sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

RDA EM UM BREVE PANORAMA PESSOAL – PARTE II (III) - Modelagem FRBR e Estrutura RDA

RDA EM UM BREVE PANORAMA PESSOAL – PARTE II (III) - Modelagem FRBR e Estrutura RDA

[Janeiro/2014]

A AACR2 arranja os seus capítulos por tipo de recursos e também pelo tipo de ponto de acesso principal e secundário. Na parte I da AACR2, capítulos 2-12 cada tópico está orientado para um formato em separado e sua respectiva descrição. O código é fraco em detalhar os pontos de acesso, mesmo assim a Parte II é orientada para a escolha dos pontos de acesso para nomes de pessoas, entidade coletiva e títulos, discutindo opções para a entrada principal e secundária. A RDA reconfigura essa divisão tradicional, dá maior ênfase ao controle de autoridade, bem como apresenta uma estrutura diferente. Conforme descrito no "Escopo e estrutura da RDA" as novas regras são divididas em 10 seções: seções 1-4 cobrem os elementos correspondentes aos atributos de entidades definidos no FRBR e FRAD; seções 5-10 cobrem elementos correspondentes ao relacionamentos definidos no FRBR e FRAD. Além disso, a escolha do tipo de registro criado, uma vez que em função do formato, é deslocado para o "tipo de descrição", o registro deve ser representado: de maneira compreensível, em níveis abrangentes, ou analíticos. Na terminologia da catalogação uma entrada é "analítica" se inclui uma descrição ou análise das subpartes do recurso que está sendo catalogado. Entretanto, com a RDA, a variedade de formatos dos recursos representados num catálogo bibliográfico não está em questão. A questão agora gira mais sobre o âmbito da representação. Essa mudança de foco permite que o catálogo possa acomodar a interpretação e / ou detalhamento das relações entre recursos mais facilmente dentro de um dinâmico ambiente de biblioteca (MIKSA, 2009).

Uma diferença inicial de estrutura entre a AACR2 e a RDA pode ser visualizada na tabela 01 que ilustra as mudanças conceituais de um código para outro.

Tabela 01: Estrutura do Código AACR2r - RDA
Estrutura AACR2r
Estrutura RDA
Composta de 20 capítulos e 5 apêndices, dividida em 2 partes.
Composta de 10 seções, 37 capítulos e 13 apêndices. Excluído o capítulo 0 – Introdução.
Parte I – Descrição
Registro do Atributos (FRBR/FRAD)
1. Regras Gerais de Descrição
2. Livros, Folhetos e Folhas Impressas
3. Materiais Cartográficos
4. Manuscritos
5. Música
6. Gravações de sons
7. Filmes Cinematográficos e Gravações de Vídeos
8. Materiais Gráficos
9. Recursos Eletrônicos
10. Artefatos Tridimensionais e Realia
11. Microformas
12. Recursos Contínuos
13. Análise
1. Atributos de Manifestação e Item
2. Atributos da Obra e da Expressão 
3. Atributos de Pessoa, Família e Entidade Coletiva
4. Atributos de Conceito, Objeto, Evento e Lugar
Parte II – Pontos de Acesso, Títulos Uniformes, Remissivas
Registro do Relacionamentos (FRBR / FRAD)
21. Escolha dos Pontos de Acesso
22. Cabeçalhos para Pessoas
23. Nomes Geográficos
24. Cabeçalhos para Entidades
25. Títulos Uniformes
26. Remissivas
5. Relacionamentos primários
6. Relacionamento com Pessoas, Famílias e Entidades Coletivas associados a um recurso
7. Relacionamentos de Assunto
8. As relações entre obras, expressões, manifestações e itens
9. Os relacionamentos entre Pessoas, Famílias e Entidades
10. Relacionamentos entre Conceitos, Objetos, Eventos e Lugares
Apêndices
Apêndices
A: Uso de maiúsculas
B: Abreviaturas
C: Numerais
D: Glossário
E: Artigos iniciais
12 apêndices, além do glossário e index


A estrutura da RDA que se divide em atributos e relacionamentos, apresenta as 10 seções desdobradas em capítulos, assim organizados:

Capítulo 0 – Introdução geral que apresenta breve orientação sobre os objetivos e âmbito da RDA, suas principais características e a relação com outras normas para a descrição e acesso aos recursos. Destaca os princípios no qual a RDA se baseia, e descreve os modelos conceituais que dão sustentação a sua estrutura. Fornece, também, um esboço geral da estrutura da RDA, uma lista dos elementos essenciais, uma explicação sobre as convenções usadas na apresentação das instruções e exemplos, e orientação sobre como as instruções e convenções em matéria de língua, transcrição etc., pode ser adaptado para uso em vários contextos (por exemplo, por uma agência cujo principal público usa um idioma diferente do Inglês).

