quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Taxonomia e Classificação: o princípio de categorização

DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação - v.9 n.4 ago/08 ARTIGO 01

Taxonomia e Classificação: o princípio de categorização

Taxonomy and Classification; the principle of categorization
por Maria Luiza de Almeida Campos e Hagar Espanha Gomes


Resumo: Taxonomia é, por definição, classificação, sistemática e está sendo conceituadas no âmbito da Ciência da Informação como ferramenta de organização intelectual. É empregada em portais institucionais e bibliotecas digitais como um novo mecanismo de consulta, ao lado de ferramentas de busca. Além destas aplicações, a taxonomia é um dos componentes em Ontologias. A organização das informações através do conceito de Taxonomia permite alocar, recuperar e comunicar informações dentro de um sistema de maneira lógica através de navegação. Este estudo apresenta o método de categorização bem como os princípios e cânones para elaboração de taxonomias como meios de representação e de acesso, já testado em serviços de informação de diferentes naturezas e propósitos.
Palavras-chave: Taxonomia; Teoria da classificação; Categorização.


Abstract: Taxonomy, according to its definition, is classification, systematics, and now is being considered a tool for intellectual organization in the realm of Information Science. It is used in institutional portals and digital libraries, as a new means for consultation together with search engines. Besides these uses, taxonomy is one of the components of ontologies. Organization of information through taxonomy allows filing, retrieving and communicating information resources in an information system as well as accessing them in a logical way, through navigation. This paper presents the method of categorization as well as principles and canons to build taxonomies as means of representation and access already tested in information services of diferent nature and purposes.

Key words: Taxonomy; Classification theory ; Categorization.
.

Introdução
Tradicionalmente, o acesso às informações em uma base de documentos se dá via busca por palavras chave, através de navegação por uma lista alfabética de tais palavras, ou ainda por busca sobre outros campos, com valores previamente associados aos documentos. No primeiro caso, o uso de operadores booleanos tem permitido recuperação mais precisa, embora, para o usuário final, a seleção de palavras-chaves seja sempre um desafio, pois ele não tem acesso ao vocabulário utilizado na entrada do sistema.

A lista alfabética, por seu turno, por ser prática, mas não lógica, deixa de reunir idéias afins, impedindo, por vezes, que o usuário selecione a palavra mais adequada; além disso, restringe a busca a uma única palavra de cada vez. O terceiro caso, a busca por campo, é certamente útil para aquelas situações em que outros campos são de fato o alvo da seleção pretendida pelo usuário e não a busca por assunto ou conteúdo propriamente dita.

Para ampliar o resultado de uma busca, alguns sistemas permitem que documentos sejam recuperados a partir de palavras significativas presentes no texto. Apesar de sua utilidade em situações específicas, isto apenas produz mais ruído na recuperação, a menos que o usuário tenha a opção de selecionar outros elementos cobertos pela busca (por exemplo, título, palavras-chaves, resumos.)

Recentemente, o uso de taxonomias tem sido adotado por permitir acesso através de uma navegação em que os termos se apresentam de forma lógica, ou seja, em classes, sub-classes, sub-sub-classes, e assim por diante, em quantos níveis de especificidade sejam necessários, cada um deles agregando informação sobre os documentos existentes na base. Uma vantagem desta forma de acesso é a garantia, para o usuário, da melhor seleção do termo de busca, uma vez que as classes contêm tópicos mutuamente exclusivos. No entanto, como nas listas alfabéticas, a recuperação se restringe a um único aspecto, não permitindo o uso de operadores booleanos. ( Bruno & Richmond, 2003; Gilchrist, 2001; Wyllie, 2005)

Entretanto, em qualquer dos modelos de acesso, o sucesso da recuperação depende, basicamente, de alguns fatores:
• É preciso haver um vocabulário-padrão;
• Os termos precisam ser atribuídos segundo critérios previamente estabelecidos, para assegurar consistência no tratamento dos dados;
• O software deve ser adequado às características de tal serviço de informação;
Para contornar a limitação do acesso a um único aspecto, alguns sistemas desenvolvem programas que permitem ao usuário selecionar os vários aspectos disponíveis nas taxonomias e, em alguns casos, utilizar o operador booleano “E” como default.

As taxonomias têm sido bastante empregadas em portais coorporativos e em bibliotecas digitais. Além dessas aplicações, o seu uso tem sido também bastante difundido no contexto da Web Semântica. Aqui, a utilização de taxonomias permite que se estabeleçam padrões de alto nível para a ordenação e a classificação de informação através do uso de mecanismos de herança.

