode até funcionar com duas ou três pessoas, mas a mera observação comprova: logo após cada apresentação musical, de teatro ou de outras expressões artísticas realizadas na biblioteca pública a maioria das pessoas sai dela sem ao menos olhar para o acervo e conhecer seus “outros” serviços. A biblioteca pública tem que parar de se esconder atrás de subterfúgios e assumir o livro, a leitura e a informação como seu principal atrativo;



4 – as “novas tecnologias” tornaram a biblioteca automaticamente obsoleta, a geração ipad rejeita livros, logo acervo de suportes tradicionais não têm mais sentido de existência: a mesma lógica “extinguiu” os rádios com aparecimento da televisão e “eliminou” o teatro com o surgimento do cinema. Quanto mais a informação se multiplica e se consubstancia em vários formatos e conteúdos maior a necessidade de uma mediação e organização da pesquisa. Mediar não é intervir e/ou escolher pelo indivíduo, mas propiciar que este acesse as várias opções que existem num acervo. É bom deixar claro que a tecnologia é suporte essencial nesse processo, não fator excludente. A mediação deve ser feita por um profissional preparado para tal, o google, para ficar num exemplo corrente, é estruturado e planejado por pessoas;



5 – leitura e leitores se estruturam e se estimulam na escola: a biblioteca pública deve servir de suporte para que a educada população procure espontaneamente aquilo que deseja: escola é um dos loci da formação do público leitor, existem outros, e entre eles, a biblioteca pública seria um de excelência, que exerce (ria) muito bem esse papel, basta que as duas instituições comecem e sedimentem um diálogo que supere as turrices seculares e que haja esforço conjunto em compreender que a mesma pessoa que passa pela biblioteca escolar deve/pode passar pela biblioteca pública e vice-versa;



6 – a velha máxima "um grande pais se faz com livros e leitores": acrescento algo nessa feijoada: um grande país se faz com políticas públicas para livros e, principalmente, para formar leitores. Essencial: integrar políticas educacionais às políticas culturais. Parece simples, mas estas duas áreas são a verdadeira Torre de Babel desta história, a total falta de sintonia entre ambas cria desperdício de recursos, projetos frustrados e mão de obra especializada pouco atuante e sem nenhuma sinergia;



7 – o estímulo à produção do livro democratiza a leitura: como relação meramente causal é pura falácia, política para o livro é uma coisa, política para leitores é outra. O livro é um produto, tem custo de mercado, movimenta uma cadeia de interesses comerciais onde o Estado exerce o papel de maior consumidor. Não estou afirmando que elas não estão diretamente relacionadas, seria loucura. A leitura precisa do livro, mas as pessoas precisam de livros e ferramentas que propiciem a apropriação da informação e conhecimento nele contido. Se formos teimosos e insistentes descobriremos vários acervos escondidos e sucateados em escolas, universidades, ONGs, bibliotecas, etc. Acervo tem que ser trabalhado e acessado, senão acaba virando apenas uma verba que foi mal gasta, isso não é apenas descuido, é crime. O livro é o meio, o leitor o fim;



8 – os prédios e mobiliários têm que ser atrativos e confortáveis, senão biblioteca não será frequentada: é ululante que ninguém gosta de frequentar espaços sujos, desorganizados, sucateados, mas colocar um padrão “tok estok” nas bibliotecas não resolverá como um passe de mágica seus problemas de público e frequência. Luminosidade natural, moveis ergonômicos e bem escolhidos precisam vir acompanhados de investimento em pessoas para atendimento, mediação qualificada e políticas públicas que servirão mais do que lustra moveis para a beleza implantada;



9 – a meta é que se abra uma biblioteca ao menos em cada cidade do país: maravilhosa premissa desde que venha acompanhada de uma série de ações e construção de políticas (os ingredientes estão parcialmente citados acima) para que elas se mantenham abertas e tenham relevância nas cidades. Isso tudo acontece logo após a inauguração, inaugurar é ótimo, mantê-las abertas e ativas, o desafio.



Ao longo dos meus quase vinte anos de profissão já ouvi e vivenciei muita história sobre a biblioteca pública. Poderia lotar este texto de fórmulas e máximas, não carece, não é um texto cientifico. Nesse ínterim a instituição foi várias vezes morta, enterrada e ressuscitada. O fechamento (ainda não efetivado) das bibliotecas inglesas e a reabertura da paulistana Mário de Andrade é um indicador claro desse vai e vem sem fim. Certo dia um velho camarada, desses que tem uma biblioteca particular em casa, me perguntou por que eu insistia em perder tempo e energia em lutar por biblioteca pública, vacilei alguns instantes e respondi:



- Pura teimosia!



Peço a todos que questionem e se questionem sobre o que escrevi acima, é a visão de alguém dentro da briga toda, com vícios e pretensões característicos. Talvez seja um pedido emocionado ou apenas mais combustível para minha teimosia. Tomara que seja mais que isso.

Sobre Ricardo Queiróz Pinheiro


Bibliotecário - Trabalho pela democratização da informação e do conhecimento. Formado em biblioteconomia, 1994 na FESPSP, atuo em biblioteca pública há 15 anos em São Bernardo do Campo.

A REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA NÃO É ÚNICA, MAS ONIX

A REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA NÃO É ÚNICA, MAS ONIX
Fernando Modesto


A REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA NÃO É ÚNICA, MAS ONIX
[Março/2012]

Estudantes de Biblioteconomia e Bibliotecários devem ter ouvido o termo “Web Semântica”. A ideia de dar sentido à linguagem escrita e falada (conteúdo qualitativo), que embora entendida por nós humanos, os computadores não compreendem. É, portanto, baseada numa informação estruturada, inequívoca. Deve possibilitar ao software (semântico) reconhecer o conceito, relacionamento, partes e o todo do que é composta a informação.



Assim, o sistema pode realizar inferências e tirar conclusões. Um dos objetivos básicos, da web semântica é a reutilização de dados. Imaginemos um ambiente na qual os recursos on-line são disponibilizados, e que possibilita aos sistemas fazerem uso dos recursos de formas distintas e quando necessário. Isto é denominado de “computação em nuvem” ou “web aberta”. Estas possibilidades começam a transformar todos os setores, e inclusive a atividade bibliotecária. (SIEGEL, 2010).



Este texto não é uma discussão sobre web semântica, apenas um comentário sobre normas influenciadas pelo conceito semântico, e também por padrões tradicionais de catalogação bibliográfica, como os pertinentes à representação descritiva. Um processo de descrever coisas em seu aspecto de forma e conteúdo. Imaginemos, agora, o cenário da web semântica, no qual os próprios livros se catalogassem. O que nós bibliotecários faríamos? Não, não é o caso de suicídio em massa de catalogadores, ao contrário.



Os livros sempre apresentaram muita informação e, atualmente, há um crescimento no universo das informações bibliográficas. É um fenômeno que impacta a maneira como as pessoas escrevem, compram e usam essas publicações. Há um novo modelo de negócio que depende da representação descritiva (não é piada ou pegadinha. Leia até o final.).



Segundo Siegel, nos Estados Unidos há cerca de quatro milhões de livros à venda (se uma biblioteca comprar tudo irá faltar catalogador para o tratamento, ufa!). Todos os anos, as editoras lançam, em média, no mercado, 300 mil novos títulos em língua Inglesa. O mercado editorial movimenta cerca de $40 bilhões de dólares, e continua crescendo (no setor de tratamento técnico, o movimento de materiais também é crescente, mas os salários dos catalogadores, oh!).