Atributos de registro

§  Seção 1: Registros dos Atributos de Manifestação e Item: fornece instruções para registros dos atributos de manifestações e itens definidos no FRBR. Os capítulos vinculados:
o    Capítulo 1. Diretrizes Gerais para Registro de Atributos de Manifestação e Item General [Guidelines on Recording Attributes of Manifestations and Items]: estabelece os objetivos funcionais e os princípios inerentes às orientações e instruções contidas nos capítulos 2-4, e especifica elementos essenciais para a identificação e a descrição das manifestações e itens. Fornece, também, orientações e instruções gerais sobre a transcrição, o número de registros, e as formulações das anotações.
o    Capítulo 2. Identificando Manifestações e Itens [Identifying manifestations and items]: foco nos elementos mais comumente utilizados na identificação das manifestações e itens. Os elementos abordados incluem o título, a indicação de responsabilidade, edição, etc. - informações que os usuários usam para confirmar se o recurso descrito corresponde ao pretendido, ou para distinguir entre dois ou mais recursos que carregam informações similares.
o    Capítulo 3. Descrição de Suportes [Describing Carriers]: orientado para a descrição do suporte do recurso. Os elementos tratados incluem aqueles que os usuários normalmente encontram ao selecionar um recurso no que se refere às características físicas do suporte, a formatação e codificação das informações armazenadas no repositório, etc.
o    Capítulo 4. Provendo Aquisição e Acesso à Informação [Providing acquisition and access information]: orientado na aquisição e acesso à informação. Os elementos abordados incluem aqueles usados para obter ou acessar um recurso (termos de disponibilidade, informações de contato, restrições de acesso, etc.).
§  Seção 2: Registro de Atributos de Obras e Expressão [Recording Attributes of Work and Expression]: Fornece instruções para registro dos atributos de obras e expressões definidas no FRBR e FRAD.
o    Capítulo 5. Diretrizes Gerais para Registro de Atributos de Obras e Expressão [General Guidelines on Recording Attributes of Works and Expressions]: define os objetivos funcionais e princípios inerentes às orientações e instruções contidas nos capítulos 6 e 7, e especifica elementos essenciais na identificação e descrição das obras e expressões. Fornece, também, orientações e instruções gerais sobre a construção de pontos de acesso autorizados e variantes que representam obras e expressões. Além de instruções sobre o registro do nível de ponto de acesso preferido, sobre a citação das fontes das quais os títulos e outras informações da identificação de uma obra ou expressão foi retirada, e as notas elaboradas para auxiliar no uso ou revisão dos dados.
o    Capítulo 6. Identificação de Obras e Expressão [Identifying Works and Expressions]: cobre os elementos mais comuns utilizados para fins de identificação de obras e expressões. Os elementos incluem os títulos preferenciais e variantes para uma obra, forma, data, local de origem, etc., da obra, linguagem de expressão, versão etc.- informações que os usuários dependem para confirmar que a obra ou a expressão representada pelos dados correspondem ao desejado, ou distinguem entre duas ou mais obras ou expressões com informações similares. O capítulo fornece, também, orientações sobre a construção de pontos de acesso autorizados e variantes que representam uma obra ou expressão. Além de incluir instruções adicionais sobre títulos preferenciais e variantes e outros atributos de identificação de obras musicais, jurídicas, religiosas, e de comunicações oficiais.
o    Capítulo 7. Descrição de Conteúdo [Describing Content]: incide sobre os atributos de obras e expressões da qual os usuários dependem ao selecionar um recurso que atenda às necessidades de conteúdo. Os elementos abordados incluem a natureza e abrangência do conteúdo, público-alvo, etc.
§  Seção 3: Registro de Atributos de Pessoa, Família e Entidade Coletiva [Recording Attributes of Person, Family, and Corporate Body]: fornece instrumentos para o registro dos atributos das entidades do Grupo 2 do modelos FRBR e FRAD.
o    Capítulo 8. Diretrizes Gerais para Registro de Atributos de Pessoas, Famílias e Entidades Coletivas [General Guidelines on Recording Attributes of Persons, Families, and Corporate Bodies]: define os objetivos e os princípios das orientações e instruções contidas nos capítulos 9-11, e especifica os elementos essenciais para a identificação das pessoas, famílias e entidades coletivas. Fornece orientações e instruções gerais sobre o registro de nomes de gravação, e a construção dos pontos de acesso autorizado e variante para representação de pessoas, famílias e entidades coletivas. Provê, ainda, instruções sobre o registro de elementos relacionados com o uso de um nome (abrangência e dados de uso, etc.), indicando as fontes nas quais os nomes e outras informações de identificação para pessoa, família, e entidade coletiva foram coletados, e a elaboração de anotações que ajudem na utilização ou revisão dos dados.
o    Capítulo 9. Identificação de Pessoas [Identifying Persons]
o    Capítulo 10. Identificação de Famílias [Identifying Families]
o    Capítulo 11. Identificação de Entidades Coletivas [Identifying Corporate Bodies]
o    Os capítulos 9 – 11 referem-se aos elementos de uso comuns na identificação de pessoas, famílias e entidades coletivas. Os elementos abordados incluem os nomes preferenciais e variantes para uma pessoa, família ou entidade coletiva, além das datas e lugares associados, etc. - informações que os usuários utilizam para confirmar que a pessoa, a família, ou entidade coletiva representada nos dados corresponde ao desejado, ou para distinguir entre duas ou mais pessoas, famílias ou entidades coletivas com nomes semelhantes, etc. Os capítulos fornecem orientações sobre a construção de pontos de acesso autorizado e variante representando pessoa, família ou entidade coletiva.
§  Seção 4: Registro de Atributos de Conceitos, Objetos, Evento e Lugar [Recording attributes of concept, object, event, and place]: capítulos a serem desenvolvidos após o lançamento da RDA.
o    Capítulo 12. Diretrizes Gerais para Registro de Conceitos, Objetos, Eventos e Lugares [General Guidelines on Recording Attributes of Concepts, Objects, Events, and Places]: definirá os objetivos e princípios das orientações e instruções nos capítulos 13-16, e especificará os elementos essenciais para a identificação de conceitos, objetos, eventos e lugares. Deve fornecer orientações e instruções gerais sobre o registro de termos e nomes, e na construção de pontos de acesso autorizado e variante que os representam. Ademais, o capítulo irá fornecer instruções para o registro de elementos variados relacionados com o uso de um termo ou nome, indicando as fontes das quais os termos ou nomes, e outras informações de identificação do conceito, objeto, evento, ou lugar foi obtido, além da elaboração de anotações que auxiliem na utilização ou revisão dos dados.
o    Capítulo 13. Identificação de Conceitos [Identifying Concepts]
o    Capítulo 14. Identificação de Objeto [Identifying Objects]
o    Capítulo 15. Identificação de Eventos [Identifying Events]
o    Capítulo 16. Identificação de Lugares [Identifying Places]
o    Os capítulos 13 – 16 abordaram os elementos de uso comum para a identificação dos conceitos, objetos, eventos e lugares. Os elementos abordados incluirão os termos ou nomes preferenciais e variantes de um conceito, objeto, evento ou local, o tipo de conceito ou objeto, etc. - informações usadas pelos usuários para confirmar que os dados representados correspondem ao desejado, ou para distinguir entre dois ou mais conceitos, objetos, eventos ou lugares com nomes semelhantes, etc. Os capítulos também irão fornecer orientações sobre a construção de pontos de acesso autorizado ou variante na representação dos dados.

Relacionamento dos registros

§  Seção 5: Registro de Relações Primárias entre Obras, Expressão, Manifestação e Item [Recording primary relationships between work, expression, manifestation, and item]: Segunda parte da RDA baseada no FRBR ao registrar as relações entre diferentes tipos de entidades bibliográficas. Fornece orientações gerais sobre o uso de identificadores, pontos de acesso autorizados inerentes às relações primárias do registro.
o    Capítulo 17. Diretrizes Gerais para Registro de relações Primárias entre uma Obra, Expressão, Manifestação e Item [General Guidelines on Recording Primary Relationships]: Apresenta instruções sobre o registro das relações primárias entre uma obra, expressão, manifestação e item e especifica os elementos essenciais para cumprir esses objetivos. Fornece orientações gerais sobre o uso de identificadores, pontos de acesso autorizado e denominações compostas para registrar as relações.
§  Seção 6: Registro de relações de pessoas, famílias e entidades coletivas [Recording relationships to persons, families, and corporate bodies]: define um conjunto de objetivos e princípios funcionais, orientações e instruções sobre o registro dos relacionamentos para pessoas, famílias e entidades corporativas associadas com um recurso e especifica os elementos essenciais para registrar essas relações. Fornece orientações e instruções gerais sobre o uso de identificadores e pontos de acesso preferencial para registrar essas relações.
o    Capítulo 18. Diretrizes Gerais para Registro das Relações de Pessoas, Famílias e Entidades Coletivas Associadas a um Recurso [General Guidelines on Recording Relationships to Persons, Families, and Corporate Bodies Associated with a Resource]: define as orientações e instruções contidas nos capítulos 19–22, e especifica os elementos essenciais que reflitam as relações entre um recurso e as pessoas, famílias e entidades coletivas associadas a esse recurso. O capítulo fornece orientações gerais sobre o uso de identificadores e pontos de acesso autorizado para registrar essas relações, e a aplicação de designadores de relacionamento para indicar a função exercida pela pessoa, família ou entidade coletiva em relação ao recurso mais especificamente do que é indicado pelo escopo definido pelo próprio elemento de relacionamento.
o    Capítulo 19. Pessoas, Famílias e Entidades Coletivas Associadas a uma Obra [Persons, Families, and Corporate Bodies Associated with a Work]
o    Capítulo 20. Pessoas, Famílias e Entidades Coletivas Associadas a uma Expressão [Persons, Families, and Corporate Bodies Associated with an Expression]
o    Capítulo 21. Pessoas, Famílias e Entidades Coletivas Associadas a uma Manifestação [Persons, Families, and Corporate Bodies Associated with a Manifestation]
o    Capítulo 22. Pessoas, Famílias e Entidades Coletivas Associadas a um Item [Persons, Families, and Corporate Bodies Associated with an Item]
o    Os capítulos 19–22 tratam das relações entre obras, expressões, manifestações e itens e as pessoas, famílias e entidades coletivas, que são associadas. Os elementos abordados incluem aqueles que são adotados ​​para identificar os criadores de obras, editores, tradutores, etc., responsáveis pelas expressões das obras, os produtores e editores de manifestações, os proprietários e detentores dos itens, etc. - informações que os usuários confiam para encontrar os recursos associados a uma pessoa, família, ou entidade coletiva em particular. O capítulo 19 inclui, ainda, instruções adicionais aplicáveis especificamente às pessoas, famílias e entidades coletivas associadas as obras jurídicas e religiosas.
§  Seção 7: Registros das relações para conceitos, objetos, eventos e lugares [Recording relationships to concepts, objects, events, and places]: capítulo a ser desenvolvido após o lançamento da RDA.
o    Capítulo 23. Diretrizes Gerais sobre Registro do Assunto de uma Obra [General Guidelines on Recording the Subject of a Work]: definirá orientações sobre o registro de relacionamentos dos assuntos, e especificará os elementos necessários para cumprir esses objetivos. O capítulo fornecerá orientações gerais sobre o uso de pontos de acesso autorizado para registrar as relações temáticas.
§  Seção 8: Registro das relações entre obras, expressões, manifestações e itens [Recording relationships between Works, expressions, manifestations, and items]: define orientações e instruções sobre registro das relações entre obras, expressões, manifestações e itens e especifica os elementos essenciais para registrar essas relações, além dos relacionamentos entre uma obra, expressão, manifestação, ou item representado por um ponto de acesso preferido.
o    Capítulo 24. Diretrizes Gerais sobre Registros das Relações entre Obras, Expressões, Manifestações e Itens [General Guidelines on Recording Relationships between Works, Expressions, Manifestations, and Items]: define os objetivos operacionais e as orientações contidas nos capítulos 25-28, e especifica os elementos essenciais que exprimam as relações entre obras, expressões, manifestações e itens. Fornece orientações gerais quanto ao uso de pontos de acesso autorizado, e descrições para o registro dessas relações, e a aplicação de designadores de relacionamento para indicar a natureza da relação.
o    Capítulo 25.  Obras Relacionadas [Related Works]
o    Capítulo 26. Expressões Relacionadas [Related Expressions]
o    Capítulo 27. Manifestações Relacionadas [Related Manifestations]
o    Capítulo 28. Itens Relacionados [Related Items]
o    Os capítulos 25-28 tratam das relações entre obras, expressões, manifestações e itens. Os elementos abordados incluem aqueles utilizados ​​para registrar as relações entre uma obra derivada e sua fonte, a reprodução e a manifestação originais, etc. - informações que os usuários usam para encontrar informações sobre obras, expressões, manifestações, e os itens que estão relacionados para a obra, expressão, manifestação ou item representado pelos dados obtidos em resposta às suas pesquisas.
§  Seção 9: Registro das relações entre pessoas, famílias e entidades coletivas [Recording relationships between persons, families and corporate bodies]: fornece orientações e instruções gerais sobre o registro de relacionamentos entre uma pessoa, família ou entidade coletiva representada por um ponto de acesso autorizado e/ou identificador; e definidas no FRAD.
o    Capítulo 29. Diretrizes Gerais sobre Registro das Relações entre Pessoas, Famílias e Entidades Coletivas [General Guidelines on Recording Relationships Between Persons, Families, and Corporate Bodies]: define os objetivos funcionais e inerentes às orientações contidas nos capítulos 30-32, e especifica os elementos essenciais que reflitam as relações entre pessoas, famílias e entidades coletivas. Fornece instruções gerais para o uso de identificadores e pontos de acesso autorizados no registro destas relações, e sobre a utilização de designadores de relacionamento para indicar a natureza da relação mais especificamente do que o indicado pelo escopo definido do elemento de relacionamento em si.
o    Capítulo 30. Pessoas Relacionadas [Related Persons]
o    Capítulo 31. Famílias Relacionadas [Related Families]
o    Capítulo 32. Entidades Coletivas Relacionadas [Related Corporate Bodies]
o    Os capítulos 30-32 tratam das relações entre pessoas, famílias e entidades coletivas. Os elementos abordados incluem aqueles que são usados ​​para registrar as relações entre colaboradores, membros de uma família, pais, e entidade coletiva subsidiária, etc. - informações que os usuários usam para encontrar informações sobre pessoas, famílias ou entidades coletivas que estão relacionadas com pessoa, família ou entidades coletivas representadas pelos pontos de acesso recuperados em resposta às suas buscas.
§  Seção 10: Registro das relações entre conceito, objetos, eventos e lugares [Recording relationships between concepts, objects, events, and places]: capítulos a serem desenvolvidos após o lançamento da RDA.
o    Capítulo 33. Diretrizes Gerais sobre Registro das Relações entre Conceitos, Objetos, Eventos, e Lugares [General Guidelines on Recording Relationships between Concepts, Objects, Events, and Places]: definirá instruções contidas nos capítulos 34-37, e especificará os elementos essenciais que reflitam as relações entre conceitos, objetos, eventos e lugares. Fornecerá orientações gerais para a utilização de identificadores e pontos de acesso autorizados para o registro destas relações, e sobre o uso de designadores de relacionamento para indicar a natureza da relação mais especifica do que o indicado pelo escopo definido pelo elemento de relacionamento.
o    Capítulo 34. Conceitos Relacionados [Related Concepts]
o    Capítulo 35. Objetos Relacionados [Related Objects]
o    Capítulo 36. Eventos Relacionados [Related Events]
o    Capítulo 37. Lugares Relacionados [Related Places]
o    Os capítulos 34-37 irão abordar as relações entre conceitos, objetos, eventos e lugares. Os elementos abordados incluirão aqueles usados ​​para registrar as relações entre os conceitos mais amplos e mais específicos, etc. - informações que os usuários utilizam para encontrar informações sobre conceitos, objetos, eventos e lugares que estão relacionados a outros conceitos, objetos, eventos ou lugares representados pelos pontos de acesso recuperados em resposta às suas pesquisas.

