quinta-feira, 18 de junho de 2015

Aniversário 13/06/2015
























sexta-feira, 12 de junho de 2015

Fórum de Bibliotecários do Rio de Janeiro

A Biblioteconomia Escolar foi tema da sua quinta edição



http://biblioo.info/forum-de-bibliotecarios-do-rio-de-janeiro/

No estado do Rio, apenas 18% das escolas possuem bibliotecas. Em muitas destas, além da falta de espaço, há também a falta de um bibliotecário atuando. E quando há espaço este geralmente é transformado em espaços de leitura os quais, infelizmente, são pouco utilizados pelos professores das instituições. As informações foram transmitidas durante o 5º Fórum de Bibliotecários do Rio de Janeiro, cujo tema era a biblioteca escolar, realizado na Câmara Municipal de Niterói, município da região metropolitana do Rio, no dia 17 de abril. O evento foi uma realização do Conselho Regional de Biblioteconomia 7ª região (CRB7), em parceria com a Prefeitura de Niterói e Conselho Municipal de Cultura de Niterói (CMCN).
Foto: Luciana Rodrigues / Revista Biblioo
Foto: Luciana Rodrigues / Revista Biblioo
De acordo com os palestrantes, há carência de recursos financeiros e humanos neste espaços. Daniela Spudeit, coordenadora do curso de Licenciatura em Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRI) e mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou que existe em torno de 188 mil escolas ativas, conforme o Censo Escolar de 2014, sendo que em 2011 tínhamos apenas 16.332 Bibliotecáriosregistrados nos Conselhos Regionais de Biblioteconomia, o que equivale a 8% da necessidade. Além disso, Spudeit mencionou que o bibliotecário que atua em instituições de ensino precisa fazer um trabalho interdisciplinar em conjunto com pedagogos e outros profissionais na escola para promover sempre a educação e a cultura.
Para Helba Oliveira, professora da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), especialista em Docência do Ensino Superior e bibliotecária do Arquivo Nacional, estes profissionais (bibliotecários e pedagogos) devem estar preparados para dar auxílio às crianças especiais, isto é, a biblioteca escolar deve ser acessível e inclusiva. Oliveira defendeu que, além dos alunos, a biblioteca escolar deve atender aos professores para uma formação continuada e aos pais, pois estes devem incentivar os filhos ao hábito da leitura.
Mariza Russo, professora do Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CBG/FACC/UFRJ) e doutora em Engenharia de Produção, pela COPPE/UFRJ, explicou que devido à carência de bibliotecas públicas, a biblioteca escolar deveria atuar como biblioteca comunitária, isto é, atender a todos da comunidade, sem distinção de raça, cor, religião, como previsto pela UNESCO, incentivando e transformando o ser humano. “As bibliotecas mudam vidas”, disse ela.
Apesar de ter tido pouca divulgação, fazendo com que muitos bibliotecários não conseguissem se planejar para comparecer, o evento teve um significativo número de participantes, dentre os quais estavam bibliotecários, docentes da área, estudantes (graduação e pós- graduandos) e outros profissionais da educação, como professores e pedagogos.
Previsto na programação do evento, os parlamentares, deputados estaduais Marcelo Freixo e Waldeck Carneiro, entre outros, não compareceram, o que foi justificada pelo presidente do CRB-7, professor Marcos Miranda, como uma falha de comunicação entre os organizadores e os parlamentares.
A Lei da Biblioteca Escolar e sua implementação
A Lei da Biblioteca Escolar (Lei nº 12.244 de 24 de maio de 2010), que dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País, sancionada no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi bastante debatida. A lei, cujo prazo de aplicação vai até o ano de 2020, encontra dificuldades em sua implementação, sobretudo em função da carência de profissionais da área, conforme destacou o presidente do CRB7 e a Prof.ª Mariza Russo (CBG/FACC/UFRJ).
Em função desta carência, houve a criação de cursos à distância, como o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que iniciará suas atividades em 2016. Além, disso, existe o curso de Licenciatura em Biblioteconomia, reiniciado em 2010 na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), que tem como objetivo contribuir para a formação de profissionais habilitados para atuar nas escolas em conjunto com professores e bibliotecários para proporcionar uma educação de maior qualidade e desenvolver atividades que visem a formação de competências informacionais nos alunos.
Também foi colocado pelo representante do CRB7 que se faz necessário um planejamento emergencial para as bibliotecas do estado do Rio de Janeiro, devendo se colocar minutas da pauta biblioteca escolar nos 32 municípios da unidade federativa. Além disso, Miranda mencionou a necessidade de se ter uma Especialização em Biblioteca Escolar para qualificar profissionais e de criar um repositório com trabalhos na área. Ainda neste debate, foi colocada a ausência do profissional no Plano Nacional de Livro e Leitura (PNLL), instituído em 2006 por iniciativa dos Ministérios da Cultura e da Educação do país.
As experiências com a biblioteca escolar
Foto: Luciana Rodrigues / Revista Biblioo
Foto: Luciana Rodrigues / Revista Biblioo
Segundo Cilene Oliveira, da Gerência de Mídia-Educação da Prefeitura do Rio, em 2011 as bibliotecas da capital fluminense tornaram-se híbridas, virando biblioteca escolar e pública ao mesmo tempo (decreto municipal n. 33.444 de 01 de março de 2011). Cilene mencionou que a Prefeitura está transformando as bibliotecas em extensão da escola e que houve a necessidade de reforma física e estrutural. De acordo com ela, houve aquisição de acervo novo, como o de periódicos (jornais, gibis, entre outros) e também de computadores (Biblioteca ProInfo).
A bibliotecária e professora citou a necessidade de uma formação continuada e que estão sendo realizadas reuniões mensais, visitas técnicas a outras instituições e cursos em parceria com a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). “Ainda temos muitos desafios”, disse ela. Dentre os desafios apontados por Cilene estão a questão salarial e de acervo, bem como a aquisição de um sistema para informatizar as bibliotecas.
A bibliotecária Rachel Polycarpo da Silva, responsável pela Biblioteca Flor de Papel da Superintendência de Documentação da Universidade Federal Fluminense (SDC/UFF) afirmou que das 26 bibliotecas que compõem a rede, duas são bibliotecas escolares: a Flor de Papel e a Monteiro Lobato. Segundo ela, a Biblioteca Flor de Papel é fruto de um projeto de extensão universitária entre as áreas de Biblioteconomia, Letras e outros cursos. Atendendo ao público pré-infantil da creche universitária, a biblioteca está adequada ao acesso das crianças aos livros e a literatura infantil, conforme destaca a bibliotecária.
Raquel lembrou o direito à liberdade de expressão previsto na Convenção dos Direitos das Crianças (Decreto no 99.710, de 21 de novembro de 1990), segundo o qual “esse direito incluirá a liberdade de procurar, receber e divulgar informações e ideias de todo tipo, independentemente de fronteiras, de forma oral, escrita ou impressa, por meio das artes ou por qualquer outro meio escolhido pela criança.”
Rachel enfatizou que a criança é uma usuária de informação, inclusive mais que o adulto, pois tudo para ela é informação, estando na fase de descobrir o mundo. A bibliotecária destacou algumas atividades da Flor de Papel, como o Varal do Livro, cujo objetivo é dinamizar o acervo; o Hospital do Livro, voltado à educação de usuários; a Fábrica de Palavras, que incentiva a ampliação do vocabulário; o Mural de Autores, onde os autores são apresentados aos leitores, entre outras.
A equipe da biblioteca preserva a formação continuada e a participação em mesas redondas sobre as bibliotecas e a educação infantil, conforme ressaltou Raquel. Segundo ela, muitos resultados foram observados desde a criação do projeto, como a alfabetização de algumas crianças, concluída ou em processo. Além disso, as crianças passam a gostar de ler e de ter a prática de ir à biblioteca, compreendendo esta como um espaço de criação.  Durante a sua explanação, Rachel apresentou cada membro da equipe e afirmou que é impossível trabalhar com uma equipe reduzida.
O bibliotecário Marcelo Marques de Oliveira, representante da Fundação Municipal de Niterói, mencionou a importância de recomendações acerca das Bibliotecas Escolares no estado do Rio de Janeiro a partir da Carta de Niterói (Documento propositivo aprovado durante o I Fórum Nacional de Racionalidades Médicas e Práticas Integrativas e Complementares em Saúde em 2012), ressaltando a importância de políticas públicas para as bibliotecas públicas, escolares e comunitárias do município. Durante sua apresentação, mencionou a obra clássica da área “Miséria da biblioteca escolar” (editora Cortez, 1995), escrita pelo hoje deputado estadual Waldeck Carneiro.
Alan Cruz de Souza, bibliotecário responsável pela Biblioteca Professor Aloysio Jorge do Rio Barbosa do Colégio Pedro II, unidade Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense, disse em seu relato que a biblioteca, quando assumida por ele, não era frequentada e o acervo era composto inicialmente pela doação da esposa do professor a qual a Biblioteca homenageia com o seu nome. Para que a biblioteca passasse a ser utilizada, segundo ele, houve a mudança do layout da mesma que ganhou um varal no qual os periódicos que chegam à instituição são exibidos e mudança de algumas “regras das bibliotecas” como “Aqui pode conversar”, “Não é proibido o uso do celular” etc.
Para aquisição de acervo, a Biblioteca fez uma parceria com a Fundação Dorina Nowill, que doa livros especiais e acessíveis. A instituição também fez parceria de empréstimo com o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio (CCBB/RJ). Algumas atividades realizadas pela biblioteca são: 1) proteção de tela dos computadores com capas de livros e resenhas com seus respectivos números de chamada, dinamizando a informação; 2) criação da exposição “O livro além das páginas”, onde são exibidos livros que inspiraram músicas, filmes, peças de teatro, histórias em quadrinhos (HQs), assim como HQs que viraram filmes e 3) Cine Biblio, atividade em pareceria com um professor, onde é exibido um filme com temática histórica e, após a sessão, são apresentados livros com a mesma temática.
Na biblioteca foi criada a seção ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), IME (Instituto Militar de Engenharia), ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e concursos voltados, principalmente, para alunos do 3º ano do Ensino Médio. O bibliotecário também criou listas de sugestões para a aquisição de livros através do Google Docs o que, segundo ele, está tendo uma boa receptividade por parte dos alunos e do colegiado.
Conforme destacou Alan, o Colégio Pedro II, unidade Duque de Caxias, localiza-se numa região que possui muita necessidade informacional, atendendo não só alunos da unidade, como também alunos da Baixada Fluminense como um todo. O bibliotecário mencionou a necessidade de um trabalho em equipe, pois sozinho, o profissional não dá conta.
Quanto às “Reflexões e Recomendações acerca das Bibliotecas Escolares no Estado do Rio de Janeiro: A Carta de Niterói”, proposta inicial do evento, ficou acertado com CRB7 que será promovido outro encontro com a participação de outros membros da sociedade como sindicato dos professores e a presença de parlamentares.
Ficou evidente que muitos desafios a categoria terá que enfrentar não sozinha, mas buscando ajudas e parcerias, seja com entidades e com outros profissionais da educação. Ao que parece, muitas vezes a Biblioteconomia Escolar não é vista como atrativa devido à questão salarial e a falta de recurso humano, financeiro etc., mas que é um campo onde o bibliotecário é essencial, mostrando a sua importância dentro da instituição com projetos e atividades que estimulem a participação dos alunos.
Caso como as Bibliotecas Flor de Papel e do Colégio Pedro II – Unidade Duque de Caxias, mostram exemplos de atividades criativas e possíveis para serem trabalhadas em unidades de informação de instituições de ensino com alunos de todas as idades, da creche ao Ensino Médio.
Durante o evento houve ainda homenageou 16 bibliotecários escolares e populares.