Assim, tornou-se essencial para esse mercado – em amplitude global – uma padronização no fluxo de informação da sua produção, para melhor comunicação e transação entre editoras, distribuidores e livrarias, e até mesmo bibliotecas. As editoras podem, agora, elaborarem a lista de seus livros em formato ONIX. Desta forma, um programa pode diagramar, automaticamente, a lista em um catálogo para impressão, ou distribuir as informações (no formato) para a cadeia de comercialização de outros países. Até mesmo os mecanismos de busca, na internet, podem encontrar um arquivo ONIX e identificar a descrição de livros que contenha.



As editoras não adotam apenas o número internacional normalizado para livros (ISBN), mas o formato ONline Information eXchange (ONIX). O padrão internacional para representar e comunicar as informações bibliográficas eletronicamente. Não está limitado à determinada linguagem ou características específicas do comércio livreiro. É aplicado para publicações impressas e eletrônicas no mercado dos Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Holanda, Itália, Espanha, Noruega, Finlândia, Suécia, Bélgica, Rússia, Coreia do Sul, Japão, EUA, Canadá, Austrália, China, Egito, Reino Unido.



No Brasil, por iniciativa da Câmara Brasileira do Livro [CBL], teve início há cerca de dois anos o projeto de instituir este padrão para a descrição dos livros publicados, no país. A intenção é que as editoras passem a atualizar informações completas sobre os seus catálogos, seguindo as mesmas diretrizes, de forma eletrônica e instantânea aos interessados no mercado. O projeto foi denominado: Cadastro Nacional do Livro [CANAL]. A plataforma recebeu investimentos de R$ 197 mil por parte da CBL. É dito que o aporte financeiro é significativo, comparável ao custo do Censo do Livro, que é realizado anualmente com recursos da CBL e do Snel (Sindicato dos editores). Em fevereiro de 2012, o CANAL entrou em período de testes com a participação de editoras selecionadas, entre elas a Saraiva, Gente e Loyola. É esperado o lançamento oficial no segundo semestre do ano corrente. É desconhecida a participação de entidades biblioteconômicas brasileiras na discussão do CANAL, como ocorreu com o padrão ONIX, em outros países. De forma simplificada, o CANAL se estrutura em um software espanhol (DILVE) configurado por uma série de campos (metadados) a serem alimentados com os dados de cada livro. As editoras devem preencher no mínimo 17 campos obrigatórios [como título e ISBN], mas há 170 campos que podem ser utilizados. O que permite montar uma base de dados refinada – há a possibilidade de incluir a capa e trechos da obra, por exemplo.



Quanto ao padrão ONIX (original), o mesmo é baseado em XML para inserção dos metadados do livro. A EDItEUR é a instituição que fornece as especificações e orientação sobre a implementação do ONIX. O seu uso é gratuito. O padrão não é um banco de dados, mas uma estrutura etiquetada para a comunicação de dados. Muitos membros da EDItEUR desenvolveram sistemas próprios que implementam o padrão. Importante realçar, que a EDItEUR tem por missão trabalhar, também em benefício das bibliotecas (nacionais, acadêmicas, especializadas, públicas, e consórcios de bibliotecas). Como isto se dará na adoção brasileira do padrão, só se saberá posteriormente.



O formato teve várias versões. Desde a versão 1.0, publicada em 2000, até a versão 2.0, publicada em 2001. Sempre tem havido uma série de revisões para adicionar funcionalidades. A versão atual é a 3.0, publicada em abril de 2009, e que sofreu correções entre 2010 e 2012. As implementações na versão são contínuas. Saliente-se que os produtos digitais são tratados como um elemento "central" na cobertura do ONIX.



Historicamente, ONIX para livros foi o primeiro formato, adotado dentro da família de normas ONIX. Outras normas incluem ONIX para seriados e ONIX para licenças de publicações, bem como formatos mais especializados de metadados associados com o registro de identificadores como: Digital Object Identifier (DOI), International Standard Text Code (ISTC), International Standard Name Identifier (ISNI), International Standard Music Number (ISMN), além do International Standard Book Number (ISBN), e International Standard Serial Number (ISSN).



Algumas das vantagens do formato são:



§ Eliminação de redundâncias na descrição.

§ Produtos digitais descritos de forma completa e consistente, com bases estabelecidas para o desenvolvimento de novos formatos de produtos e pacotes de conteúdo.

§ Editores podem utilizar no seu material de divulgação para promover as vendas.

§ Para usuários que trabalham nos mercados internacionais, em especial da língua inglesa, permite que o status de um produto em diferentes mercados seja descrito mais claramente e com precisão.

§ Com a introdução da norma ISTC, uma publicação pode ser relacionada a uma “obra” pai, para identificar grupos de diferentes manifestações da mesma, ou de textos derivados de uma origem comum – é o conceito do FRBR.



Para algumas pessoas, o ONIX para livros parece demasiadamente grande e complexo. No entanto, é complexo porque os produtos que descreve são complexos, e porque o formato tem de satisfazer as diferentes necessidades da Cadeia de abastecimento, em diferentes mercados editoriais.



ONIX e as normas catalográficas



A RDA, desenvolvida como o novo padrão de descrição de recursos e acesso para ambiente digital, está fundamentada nas Regras de Catalogação Anglo-Americana (AACR), apesar de orientada para uso principalmente em bibliotecas, almeja, também, um alinhamento com padrões de metadados utilizados por comunidades relacionadas (arquivos, museus e editoras), além de fornecer um ajuste com as tecnologias emergentes de banco de dados. Um aspecto da RDA é a descrição de elementos relacionados ao conteúdo e suporte de um recurso, e que auxilia os usuários na identificação e seleção de recursos para atender suas necessidades de informação (forma de conteúdo, assunto, características físicas do suporte, formatação e codificação das informações, etc).



O código ONIX de Livros é um conjunto padrão de códigos a serem utilizados nos metadados, incluindo elementos que descrevem o conteúdo do produto e seus suportes.



Discussões realizadas em 2005, entre a Joint Steering Committee for Revision of AACR (Comissão de Acompanhamento Conjunta de Revisão do AACR – JSC, atualmente denominada como Comissão de Acompanhamento Conjunta para o Desenvolvimento da RDA) e os representantes da indústria editorial, no Reino Unido, identificaram a categorização de recursos por conteúdo e suporte como sendo de mútuo interesse e passível de iniciativas de cooperação. Iniciativas conjuntas posteriores foram financiadas pelas organizações que patrocinam o desenvolvimento da RDA e do ONIX, com o apoio adicional da British Library. O objetivo básico foi desenvolver um quadro categorizado de recursos em todos os meios que possam apoiar as necessidades das bibliotecas e da indústria editorial, além de facilitar a transferência e utilização de dados da descrição de recursos entre as duas comunidades.



Experiências aplicadas, desta compatibilização, entre padrões podem ser visualizadas nos serviços para os editores, da OCLC (Online Computer Library Center). Títulos de metadados em formato ONIX são aceitos, e enriquecidos pela mineração do banco de dados WorldCat, e entregue em arquivo ONIX, pronto para uso em sistemas de comercialização e de marketing. A figura 1 ilustra o fluxo desta cooperação no intercâmbio de registros bibliográficos entre formatos – ONIX e MARC.




Figura 1 – Fluxo do intercâmbio de registros ONIX e MARC no serviço da OCLC

Fonte: http://publishers.oclc.org/en/metadata/default.htm



Já a compatibilidade de registro entre ONIX e MARC é mostrada no exemplo seguinte, extraído dos exemplos de Carol J. Godby. Do registro ONIX é mostrado apenas os elementos usados para descrição bibliográfica para relaçar a compatibilidade com o registro de MARC. O texto em vermelho representa os valores dos dados que podem ser copiados do ONIX para o MARC, no máximo com pequenas alterações. Caso das etiquetas: e que são copiadas literalmente para os campos correspondentes no MARC.