Apêndices [Appendices]: constituem o conjunto dos documentos de mapeamento que estão incluídos nas ferramentas de utilização e de compatibilização da RDA acessada remotamente. Os apêndices são importantes por manter a relação de um método catalográfico para outro.

A: Uso de Maiúscula [Capitalization]: fornece instruções para a capitalização dos dados transcritos em Inglês, bem como para dados transcritos em uma série de outras línguas.

B: Abreviaturas e Símbolos [Abbreviations and Symbols]: fornece listas de abreviaturas para uso em descrições e determinação de pontos de acesso.

C: Artigos Iniciais [Initial Articles]: Este apêndice lista artigos iniciais em línguas que podem ser omitidas quando se aplica as instruções alternativas para registrar títulos preferidos para obras e nomes de pessoas e entidades coletivas.

D: Sintaxes de Registros para Dados Descritivos [Record Syntaxes for Descriptive Data]: fornece orientações sobre sintaxes para o registro dos dados descritivos. O apêndice inclui uma tabela mostrando como os elementos de dados abordados na RDA podem ser mapeados para as áreas e elementos definidos na ISBD e que produzem uma exibição dos mesmos e da pontuação prescrita na ordem estabelecida da ISBD. Além disso, o Anexo fornece mapeamentos dos elementos descritivos da RDA para o formato MARC 21 de dados bibliográficos.

E: Sintaxes de Registros para Controle do Ponto de Acesso [Record Syntaxes for Access Point Control]: fornece orientações sobre a apresentação de pontos de acesso e referências derivadas das regras da AACR2 e exemplos, e um mapeamento dos campos e subcampos variáveis definidos no formato MARC 21 para dados de autoridade com os elementos correspondentes na RDA.

F: Instruções Adicionais sobre Nomes de Pessoas [Additional Instructions on Names of Persons]: fornece instruções sobre a escolha e registro de nomes de pessoas em uma série de categorias específicas, complementando as diretrizes gerais e instruções fornecidas no capítulo 9. As categorias abrangidas são as seguintes: nomes no alfabeto árabe; nomes birmaneses e Karen; nomes chineses que contenham uma determinada denominação não-chinesa; nomes islandeses; nomes índicos; nomes indonésios; nomes malaios; nomes romanos; nomes romenos contendo um patronímico; nomes tailandeses. Para um tratamento mais detalhado de nomes em outros contextos nacionais, ver pesquisa de nomes pessoais do Programa UBCIM IFLA. O apêndice também resume as práticas de listagem para sobrenomes em várias línguas, que incluem um artigo ou preposição ou a combinação dos dois.

G: Títulos de Nobreza, Termos relativos à Hierarquia, etc. [Titles of Nobility, Terms of Rank, Etc.]: fornece informações sobre títulos de nobreza, termos hierárquicos, etc., utilizados em jurisdições específicas. Ênfase: França; Iban [Língua Malaia]; Indonésia; e Reino Unido.

H: Datas no Calendário Cristão [Dates in the Christian Calendar]: fornece informações sobre o registro de datas em acordo com o calendário cristão.

I: Designadores de Relacionamentos: Relações entre um Recurso e Pessoas, Famílias, e Entidades Coletivas Associadas com o Recurso [Relationship Designators: Relationships between a Resource and Persons, Families, and Corporate Bodies Associated with the Resource]: fornece diretrizes gerais sobre o uso de designadores de relacionamento para especificar a relação entre um recurso e uma pessoa, família ou entidade coletiva associada com este recurso, e lista a relação de designadores utilizados com esta finalidade.

J: Designadores de Relacionamentos: Relações entre Obras, Expressões, Manifestações e Itens [Relationship Designators: Relationships between Works, Expressions, Manifestations, and Items]: fornece diretrizes gerais sobre o uso de designadores de relacionamento para especificar as relações entre obras, expressões, manifestações e itens, e lista designadores de relacionamento utilizados para esse fim.

K: Designadores de Relacionamentos: Relações entre Pessoas, Famílias e Entidades Coletivas [Relationship Designators: Relationships between Persons, Families, and Corporate Bodies]: fornece diretrizes sobre o uso de designadores de relacionamento para especificar as relações entre pessoas, famílias e entidades coletivas, e as listas de designadores de relacionamento utilizados para esse fim. Os designadores de relacionamento neste apêndice são provisórios. Devem ser revistos após o lançamento oficial da RDA.