O conceito de herança é um dos conceitos mais poderosos no desenvolvimento de software. As máquinas podem compreender corretamente relacionamentos de generalização e especialização entre as entidades atribuindo propriedades às classes gerais e então assumindo que as subclasses herdam estas propriedades. ( Campos, M. L. M; Campos, M. L. A.; Campos, L.M., 2005).

Para que a Web semântica venha a funcionar de forma efetiva, computadores têm que ter acesso às coleções estruturadas de informações e a conjuntos de regras de inferência que se consolidam através de mecanismos como as ontologias. Estas são meios poderosos de inter-relacionar sistemas e neste contexto elas possuem papel de destaque, como podemos observar através dos componentes que integram uma ontologia, ou seja: Termos e Definições; Classes e subclasses - que podem estar organizadas em uma taxonomia; Relações (também chamadas de propriedades), que devem representar os tipos de interação entre as classes de um domínio; Axiomas que são regras para determinar a verdade das sentenças; e Instâncias que são utilizadas para representar elementos específicos, ou seja, os próprios dados.

Apesar de ainda existirem muitas restrições computacionais na aplicação de taxonomias em sistemas de informação, seu uso permite que se estabeleçam padrões de alto nível para a ordenação e classificação de informação, além de contribuir para que as organizações possam reconhecer e relacionar atividades agregadoras de valor, diminuindo esforços na produção e utilização do conhecimento.

O papel da taxonomia, neste sentido, possibilita também que os usuários possam “aprender” com essas estruturas de conceitos. Um usuário que não seja conhecedor da cultura popular brasileira, por exemplo, usando a hierarquia apresentada na respectiva taxonomia pode aprender os tipos de folguedos1 existentes em determinada região do Brasil.

Em resumo, a organização das informações através do conceito de Taxonomia permite alocar, recuperar e comunicar informações dentro de um sistema de maneira lógica através de navegação.

No âmbito da Ciência da Informação as taxonomias podem ser comparadas a estruturas classificatórias como as Tabelas de Classificação, que têm como objetivo reunir documentos de forma lógica e classificada. Atualmente, as taxonomias reúnem todo tipo de documento digital e permitem, diferentemente das estratégias de busca, um acesso imediato à informação. Ao contrário das Tabelas, que oferecem um endereço (notação) que localiza os documentos nas estantes, a taxonomia prescinde de notação.

Este estudo propõe apresentar princípios classificatórios que possam auxiliar na elaboração de taxonomias como um meio de representação e de acesso às informações.

Taxonomia: uma síntese da sua tipologia
A taxonomia ou taxionomia surgiu como Ciência das leis da classificação de formas vivas e, por extensão, ciência das leis da classificação. No ambiente dos sistemas de classificação, das ontologias, da inteligência artificial, é entendida como classificação de elementos de variada natureza.

Tradicionalmente, as taxonomias tiveram por função a classificação das espécies em botânica, e zoologia, adotando uma nomenclatura binária.
Taxonomia é, por definição, classificação sistemática.

O resgate da taxonomia nos sistemas de informação considera a unidade sistemática (taxon) não mais família, gênero, espécie, mas conceitos. Aqui, as classes se apresentam segundo uma ordem lógica, apoiada igualmente em princípios classificatórios.

As taxonomias atualmente são estruturas classificatórias que têm por finalidade servir de instrumento para a organização e recuperação de informação em empresas e instituições. Estão sendo vistas como meios de acesso atuando como mapas conceituais dos tópicos explorados em um serviço de recuperação. O desenvolvimento de taxonomias para o negócio da empresa tem sido um dos pilares da gestão da informação e do conhecimento. (volume de informação requer padronização). (Bayley, K. 2007; Gilchrist, A., 2003; Opdahl, A. L. e Sindre, G., 1994)

Estas taxonomias se caracterizam por:
• Conter uma lista estruturada de conceitos/termos de um domínio.
• Incluir termos organizados hierarquicamente
• Possibilitar a organização e recuperação de informação através de navegação.
• Permitir agregação de dados, diferentemente das taxonomias seminais, além de evidenciar um modelo conceitual do domínio.
• Ser um instrumento de organização intelectual, atuando como um mapa conceitual dos tópicos explorados em um Sistema de Recuperação de Informação.
• Ser um novo mecanismo de consulta em Portais institucionais, através de navegação.
Por outro lado, as taxonomias são restritas em suas possibilidades de exploração por conterem apenas relações hierárquicas e partitivas. Daí a necessidade de serem complementadas com mecanismo de busca, para acesso a outras relações.