100 anos de Biblioteconomia no Brasil

O bibliotecário precisa conhecer sua própria história


http://biblioo.info/100-anos-de-biblioteconomia-no-brasil-2/


No dia 12 de abril de 1915 iniciou-se as aulas do primeiro curso de Biblioteconomia do Brasil. Cem anos depois, é um bom momento para se falar sobre a história dessa disciplina. Um famoso historiador inglês, Eric Hobsbawm, escreveu em seu livroSobre História (Cia das Letas, 1998): “Eu costumava pensar que a profissão de historiador, ao contrario, digamos, de um físico nuclear, não pudesse, pelo menos, produzir danos. Agora sei que pode”.

Hobsbawm estava falando do uso político, ideológico, da história, que é a matéria-prima para as ideologias nacionalistas, étnicas ou fundamentalistas, seja essa história embasada em fatos ou resgatada de algum passado mítico.
A história é um encadeamento de fatos, acontecimentos ao longo do tempo, fatos que são ao mesmo tempo causa e consequência, tudo o que acontece ajuda a determinar o que virá a seguir, podemos pensar na história como uma grande rede, sendo os fatos os nós da rede, tudo entrelaçado entre si, dando significado, mas também nos prendendo e nos determinando.
A História é a base na qual surgem as nações, ideologias e as áreas do conhecimento. Já as profissões surgem de uma necessidade específica de dada sociedade, mas é o movimento daquela ocupação ao longo do tempo que lhe dá corpo e a pode-lhes transformar em algo a mais, e todas as pesquisas, estudos e lutas desses profissionais é que tornam a profissão, seja lá qual for, no que é no mundo de hoje e podem torná-la uma ciência, como foi com a Biblioteconomia.
Jonathas de Carvalho, no livro Uma análise sobre a identidade da Biblioteconomia: perspectivas históricas e objetos de estudo(Edição do Autor, 2012), nos diz: “Mesmo diante das dificuldades é necessário a abordagem acerca da história da Biblioteconomia, a fim de compreender a sua identidade”. Ou seja, para nós bibliotecários entendermos a nós mesmos, por qual razão estamos aqui fazendo o que fazemos e nas condições que estamos, precisamos entender nossa história.
Aí começa o problema. Um duplo problema, na verdade. Temos uma baixa produção acadêmica sobre a nossa história, que por sua vez está ligada a outro problema que é a pouca importância que damos para isso. Sobretudo nas faculdades em geral, temos matérias nas grades do curso com nomes como Introdução ou Fundamentos à/da Ciência da Informação, ou à/da Biblioteconomia, que nos dão uma história factual, pouco mais que datas e acontecimentos marcantes, pouco relacionados entre si e com o momento histórico da época.
Podemos citar pouquíssimos autores nacionais que tratam direta ou indiretamente com essa questão nas décadas recentes. Inclusive alguns têm livros bases para essa discussão. Vou citar dois: Francisco das Chagas de Souza e César Augusto Castro. Ambos fundamentais para essa discussão, mas para uma área que tem agora 100 anos desde o surgimento do primeiro curso de Biblioteconomia, existem muitas questões ainda a serem discutidas.
No entanto, isso não nos interessa no dia-a-dia. Nós bibliotecários reclamamos de nosso presente, de nosso pouco reconhecimento na sociedade e olhamos para o futuro, ora com esperança, ora com temor; esperamos que o deus-maquina, com as novas técnicas e tecnologias, no ajude ou nos destrua. Só que não adianta olhar para o futuro e torcer que este resolva os problemas do presente. Temos que, na verdade, olhar para trás e ver o que nós fizemos.
Portanto, cabe aqui um pequeno resumo. Considero o ponto de partida da Biblioteconomia, tal qual existe hoje, a criação do curso de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional, em 1911, que só formou sua primeira turma em 1915. Essa data é interessante, pois o Brasil recebia um enorme fluxo de imigrantes, um grande número de fábricas nacionais começava a ser criado e o mundo passava pela Primeira Guerra Mundial.
Em função disso, pergunto: que influencias, se é que houve, esses fatos tiveram para a criação do curso? Esse curso visava o preparo de profissionais para trabalharem na Biblioteca Nacional, e eles deveriam ser pessoas eruditas, amantes dos livros e recebiam no curso o modelo francês de Biblioteconomia, da École dês Chartes.
Em São Paulo, o Mackenzie passa a ministrar um curso de Biblioteconomia com uma nova visão, seguindo o modelo norte-americano. Isso no ano de 1929. Temos aí um novo momento mundial: os Estados Unidos da América desponta como liderança mundial, e é o ano da crise mundial, ventos de mudança sopram no Brasil na década de 1920 com a Semana de Arte Moderna, movimento tenentista, guerras civis, organização maior dos trabalhadores, criação do PCB, elementos que levam a Revolução de 30.
O curso em São Paulo migra do Mackenzie para o Departamento de Cultura de São Paulo e de lá para a Escola Livre de Sociologia e Política, em 1940, estando lá até os dias atuais e graças a incentivos americanos, como a Fundação Rockefeller que preparou, apoiou e disseminou o modelo norte-americano, de São Paulo para todo o país.
Aqui cabe explicar quem eram esses primeiros bibliotecários, para entender suas lutas e visões, tanto os de São Paulo, como os do Rio de Janeiro. Eram a elite intelectual e financeira do país. Portanto, os rumos da área estavam ligados as suas visões de mundo. Em O ensino de Biblioteconomia no contexto brasileiro (EDUFSC, 2009), Francisco das Chagas de Souza nos mostra quem eram os interessados e que encabeçavam o curso:
“Mais uma vez, um curso de Biblioteconomia criado no país, dentro de um contexto sócio-político-econômico resultante de mudanças profundas veio a significar uma mudança de trajetória da Biblioteconomia no país, deixando patente a sua vinculação a classe dominante. Desde a ideia até os alunos, o curso, salvo raras particularidades, era projeto da elite, como toda a Biblioteconomia brasileira dos anos 1940 e 1950 próximos.”
Consolidado o curso de Biblioteconomia, no molde norte-americano, os bibliotecários se organizaram para lutar pelos seus direitos. Nos anos de 1954 e 1958 conseguiram o reconhecimento da profissão e em 1962 a lei na qual nos agarramos com unhas e dentes até hoje. Lutas que ocorreram para impedir que outros profissionais entrassem numa área que consideramos nossa, isso na época em que a industrialização no Brasil seguia em ritmo acelerado, o que demandava profissionais especializados, inclusive na área de organização documental.
Da consolidação da Biblioteconomia no Brasil, até o momento em que se lê esse texto, o bibliotecário discute sua formação, seu papel na sociedade, o seu ser e fazer. Nós fazemos isso a um bocado de tempo, sendo que os que começaram isso eram de uma classe abastada, lutando por seus direitos e visões de mundo.
Não estou com isso negando a importância deles, pelo contrário, nós não lembramos, mas eles devem ser lembrados: Rubens Borba de Moraes (que pelo menos ganhou uma biografia), Dorothy Gropp, Adelpha Figueiredo, Bastos Tigre, Laura Russo (fiquei espantando quando uma colega minha de estagio tinha que fazer um trabalho sobre ela e nada achava) e tantos outros. Lembrar-se deles não para enaltecê-los, e sim para entender seus papeis que determinaram nosso presente, seus avanços e limites.
Assim como precisamos nos lembrar e entender o papel que teve as associações e organizações dos bibliotecários, como a primeira criada e famosa Associação Paulista de Bibliotecários (APB). O que a APB fez? Pelo que ela lutou? Procurou alguma integração entre o profissional e a sociedade?
Olhamos para o futuro, no entanto, de lá não teremos nenhuma resposta. Só o passado pode responder as perguntas do presente, não como um guia para o futuro, mas como uma lição que devemos aprender. O passado não é um oráculo, mas um determinante do futuro. Temos muito que aprender com nossa história e um trabalho hercúleo para desenterrá-la dos escombros do passado e trazê-la à luz do presente, para enfim dizer: “somos isso e fizemos tais cousas que nos levaram ao agora”.
Por fim, termino com Hobsbawm e a esperança que essa pequena defesa pelo menos nos faça pensar de onde viemos como ciência e como classe profissional:
“A postura que adotamos com respeito ao passado, quais as relações entre passado, presente e futuro não são apenas questões de interesse vital para todos: são indispensáveis. (…) Não podemos deixar de aprender com isso, pois é o que a experiência significa. Podemos aprender coisas erradas – e, positivamente, é o que fazemos com frequência -, mas se não aprendermos, ou não temos nenhuma oportunidade de aprender, ou nos recusamos a aprender de algum passado algo que é relevante ao nosso proposito, somos, no limite, mentalmente anormais.”
Para Eric Hobsbawm, a reflexão sistemática sobre o objeto e os objetivos da narrativa historiográfica não se distingue da própria escrita da história. Cada parágrafo de sua obra traz implícita a força de suas convicções e a consciência aguda das responsabilidades que envolvem a tarefa do historiador. Nestes ensaios da maturidade, muitos deles ainda inéditos, Hobsbawm ocupa-se mais diretamente das armadilhas e métodos da disciplina que o consagrou como um dos observadores privilegiados do mundo moderno. A riqueza de seu longo e bem-sucedido percurso intelectual, voltado para o estudo das relações entre passado, presente e futuro, espelha-se na amplitude e importância das questões abordadas nesta coletânea