L: Designadores de Relacionamentos: Relações entre Conceitos, Objetos, Eventos, e Lugares [Relationship Designators: Relationships Between Concepts, Objects, Events, and Places]: para ser desenvolvido após o lançamento da RDA, a mesma forma que a seção 10.

Glossário: contém definições dos termos utilizados pela RDA com um significado técnico específico.

Index: provê uma lista em ordem alfabética dos elementos de dados e outros significados de termos e conceitos usados na RDA com referências numéricas para orientar em quais destes elementos, termos, e conceitos são cobertos.


Nos procedimento de aplicação da RDA, há a seguinte organização da norma com a modelagem FRBR:

Entidade
Atributo
Relações
Grupo1: Obra, expressão, manifestação, e Item
Seção 1 Atributos de Manifestação
Cap. 1- Registro de Atributos de Manifestação e Itens;
Cap. 2 – Identificação de Manifestação e Item;
Cap. 3 – Descrição de Suporte;
Cap. 4 – Prover Informação sobre Aquisição e Acervo)
Seção 2 Atributos de Obras e expressão
Cap. 5 – Registro de Atributos de Obras e Expressão;
Cap. 6 – Identificação Obras e Expressão;
Cap. 7 – Descrição de Conteúdo)
Seção 5 Registro de Relações Principais entre Obras, Expressão, Manifestação e Item.

Seção 8 Registro de Relações entre obras, expressões, manifestações e Itens.
Grupo 2: Pessoas, famílias, entidades corporativas
Seção 3 Atributos de Pessoas, Famílias e Entidades Coletivas
Seção 6 Registro de Relações de Pessoas, Famílias e Entidades Coletivas.
Seção 9 Registro de relações entre Pessoas, Famílias e Entidades Coletivas.
Grupo 3: Conceitos, objetos, eventos, lugares
Seção 4 Atributos de Conceito, Objeto, Evento e Lugar (Não desenvolvida)
Seção 7 Registro de Relações de Conceitos, Objetos, Eventos e Lugares.
Seção 10 Registro de relações entre Conceitos, Objetos, Eventos e Lugares
(incompleta)

A organização dos capítulos estrutura-se em acordo com a modelagem do FRBR e FRAD. Na Figura 02 busca-se projetar a visualização conceitual exemplificada com registro para ilustrar a modelagem na estrutura da RDA. Observa-se os conceitos teóricos empregados na nova dinâmica da representação descritiva a nortear o trabalho do catalogador.


Figura 02 – Projeção das entidades do Grupo 1



Na figura 03, expande-se o conceito da modelagem para demais entidades dos Grupos do FRBR, destacando o processo da representação descritiva desenvolvido pelo catalogador a partir do item (o recurso que ele tem à mão para descrever), e o ponto pelo qual deve partir o usuário no desempenho de sua tarefa de busca da obra (da informação de seu interesse). No modelo há toda uma relação a ser passível de estabelecimento em torno do recurso descrito e buscado. Nada que o catalogador já não realizava, apenas que agora potencializada por uma fundamentação teórica clara, embasada em modelagem entidade-relacionamento, apoiada em ferramental tecnológico que atomiza as associações dos dados bibliográficos, impossível de serem estabelecidos no antigo processo de fichas impressas.

Figura 03 – Diagrama do Modelo Conceitual FRBR - Relacionamentos



Com a RDA e o modelo conceitual do FRBR se estabelece um novo pensar sobre a representação e os relacionamentos dos dados bibliográficos. Esta projeção é ilustrada na figura 04, com um diagrama em RDF das entidades do Grupo 1. O Diagrama permite visualizar a expansão do relacionamento estabelecendo uma rede de conexões dos dados bibliográficos e o mapeamento da obra (seu desdobramento genético editorial). A figura 04 mostra apenas uma relação parcial da obra, no caso: Gabriela cravo e canela, que poderia ser acrescida de suas inúmeras traduções, adaptações, versões (expressões) existentes, e consequentes suportes de produção (manifestações) como livros, filmes e vídeos, peças teatrais, textos em braile, etc. O diagrama também salienta uma preocupação agora mais constante do catalogador, o controle mais ativo e detalhado dos pontos de acesso como autoria e demais responsabilidades, além dos títulos.

Figura 04 – Diagrama do relacionamento das entidades do Grupo 1.



A modelagem é materializada na estrutura tradicional da descrição do registro bibliográfico, e que não permite a percepção apresentada na figura 04 ou a interligação do dado bibliográfico estruturado em formato MARC 21 de dados bibliográficos.


100 1_ |a Amado, Jorge |d 1912-2001
Pessoa física ‘criado por’ relação com a obra.
Ponto de acesso autorizado [tem autor]
240 00 |a Gabriela, cravo e canela |l Inglês
$a = Obra $l = Expressão
245 10 |a Gabriela, clove and cinnamon
           |c Jorge Amado ; traduzido do português por
              James L. Taylor and William L. Grossman
Manifestação
250 __ |a 3rd print
Manifestação
260 __ |a New York |b Knopf |c 1962
Manifestação
300 __ |a 425 páginas |c 22 cm
Manifestação
336 __ |a Texto       |2 rdacontent
Manifestação
337 __ |a não mediado |2 rdamedia
Manifestação
338 __ |a volume     |2 rdacarrier
Manifestação
500 __ |a Tradução de: Gabriela, cravo e canela
Expressão
650 7   |a Romance |z Brasil
650 7   |a Literatura |z Brasil
Conceito
Relação “de assunto” com a obra
700 1_|a Taylor, James L. |q (James Lumpkin)
          |d 1892-
Pessoa física
Relação de ‘realizado por’ com esta expressão
Ponto de acesso autorizado [é tradutor]
700 1_|a Grossman, William L. |d 1906-
          |q (William Leonard)
Pessoa física
Relação de ‘realizado por’ com esta expressão
Ponto de acesso autorizado [é tradutor]

   
Indicação de leitura:
Shawne D. Miksa. Resource Description and Access (RDA) and New Research Potentials. Bulletin of the American Society for Information Science and Technology, vol. 35, n. 5, June/July 2009.
OLIVER, Chris. Introdução à RDA: um guia básico. Brasília: Briquet de Lemos / Livros, 2011.
RDA Document, disponível em: http://access.rdatoolkit.org/rdatoc.html. Data: 6/25/2013.

RDA EM UM BREVE PANORAMA PESSOAL – PARTE I (III)

RDA EM UM BREVE PANORAMA PESSOAL – PARTE I (III)

[Dezembro/2013]

No mês de novembro de 2013, tive a oportunidade de participar de encontro para explanar sobre a RDA (Recursos: Descrição e Acesso). Foi uma apresentação panorâmica sobre o tema, entretanto, segundo os promotores, o público não gostou por ter sido muito longa e pouco atrativa. Assim, introduzo este preâmbulo até para preparar o leitor diante do texto baseado na mencionada explanação. Que ao menos na forma de texto possa estar mais palatável. Outro aspecto refere-se ao fato de que falar sobre catalogação, na atualidade, é discorrer sobre várias mudanças pouco assimiláveis em um primeiro momento. Mudanças que se sobrepõem ao reconfigurar de forma contínua o ambiente bibliográfico. A impressão é de certa instabilidade na consolidação de determinados padrões apresentados como atuais ou, até mesmo, assegurar a consistência dos tradicionais. Tudo porque o universo digital se expande.

Há alguns poucos anos atrás, no século 20, a comunidade bibliotecária norte-americana desenvolvia um formato para o intercâmbio de seus registros bibliográficos. Neste acontecimento, o catálogo bibliográfico impresso estava muito presente entre os bibliotecários e os seus usuários. Enquanto o formato era projetado e aplicado, o mundo claramente estava delimitado em fronteiras geográficas políticas, culturais e informacionais.

Na atualidade, entre o trabalho do bibliotecário e os seus usuários, há a tecnologia como ferramental transformador, e que potencializa os processos e produtos de informação. São mudanças que fragmentam o mundo nos seus limites fronteiriços da cultura e da informação registrada. Um cenário no qual o comportamento das pessoas também é moldado pelo uso tecnológico.