O texto em azul indica diferenças puramente estruturais entre os dois registros. A estrutura do ONIX é imposta por um esquema XML. Os registros MARC podem ser realizados em mais de um formulário, estruturado na norma ISO-2709. Lendo da esquerda para a direita, existem três tipos de sinalização em um registro MARC: um campo, que a exceção do líder, é nomeado por um número de três dígitos, variando de 001 a 999; codificado por conjunto de dois indicadores, que contêm instruções para manipulação dos dados associados ao campo; e um conjunto de subcampos que contêm os valores dos dados.



O texto verde representa os dados codificados que não são copiados, mas mapeados. Às vezes, o mapeamento é só uma correspondência de um código ONIX para o MARC. Por exemplo, ISBN-13 é representado no ONIX como um com um 3. No MARC é representado no campo 024, cujo primeiro valor do indicador também é 3. Outras relações não são tão simples. Por exemplo, a etiqueta ONIX tem o valor BB para a descrição de um livro impresso, mas a mesma informação não tem correspondência de transporte no registro MARC, dentro de um conjunto de valores existente no campos: líder 008, ou 300.



Exemplo de Registro em ONIX




0892962844

03
9780892962846


BB
<br /> <TitleType>01</TitleType><br /> <TitleText>McBain's Ladies</TitleText><br />

A01
Hunter, Evan


02

Policewomen-- Fiction


320

02
Mysterious Press

19880501



Leader 00000 jm a22000005 4500

008 g eng

020 0892962844

024 3# 9780892962846

100 $a Hunter, Evan

245 $a McBain’s ladies

260 $b Mysterious Press $d 1988

300 $a 320 p.

650 #2 $a Policewomen -- Fiction



As semelhanças do ONIX e MARC são evidentes. Ambos os padrões servem para conectar as obras publicadas com o seu público. Mas eles não são derivados um do outro. Os padrões são estruturalmente e semanticamente diferentes porque oferecem suporte a diferentes necessidades e comunidades. Porém, o exemplo utilizado tenta mostrar que eles se assemelham e devem ser compartilháveis entre as comunidades das bibliotecas e das editoras.



A popularização do ONIX, no campo editorial, abre boas perspectivas para a atividade bibliotecária de catalogar e intercambiar informações bibliográficas. Temos uma expertise que pode ser muito útil aos editores. Ademais, há uma nova camada de recursos agregáveis aos conceitos biblioteconômicos.



Enfim, a catalogação continua em moda.



Indicação de leituras:


Godby, Carol J. Mapping ONIX to MARC. Dublin, Ohio: Online Computer Library Center, 2010. Disponível em: http://www.oclc.org/research/publications/library/2010/2010-14.pdf


Siegel, David. Pull: o futuro da Internet e o impacto da Web Semântica em seus negócios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.




Exemplo do Registro em MARC



Sobre Fernando Modesto


Bibliotecário e Mestre pela PUC-Campinas, Doutor em Comunicações pela ECA/USP e Professor do departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

CONTROLO DE AUTORIDADE: NOVOS CONTEXTOS E SOLUÇÕES

http://purl.pt/331/1/docs/comunicacao/12manha/controlodeautoridade.doc
CONTROLO DE AUTORIDADE: NOVOS CONTEXTOS E SOLUÇÕES

Por:
Fernanda Maria Campos
Subdirectora da
Biblioteca Nacional

1. INTRODUÇÃO
A Catalogação é o processo através do qual se descreve, formalmente, um qualquer objecto, documento ou recurso, e se estabelece um número variado e variável de pontos de acesso à informação recolhida, a fim de que o utilizador final encontre, identifique, seleccione e obtenha a informação que pretende numa biblioteca, num catálogo, numa base de dados.
A Catalogação tem a ver com a ordem, a lógica, a objectividade, a indicação precisa e a consistência, e necessita, por consequência, de mecanismos que assegurem esses atributos.
Um registo catalográfico consiste em três partes:
 o ponto de acesso
 a descrição bibliográfica
 a localização ou (para os recursos digitais) o próprio documento.
O ponto de acesso encaminha o utilizador para o registo; a descrição permite-lhe decidir se o recurso descrito interessa ou não e a localização conduz o utilizador para o documento desejado.
Esta formulação simples é a base de toda a Catalogação. Não obstante, cada elemento do registo catalográfico obedece a normalização.
Assim, a descrição faz-se de acordo com princípios pré-estabelecidos que determinam quais os elementos relevantes a registar e a ordem pela qual se devem apresentar. A normalização ISBD (Descrição Bibliográfica Internacional Normalizada) é a mais conhecida e universalmente utilizada.
A localização obedece também a formas normalizadas, ainda que sem expressão nacional ou internacional, antes seguindo esquemas pré-determinados localmente.
A excepção é a formulação para a localização de recursos electrónicos, essa sim sujeita a regras internacionalmente aceites.
Já no que respeita aos pontos de acesso, a situação é diferente. Com efeito, para garantir que o utilizador do catálogo encontre um registo e/ou possa agrupar registos que partilham uma característica comum, é preciso que a formulação dos pontos de acesso seja normalizada, ou seja, é necessário que exista controlo de autoridade.

2. O QUE É O CONTROLO DE AUTORIDADE
O controlo de autoridade tem como objectivos gerais:
 a criação e manutenção de registos de autoridade que validam o trabalho do catalogador e a qualidade do catálogo;
 a provisão de um acesso à informação fiável e consistente.
O registo de autoridade, durante o tempo do catálogo em fichas, continha a forma autorizada para um cabeçalho e, noutras entradas, registavam-se as formas variantes autorizadas (como entradas remissivas “Veja também”) e as formas rejeitadas (como entradas remissivas “Veja”). O ficheiro de autoridade praticamente só existia em bibliotecas de grande porte, sendo em muitos casos o próprio ficheiro bibliográfico a fonte de informação sobre a(s) forma(s) autorizadas(s) e as formas rejeitadas.
O uso de formas consistentes nos cabeçalhos, consagrado pelos Princípios de Paris, 1961, proporcionavam às bibliotecas a possibilidade de, ao mesmo tempo, evitar informação inconsistente para o utilizador e facilitar o trabalho do catalogador. Os resultados eram tanto ou mais apreciados quanto, para além das entradas propriamente ditas, os registos de autoridade continham notas sobre as fontes utilizadas para estabelecer a forma autorizada ou para explicar a identidade de determinada pessoa de forma a poder distingui-la de outras com nome semelhante.
Esta tradição encontrou facilidades acrescidas no contexto automatizado e o registo de autoridade, concomitantemente com o ficheiro de autoridade, passou a ser uma peça fundamental na validação dos pontos de acesso.
Essencialmente, podemos afirmar que o papel do registo de autoridade se reveste de cinco componentes:
 Regista a forma normalizada de cada ponto de acesso.
 Possibilita o agrupamento de todos os registos com o mesmo ponto de acesso.
 Garante a normalização dos registos no catálogo.
 Documenta as decisões tomadas e as fontes utilizadas para estabelecer os pontos de acesso.
 Regista todas as formas do ponto de acesso que não a escolhida como normativa.
 Documenta outras formas usadas para o ponto de acesso (como formas anteriores do nome) de modo a servir de orientação para o catalogador.
Nos catálogos em fichas e outros pré-OPAC, o registo de autoridade existia, na maioria dos casos, só implicitamente, como atrás referimos. O cabeçalho utilizado era a sua manifestação evidente. Os catálogos em linha obrigam, não raro, à formulação explícita de registos de autoridade ligados às entradas do catálogo e contendo, pelo menos, os elementos que a seguir indicamos:
 o ponto de acesso normalizado
 todas as formas remissivas “Veja”
 relação (ou entrada remissiva “Veja também”) com registos de autoridade aos quais está ligado
 as fontes utilizadas para estabelecer o ponto de acesso
 listagem de formas anteriores e de outros usos de forma normalizada.
O registo de autoridade assim constituído está ligado, nos sistemas integrados, a todos os registos bibliográficos aos quais diz respeito, sendo a partir do ficheiro de autoridade que se desenrola o processo de pesquisa e a apresentação dos respectivos resultados sempre que o utilizador interroga a base de dados.
O conteúdo do registo de autoridade pode ser de grande importância para o catalogador e para o utilizador final, na medida em que reflecte do trabalho de pesquisa em torno de um autor, título ou assunto.
Em casos em que se verificam variantes há uma razão para escolher uma forma e não outras, bem como para optar por uma fonte de informação e não por outra. O agente principal que determina a escolha é o código ou as regras de catalogação em vigor na zona em que a catalogação é feita.
Dado que não há um código global de catalogação (apesar das Anglo-American Cataloguing Rules, second edition – AACR2 – serem largamente utilizadas ou inspiradoras de regras nacionais), os catalogadores em diferentes áreas geográficas podem chegar a conclusões completamente diferentes mesmo quando havia alguma similaridade na evidência. Esta, por sua vez, é uma mistura da atitude objectiva (a evidência que os documentos apresentam e as próprias obras de referência) e da atitude subjectiva (a interpretação que o catalogador faz das regras de catalogação e o modo como as aplica ao documento catalogado). As razões objectivas e subjectivas podem até motivar diferentes abordagens da mesma evidência dentro da mesma instituição ou por parte do mesmo catalogador.
Para evitar a frequência de tais situações convém ter em conta as fontes a utilizar na construção dos cabeçalhos:
 os ficheiros de autoridade existentes, a nível nacional ou local
 as regras de catalogação em vigor
 o documento que está a ser catalogado
 as fontes de referência (qualquer fonte que providencie informação).
Cada categoria deve ser sopesada face às outras e, mesmo dentro de cada uma, quando haja discrepâncias, certas fontes podem ter mais autoridade do que outras.