terça-feira, 9 de junho de 2015

11 livros gratuitos sobre Educação Inclusiva

Todo mundo sabe a importância da educação em nossas vidas. O que é uma pessoa sem educação! O que é uma sociedade em educação! Difícil imaginar. Mas existe um outro conceito que vem ganhando força e dedicação de uns tempos para cá: a Educação Inclusiva. Nada mais justo, afinal todos tem direito a terem acesso ao conhecimento. Pensando nisso, trazemos aqui dicas de 11 livros sobre o tema, para download gratuito.
Mas antes de tudo, você sabe responder o que é Educação Inclusiva!
A Educação Inclusiva
É um processo que amplia a participação de todos os estudantes – sem distinguir condições físicas, mentais, sociais, de raça, cor ou credo – nos estabelecimentos de ensino regular. Trata-se de uma reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas de modo que estas respondam à diversidade dos alunos. É uma abordagem humanística, democrática, que percebe o sujeito e suas singularidades, tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos.
De acordo com o Seminário Internacional do Consórcio da Deficiência e do Desenvolvimento (International Disability and Development Consortium – IDDC) sobre a Educação Inclusiva, um sistema educacional só pode ser considerado inclusivo quando abrange a definição ampla deste conceito, nos seguintes termos:
- Reconhece que todas as crianças podem aprender;
- Reconhece e respeita diferenças nas crianças: idade, sexo, etnia, língua, deficiência/inabilidade, classe social, estado de saúde (i.e. HIV, TB, hemofilia, Hidrocefalia ou qualquer outra condição);
- Permite que as estruturas, sistemas e metodologias de ensino atendam as necessidades de todas as crianças;
- Faz parte de uma estratégia mais abrangente de promover uma sociedade inclusiva;
- É um processo dinâmico que está em evolução constante;
- Não deve ser restrito ou limitado por salas de aula numerosas nem por falta de recursos materiais.
Você que é professor, estudante, pesquisador ou quer apenas conhecer mais sobre esse assunto tão importante para uma boa convivência acadêmica, pode fazê-lo baixando os livros gratuitamente para ler quando e onde quiser. São 11 opções, veja só:
Todos os livros são gratuitos e podem te ajudar a ver o mundo de um jeito diferente.
Boa leitura!