Se antes a informação bibliográfica era visualizada e acessada por meio de uma cartela opaca de 7 x 12,5, agora ela é lida em telas de displays coloridos com tamanhos variados. Uma janela pela qual as pessoas conectam-se com a informação do mundo. Um mundo no qual as pessoas se ligam às outras. A web, hoje, é o espaço onde não basta a biblioteca simplesmente estar, ela precisa ter serviços, produtos e políticas da web.

É neste cenário no qual o universo bibliográfico se expande não só em livros mas, segundo Tillet (2008), um universo que se desdobra em muitas galáxias e mundos de conteúdo. A internet não é sentença de morte da biblioteconomia, ao contrário há um potencial inexplorado para o trabalho bibliotecário e, neste aspecto, é importante readequar nossos métodos, desenvolver outros novos para melhor navegar na galáxia da informação extrema.

Como os conteúdos ganham novas configurações de acesso e uso, outro impacto das mudanças é determinante para a catalogação (como já mencionado), ainda mais com a fragmentação da informação na web. Se antes os padrões bibliográficos tradicionais trocavam blocos de registros, a nova norma catalográfica – RDA – orienta-se ao ambiente digital, para relação dos dados bibliográficos, emerge então o conceito dos dados ligados (linked data).

Mas por que a RDA? Porque é um novo padrão necessário para descrever recursos digitais e melhor prover sua descoberta; é aplicável até mesmo em processo de catalogação tradicional, apesar de substituir o AACR2r; é orientado aos usuários (da web); oferece vocabulário controlado mais específico; permite que as máquinas manipulem mais dados bibliográficos; identifica elementos para descrever inter-relacionamentos; detalha no registro as edições, traduções, formato alternativo e o criador; determina regras para o controle de autoridade melhorando os pontos de acesso; fornece estrutura semântica para o esquema conceitual do FRBR (Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos) e FRAD (Requisitos Funcionais para Dados de Autoridade), entre outros aspectos que a justificam.

Além dos motivos listados há as limitações da AACR2, uma norma concebida no contexto dos catálogos em fichas, e cujas regras mostram-se inadequadas à descrição de novos tipos de recursos, em especial os recursos eletrônicos inseridos no ambiente digital. A AACR2 como concebida, por si só, não permite servir de ponte entre o ambiente analógico e o digital, precisou ser reconfigurada.

Assim, as mudanças na área catalográfica não renegam o legado passado que substitui. A RDA se constrói com bases nos alicerces da AACR2. Preserva a compatibilidade com os dados herdados dos registros AACR2, bem como os dados bibliográficos em RDA podem ser codificados no mesmo padrão MARC 21 utilizado pela AACR2. Como observa Olivier (2011), há preocupação com a necessidade de a norma servir de ponte entre ambientes (de outrora e do futuro) e que nem todas as bibliotecas seguirão no mesmo ritmo a caminho dos novos ambientes digitais.

Para o catalogador a substituição de uma norma por outra traz mudanças terminológicas, a saber:

§  Designação Geral do Material (DGM) da AACR2 não é usada na RDA que adota tipo de mídia, de suporte e de conteúdo. 
§  Cabeçalho agora é ponto de acesso.
§  Remissa VER agora é ponto de acesso variante.
§  Título Uniforme agora é título preferido para obra.
§  Quando o título preferido está vinculado com o criador da obra, temos um ponto de acesso preferido para a obra.
§  Descrição Física agora é descrição do suporte, diferente do termo tipo de suporte que substitui o antigo DGM.

Novos termos também se agregam ao vocabulário e práticas do catalogador, como: entities(entidades); attributes (atributos); relationships (relacionamentos); data elements (elementos de dados); core elements (elementos essenciais); linked data (dados ligados); além dos modelos FRBR e FRAD, entre outras terminologias relacionadas à web semântica, e em sua maioria oriundas da computação.

Apesar da oficialização e promoção da RDA, existem críticas à norma, desde a sua intenção que vai longe demais, como a de pretender servir várias comunidades ligadas à organização da informação; bem como a outras intenções que não avançam, como a falta de definição de capítulos do próprio documento normativos, ainda incompleto.

Agregam-se também preocupações sobre o custo/benefício de adesão ao uso do código, em especial ao seu modelo de negócio de comercialização do acesso e uso. Neste sentido, há preocupação sobre como a RDA impacta os fluxos de trabalho das bibliotecas, aliada às questões de treinamento e aprendizagem. Se nos Estados Unidos as bibliotecas têm uma realidade econômica melhor definida, no Brasil a realidade é oposta, notadamente as bibliotecas do segmento público.

A RDA a exemplo da AACR2, se consolida como documento oficial e institucional. É desenvolvida pelo Joint Steering Committee (JSC) for Development of RDA, com representantes das seguintes entidades bibliotecárias:

§  Chartered Institute of Library and Information Professionals (CILIP),

A supervisão principal do projeto da RDA é realizada pelo Committee of Principals (CoP). O comitê é composto pela representação das seguintes entidades:

§  American Library Association,
§  Chartered Institute of Library and Information Professionals (CILIP),
§  Library of Congress,
§  British Library,

A RDA é um modelo de negócio, assim as entidades co-editoras fornecem suporte financeiro e de produção para a norma, e desta fazem parte:

§  American Library Association,
§  Canadian Library Association,
§  CILIP, whose publishing imprint is Facet Publishing (www.facetpublishing.co.uk).

A estrutura operacional de desenvolvimento da RDA, apesar de ter característica anglo-saxã, exemplificada por dois pontos: a importância das entidades de representação profissional, e a institucionalização do processo organizativo e deliberativo das políticas de organização e representação bibliográfica.

No Brasil, carecemos de uma estrutura mais integrada de nossas entidades representativas e agências bibliográficas de maior estrutura financeira. Imagine se as entidades como FEBAB,Biblioteca NacionalIBICTABECINCFB, as bibliotecas centrais das grandes universidades e as maiores bibliotecas públicas brasileiras, e cursos de biblioteconomia, além de agências de fomento firmassem um protocolo para a constituição de um comitê nacional de catalogação. Será que não teríamos um salto qualitativo de padrão bibliográfico no país? Será que não sairíamos da idade da ficha lascada em definitivo? Pode ser que sim ou não, o Brasil é muito desigual, mas certamente todos teríamos postura muito diferente para mudar e assimilar as mudanças. No mínimo um nova estrutura para o Bibliodata.

A este processo podem ser agregadas outras entidades da área, bem como de área congênere, da mesma forma que a RDA interage com outras comunidades como:

§  Museus,
§  Arquivos,
§  Editores,
§  Educadores,
§  Fornecedores de Software para Gestão de Bibliotecas,
§  Dublin Core – Metadados,
§  Outras Comunidades de web semântica.

Das comunidades listadas, é interessante ressaltar:

O Dublin Core e outras comunidades da web semântica, cuja colaboração visa comparar os modelos conceituais e padrões usados por cada uma delas. A Library of Congress Network Development Office & MARC Standards Office cujo envolvimento visa para garantir a compatibilidade do RDA com o MARC 21. E a comunidade editorial, que desenvolve uma lista terminológica, baseada no padrão ONIX orientado para uso das comunidades de bibliotecas e editoração, entre outras.

Como frisado, a RDA é um modelo de negócio com uma operação comercial diferente do modelo anterior da AACR2. Não se faz crítica ao certo ou errado, é um processo de sustentação da estrutura que mantém a norma. Mas para a realidade brasileira há um problema de condição financeira para grande parte das bibliotecas. Apesar de haver edições impressas, a melhor operação de consulta é on-line, e nesta forma a assinatura anual individual está fixada em US$195, já a institucional tem o custo de US$325, enquanto grupos de 5 usuários têm valor de US$435. Outra questão é que diferente da AACR2r com tradução literal, a tradução da RDA deveria ser contextualizada à realidade brasileira.

Figura 01 – Exemplo de tela de consulta da RDA on-line



A figura 01 ilustra a consulta à RDA por acesso on-line, o que dá uma ideia da sua flexibilidade e processo de atualização. Outro aspecto, refere-se a necessidade de atualização do catalogador. A RDA se estrutura sob uma base teórica e para a sua aplicação é necessário compreender alguns conceitos. Esses são construídos sobre modelos conceituais, desenvolvidos pela Federação Internacional de Associações de Bibliotecas e Instituições (IFLA), a saber:

§  Requisitos Funcionais para Dados Bibliográficos (Functional Requirements for Bibliographic Data – FRBR - 1998), e
§  Requisitos Funcionais para Dados de Autoridade (Functional Requirements for Authority Data – FRAD - 2009).
§  Requisitos Funcionais para Dados de Autoridade Assunto (Functional Requirements for Subject Authority Data – FRSAD)

FRBR e FRAD identificam as relações que uma obra pode ter com seu criador, e suas relações com quaisquer traduções, interpretações, adaptações ou formatos físicos dessa mesma obra e o controle dos pontos de acessos preferidos.  FRSAD trata da representação temática, com a escolha do ponto de acesso preferido para o assunto.