3. CONTROLO DE AUTORIDADE NO AMBIENTE WEB
O ambiente Web vem abrir novas potencialidades para os registos de autoridade. A rápida acessibilidade à informação, a globalização desse mesmo acesso propiciando a entrada em várias bases de dados ao mesmo tempo, leva a que a construção do ficheiro de autoridade, enquanto acto isolado de uma biblioteca, passe a ser visto como um acto colectivo indispensável, sob pena de não ser possível encontrar, na pesquisa via Web, a informação fiável e exaustiva que, obviamente, o investigador pretende.
Do ponto de vista da gestão de recursos humanos e financeiros e dos objectivos estratégicos a alcançar por uma biblioteca, a partilha da informação em torno dos ficheiros de autoridade é um benefício porquanto reduz os custos globais que o trabalho de autoridade acarreta sendo que, ao mesmo tempo, permite um acesso controlado e uma maior precisão na pesquisa.
Da mesma maneira que vemos vantagens na cooperação para um controlo de autoridade mais eficaz e para a construção de melhores pontos de acesso, não podemos esquecer um conjunto de dúvidas que naturalmente se levantam à prossecução deste trabalho. A primeira é independente do acesso Web e tem a ver com os custos inerentes ao controlo de qualidade e o interesse (e viabilidade) de tal tarefa para as bibliotecas em geral.
Com efeito, para se executar as tarefas de Catalogação com a plenitude normativa que atrás se mencionou, é preciso pessoal adequadamente treinado, com um bom conhecimento das regras sobre determinação e forma dos cabeçalhos, instrumentos de referência para apoiar as escolhas feitas e um sistema automatizado que sustente o ficheiro de autoridade.
A atribuição de autoria, a escolha da forma do cabeçalho, a aposição de elementos de identificação ou distinção, o estabelecimento de entradas remissivas, a elaboração de notas explicativas, em suma, a criação do registo de autoridade, é uma tarefa morosa e dispendiosa. Nem todas as bibliotecas dispõem de meios para poder desenvolver um trabalho rigoroso ao nível da investigação, sobretudo, e nem todas assumem o controlo de autoridade como uma prioridade a prosseguir. Trata-se de um trabalho que foi sempre mais conotado com as agências bibliográficas nacionais, com a elaboração da bibliografia nacional corrente ou retrospectiva, considerando-se que, a partir dos registos de autoridade criados a esse nível, está constituída uma mais-valia de que as outras bibliotecas, a nível nacional, podem beneficiar, evitando a repetição do trabalho e assegurando cabeçalhos de qualidade para os seus registos. Por outro lado, a nível internacional, o ficheiro de autoridade da agência bibliográfica nacional é também um valor acrescentado pois, em ambiente de cooperação e sobretudo tirando partido da interoperabilidade entre sistemas, esse ficheiro serve de autoridade para os autores do respectivo país de origem.
Mas será que é mesmo necessário o controlo de autoridade no acesso à informação via Web? Não dispomos de ferramentas que o podem substituir, com vantagem, nas pesquisas com truncatura ou por palavra-chave? Como vencer as barreiras objectivas e subjectivas de que falámos atrás, num ambiente multilingue e de múltiplas variantes de códigos de catalogação? Será ainda necessário (e possível em termos de custo/benefício) o cabeçalho uniforme? Estarão os Princípios de Paris e as Regras de Catalogação desadequados aos novos contextos tecnológicos?
Comecemos pela primeira questão e analisemos as oportunidades e desafios que a Internet coloca ao controlo de autoridade.
A Web é, quase por definição, caótica. Muitos utilizadores lançam uma questão e obtêm uma resposta que consideram satisfatória mas ignoram que pode haver muito mais informação sobre o mesmo autor, título ou assunto que não foi recuperada. Pode ser porque o nome que pesquisaram não estava correcto ou a colectividade sobre a qual queriam investigar não é reconhecida pelo seu acrónimo mas sim por uma forma completa (ou vice-versa), enfim, uma multiplicidade de situações que conhecemos como variantes bibliográficas e que dão origem a uma recuperação de informação incompleta e, por vezes, errada.
Quando colocamos os nossos catálogos disponíveis através da Web, introduzimos os princípios de vocabulários controlados para assuntos, nomes e títulos. Os catálogos em linha podem, pois, servir de auxiliares de busca na Internet, sobretudo quando se estabelecem hiperligações entre o registo bibliográfico e o próprio recurso. Também podemos ter a situação inversa, isto é, ligações na Web para os nossos catálogos, a partir de ferramentas de referência ou de documentos em linha. Essas ligações permitem a quem pesquisa saltar directamente para catálogos em linha, a fim de encontrar obras de ou sobre determinado autor ou assunto. Quanto à origem da informação, tanto pode ser a partir dos registos bibliográficos como dos de autoridade, que proporcionarão outros elementos informativos de interesse sobre o autor ou o assunto pesquisado.
Poder-se-á dizer que para grande parte das pesquisas na Web, o acesso à informação controlada e normalizada não será absolutamente vital. Pesquisando tentativamente (experimentando chaves de pesquisa, procurando por palavras isoladas, truncando a expressão) ou recorrendo aos motores de busca para localizar sítios de interesse, muitos utilizadores da Internet vão percorrendo os recursos disponíveis e juntando informação relevante, sem que as suas pesquisas signifiquem mais do que um “browsing” à imensidão informativa de que a Web dispõe.
Porém, quando a pesquisa é mais fina, quando há necessidade de encontrar informação precisa e exaustiva, o utilizador sente, obviamente, que a estrutura habitual de um catálogo controlado é a que melhor facilita a procura e o agrupamento de informação. O controlo de autoridade permite precisão na recuperação dos registos ou obras de interesse e a estrutura de um ficheiro de autoridade, com as remissivas, assegura que os materiais relevantes serão encontrados, independentemente da forma usada na pesquisa. Ainda que, hoje em dia, a Web não ofereça grande quantidade de informação controlada, devemos desenvolver esforços para que se possa funcionar no caos … com alguma ordem e, sobretudo, compete às bibliotecas e aos bibliotecários dar aos utilizadores a opção de uma pesquisa mais fiável, se eles assim o quiserem.