Classificação em cores: uma alternativa para bibliotecas infantis

http://gebe.eci.ufmg.br/downloads/319.pdf

Este trabalho apresenta uma classificação para Bibliotecas Infantis utilizando cores e figuras de animais. Tem o intuito de facilitar a busca e a utilização dos documentos pelos pequenos usuários, sem que precisem do auxílio de intermediários para encontrar o material desejado. A pesquisa realizou-se na biblioteca do Colégio Cândido Portinari – Casinha Feliz Centro de Ensino, onde o espaço encontrado (destinado à biblioteca infanto-juvenil) não possuía nenhum tipo de classificação e catalogação do acervo. Esta situação dificultava a localização dos livros na estante e conseqüentemente o acesso dos alunos ao livro que desejam ler. A implantação da classificação através do sistema de cores na organização da biblioteca e da escolha de um espaço maior e mais arejado garantiu o acesso das crianças, inclusive aumentando a freqüência, quanto a busca de material, o que respaldou e possibilitou a conquista efetiva de nossos objetivos. Importante ressaltar que desde a escolha do local até o aumento significativo do acervo, contou com a participação da direção, do corpo docente, discente e dos pais da referida escola. Introdução A educação deve ser uma prática social, baseada no diálogo, através do qual se estabelece relação para integrar o aluno e sua cultura no contexto da comunidade escolar e social, proporcionar ao aluno partilha de experiências a partir das diferenças de cada um deles, pressupondo que não há um saber melhor ou pior, mas que há saberes diferentes. Por isso não é suficiente abrir escolas para que as crianças aprendam a ler, pois a escola é apenas o começo da sua instrução. Sob o ponto de vista de Lourenço Filho (1989 apud BARBOSA, 2000), “A escola sozinha não tem condições de proporcionar a cultura geral mencionada de que a criança necessita. Dessa forma faz-se necessário que a biblioteca de cada escola dentro do currículo escolar complete o processo educativo”. Neste sentido, o autor ainda relata: “Ensino e biblioteca são instrumentos complementares [...] ensino e biblioteca não se excluem, completam-se. Uma escola sem biblioteca é um instrumento imperfeito. A biblioteca sem ensino, ou seja, sem a tentativa de estimular, coordenar e organizar a leitura, será, por seu lado, instrumento vago e incerto”. A biblioteca, mais especificamente as bibliotecas infantis têm o compromisso de estimular a prática de leitura nas crianças, desenvolvendo suas aptidões e seu senso de responsabilidade, tornando-a um membro proveitoso e vantajoso para a sociedade. É preciso assim dirigir-se por princípios em que o foco seja a criança enquanto um ser ativo, construindo conhecimentos sobre o mundo e sobre si mesma. Na concepção de Amato (1989 apud BARBOSA, 2000), a biblioteca é um setor dentro de qualquer instituição de ensino fundamental e médio, que dedica cuidados especiais à criança e ao adolescente. Desta forma, estas bibliotecas são um dos meios educativos, ou seja, um recurso indispensável para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem e formação do educando. No entender de Panet (1988), as bibliotecas infantis junto com os educadores devem criar oportunidade para discussões, troca de idéias, ou seja, proporcionando ocasiões para que a criança além de desfrutar de recursos que não encontra em casa, possa ler, falar, ouvir, desenvolver seu vocabulário e espírito crítico. Por isso a biblioteca infantil deve ser um espaço planejado e montado especialmente para tornar esse primeiro contato com os livros o mais agradável e natural possível a fim de atingir dessa forma um de seus objetivos maiores que é fazer da criança um usuário constante e atuante em bibliotecas. Sabe-se que a biblioteca é fundamental para o processo de ensino e de aprendizagem para os alunos desde as séries iniciais. O acesso e uso das informações através das bibliotecas infantis e escolares proporcionam ao aluno condições de desempenho na sua formação acadêmica. Mas para obter acesso fácil a essas informações, a biblioteca precisa ter uma política de organização. E é nesse sentido que este trabalho mostra a importância de trabalhar com a classificação em cores nas bibliotecas infantis e escolares. O objetivo maior desse trabalho é organizar as obras de literatura infantil e infanto-juvenil da biblioteca do Colégio Cândido Portinari - Casinha Feliz Centro de Ensino, utilizando a classificação pelo sistema de cores e figuras de animais, avaliando se o sistema de classificação adotado aumenta a freqüência de usuários à biblioteca e facilita a recuperação do livro desejado. Com o passar dos anos, vários tipos de bibliotecas foram criados de modo a atender às especificidades do público e as necessidades funcionais dos mesmos. Para Meireles (1984), “A biblioteca infantil corresponde a uma necessidade da nossa época, frente às profundas transformações vividas pela família e pela sociedade como um todo”. Se ao nascer, a criança já é “leitora” das coisas ao seu redor, sua freqüência à biblioteca poderia anteceder à matrícula escolar, iniciando assim um processo saudável com os livros. Dentro dessa concepção, Sandroni e Machado (1998), comentam: “As crianças deveriam freqüentar a biblioteca desde cedo, iniciando um contato agradável com os livros ilustrados mesmo antes da matrícula escolar. Poderiam se portar na biblioteca como quisessem, ficar sentadas ou deitadas, isto é, na posição que preferissem: importaria apenas o hábito que começa, o manuseio do livro que inicia”. A biblioteca infantil é um espaço lúdico por excelência, pois é o lugar do brincar com os livros e com as letras, do faz de conta, do contar e do ouvir histórias. É o local onde se pode dançar, desenhar e ouvir músicas, ela deve ser um convite a brincadeiras, viajar no mundo da imaginação, como relata Fragoso (2003). A autora menciona que a arte se faz presente nos momentos das brincadeiras e ressalta: “Isso é a biblioteca e seus deslumbramentos! Personagens e gente, sem nenhuma diferença, misturando o concreto e o abstrato, a rosa perfumada ao contorno do lápis. Plena de rebuliço e vozes, sem avisos nem proibições, essa biblioteca também é sem paredes”. A biblioteca infantil é de vital importância para a cultura nacional, é uma necessidade hoje em dia, visto não existirem mais amas nem avós que se interessem pela doce arte de contar histórias. Nesses primeiros espaços de convivência a criança começa a estabelecer relações e a formar sua cultura. As bibliotecas para atuarem como verdadeiros locais de aprendizagem, precisam oferecer recursos bibliográficos de acordo com o perfil de seus usuários e, as bibliotecas infantis precisam de materiais bibliográficos de acordo com a idade dos seus alunos, principalmente literaturas condizentes com sua faixa etária. Desta forma, o horizonte cultural humano é o espaço compartilhado por onde emerge a socialização, entendida nas diferentes formas de transmissão de conhecimentos, habilidades, heranças culturais e que envolve a apropriação de valores, tradições e ideologias. Aquilo que é transmitido pelos homens é também criado por ele no conjunto de relações interpessoais. Classificação em cores nas bibliotecas infantis A classificação por cores do acervo da biblioteca infantil parece não ser uma preocupação prioritária na área de Biblioteconomia, visto não existirem muitos livros sobre o assunto. Mas não seria essa uma questão de suma importância para o auxílio ao desenvolvimento infantil? Poucos foram aqueles que se preocuparam em escrever, principalmente sobre a classificação para bibliotecas infantis, o que dificulta fazer um trabalho posterior sobre o tema. Mas Simão, Schercher e Neves (1993) tiveram essa preocupação, por isso mencionam no livro “Ativando a biblioteca escolar”, algumas maneiras de ordenar bibliotecas pelo código de cores. Ainda no entender dos autores, a biblioteca infantil deve ter seus documentos minuciosamente selecionados e classificados de acordo com o interesse de seu público e que seja capaz de atraí-los, de satisfazê-los, mesmo às crianças que não chegaram ainda na fase da alfabetização. Por isso, a biblioteca precisa de uma classificação acessível a criança, além de ter um espaço agradável, divertido, bem