Ainda relacionado com o entendimento operacional da RDA, importante conhecer a AACR2, pois novos elementos são apresentados ou termos pouco claros no código anterior são agora reapresentados. Neste sentido são listados dentre outros:

§  Características do arquivo (recursos digitais),
§  Formato de vídeo,
§  Informação sobre custódia (recursos arquivísticos),
§  Características Braille dos recursos descritos,
§  URLs (Uniform Resource Locator/Localizador-Padrão de Recursos),
§  Identificadores de entidades (pessoas, corporações, obras), e
§  Idioma das pessoas, etc.

Ademais, a RDA não prescreve nenhum tipo de apresentação (bibliotecas podem usar a ISBD). O apêndice D da RDA estabelece diretrizes da ISBD, incluindo novas práticas não seguidas na AACR2r. O estilo de pontuação AACR2r (apêndice E) utilizado para apresentar os pontos de acesso por nomes.

Como a RDA, que não prescreve nenhum tipo de apresentação dos registros, os catalogadores podem incluir qualquer elemento adicional que seja necessário (em certos casos) para diferenciar recursos identificados com suportes e/ou informações assemelhadas. Também podem incluir outros elementos que, em sua opinião sejam necessários.

Em conformidade com a FRBR, a regra RDA 0.6.1 estipula que no mínimo, um registro que descreva um recurso deve incluir elementos essenciais aplicáveis para esse recurso. A descrição também deve incluir elementos adicionais necessários para diferenciar o recurso de qualquer outro semelhante.

A regra 0.6.2 - Seção 1: Registrando Atributos da Manifestação e o Item, lista os elementos essenciais:

§  Título
§  Indicação de Responsabilidade.
§  Indicação da Edição e Responsável edição
§  Numeração da Série
§  Indicação de Produção
§  Indicação de Publicação
§  Indicação de Distribuição
§  Indicação de Manufatura
§  Data de Publicação/Produção/Fabricação; Data de Copyright
§  Indicação de Série
§  Identificador para manifestação
§  Tipo de Suporte

Recomendações da FRBR e da RDA aparentemente sugerem que catalogadores busquem especificidade e diferenciação ao invés de generalização ao descrever um recurso.

Indicações de leitura:

Chris Oliver. Introdução à RDA : um guia básico. Brasília, DF : Briquet de Lemos / Livros, 2011.

Barbara Tillett. Cataloging principles and RDA: Resource description and access. The FRBR Blog, 2008. Disponível em: http://www.frbr.org/2008/07/16/barbara-tillett-rda-webcasts.
 Sobre Fernando Modesto
Bibliotecário e Mestre pela PUC-Campinas, Doutor em Comunicações pela ECA/USP e Professor do departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP.

Entre em contato com Fernando Modesto, clicando AQUI.http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=804

NOVAS TECNOLOGIAS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL: A INFORMAÇÃO EMPRESARIAL QUE É UM SHOW

NOVAS TECNOLOGIAS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL: A INFORMAÇÃO EMPRESARIAL QUE É UM SHOW

[Janeiro/2014]

É inegável a dimensão hoje alcançada pelas tecnologias de informação e comunicação, especialmente as voltadas a divulgação de marcas e produtos. Os tradicionais outdoors, painéis e todas as demais formas de publicidade já não chamam tanto a atenção de consumidores que são cada vez mais ávidos por novidades, sobretudo as do campo tecnológico. A interação cada vez maior das pessoas com o mundo digital, as novas redes sociais e sua velocidade interativa, além da multiplicidade de ferramentas de acesso a informação de forma virtual aumentam a necessidade das empresas de criarem soluções inovadoras e, sobretudo, soluções criativas para que seus consumidores literalmente encham os olhos e construam em suas mentes a imagem de uma empresa.

A imagem de uma empresa pode ser considerada como sendo a sua identidade visual e é um dos fatores que definem a decisão de compra de um produto ou serviço. Nós consumidores sabemos que a forma como uma marca ou produto é apresentada pode ficar eternamente gravada em nossa mente. Desse modo, a criatividade na hora de desenvolver os elementos dessa apresentação vem sendo colocada como um dos principais quesitos pelas áreas de publicidade empresarial.

Imagine-se indo a um supermercado para uma simples compra na semana do Natal e ao chegar lá, ao invés da tradicional fachada o que você vê é um show de imagens com papais noéis gigantes entrando em chaminés, presentes saindo por janelas que até ontem não existiam ali, paisagens com neve, tudo isso em proporções imensas que te fazem se sentir uma criança novamente. Ou então, imagine que você está em um evento corporativo e em meio ao jantar as paredes parecem se moverem com a projeção de imagens incríveis e em segundos toda a história dessa empresa passa a ser apresentada, fazendo com que os convidados sintam-se como se estivessem em um outro mundo. Ou ainda, imagine-se em uma feira de negócios com expositores de grandes empresas e em um dos stands todas as informações e imagens dos produtos parecem interagir com você, como se fossem os produtos reais e como se pudessem ser tocados e movimentados. O que você acha também, de presenciar todo um prédio empresarial embrulhado com fitas de presente que se desfazem e refazem laços gigantescos, ou com cascatas de água caindo pela janela e sua marca sendo projetada sob todas as formas e cores possíveis? Ou quem sabe, em uma noite dessas, você passando por uma rua e de repente um outdoor que parecia ser apenas mais um pela cidade, começa a ter as suas imagens e informações que divulgam uma empresa se movendo como se fosse uma tela de TV gigante?

Difícil imaginar? Mas isso é possível! Trata-se da mais nova ferramenta capaz de gerir informações empresariais com foco publicitário e que vem sendo empregada nos projetos de comunicação visual em grandes empresas brasileiras. Recentemente as empresas passaram a voltar seu olhar para uma nova possibilidade de apresentação de suas marcas e produtos de forma mais interativa, altamente visual e com características que podem ser consideradas como um grande show de imagens e disseminação da informação empresarial. Todas essas possibilidades podem ser alcançadas com o uso de ferramentas como a projeção mapeada, holografia, realidade aumentada, entre outras ferramentas de gestão da informação visual para publicidade.

Entre as que mais chamam a atenção dos públicos está a Projeção Mapeada que, de acordo com NOVA3D (2013) “é a tecnologia que permite o mapeamento de imagens em 3D possibilitando que estas imagens sejam projetadas de forma perfeita sobre superfícies complexas como prédios, casas, carros, máquinas e até mesmo em produtos.” Essas novas tecnologias permitem o mapeamento das superfícies, desde uma parede lisa até prédios com janelas e sacadas, com a finalidade de projetar imagens, textos, figuras e informações diversas que possam atrair o olhar dos consumidores ao criar uma espécie de ilusão ótica. Ainda de acordo com NOVA3D (2013), os resultados dessa ferramenta superam qualquer estratégia de comunicação visual, considerando que são capazes de criar efeitos que prendem a atenção do público, levar as informações fundamentais para as tomadas de decisões utilizando elementos que se assemelham a um verdadeiro show, a chamada “mídia espetáculo”. “Campanhas publicitárias, shows, desfiles e espetáculos de teatro ficam mais ricos com essa tecnologia.”

Definitivamente, estamos em um momento em que a gestão estratégica da informação também pode ser utilizada como forma de sustentação das estratégias de marketing. Criar soluções inovadoras, empregar modernos recursos visuais, utilizar estratégias que contemplem novidades tecnológicas aliadas às informações relativas aos negócios das empresas é a forma mais criativa de atrair os públicos de interesse.

A gestão estratégica da informação não se limita as rotinas internas da empresa relativas aos fazeres produtivos, nem a elementos de comunicação tradicionais internos ou externos. A gestão estratégica da informação pode e deve acompanhar o desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação voltadas ao marketing, buscando atingir ao público de modo que a identidade visual da empresa seja construída e não seja esquecida. Para isso, nada melhor do que levar até o público uma informação empresarial que é um show!

Referências:
NOVA3D Tecnologias. O que é projeção mapeada. 2013. Disponível em: <http://www.nova3d.com.br/#!projecao-mapeada.html> Acesso em: 02 jan. 2014.