4. CONTROLO DE AUTORIDADE GLOBAL: DA UTOPIA À REALIDADE
No domínio das oportunidades que a Internet potencia ao controlo de autoridade há pois um mundo a explorar. Quanto aos desafios, podemos considerá-los a diferentes níveis.
Um primeiro aspecto, já anteriormente referido, tem a ver com as dificuldades, custos e morosidade do trabalho de autoridade. O ambiente Web não produz qualquer benefício porquanto se trata de tarefa de natureza intelectual. No entanto, através de pesquisa interactiva, da cooperação internacional e da facilidade de acesso a instrumentos de controlo de autoridade produzidos por outras instituições, podem perspectivar-se boas hipóteses em termos de custos/benefícios.
Há, porém, um óbice que entrava o trabalho de autoridade à escala global e que tem a ver com as diferentes regras de catalogação existentes e as diversas línguas e escritas em que são formulados os cabeçalhos de autoridade.
Aproveitando as potencialidades que a interoperabilidade entre sistemas vem proporcionar, têm-se vindo a desenvolver projectos de cooperação nesta área, utilizando, por exemplo, o protocolo Z 39.50.
O projecto AUTHOR que decorreu entre Janeiro de 1995 e Dezembro de 1997, com financiamento da Comunidade Europeia, tinha como objectivo explorar a troca internacional e a reutilização de registos de autoridade para autores, pessoa física e colectividades. Participaram neste projecto, para além da Biblioteca Nacional, a Bibliothèque nationale de France, a British Library, a Bibliothèque royale Albert I (Bélgica) e a Biblioteca Nacional de Espanha. No âmbito do projecto, foi convertido para o formato UNIMARC (Autoridades e utilizando o conversor universal USEMARCON) uma amostra de registos de autoridade relativos às mesmas letras (e aos mesmos apelidos ou nomes de colectividades), tal como existiam nos ficheiros de autoridade das respectivas bibliotecas. Foi criado um protótipo de base de dados única, acessível via Web através do protocolo Z 39.50.
Os problemas encontrados foram múltiplos: cada biblioteca tem a sua língua (duas, no caso da Bélgica), regras de catalogação, formato e sistema automatizado diferentes. O estudo que acompanhou a experiência revelou práticas e regras diferentes para criar os registos de autoridade. Apesar de semelhanças, que entroncam basicamente na aplicação dos Princípios de Paris, havia diferenças assinaláveis. Por exemplo:
 Portugal, Espanha e Bélgica não faziam entradas de autoridade para grupos eventuais, como as conferências;
 França e Bélgica consideravam, no cabeçalho de autoridade, a nacionalidade do autor, enquanto Portugal, Espanha e o Reino Unido apenas o mencionavam em nota;
 Os esquemas de transliteração não eram idênticos nem aplicados do mesmo modo.
O projecto AUTHOR veio, na prática, pôr em evidência questões que eram mais ou menos sabidas e que podemos sistematizar da seguinte forma:
 Diferenças resultantes de usos linguísticos diversos, sobretudo em autores clássicos ou personalidades com formas vernáculas consagradas pelo uso.
Ex.:
1. LUCIANUS (IT)
LUCIEN DE SAMOSATE (FR)
 Práticas diferentes quanto ao uso de indicativos geográficos e/ou elementos de identificação ou distinção.
1. CATHOLIC CHURCH. Archdiocese of Milan (Italy) (UK)
ÉGLISE CATHOLIQUE. Diocèse (Milan) (FR)
MILANO (Arcidiocesi) (IT)
MILÃO. Diocese (PT)
2. AUGUSTINUS, Aurelius (DE)
AUGUSTINE, Saint, Bishop of Hippon (UK)
AGOSTINHO, Santo, 354-430 (PT)
 Esquemas diversos de transliteração e romanização
CEHOV, Anton Pavlovic (IT)
CHEHOV, Anton (PT)
CHEKHOV, Anton Pavlovich (US)
TCHEKHOV, Anton Pavlovitch (FR)
 Formatos MARC diferentes que podem não ter os elementos suficientes para uma correcta conversão .
 Diferenças na grafia da mesma língua quando utilizada por países diferentes.
Para fazer face a estes obstáculos e atingir os propósitos do controlo bibliográfico universal, organizações internacionais, como a IFLA, desenvolveram, ao longo dos últimos 20 anos, importantes esforços.
Em 1984, os Guidelines for Authorithy and Reference Entries (GARE) preconizavam a necessidade de controlar as formas dos nomes e ofereciam algumas medidas metodológicas com vista a produzir registos uniformes que pudessem ser permutados e partilhados mas a verdade é que as diferentes línguas, os problemas de transliteração e as formas vernaculares consagradas pelo uso demonstraram que o objectivo de estabelecer um cabeçalho único e idêntico para um nome de autor não era sustentável. Tal foi afirmado nas conclusões do Grupo de Trabalho da IFLA sobre Minimal Level Authority Records e, finalmente, em 2001, aquando da revisão do GARE que deu lugar aos Guidelines for Authority Records and References (GARR), toda a filosofia por detrás do controlo de autoridade e do acesso aos registos bibliográficos se alterou.
O critério de “uniformidade”, consagrado nos Princípios de Paris, 1961, dá lugar à adopção de um ou mais cabeçalhos “autorizados”, relacionados com a mesma entidade, iguais em estatuto mas diferentes na forma por corresponderem a ambientes culturais diferentes e a regras catalográficas também diferentes.
O objectivo da uniformidade linguística é ultrapassado a nível internacional. Não se procura a língua única (o Latim, para outros tempos ou o Inglês, no presente). Ao contrário: o trabalho de autoridade de uma determinada agência bibliográfica deve passar a ser também uma busca de formas autorizadas noutras línguas (uma espécie de cabeçalhos “paralelos”), compiladas de acordo com outras regras, outras línguas e outras escritas. Os resultados dessa busca devem ser incluídos no registo de autoridade, como entradas remissivas.
O método permite grande liberdade para consagrar usos locais, ao mesmo tempo que reconhece as formas equivalentes noutros países, com evidente benefício para o utilizador que já não tem de adivinhar o nome correcto ou a forma linguística precisa em que determinado nome se encontra catalogado num dado país.
Claro que não está subjacente a esta nova filosofia um acréscimo de trabalho manual na criação do registo de autoridade. Pretende-se tirar partido das novas tecnologias no estabelecimento de interoperabilidade através de registos de autoridade provenientes de vários ficheiros. Não se trata, pois, de um modelo como o do projecto AUTHOR que compilava as diferentes formas encontradas e as convertia para uma única base de dados UNIMARC. Trata-se de ligar registos de autoridade criando um ficheiro de autoridade virtual.
As formas possíveis para o conseguir estão a ser objecto de investigação no âmbito de vários projectos internacionais, com o objectivo de usar as tecnologias disponíveis e, de preferência, contribuir para um melhor desenvolvimento de automatismos nas ligações, não só entre ficheiros de autoridade mas (e porque não?) a outros recursos na Internet, incluindo objectos digitais.
O projecto LEAF – Linking and Encoding Authority Files, que está a ser desenvolvido com o apoio da CE, tem como objectivo estudar um modelo para este tipo de ligações, ainda que mais na área dos registos de autoridade produzidos pelos arquivos. A Biblioteca Nacional participa nesse projecto, de que tivemos oportunidade de ouvir falar no âmbito destas Jornadas.