Entretanto, a taxonomia como um mecanismo para a organização de dados e informações, pode também conter um vocabulário agregado que permita a recuperação através de busca e não só por navegação. Esta possibilidade de somar outras funcionalidades a uma taxonomia têm criado uma certa discussão entre os pesquisadores no que diz respeito a questões como: Por que o investimento em elaboração de taxonomias tendo em vista que os tesauros são estruturas terminológicas que possuem relações paradigmáticas e sintagmáticas? Não estaríamos retrocedendo adotando um instrumento somente hierárquico?

A resposta a essas questões é muito simples. A função principal de uma taxonomia não é de padronização terminológica para a recuperação da informação, como os tesauros, mas de ordenação/organização de informação e dados. E desta forma, é devido a esta função que as relações paradigmáticas são adotadas especificamente.

Além disso, tanto os Tesauros quanto as Tabelas de Classificação Bibliográfica são instrumentos que estão fora do sistema informatizado, ou seja, são utilizados como documentos referenciais, não possuindo assim mecanismos que permitam a agregação de dados. Entretanto, deve-se considerar que todos esses instrumentos que possibilitam a formação de redes de conceitos estruturados possuem como base uma estrutura classificatória que deve se apoiar em princípios da lógica.

As taxonomias como estruturas classificatórias representam os propósitos de organização intelectual de um dado contexto. Neste sentido, são diferentes dependendo do tipo de organização e de informações que pretendem representar. Os estudos que vêm sendo desenvolvidos em nosso grupo de pesquisa 2 apontam para a definição de três tipos de taxonomias:
• Taxonomia canônica, classificação binária (dicotômica), de unidades sistemáticas (família, gênero, espécie)
• Taxonomia de domínio
• Taxonomia de processos e tarefas gerenciais
As duas últimas caracterizam-se por serem policotômicas, ou seja, a partir de um domínio ou tarefa várias divisões são possíveis. Por sua complexidade, requerem um primeiro recorte por categorias e no interior destas várias divisões e subdivisões são possíveis em cada passo de divisão. Estas duas são objetos das pesquisas atuais.

As taxonomias não são neutras. Assim, tanto as taxonomias de domínio como as taxonomias para representação de processos e tarefas gerenciais têm seu recorte determinado pelas características da organização a que servem, bem como os propósitos do serviço.

A taxonomia com princípio classificatório policotômico, independente da área de conhecimento ser disciplinar ou multidisciplinar, possibilita uma organização que representa classes de conceitos com um princípio de divisão (coisas e seus tipos, processos e seus tipos), não priorizando nenhum dos aspectos, sendo os níveis subseqüentes uma simples especificação do primeiro.

Esta forma classificatória se baseia no princípio de categorias conceituais. O que se representa são os diversos aspectos (fenômenos, objetos etc) que ocorrem naquele campo de saber. Como o documento pode tratar de diversos aspectos, este modelo permite agregar e também acessar os documentos sob estes diversos aspectos.

Entretanto, requer um sistema informatizado que possua possibilidades de agregação de informação em mais de uma entrada, além de um sistema de busca avançada. Alguns sistemas internacionais vêm adotando esta modalidade, que pode ser considerada a mais hospitaleira e adequada à dinâmica do conhecimento.

Alguns princípios básicos 3 de classificação adotados nas taxonomias
Ao contrário do princípio dicotômico adotado na concepção de taxonomia original, pode-se, atualmente, construir taxonomias policotômicas, ou seja, onde um elemento é associado a tantas classes, e subclasses quantas necessárias, dentro de um domínio especializado ou uma tarefa.. Fica evidente a magnitude do problema de mapeamento multidimensional de qualquer área especializada.

Alguns princípios básicos de classificação adotados nas taxonomias:
• Categorização, que fornece as bases para a apresentação sistemática
• Cânones, para o trabalho no plano das idéias (princípios para a construção das classes);
• Princípios, para a ordenação das classes e de seus elementos
Categorização

A Categorização é um processo que requer pensar o domínio de forma dedutiva, ou seja, determinar as classes de maior abrangência dentro da temática escolhida. Na verdade, aplicar a categorização é analisar o domínio a partir de recortes conceituais que permitem determinar a identidade dos conceitos (categorias) que fazem parte deste domínio.