Mais informações em:
http://www.youtube.com/user/EstudioOctans
http://nova3d.com.br/blog/
Elaine Cristina Lopes
Mestre e Doutoranda em Ciência da Informação pela UNESP/Marília. Docente substituto nos cursos de Biblioteconomia e Arquivologia na UNESP/Marília. Docente em cursos de especialização nas áreas de governança corporativa, gestão do conhecimento e mercado de capitais.

Entre em contato com Elaine Cristina Lopes, clicando AQUI.http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=807

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Quem manda é a produtividade!

Dia Nacional do Lewitor

A Biblioteconomia no futuro

A Biblioteconomia no futuro

A necessidade de ocupar espaçoshttp://biblioo.info/a-biblioteconomia-no-futuro/

Publicado em 23 dez, 2013 | por Jonathas Carvalho
Algumas obras, especialmente livros e artigos, foram escritos sobre a História da Biblioteconomia no Brasil. Umas mais descritivas, outras mais críticas e ainda outras mesclando as duas realidades como é possível observar nos livros de Rubens Borba de Morais (Livros e Bibliotecas no Brasil Colonial); Francisco das Chagas de Souza (O ensino de Biblioteconomia no contexto brasileiro); Edson Nery da Fonseca (Introdução à Biblioteconomia); César Augusto Castro (História da Biblioteconomia brasileira); Mariza Russo (Fundamentos da Biblioteconomia e Ciência da Informação); Jonathas Carvalho (Uma análise sobre a identidade da Biblioteconomia: perspectivas históricas e objeto de estudo), entre outros.
Toda área do conhecimento que se preze deve construir sua fundamentação histórica pautada na consistência de seus devires (acadêmico, profissional e político-institucional). Porém, quando falamos em História, estamos muito pautados na breve percepção isolada sobre o passado, mas muitos podem perguntar: mas a História não trata precisamente de falar sobre o passado? De fato, esta é uma percepção muito reducionista e instaura um espectro de limitação e conformidade histórica. Em tese, a História trata das múltiplas perspectivas para contextualizar as dimensões entre passado e presente (e também presente e passado, já que condições históricas do tempo presente podem revelar muitas questões do passado) buscando estabelecer previsões para o futuro (concepções preditivas).
Será que um dos grandes desafios (e também talvez dificuldades) da Biblioteconomia é estabelecer uma contextualização temporal (passado, presente e perspectivas para o futuro) em termos acadêmicos, pragmáticos (atuação profissional) e de representação político-institucional? Como as questões são muito amplas e exigem um espaço maior de reflexão, focalizo a reflexão sobre os aspectos de atuação profissional da Biblioteconomia.
Durante sua trajetória profissional, a Biblioteconomia foi construindo/agregando valores e técnicas que vão desde as práticas de organização e tratamento, passando por dinâmicas de acervo, uso de fontes, serviços e gestão, assim como atividades envolvendo tecnologias de informação. Para todos os efeitos, em uma percepção preliminar, todas essas atividades estão correlacionadas e fazem parte do que podemos chamar de prática biblioteconômica holística, já que envolve um totalizador de ação profissional.
Porém, a grande questão é: como correlacionar esse fazer profissional no processo de atuação das bibliotecas? Considerando a amplitude da questão, pontuo dois fatores essenciais que compõem o fazer profissional:
a)      o primeiro indica um contexto interno referente aos conteúdos desenvolvidos na formação acadêmica (incluindo graduações, especializações, mestrado, doutorado, cursos de qualificação, eventos etc.) e sua apropriação pelos bibliotecários;
b)      o segundo é de contexto externo (complementar ao primeiro), sendo norteado pelo nível de autonomia que o profissional possui para atuar, conforme os desideratos da cultura organizacional e pela necessidade de ocupação de novos espaços.
Quanto ao primeiro fator, não é de hoje que acompanhamos diversas manifestações em torno das reformulações curriculares nos cursos de graduação em Biblioteconomia, incluindo seus “generalismos” (por um lado apresenta conteúdos múltiplos e, por outro, com dificuldades de aplicação no mercado), além da falta de elementos para qualificação profissional, especialmente no que tange a especializações e pós-graduações stricto sensu.
Em termos emergenciais é premente o deliberado incentivo à qualificação continuada de bibliotecários promovida por universidades, associações, conselhos e sindicatos em questões cotidianas do fazer profissional como gestão da informação em bibliotecas (individual ou de tipos diversos), tecnologias aplicadas a bibliotecas, dinamização de acervos, mediação da informação em bibliotecas, uso de fontes de informação gerais e especializadas; físicas e digitais etc. em caráter presencial ou EaD. Essa qualificação deve fazer parte do cotidiano de estudantes e profissionais a fim de fortalecer o viés aplicativo da profissão.
Ademais, é pertinente que alunos e professores modifiquem suas percepções no tocante as formas de aprendizagem e aplicação profissional. Escuto de forma constante dos alunos a seguinte frase: “professor, o conteúdo que vejo aqui no Curso não me permite aplicar no mercado porque ambas as realidades (curso e mercado) são diferentes”. E prontamente minha resposta é: “a diferença significativa é que no Curso professores e alunos estão ‘blindados’, de modo que escolhem como, com quem, quando e onde querem trabalhar (sim, estudo também deve ser considerado como trabalho para ampliar essa percepção reducionista que temos), mas no mercado essas escolhas não são possíveis em virtude de que não há mais essa blindagem, já que os profissionais estão sujeitos a lidar com os interesses das organizações que comumente possuem uma visão limitada da atuação do bibliotecário”.
Por isso, é fundamental, além do processo constante de qualificação, que bibliotecários possuam seuportfólio (projeto registrado física e juridicamente de intenções e propostas de atuação) a fim de que possa apresentar a organização nas seleções ou no ato da contratação e dialogar sobre formas de aplicação. Neste documento é crucial o bibliotecário mostrar duas questões gerais: primeiramente, diversas qualidades de aplicação profissional e, segundo, formas de atuar nas demandas específicas da organização (o profissional precisa demonstrar visão aguçada sobre o ambiente de trabalho desde o início do processo de atuação por meio de observações, análises da estrutura administrativa e dos serviços da organização de uma forma geral). Não há garantias, mas estabelece um respeito prévio do profissional perante a organização contratante mostrando que o bibliotecário é um profissional com atividades especializadas produzidas em sua formação em caráter permanente.
No que tange ao segundo fator, eis que nos deparamos com uma realidade mais complexa. Historicamente, a profissão de bibliotecário é reconhecida por indicar vários espaços potenciais de atuação, mas que não são ocupados na prática. Um exemplo categórico são as bibliotecas escolares que podem produzir novos campos de atuação e novas possibilidades de aplicação profissional (a inserção efetiva da Biblioteconomia no campo da educação básica). Um exemplo mais concreto da biblioteca escolar é quando me fazem a seguinte pergunta: “você considera o bibliotecário um educador?” E minha resposta é: “potencialmente, sim, mas como considerar concretamente se a amplíssima maioria das bibliotecas escolares sequer possui um bibliotecário?”.
Neste sentido é que acredito que o reconhecimento da Biblioteconomia perpassa inexoravelmente pela ocupação dos espaços. Embora a profissão tenha apresentado uma crescente ocupação de espaços, principalmente a partir de concursos públicos e bibliotecas universitárias, observo que há uma possibilidade muito mais ampla de espaços, como na biblioteca escolar, órgãos públicos de cunho jurídico, executivo e legislativo. Qualquer profissão que não ocupa seus espaços em sua plenitude (ou próximo disso) dificilmente terá condições de concretizar suas potencialidades estratégicas, por um lado, profissionais, acadêmicas e humanas e, por outro, pedagógicas, gerenciais, técnicas.
Penso que a Biblioteconomia (neste caso o pensamento coletivo de órgãos de classe, professores, profissionais e estudantes) deve ter como grande marco para o futuro profissional, a formalização de processos sobre a ocupação de espaços (quais espaços são passíveis de ocupação, como reivindicar e propor a ocupação dos espaços, seja de caráter público, seja de caráter privado e como projetar um papel profícuo em termos de atuação profissional nesses espaços).
Em síntese, é preciso discutir, analisar, avaliar, promover, propor questões para o futuro profissional da área. Este é um papel meu, seu e dos representantes acadêmicos e político-institucionais da área. O reconhecimento futuro da Biblioteconomia perpassa pelo nosso processo de mobilização e atuação. Algumas conquistas já se efetivaram (ampliação do mercado, redimensionamento da atuação profissional e acadêmica, entre outras), mas ainda é preciso avançar muito mais redimensionando o papel político da Biblioteconomia e esta luta é coletiva.
E viva o futuro da biblioteconomia!!! Que seja simultaneamente ardoroso pelo valor da luta e prazeroso pelas conquistas!!!