colorido que chame a atenção das crianças. Diante da visão destes mesmos autores, mencionam, ainda que entre todas as etapas do serviço bibliotecário, a classificação é uma das mais importantes, por ser um instrumento de recuperação da informação de uma biblioteca. A classificação deve estar diretamente relacionada com as necessidades e expectativas dos usuários propiciando a eles maior facilidade para encontrarem o que desejam. A biblioteca infantil é um ambiente que possui características próprias e sua comunicação visual merece atenção especial: a busca de um sistema de sinalização que utilize recurso de linguagem visual visa não só a estética, mas principalmente a facilidade de uso do seu ambiente, o que proporciona uma melhor interação entre o usuário e a informação. Por isso, Larrick (apud PANET,1988), diz que “a infância é a época do conhecer e investigar”. O autor ainda salienta que uma classificação facilita os pequenos usuários a encontrar o material nas estantes. Sabe-se que existem várias formas de classificar os materiais bibliográficos da biblioteca e que de acordo com o Instituto Nacional do Livro (1980) a classificação serve “para facilitar a reunião dos livros nas estantes segundo o seu assunto”. Acredita-se que a classificação pela CDD ou CDU, seja pouco acessível para o entendimento das crianças nas bibliotecas infantis, por isso, Leite (2001, p.18), menciona no seu texto que: “As atuais classificações parecem ser de difícil entendimento para o público infantil. Um possível motivo é a formalidade de um sistema feito para adultos, como acontece com os sistemas CDD – Classificação Decimal de Dewey e CDU – Classificação Decimal Universal”. Para haver maior interação entre leitor e biblioteca, dependerá de como a biblioteca estará organizada e do seu grau de compreensão recebido. De acordo com Simão, Schercher e Neves (1993): “O sucesso desta interação biblioteca-usuário depende em grande parte da maneira como a biblioteca está instalada e como seu mobiliário e equipamento estão distribuídos. Depende também da forma como os recursos de informação estão identificados e ordenados nas estantes’. Toda biblioteca necessita de organização, mesmo aquelas pequenas e de usuários mirins, pois para eles é necessário que a equipe da biblioteca use um sistema de sinalização que contemple códigos de fácil entendimento para as crianças. Dentro deste contexto, de acordo com Leite (2001), para que as crianças entendam e consigam encontrar o material que desejam sugere-se que a classificação das áreas principais seja identificada por cores, e a literatura infantil além de cores diferentes seja identificada por figuras de animais. Na visão dos autores Haeunnstein; Santini e Kuse (2003), para facilitar o entendimento da organização da biblioteca para as crianças, é necessário que se empregue um método de utilização de cores diferentes para cada assunto. Pode-se ainda utilizar diversos tons da cor escolhida para representar um determinado grande assunto e para identificar as subdivisões de assunto. Esta indicação de cores deverá ser marcada no livro com uma tarja colorida colocada na lombada. Por ser um dos principais elementos do código visual, a cor deve ser sempre bem destacada pra que possa chamar a atenção do usuário e deve ser tratada em conjunto com todo o espaço físico, mobiliário e equipamentos da biblioteca no sentido de buscar um melhor aspecto visual de todo o ambiente. De acordo com Simão, Schercher e Neves (1993, p. 29), código de cores é: “Um sistema de cores que reúne as obras através das cores convencionadas para representar o assunto e seus aspectos. Quando se utiliza a codificação em cores para armazenar as obras em seu local específico, deve-se levar em consideração a necessidade de ser estabelecida uma legenda que identifique a cor escolhida e o assunto e/ou obras codificadas junto as estantes”. No artigo Biblioteca Escolar: relato de experiência, Hillesheim e Fachin (2003), ressaltam a importância da utilização de outros recursos para a classificação, procurando sempre tornar a recuperação da informação mais clara para os usuários mirins. “Neste caso a utilização do sistema de cores pode ser utilizado tanto para marcar os livros como as fichas catalográficas ou os registros do computador. Estabelece-se um padrão de cores para cada área do conhecimento, sendo colocado um cartaz em local bem visível para que os alunos possam encontrar a informação. A partir desta distribuição das cores, todos os materiais serão marcados facilitando a sua recuperação”. A classificação por cores facilita o encontro da obra desejada, pois, as cores são uma das primeiras linguagens que a criança aprende quando pequena. Neste sentido fica mais fácil sua busca. Dentro desta visão, Simão, Schercher e Neves, (1993), enfatizam que sinalizar a biblioteca significa abrir um permanente canal de comunicação entre o usuário e os recursos e serviços que a mesma poderá lhe oferecer. Permite que aos poucos, o usuário se familiarize informalmente com a forma, através da qual estão ordenadas as coleções onde estão localizados os setores e/ou serviços da biblioteca. A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e as Comissões Brasileiras de Bibliotecas Públicas e Escolares (1988), declaram que a classificação dos livros de uma biblioteca infanto-juvenil deve ser de fácil compreensão, ou seja, “A organização do acervo deve ser feita de forma simples, de modo que a criança ou o adolescente possa, com facilidade, encontrar o livro que deseja ou escolher o que lhes atrai”. De acordo com estas considerações, a FNLIJ e FEBAB recomendam que os livros poderão ser agrupados nas estantes, identificados até com uma etiqueta colorida como vem sendo feito por muitas bibliotecas, de modo que, a cada faixa de leitores, corresponda uma cor. Os autores sugerem que cada biblioteca poderá neste tipo de identificação, utilizar o sistema que julgar mais conveniente. A biblioteca possui um grande volume de informações visuais, na maioria das vezes em forma desordenada, deixando o usuário confuso na busca da informação. Por isso a implantação de um sistema de classificação planejado especialmente para as crianças, irá facilitar o auto-serviço e diminuir a demanda de orientação, tornando-os independentes, além de oferecer segurança e bem-estar em ambiente agradável (LEITE, 2001). Edwards, Gandini e Forman (1999) assinalam a importância da comunicação visual para as crianças: “Parece-me, então que uma primeira lição prática é que as crianças escolares pré-primárias podem comunicar suas idéias, seus sentimentos, seu entendimento, sua imaginação e suas observações por meio da representação visual muito antes do que os educadores para a primeira infância presumem”. Assim, para que a classificação apresente qualidade é necessário que a biblioteca possua normas simplificadas de organização e funcionamento claramente definidas pelos profissionais e que sejam amplamente divulgadas na escola, para que os alunos possam buscar e encontrar suas informações sozinhos. Metodologia Após definir a escolha do tema deste trabalho, o primeiro passo foi decidir qual biblioteca infantil seria o alvo principal. Visitou-se bibliotecas de algumas escolas e a partir daí ficou definido a escolha do Colégio Cândido Portinari – Casinha Feliz Centro de Ensino. Nesta pesquisa foram utilizados questionários, entrevistas e observações para coleta de dados, no intuito de investigar se os alunos ficaram satisfeitos com a nova organização da biblioteca, onde foi utilizada a classificação por cores no acervo de literatura. O colégio por ser de ensino fundamental possui uma faixa etária de usuários que vai de 2 anos e meio até 14 anos de idade. Embora seja uma escola particular a mesma necessitava de algumas modificações e organizações. Em visita ao local, teve-se a oportunidade de constatar que a escola já possuía uma sala destinada à biblioteca infantil, com algum acervo, embora o mobiliário e a classificação necessitassem ser repensados em sua distribuição e organização, o que originou a proposta de trabalho. A pesquisa foi tanto bibliográfica, pois a teoria serviu para respaldar a prática, bem como na assimilação de novos conhecimentos, fomos a campo para a aplicação de entrevistas