5. NOVOS CAMINHOS PARA O CONTROLO DE AUTORIDADE
Esta mudança de atitude que faz evoluir um cabeçalho “uniforme” para um cabeçalho “autorizado” é um marco histórico na forma como encaramos a Catalogação e o próprio Controlo Bibliográfico Universal. Não basta, porém, mudar a atitude, é preciso rever todos os princípios em que se apoiam as regras para o estabelecimento e forma do cabeçalho de modo a podermos verificar da sua adequação aos novos contextos tecnológicos e aos novos recursos de informação.
Foi precisamente com essa intenção que a Secção de Catalogação da IFLA, com o apoio da Secção das Bibliotecas Nacionais, organizou de 28 a 30 de Julho de 2003, um Encontro de peritos para discutir da viabilidade de um Código Internacional de Catalogação (IFLA Meeting of Experts on an International Cataloguing Code – IME ICC).
Este Encontro, que pretendeu ser o primeiro de vários a organizar sempre antes das Conferências anuais da IFLA e em diferentes partes do mundo, destinou-se à avaliação das práticas de Catalogação na Europa com vista a fazer aumentar a capacidade de partilha de informação catalográfica e de promover normas para registos bibliográficos e de autoridade.
No decorrer do Encontro foram examinados os códigos e práticas de Catalogação nos países europeus, comparando semelhanças e diferenças e analisando das possibilidades de uniformizar regras.
Foi dada uma atenção muito especial aos Princípios de Paris, 1961, e à necessidade da sua revisão para uma melhor adaptação à actual realidade tecnológica (pois é preciso não esquecer que aqueles princípios visavam a construção de catálogos manuais), bem como aos novos conceitos e terminologia adoptados no estudo da IFLA intitulado FRBR – Functional Requirements for Bibliographic Records.
Verificou-se que, no geral, as regras de catalogação utilizadas na Europa se baseiam nos Princípios de Paris, 1961, para a escolha e forma dos cabeçalhos e determinação da palavra de ordem. Quanto à utilização da ISBD, como modelo de descrição bibliográfica, há também consenso a nível europeu, o que significa que os registos bibliográficos produzidos pelos diferentes países são normalizados e compreensíveis, independentemente da língua e da escrita.
Foram avaliadas as eventuais necessidades de mudança (ou de maior precisão), sobretudo nos Princípios de Paris, mas também nas ISBDs ao nível, por exemplo, da serialidade à luz da nova ISBD (CR), das estruturas bibliográficas em múltiplas partes, dos títulos uniformes e das indicações gerais da natureza do documento. Para cada um destes assuntos, alocado a um grupo de trabalho específico, foram formuladas recomendações que cão incorporar a Declaração final do Encontro.
Essa Declaração reitera que os princípios se destinam aos catálogos correntes das bibliotecas, na sua forma em linha e WebOPAC, com vista a uma aproximação consistente à catalogação de recursos bibliográficos e ao acesso por parte dos utilizadores. Eventualmente, os princípios serão alargados no futuro também à classificação e acesso por assunto. Os princípios podem ser aplicados por outras comunidades ligadas à informação.
O ponto de partida desta Declaração, considerado como principal princípio de qualquer código de Catalogação, é a conveniência do utilizador do catálogo.
Outro aspecto de grande relevo é a revisão das funções do catálogo, actualizando os Princípios de Paris e colocando-os mais na linha dos FRBR. As ISBDs são explicitamente reconhecidas como o fundamento básico das regras de descrição. Quanto à escolha e estrutura dos cabeçalhos de autoridade utilizados para controlar os pontos de acesso, bem como a importância dos registos de autoridade para garantir a precisão da pesquisa e do acesso, são princípios que ficam explicitamente declarados.
Como se sabe, os Princípios de Paris não consignavam esse tipo de entradas, considerando que a entrada no catálogo constituía o cabeçalho uniforme e as formas alternativas e rejeitadas, entradas remissivas explicativas ou remissivas simples, respectivamente.
Também o princípio do cabeçalho autorizado sobressai nesta Declaração, substituindo o conceito de cabeçalho uniforme, para efeitos de cooperação internacional.
As discussões durante os dois dias e meio que durou o Encontro foram muito vivas, com apontamentos interessantes, por exemplo por parte dos colegas que lidam com outros alfabetos que não o latino. Outras questões que se debateram foram, por exemplo:
a) – da viabilidade de todos usarem as mesmas regras de catalogação (e a hipótese que se discutia era as AACR2), situação essa que foi rejeitada;
b) – de todos usarem a mesma língua nos cabeçalhos (o Inglês ou o Latim para os autores mais antigos), situação que também foi rejeitada;
c) – de acabar com o conceito de entrada principal porquanto nos catálogos em linha é um princípio inútil, situação que também não foi aceite, tendo em vista a apresentação do registo no ecrã e a sua formulação em bibliografia, listas ou catálogos impressos;
d) – de normalizar, com outra terminologia, as Indicações Gerais da Natureza do Documento, que hoje em dia revelam fragilidades conceptuais, situação que foi aceite;
e) – de consagrar o direito à diferença nos cabeçalhos, em nome da comodidade do utilizador, mas de tudo fazer para viabilizar um ficheiro de autoridade virtual à escala internacional.
O texto final da Declaração ainda está em documento de trabalho mas, logo que seja considerado definitivo, será traduzido para português e amplamente divulgado.

6. CONCLUSÃO
Procurámos responder com o que é, no momento, o estado-da-arte em matéria de controlo de autoridade, àquelas questões que tínhamos formulado sobre
 a necessidade do controlo de autoridade no acesso à informação via Web – e tudo aponta para que é, efectivamente, premente e necessário esse controlo para assegurar melhor informação, mais precisa e mais fiável;
 a substituição desse controlo por formas não autorizadas, baseadas, por exemplo, no nome do autor tal como se apresenta na obra e sem qualquer trabalho de autoridade que permita agrupar ou relacionar cabeçalhos – e tudo parece indicar que, pelo menos no mundo das bibliotecas e tendo em conta a informação que preparam para o utilizador, esta simplificação não é aceitável, à luz dos princípios que norteiam a missão das próprias bibliotecas;
 a dificuldade de ultrapassar as barreiras que, objectiva e subjectivamente, se opõem ao trabalho de autoridade, como sejam regras e práticas diferentes, múltiplas línguas e escritas, tarefas de pesquisa morosa e dispendiosa, etc. – e, não querendo ser demasiado optimista no vencer destas barreiras, tudo se encaminha para um maior entendimento à escala internacional, com respeito pelos usos nacionais e aproveitando o potencial tecnológico da interoperabilidade em rede para tentar atingir o ficheiro de autoridade virtual;
 o surgimento de novos conceitos e princípios, como o cabeçalho autorizado, em vez do cabeçalho uniforme ou, a nível mais geral, a revisão dos próprios Princípios de Paris que virá, naturalmente, a motivar a revisão de regras de catalogação.
Como vamos, então, trabalhar no futuro? Qual é o papel de uma agência bibliográfica nacional neste novo contexto? O trabalho de autoridade vai ter de prosseguir tendo em conta dois contextos distintos:
O primeiro é o contexto nacional onde teremos que encarar, diariamente, qual a forma a escolher como autorizada e a fazer todas as tarefas inerentes à criação do registo de autoridade, de modo a garantir a efectiva funcionalidade do ficheiro de autoridade.
A escolha da forma normalizada, a partir de regras e critérios consistentes, é a principal prioridade pois só assim se podem providenciar cabeçalhos coerentes em listas de pontos de acesso, com a vantagem de se implementarem facilidades na identificação e selecção de nomes para o utilizador final e para as outras bibliotecas que pesquisem a base de dados para colher informação de autoridade.
O trabalho de autoridade, especialmente a atenção aos termos exactos e o estabelecimento da sequência dos elementos, é tão importante (ou mais) no contexto em rede em que toda a ordenação é feita automaticamente. A adopção de formas consagradas pelo uso, localmente, não deve ser vista como uma abolição de práticas como a busca em obras de referência. Ela é, antes de mais, a chave para uma utilização mais racional do catálogo e para um serviço mais adequado ao utilizador. Esse princípio é, como atrás referimos, o ponto de partida da nova Declaração de Princípios.
A nível internacional e tendo em vista a partilha de ficheiros de autoridade, é necessário que existam princípios semelhantes e que se consagrem as áreas em que há direito à diferença.
Quer manualmente (em resultado de pesquisas feitas para estabelecer o cabeçalho de autoridade), quer utilizando ferramentas que a interoperabilidade proporciona, haverá que constituir ficheiros de autoridade onde se possa pesquisar por outras formas autorizadas do cabeçalho, ainda que não sejam as utilizadas naquele país ou naquela biblioteca.
De notar que mesmo o modelo de ficheiro de autoridade virtual, tal como se pretende implementar, não dispensa alguma centralização de tarefas. O projecto VIAF – Virtual International Authority File que a Biblioteca do Congresso, a OCLC e a Deutsche Bibliothek estão a desenvolver, é virtual no sentido em que os registos de autoridade estão fisicamente nas suas bases nacionais, mas destinam-se a ser identificados ou recolhidos por um servidor central onde ficarão ligados entre si.
Repare-se também que, para que essa recolha por um motor de busca tenha bons efeitos, é necessário que os registos contenham um mínimo de informação que permita a sua identificação inequívoca.
Podemos, naturalmente, encarar no futuro um ficheiro de autoridade internacional e partilhado, como sendo parte integrante da “Web Semântica”. A ideia será tornar a Internet mais inteligente para navegação automática, o que envolve a criação de uma infra-estrutura de recursos ligados e o uso de vocabulários controlados, aquilo que se designa por “ontologias”. Estas ontologias podem ser usadas para permitir apresentações ou visualizações na língua e escrita do utilizador.
É aqui, neste domínio, que as bibliotecas têm oportunidade de contribuir para a infra-estrutura da futura Web porquanto já dispõem de vocabulários controlados para os serviços de indexação, de dicionários biográficos e de muitas outras ferramentas e recursos de referência que ajudam o utilizador a orientar-se nos catálogos e a melhorar a precisão das pesquisas.
O universo da Web é formado essencialmente por ligações, pelo que os registos de autoridade, no ambiente partilhado e internacional que se prepara, não ficarão apenas ligados a registos bibliográficos mas sim a diversas comunidades, como editores, agências de direitos de autor, arquivos, museus e bibliotecas em geral. Idealmente, os registos de autoridade serão um elemento chave ou uma parte indispensável na infra-estrutura da Web Semântica, permitindo um acesso mais preciso à informação e ainda uma apresentação dessa informação na língua e escrita que o utilizador escolha.