Sobre o Autor

Jonathas Carvalho é professor do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Ceará - Campus Cariri. Mestre em Ciência da Informação pela UFPB. Doutorando em Ciência da Informação pela UFBA. Atua nos seguintes segmentos: epistemologia e pesquisa em Biblioteconomia e Ciência da Informação; mediação e estudos de usuários da informação; bibliotecas escolares, comunitárias e públicas; fundamentos sociais, políticos, éticos e profissionais aplicadas a Biblioteconomia.

Internet das Coisas

Moisés de Oliveira Cassanti Cassanti - Internet das Coisas e as botnet - imgem destaque

O fantástico mundo do Jetsons e os infortúnios dessa nova realidade

Você já deve ter ouvido fala na tal da Internet das Coisas. Se não, é bom começar a se informar, pois este conceito está cada vez mais ganhando corpo no nosso cotidiano. O que é a Internet das Coisas? É uma revolução tecnológica que tem como objetivo estabelecer uma interação entre objetos inteligentes por meio da Internet. É, resumidamente, a possibilidade de comunicação entre objetos – enviando e recebendo dados e informações com o intuito de facilitar a vida das pessoas.
Esse sistema estabelece conexões entre a Internet e diversos objetos, como automóveis, eletrodomésticos, celulares e outros aparelhos móveis. Em tese, a internet das coisas é um ambiente inteligente, responsável por realizar tarefas do nosso cotidiano – como verificar o que há em sua geladeira, fazer uma lista de itens faltantes, acessar o site do supermercado e fazer as compras por você.
Vivendo como nos Jetsons!
Em casa: Como no famoso desenho da década de 1960, objetos dentro de casas inteligentes falarão entre si para facilitar atividades diárias: o despertador avisará a cafeteira que a pessoa está prestes a acordar e que se deve começar o preparo do café. Enquanto isso a geladeira cria uma notificação de que está na hora de fazer as compras e o despertador avisa o usuário de suas tarefas do dia antes mesmo de levantar da cama.
Na rua: Sensores de ré, velocidade e distância, faróis automáticos e outras tecnologias já estão presentes em alguns automóveis. A Internet das Coisas, no entanto, pretende normalizar carros independentes, que dirijam sozinhos, criem rotas alternativas e façam a previsão do tempo de viagem, por exemplo.
No trabalho: Ao invés de teleconferências, a evolução da computação possibilitará a criação de hologramas para estabelecer reuniões à distância.
Durante as compras: Eletrodomésticos da cozinha, por exemplo, poderão identificar a falta de algum alimento e realizar a compra em um supermercado. Você poderá passar em um drive-thru e apenas recolher os produtos.
Mas e no aspecto segurança na Internet, devemos nos preocupar?
A consequência é que, se queremos viver em um mundo que usa as portas abertas e passagens da Internet para facilitar a vida, sempre haverá certa quantidade de pessoas lá fora que querem explorá-la pelas razões erradas. Apesar das vantagens que e estes dispositivos nos proporcionam, eles também tornaram-se os principais candidatos para atacantes e ativistas que buscam comprometer seu poder e transformá-los em botnets ou plataformas maliciosas similares utilizadas para distribuir ataques (DDoS).
Qual o Motivo? Simples: distribuir ataques via dispositivos inteligentes não tripulados torna mais difícil de rastrear.
Mas o que é uma Botnet mesmo?
O termo bot é uma abreviatura de robô. Os criminosos distribuem software malicioso (também conhecido como malware) que pode transformar o seu computador (ou seu aparelho inteligente) num bot (robô) (também chamado zombie). Quando isso acontece, ele pode executar tarefas automatizadas através da Internet, sem o seu conhecimento.
Os criminosos utilizam normalmente bots para infectar um grande número de computadores. Estes computadores formam uma rede ou uma Botnet. Os criminosos utilizam as botnets para enviar mensagens de spam, disseminar vírus, atacar computadores e servidores e cometer outros tipos de crimes e fraudes. Se o seu computador fizer parte de uma botnet ele pode estar ajudando os criminosos.

Entendendo o que é um ataque DDoS
Por mais complicado que pareça, é tudo bem simples. O conhecido popularmente como ataque de negação de serviço, ou simplesmente DDoS (Denial of Service, na sigla em inglês) usado para derrubar grandes sites. Simplificando, um ataque DDoS é capaz de ser direcionado a qualquer dispositivo que tenha algum nível de conectividade com a Internet.
Por meio de um comando que parte de uma ou várias máquinas mestres, o atacante ordena que as máquinas zumbis acessem um endereço específico na mesma data e horário. Esse servidor pode ser responsável por diferentes tipos de serviços – como manter uma página de internet ativa, completar transações bancárias online, entre outras. O mais comum é que os ataques aconteçam nos servidores web, onde estão hospedados os sites de uma empresa.
Quando um número muito grande de computadores tenta acessar ao mesmo tempo a página de um site, há uma sobrecarga no servidor, que fica, então, impossibilitado de atender a todas as requisições simultâneas de acesso dos “usuários”. Alguns desses servidores podem simplesmente reiniciar ou parar de funcionar.
Conclusão, não há como negar que a evolução tecnológica torna nossa rotina diária mais fácil e atraente, porém não devemos nos esquecer que quanto mais aparelhos conectados na internet, mais ferramentas os atacantes terão para proveres seus ataques. A pergunta que faço é: estamos preparados? Especialistas ainda estão discutindo formas de se proteger desses ataques. O que tem nos preocupado é que estes dispositivos geralmente não possuem uma interface para configurações e atualizações.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Conheça 30 bibliotecas famosas mundo afora



Conheça 30 bibliotecas famosas mundo afora: http://abr.ai/1cPX8ZW

A Bibliotecária de Auschwitz

Auschwitz-Birkenau, o campo do horror, infernal, o mais mortífero e implacável. E uma jovem que teima em devolver a esperança. Sobre a lama negra de Auschwitz, que tudo engole, Fredy Hirsch ergueu uma escola. Num lugar onde os livros são proibidos, a jovem Dita esconde debaixo do vestido os frágeis volumes da biblioteca pública mais pequena, recôndita e clandestina que jamais existiu. No meio do horror, Dita dá-nos uma maravilhosa lição de coragem: não se rende e nunca perde a vontade de viver nem de ler porque, mesmo naquele terrível campo de extermínio nazi, «abrir um livro é como entrar para um comboio que nos leva de férias». 
- Classificação 18 anos.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Presente para 2014

Desejo mais.....

A Biblioteca perdida



Emily Wess está prestes a ver sua vida mudar drasticamente. Numa hora, ela é uma pacata professora de história, sonhando com grandes descobertas e uma vida de aventuras ao melhor estilo Indiana Jones, seu herói da infância. Na outra, está embarcando em uma viagem ao redor do mundo, atrás de pistas deixadas por seu mentor, Arno Holmstrand. Pistas estas que a levarão a uma descoberta que não se igualava a nenhuma outra que ela pudesse imaginar: a localização da biblioteca perdida de Alexandria. Durante sete séculos, ela abrigou o maior patrimônio cultural e científico de toda a Antiguidade. O mundo julgava esse tesouro perdido, mas as evidências levam Emily a questionar a história. Agora, ela inicia uma corrida contra o tempo para impedir que o paradeiro da Biblioteca caia nas mãos erradas.À primeira vista, o livro pode parecer um thriller de conspiração aos moldes de O código Da Vinci, mas ele é mais do isso. Ele evoca a emoção de ler os clássico da literatura de aventura como as histórias escritas por Enid Blyton e Robert Louis Stevenson. Conduz o leitor pelo exótico e romântico Oriente dos heróis intrépidos de Agatha Christie. E o autor, A. M. Dean, ele próprio um historiador, inspirado pelo fascínio que as conspirações exercem na humanidade, levanta a possibilidade de que a famosa Biblioteca de Alexandria tenha de fato sobrevivo. As pistas para desvendar esse mistério estão todas neste livro.
[Prumo, 2013, 1ª edição]