informais com perguntas abertas e dedutivas para a administração da escola e questionário com perguntas fechadas e indutivas para os alunos e diante da expectativa dos usuários da biblioteca pesquisada, projetou-se e realizou-se mudanças significativas na biblioteca. Todas as ações foram definidas com a orientadora do trabalho, porque estávamos privilegiando a pesquisa qualitativa, na busca de oferecer à escola mais dados estatisticamente comprovados, e com a autorização da administração foi implantado na biblioteca um novo modelo de organização, para facilitar o acesso dos livros para crianças e assim incentivá-las ao prazer pela leitura. Por isso sugeriu-se mudanças na biblioteca, e para tal ofereceu-se meios para alterar a organização anterior. Foi realizada após 3 meses do término da nova organização uma pesquisa através de entrevistas com 140 alunos da 1 a à 4 a séries matutino e vespertino e um questionário para 100 alunos de 5 a à 8 a séries matutino. O total desta amostra foi de 240 alunos do Colégio Casinha Feliz - Cândido Portinari que correspondem a 10% dos alunos da escola. Salienta-se que 92 alunos da Educação Infantil, não participaram desta pesquisa, pois acreditava-se serem muito pequenos ainda para compreender o questionamento. Foi utilizada a entrevista de 1 a a 4 a séries, pois talvez tivessem dificuldade em interpretar algumas perguntas. O questionário para estas séries foi lido e explicado para esclarecer algumas dúvidas, sem sugestionar a resposta do entrevistado. Além disso, nestes meses foram feitas observações da freqüência dos alunos à biblioteca. No que diz respeito a classificação de cores dos livros de literatura infantil utilizou-se cores vibrantes que mais chamavam atenção conforme quadro a seguir: Figura 1 - Cores correspondentes aos livros de literatura infantil CORES ASSUNTOS Amarelo animais e insetos Azul escuro reis, fadas e aventuras Verde claro é assim que se faz.... (livros educativos) Rosa claro histórias em quadrinhos Vermelho histórias variadas Como a organização agradou aos usuários, decidiu-se fazer a classificação por cores nos livros didáticos, nos de pesquisa, enfim, no restante do acervo. Foram utilizadas as seguintes cores conforme quadro a seguir. Figura 2 - Cores correspondentes aos livros didáticos CORES ASSUNTOS Amarelo Português Azul História Branco Matemática. Preto Biologia e artes Verde escuro Geografia e estudos sociais Vermelho Ciências, física e química De acordo com alguns autores dentre eles, Simão, Schercher e Neves (1993), as cores para as etiquetas dos livros ficam a cargo do responsável pela biblioteca, ficando livre para escolhê-las de acordo com o que achar mais conveniente para o seu local de trabalho. Para que os usuários tivessem mais facilidade em encontrar o que desejavam, foram preparados cartazes explicativos com as cores e suas respectivas áreas afixados em lugares estratégicos, como no mural da escola, no pátio e na biblioteca. Orientou-se as diretoras e a auxiliar da biblioteca no uso do novo sistema de organização que foi estabelecida para a biblioteca. Nas conversas informais, com as mesmas, mostrou-se a importância do profissional bibliotecário nas bibliotecas e sugeriu-se a realização de mais atividades como: hora do conto, exposições de trabalhos dos alunos, pinturas e desenhos tudo com o intuito de estimular a leitura e a cultura aos alunos. Enfeitou-se a biblioteca com figuras de animais segurando livrinhos de histórias infantis representando uma floresta. Estes cartazes foram fixados com velcro para que os alunos pudessem manuseá-los. Durante todo o processo obteve-se total apoio e liberdade para realizar esse trabalho. Análise dos dados A satisfação em relação a nova organização feita na biblioteca, 100% dos entrevistados responderam que gostaram do espaço e do sistema de cores adotado. Por isso, a classificação por cores e figuras de animais, despertou o interesse da criança pelo livro recreativo e o livro de literatura. Constatou-se que quando indagados se concordavam com a afirmativa de que: com a nova classificação de cores, ficou mais fácil encontrar os livros de literatura na estante, 100% dos alunos responderam que sim. Na concepção de Simão (1993), “sinalizar a biblioteca significa abrir um permanente canal de comunicação entre usuário e os recursos e serviços que a mesma poderá lhe oferecer”. A maioria dos alunos, ou seja, 88% deles responderam que sim, que estão freqüentando mais a biblioteca depois que foi feita a classificação por cores, 4% responderam, mais ou menos e 8% dos alunos disseram que estão indo na biblioteca como sempre foram. A boa aceitação da nova organização por cores e aumento da freqüência na biblioteca fez com que as crianças lessem mais, conforme resposta da questão seguinte. Ao questionar quantos livros liam por semana, 21% dos alunos responderam não ler nenhum livro, 13% dos alunos lêem um livro por semana, 28% deles dois livros, 13% dos alunos três livros, 13% quatro livros, 8% dos alunos 5 livros e 4% das crianças lêem 8 livros por semana. De acordo com observação feita pelos professores e a funcionária da biblioteca os alunos estão retirando mais livros na biblioteca e se interessando mais pela área de literatura, depois que foi feita a organização da biblioteca “Cantinho do Conhecimento”. O desejo de descobrir o que há nos livros, geralmente, existe em cada criança, adolescente e muitos adultos. Cabe à escola desenvolvê-lo, utilizando toda sua estrutura e filosofia adotada, bem como, todo seu espaço físico e, neste ínterim, o espaço destinado a biblioteca, o qual deverá ser visível e presente no corre-corre das crianças, no entra e sai dos pais, dos professores, enfim, de toda a comunidade escolar. Como observa Kieser (2004), uma vez conquistado o usuário, tem-se nele um incentivador à melhoria da qualidade dos serviços prestados em qualquer biblioteca, pois, este mesmo usuário irá procurar mais e mais bibliotecas, pelo encanto produzido desde aquela primeira biblioteca, qual seja a biblioteca escolar. A conquista do espaço por si só não basta, é necessário dinamizar todo trabalho bibliotecário, tornando-o mais ativo e principalmente útil à escola. É preciso preocupar-se com a qualidade também do acervo, dos serviços, com as necessidades dos usuários, por isso, buscou-se colher sugestões para saber o que estava faltando na Biblioteca do Colégio Cândido Portinari – Casinha Feliz Centro de Ensino. Conquistando o leitor, permite-se que a biblioteca se torne o local no qual a educação, o ensino, o lazer poderão encontrar-se, permitindo o acesso às informações e à leitura para todos os alunos da escola. No pensamento de Prado (2003), “As avaliações mostram que os alunos aprendem mais quando têm a oportunidade de conviver com os livros na escola”. A biblioteca tem uma clara função sócio-educativa, quando integrada ao cotidiano escolar. Deve-se reforçar os laços entre biblioteca e a escola, de modo que haja integração, não somente através de elos compatíveis, mas reciprocamente coadjuvantes. Considerações finais No desenvolvimento deste trabalho, buscou-se adequar a parte teórica e prática com a realidade da biblioteca do colégio em estudo, através de uma reunião com a direção, ouviu-se, discutiu-se e informou-se o melhor método de organização da biblioteca. Os dirigentes da escola ficaram muito interessados com a proposta de trabalho, aceitaram esse tipo de organização e ainda ofereceram todo tipo de material que necessitasse. Ao freqüentar e observar as atividades e a localização da biblioteca constatouse que o local era impróprio, pois situava-se em um espaço de 4,8 x 5,3 m 2 , a sala era pequena, escura, com pouca ventilação e ficava localizada em frente ao pátio, o que tornava a biblioteca um local de bate-papo e lanche para as crianças, além do barulho que as crianças faziam na hora do recreio. Por isso sugeriu-se que fosse mudada a biblioteca para outro local, ou seja, um espaço maior de 7,8 x 5,1 m 2 , mais arejado, ventilado com janelas maiores, proporcionando assim mais claridade para estudo e leitura. Durante este trabalho conseguiu-se junto à direção do colégio algumas aquisições, apesar das dificuldades financeiras que a maioria das escolas estão passando ultimamente com a inadimplência.