BIBLIOGRAFIA

BORBINHA, José – Authority control in the world of metadata. In: International Conference on Authority Control: definition and international experiences. Florence, 10-12 Feb. 2003. Consultado em: 8 Set.2003 Disponível em: http://www.unifi.it/universita/ bibliotecha/ac/en/program.htm

BUIZZA, Pino e GUERRINI, Mauro – Author and title access point control: on the way national bibliographic agencies face the issue forty years after the “Paris Principles”. In: Workshop Cataloguing and Authority Control, Roma, 21-22 November 2002. Consultado em: 24 Jul.2003 Disponível em:
http.ddb.de/news/ifla-conf-programme.htm

GORMAN, Michael – Authority control in the context of bibliographic control in the electronic environment. In: International Conference on Authority Control: definition and international experiences. Florence, 10-12 Feb. 2003. Consultado em: 8 Set.2003 Disponível em: http://www.unifi.it/universita/bibliotecha/ac/en/program.htm

IFLA Study Group on the Functional Requirements for Bibliographic Records – Functional requirements for bibliographic records. München: K. G. Saur, 1998. Consultado em: 25 Jul.2003 Disponível em: http://www.ifla.org/VII/s13/frbr/frbr.pdf ou http://www.ifla.org/VII/s13/frbr/frbr.htm

IFLA UBCIM Working Group on Minimal Level Authority Records and ISADN. Mandatory data elements for internationally shared resource authority records. Consultado em: 25 Jul.2003 Disponível em: http://ifla.org/VI/3/p19962/mlar.htm

IFLA Working Group on GARE Revision – Guidelines for Authority Records and References. 2nd ed. Revised. München: K. G. Saur, 2001


McCALLUM, Sally – Extending MARC for bibliographic control in the web environment: challenges and alternatives. In: Bicentennial Conference on Bibliographic Control for the New Millennium, sponsored by the Library of Congress Cataloguing Directorate, 15-17 Nov. 2000. Consultado em: 19 Ago.2003 Disponível em: http://www.loc.gov/catdir/bibcontrol/

PATTON, Glenn E. – FRANAR: a conceptual model for authority data. In: International Conference on Authority Control: definition and international experiences. Florence, 10-12 Feb.2003. Consultado em: 8 Set.2003 Disponível em: http://www.unifi.it/universita/biblioteche/ac/en/program.htm

TAYLOR, Arlene G. – Teaching authority control. In: International Conference on Authority Control: definition and international experiences. Florence, 10-12 Feb.2003. Consultado em: 8 Set.2003 Disponível em: http://www.unifi.it/universita/biblioteche/ac/en/program.htm

TILLETT, Barbara B. – Authority control: state of the art and new perspectives. In: International Conference on Authority Control: definition and international experiences. Florence, 10-12 Feb. 2003. Consultado em: 8 Set.2003 Disponível em: http://www.unifi.it/ universita/bibliotecha/ac/en/program.htm

TILLETT, Barbara B. – Authority control on the web. In: Bicentennial Conference on Bibliographic Control for the New Millennium, sponsored by the Library of Congress Cataloguing Directorate, 15-17 Nov. 2000. Consultado em: 5 Set.2003 Disponível em: http://www.loc.gov/catdir/bibcontrol/

VIAF: The Virtual International Authority File. Joint project of OCLC Research, Library of Congress and Die Deutsche Bibliothek. Disponível em: http://www.oclc.org/research/projects/viaf/

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

3. Congresso de Educaçáo em Muzambinho





3. Congresso de Educaçáo em Muzambinho





Congresso de Educaçáo 2012


3. Congresso de Educaçáo em Muzambinho


Casas antigas de Arceburgo

Avaliação do Impacto da Biblioteca Escolar

Avaliação do Impacto da Biblioteca Escolar
Avaliação do impacto da biblioteca escolar
Editor Rede Bibliotecas Escolares
Travessa Terras de Sant’Ana, 15
1250-269 Lisboa
www.rbe.min-edu.pt
rbe@rbe.min-edu.pt
Design gráfico Rede Bibliotecas Escolares
fevereiro de 2012
Todd, Ross; Kuhlthau, C.; Heinström, J.
Avaliação do impacto da biblioteca escolar
(Biblioteca RBE)
CDU
027.8
371.32


No número 1 da Biblioteca RBE, Ross Todd defende a prática baseada em
evidências como a melhor forma de garantir o futuro das bibliotecas
escolares. Entre nós, o Modelo de Avaliação da Biblioteca Escolar tem vindo
a induzir rotinas de recolha de evidências, permitindo a identificação de áreas
de melhoria nas práticas das bibliotecas escolares. No entanto, e apesar de o
modelo prever, nos vários domínios, indicadores de impacto a quantificação
objetiva desses impactos é difícil.
A publicação deste segundo número, Avaliação do impacto da biblioteca
escolar, da autoria de Ross Todd, Carol C. Kuhlthau e Jannica E. Heinstrom,
vem ao encontro das dificuldades que sentimos.
School Library Impact Measure (SLIM), que traduzimos como Avaliação do
Impacto da Biblioteca Escolar, é um conjunto de instrumentos que permitem
acompanhar e avaliar os resultados da aprendizagem dos alunos quando
estes estão envolvidos num processo de pesquisa orientada (guided inquiry)
conduzido, em colaboração, pela biblioteca escolar e pelo professor da
turma.
Este conjunto de instrumentos é precedido de um manual de enquadramento
do processo que foi elaborado pelo Center for International Scholarship in
School Libraries (CISSL) da Universidade Rutgers (New Jersey, EUA), dirigido
por Ross Todd e que conta com a colaboração de Carol Kuhlthau , como
investigadora. R