Figura 1 - Cores correspondentes aos livros de literatura infantil CORES ASSUNTOS Amarelo animais e insetos Azul escuro reis, fadas e aventuras Verde claro é assim que se faz.... (livros educativos) Rosa claro histórias em quadrinhos Vermelho histórias variadas Como a organização agradou aos usuários, decidiu-se fazer a classificação por cores nos livros didáticos, nos de pesquisa, enfim, no restante do acervo. Foram utilizadas as seguintes cores conforme quadro a seguir. Figura 2 - Cores correspondentes aos livros didáticos CORES ASSUNTOS Amarelo Português Azul História Branco Matemática. Preto Biologia e artes Verde escuro Geografia e estudos sociais Vermelho Ciências, física e química De acordo com alguns autores dentre eles, Simão, Schercher e Neves (1993)


Referências ARRUDA, Susana Margaret de; CHAGAS, Joseane. Glossário de biblioteconomia e ciências afins. Florianópolis: Cidade Futura, 2002. ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE BIBLIOTECÁRIOS, ARQUIVISTAS E DOCUMENTALISTAS. Manifesto da UNESCO sobre as bibliotecas escolares (1999). [Artigo]. Disponível em: . Acesso em 2003. BARBOSA, Laura Caroline Aoyama; PASTANA, Maria Teresa Maranha; SACHETTI, Vana Fátima Preza. Biblioteca escolar: uma questão a ser resolvida: perfil das bibliotecas escolares em Rondonópolis. Projeto de pesquisa em Biblioteconomia da UFMT. Rondonópolis, MT, 2000. BARBOSA, José Juvêncio. Alfabetização e leitura. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1994. CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e lingüística. 10. ed. São Paulo: Scipione, 2002. EDWARDS, Carolyn; GANDINI, Lella; FORMAN, George. As cem linguagens da criança: a abordagem de Reggio Emilia na educação da primeira infância. Porto Alegre: Artmed, 1999. FIORE, Ottaviano de. Livro, biblioteca e leitura no Brasil. [Artigo]. Disponível em: . Acesso em 10. abr. 2003. FRAGOSO, Graça Maria. A Biblioteca escolar: tecnologia da emoção. [artigo]. Disponível em: . Acesso em: 5 maio 2003. ______. A biblioteca na escola. [Artigo]. Disponível em: . Acesso em maio de 2003. ______. O Livro, a biblioteca e a primeira infância: trilogia do afeto. [artigo]. Disponível em:Acesso em: 5 maio 2003. _______. Biblioteca escolar: a bela adormecida precisa acordar. [Artigo]. Disponível em: . Acesso em: 10 maio 2003. FREIRE, Paulo. A Importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 44. ed. São Paulo: Cortez, 2003. FUNDAÇÃO NACIONAL DO LIVRO INFANTIL E JUVENIL (FNLIJ); COMISSÃO BRASILEIRA DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS E ESCOLARES. Manual do bibliotecário. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1988. GALLART, Isabel Sole. Leitura em educação infantil? Sim obrigado! Pátio revista pedagógica. [Artigo]. Disponível em: . Acesso em março de 2003. HAUENSTEIN, Deise Maria; SANTINI, Luciane; KUSE, Mara. Sinalização. [artigo]. Disponível em: . Acesso em: 26 jul. 2003. HILLESHEIM, Araci I.; FACHIN, Gleisy R. Bories. Biblioteca escolar: relato de experiência. [artigo]. Disponível em: Acesso em: 7 jul.2003. INSTITUTO NACIONAL DO LIVRO. Os livros são para ler. 3. ed. Brasília: MEC/DDD, 1980. KIECKHOEFE, Leomar. A origem da literatura infantil. [artigo]. Disponível em: . Acesso em maio de 2003. KIESER, Herta; FACHIN, Gleisy Regina Bóries. Biblioteca escolar: espaço de interação entre bibliotecário-professor-aluno-informação-um relato. [Artigo]. Disponível em: . Acesso em 2003. LEITE, Sabrina Dedé de Castro. Classificação em biblioteca infantil.33 f. Monografia. Curso de Biblioteconomia. Brasília, 2001. Brasília: UNB, 2001. LITTON, Gaston. Bibliotecas infantiles. Buenos Aires: Bowker Editores, 1973. MACIEL, Vanessa Colares. Biblioteca escolar. [Artigo]. Disponível em: . Acesso em 2003. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração, análise e interpretação de dados. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2002. MEIRELES, Cecília. Problemas da literatura infantil. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. MILANESI, Luis. Biblioteca. São Paulo: Ateliê, 2002. ______. O que é biblioteca. São Paulo: Brasiliense, 1983. NASCIMENTO, Èrica Cassiano. Biblioteca infantil da 104/304 sul e escolinha de criatividade: um estudo de caso. 1999. 29 f. Monografia. Brasília, 1999. O desenvolvimento da leitura. [Artigo]. Disponível em: . Acesso em fevereiro de 2003. PANET, Carmem de Farias. Implantação e funcionamento de bibliotecas infantojuvenis. João Pessoa: Editora Universitária, UFPB, 1988. PEREIRA, Maiza Barreto Ornelas. A biblioteca na educação infantil: que espaço é esse? 95 f. Dissertação (Mestrado)- Universidade de Brasília. Brasília 2002. PRADO, Heloísa de Almeida. Organização e administração de bibliotecas. 2. ed. São Paulo: T. A Queiroz, 2002. SANDRONI, Laura C; MACHADO, Luiz Raul. A criança e o livro: guia prático de estímulo à leitura. 2. ed. São Paulo: Àtica, 1987. SILVA, Divina Aparecida da.; ARAÚJO, Iza Antunes. Auxiliar de biblioteca: técnicas e práticas para formação profissional. 4. ed. Brasília: Thesaurus, 2003. SILVA, Ezequiel Theodoro da. Leitura na escola e na biblioteca. 2. ed. Campinas: Papirus, 1986. SIMÃO, Maria Antonieta Rodrigues; SCHERCHER, Eroni Kern; NEVES, Iara Conceição Bitencourt. Ativando a biblioteca escolar. Porto Alegre: Sagra-DC Luzzato, 1993. SOUZA, Francinete Fernandes de; MARINHO, Vanildo Mousinho; ARAÙJO, Walquíria Toledo. Biblioteca, leitura e desenvolvimento: algumas considerações. [Artigo]. Ciência da informação. [Artigo]. Disponível em: . Acesso em: maio 2003. SPODEK, Bernard; SARACHO, Olívia N. Ensinando crianças de três a oito anos. Porto Alegre: ArtMed, 1998. cap. 12. TAVARES, Denise Fernandes. Sugestões para organização duma pequena biblioteca infantil. 2. ed. Salvador: BIML, 1960. ______. As Bibliotecas infanto-juvenis de hoje. Salvador: BIML, 1970.

Biblioteca infantil e classificação por cores

Posted on May 20, 2015 by portaldobibliotecario

A classificação por cores do acervo da biblioteca infantil parece não ser uma preocupação prioritária na área de Biblioteconomia, visto não existirem muitos livros sobre o assunto. Mas não seria essa uma questão de suma importância para o auxílio ao desenvolvimento infantil?
A biblioteca infantil deve ter seus documentos minuciosamente selecionados e classificados de acordo com o interesse de seu público e que seja capaz de atraí-los, de satisfazê-los, mesmo às crianças que não chegaram ainda na fase da alfabetização. Por isso, a biblioteca precisa de uma classificação acessível a criança, além de ter um espaço agradável, divertido, bem colorido que chame a atenção das crianças.
A classificação é uma das mais importantes, por ser um instrumento de recuperação da informação de uma biblioteca. A classificação deve estar diretamente relacionada com as necessidades e expectativas dos usuários propiciando a eles maior facilidade para encontrarem o que desejam.
A biblioteca infantil é um ambiente que possui características próprias e sua comunicação visual merece atenção especial: a busca de um sistema de sinalização que utilize recurso de linguagem visual visa não só a estética, mas principalmente a facilidade de uso do seu ambiente, o que proporciona uma melhor interação entre o usuário e a informação.
Toda biblioteca necessita de organização, mesmo aquelas pequenas e de usuários mirins, pois para eles é necessário que a equipe da biblioteca use um sistema de sinalização que contemple códigos de fácil entendimento para as crianças. Para que as crianças entendam e consigam encontrar o material que desejam sugere-se que a classificação das áreas principais seja identificada por cores, e a literatura infantil além de cores diferentes seja identificada por figuras de animais.
Para facilitar o entendimento da organização da biblioteca para as crianças, é necessário que se empregue um método de utilização de cores diferentes para cada assunto. Pode-se ainda utilizar diversos tons da cor escolhida para representar um determinado grande assunto e para identificar as subdivisões de assunto. Esta indicação de cores deverá ser marcada no livro com uma tarja colorida colocada na lombada.
Por ser um dos principais elementos do código visual, a cor deve ser sempre bem destacada pra que possa chamar a atenção do usuário e deve ser tratada em conjunto com todo o espaço físico, mobiliário e equipamentos da biblioteca no sentido de buscar um melhor aspecto visual de todo o ambiente.
Código de cores é:
Um sistema de cores que reúne as obras através das cores convencionadas para representar o assunto e seus aspectos. Quando se utiliza a codificação em cores para armazenar as obras em seu local específico, deve-se levar em consideração a necessidade de ser estabelecida uma legenda que identifique a cor escolhida e o assunto e/ou obras codificadas junto as estantes.
A classificação por cores facilita o encontro da obra desejada, pois, as cores são uma das primeiras linguagens que a criança aprende quando pequena. Neste sentido fica mais fácil sua busca.
Sinalizar a biblioteca significa abrir um permanente canal de comunicação entre o usuário e os recursos e serviços que a mesma poderá lhe oferecer. Permite que aos poucos, o usuário se familiarize informalmente com a forma, através da qual estão ordenadas as coleções onde estão localizados os setores e/ou serviços da biblioteca.
A FEBAB recomenda que os livros poderão ser agrupados nas estantes, identificados até com uma etiqueta colorida como vem sendo feito por muitas bibliotecas, de modo que, a cada faixa de leitores, corresponda uma cor. Os autores sugerem que cada biblioteca poderá neste tipo de identificação, utilizar o sistema que julgar mais conveniente.
A biblioteca possui um grande volume de informações visuais, na maioria das vezes em forma desordenada, deixando o usuário confuso na busca da informação. Por isso a implantação de um sistema de classificação planejado especialmente para as crianças, irá facilitar o auto-serviço e diminuir a demanda de orientação, tornando-os independentes, além de oferecer segurança e bem-estar em ambiente agradável.
Assim, para que a classificação apresente qualidade é necessário que a biblioteca possua normas simplificadas de organização e funcionamento claramente definidas pelos profissionais e que sejam amplamente divulgadas na escola, para que os alunos possam buscar e encontrar suas informações sozinhos.
Para saber mais sobre a metodologia de classificação por cores clique AQUI.
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