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Importaçao de dados Formato MARC

http://cdij.pgr.mpf.gov.br/sistema-pergamum/orientacoes-tecnicas/manuais/PER-MAN-004-Catalogacao.pdf

PESQUISOU EM OUTRA FONTE E ENCONTROU A OBRA CATALOGADA EM FORMATO MARC?
“Não encontrei” – Inicie a catalogação da obra,.
“Encontrei a obra na Rede Pergamum” – Faça a Importação.
• Clique sobre o título para ver dados da obra;
• Clique em Exportar MARC;
• Clique em Copiar dados;
• Entre no sistema Pergamum / Catalogação / Importação;
• Selecione a pasta Copiar dados para Importação;
• Clique em Transportar dados;
• Faça as alterações necessárias. Não esquecendo de acrescentar no campo 040 o subcampo $d
com o código da biblioteca que está fazendo as alterações;
• Clique em Gravar dados;
• Se os dados foram gravados com sucesso, clique em OK na mensagem que aparecer.
• Selecione a pasta Importação do MARC;
• Clique no botão Abrir Arquivo;
• Se os dados foram abertos com sucesso, clique em OK na mensagem que aparecer;
• Clique sobre o título para que as autoridades possam aparecer na tela Cadastro de
Autoridade(s)/Fornecedor(es) do(s) Acervo(s) gerado(s) pelo Arquivo.
• Clique no botão Verifica Dados para verificar se as autoridades e o fornecedor estão cadastrados.
Ao acionar esse botão todas as autoridades serão verificadas na base local;
• Se todas as autoridades e fornecedores estiverem cadastrados, a coluna Status da
Autoridade/Fornecedor aparecerá na tela preenchida com a informação Autoridade Cadastrada
ou Fornecedor Cadastrado;
• Caso alguma autoridade não esteja cadastrada, dê um duplo clique na linha desejada. Se
necessário, é possível efetuar aqui as alterações. Para verificar a Autoridade correta, utilize a Tela
de Pesquisa;
• Se a pesquisa for negativa, ou seja, caso não exista a Autoridade desejada, volte e cadastre a
nova Autoridade;
• Se a pesquisa for positiva, ou seja, caso encontre a Autoridade desejada, verifique se há algum
dado diferente; altere o que for necessário, volte, e verifique os dados;
• Cadastre a(s) Autoridade(s);
• Somente após a criação de todas as autoridades é que o botão Gerar Dados no Acervo será
ativado, permitindo a criação de um novo acervo. Manual PER-MAN-006 Cadastro
Catalogação APC 1-5
• Após ter gerado o código do acervo:
• Anote o código do acervo;
• Clique no botão Sair;
• Ainda no Módulo Catalogação, clique na opção Cadastro;
• Digite o número do acervo e complete as informações, realizando as alterações necessárias
inclusive em Cad Acervo-Acervo Geral e no campo 008;
• Crie o(s) exemplar(es) normalmente;
• Atualize o acervo.
A importação pode ser realizada em qualquer biblioteca, desde que a a mesma
utilize o Formato MARC.

Procedimentos:
• Acessar OCLC CatCD;
• Selecionar no menu Search, a opção Bibliographic Collection(s);
• Na janela Limit Formats to selecionar o tipo de material;
• Em Query Text: digitar a expressão de busca;
• Em Compact Disc(s) to Search selecionar a opção desejada;
• Clicar no botão Find;
• Selecionar o título com duplo clique.

• Deletar os parágrafos não utilizados pela Biblioteca;
• Modificar os demais parágrafos, se necessário.
É necessário retirar todos os acentos no momento da importação, principalmente
das autoridades, evitando o cadastro das mesmas de forma incorreta

Procedimentos:
• No menu Tools selecionar a opção Options;
• Na tela Options, escolher a opção Export.

Procedimentos:
• Clicar no botão Create para nomear o arquivo de exportação;
• Na tela New Export Destination, manter setada a opção File;
• Clicar .

Em Nome do arquivo, digitar o nome do arquivo com a extensão .dat;
Clicar
Na janela Export Destination Name, clicar para confirmar a criação do arquivo de
exportação;
Em Options clicar ;
Continuar o processo no Pergamum/Catalogação/Importação/Importação do MARC
Exportação de dados da OCLC
Entrar no site: http://lcweb.loc.gov/

Procedimentos:
• Selecionar o Tipo de Importação (Bibliográfico ou Autoridade)
• Clicar em Transportar Dados para colar o texto selecionado;
• Efetuar as alterações necessárias;
• Clicar em Gravar Dados para iniciar a importação;
• Selecionar a pasta Importação do Marc para concluir a importação.

Sobrenomes que começam por prefixos

6. Sobrenomes que começam por prefixos: juntar ao sobrenome mais próximo e considerar uma única palavra. Exemplos:
De Santis, Rinaldo na tabela: De D278 Des D441
Di Bernardo, Elza na tabela: Di D536 Dibd D544
Le Fort, Gertrud na tabela: Le L433 Lefo L494
Van Wyk, Carl na tabela: Van V217 Vanw V285

Para facilitar o entendimento de quais sobrenomes devem começar pelo prefixo, utilizamos a tabela abaixo:

Idioma

Iniciar pelo prefixo

Não iniciar pelo prefixo

Português

(Nomes de origem estrangeira, de acordo com o uso da língua

Todos

Alemão

Am, Im, Vom, Zum, Zur

Von, von der, zu

Espanhol

La, Los

De, de las, de les, de los, del

Francês

La, Le, L’, Des, Du

De, d’

Holandês e Flamengo

Ver

Todos os demais

Inglês

Todos

Italiano

A, D’, Da, De, Dell, Della, Di, Li, L

Fonte: MEY, Eliane Serrão Alves. SILVEIRA, Naira Christofoletti. Catalogação no plural. São Paulo, Briquet de Lemos, 2009. 217 p. ISBN 858563739-0

Sobrenomes que começam por prefixos

6. Sobrenomes que começam por prefixos: juntar ao sobrenome mais próximo e considerar uma única palavra. Exemplos:
De Santis, Rinaldo na tabela: De D278 Des D441
Di Bernardo, Elza na tabela: Di D536 Dibd D544
Le Fort, Gertrud na tabela: Le L433 Lefo L494
Van Wyk, Carl na tabela: Van V217 Vanw V285

Para facilitar o entendimento de quais sobrenomes devem começar pelo prefixo, utilizamos a tabela abaixo:

Idioma

Iniciar pelo prefixo

Não iniciar pelo prefixo

Português

(Nomes de origem estrangeira, de acordo com o uso da língua

Todos

Alemão

Am, Im, Vom, Zum, Zur

Von, von der, zu

Espanhol

La, Los

De, de las, de les, de los, del

Francês

La, Le, L’, Des, Du

De, d’

Holandês e Flamengo

Ver

Todos os demais

Inglês

Todos

Italiano

A, D’, Da, De, Dell, Della, Di, Li, L

Fonte: MEY, Eliane Serrão Alves. SILVEIRA, Naira Christofoletti. Catalogação no plural. São Paulo, Briquet de Lemos, 2009. 217 p. ISBN 858563739-0

Processo Técnico BICE/UCS Artigos iniciais a serem desconsiderados

Processo Técnico BICE/UCS
artigos iniciais a serem desconsiderados (para obras que tem entrada pelo título):
http://processotecnicoucs.wordpress.com/decisoes/cutter/