Quem primeiro introduziu a noção de Categoria nos sistemas de classificação foi Ranganathan (1967), com suas cinco Categorias Fundamentais:
Personalidade,
Matéria,
Energia,
Espaço,
Tempo.
"Categorias fundamentais" poderiam ser entendidas como "categorias as mais genéricas possíveis e passíveis de se manifestarem de diversas formas, capazes de hospedar todos os objetos da natureza até então conhecidos pelo Homem, e de classificá-los de acordo com sua natureza conceitual, cada um numa e somente numa categoria." Ranganathan pergunta: por que 5 e não 6? "É possível", responde ele; "qualquer pessoa pode explorar isso, pode gostar de seis. O postulado destas Categorias ampliadas poderia ser aceito se produzisse resultados satisfatórios nos arranjos dos assuntos dos artigos ... [na notação] linear".

Vickery (1960,1980) , do Classification Research Group, desenvolve estas categorias propondo o seguinte desdobramento: Coisas, substâncias, entidades que ocorrem naturalmente; produtos; instrumentos; constructos mentais. Suas partes constituintes, órgãos. Sistemas de coisas.Atributos de coisas, qualidades, propriedades, incluindo estrutura, medidas; processo, comportamento. Objeto da ação (paciente). Relações entre coisas, interações, efeitos, reações. Operações sobre coisas; experimentos, ensaios, operações mentais. (Vickery, 1980, Wilson, T. D. 1972).

Kandelaki (1985), teórico russo da Terminologia, propõe nove categorias para a Ciência e a Técnica: categoria dos objetos, dos processos, dos estados, dos regimes, das propriedades, das grandezas, das unidades de medida, das ciências e ramos das ciências,. dos profissionais e suas ocupações. Como se pode observar, as categorias são meta-níveis.

O método de Categorização é, sobretudo, um método para organizar o pensamento, o raciocínio.(GIL, F. 2000) Serve como princípio para organizar, para reunir classes e estas é que são nomeadas, as facetas. Entretanto, além de se constituírem em princípio para organização do raciocínio, as categorias fornecem uma ordem para a disposição dos tópicos numa taxonomia.(Martínez, A. 2004).

Estes tópicos dependendo do contexto, ou seja, da finalidade de aplicação da taxonomia (tipo de instituição, tipo de documento agregado, tipo de usuário) podem ser escolhidos a partir de uma ou de várias categorias. Por exemplo, em uma empresa de óleo Diesel que produz vários Padrões para os processos de produção e distribuição, ela pode utilizar uma única categoria, ou seja, a dos processos. Estes é que norteiam as atividades agregadoras de valor.

No interior de cada categoria, as classes de conceitos são dispostas através de uma organização que deve ser apoiada também por princípios diretivos. Estes princípios foram desenvolvidos e explicitados por Ranganthan em pelo menos três de seus trabalhos, ou seja, Philosophy of library classification. (Ranganthan ,1951); Colon Classification. (Ranganthan ,1963); Prolegomena to Library Classification (Ranganthan ,1967), e constituíram o que ele denominou de Canônes para o trabalho no plano das idéias.

O plano das idéias é o espaço onde os conceitos de um dado domínio são organizados formando um sistema de conceitos, cuja síntese apresentamos a seguir.

Cânones para o trabalho no plano das idéias

No interior de cada categoria os conceitos devem ser organizados em classes. As classes de conceitos são de dois tipos, a saber: cadeias e renques.
Cadeias são séries verticais de conceitos que podem ser genéricas e partitivas. As cadeias genéricas formam uma seqüência de conceitos que respondem à seguinte pergunta: é tipo de? As cadeias partitivas por sua vez respondem à pergunta: é parte de? ou é o todo de?. A cadeia pode assim, ser crescente ou decrescente.

Renques são séries horizontais de conceitos e podem também ser genéricos ou partitivos. Os renques agregam conceitos de mesmo nível organizados a partir de um conceito que respondem à seguinte pergunta: São elementos partitivos ou elementos específicos da classe maior?

Para a organização das cadeias e renques alguns cânones, princípios gerais devem ser seguidos. A seguir apresentaremos estes princípios que conduzem o classificacionista na organização de uma taxonomia, minimizando a subjetividade inerente a qualquer processo classificatório.

Separamos assim em quatro momentos, a saber:
Cânones para Cadeias;

Cânones para Renques;

Cânones para Características de Divisão;

Princípios para ordenação das classes e de seus elementos.
Cânones para Cadeia:

Como as cadeias são séries verticais de conceitos é necessário estabelecer a ordem em que cada conceito deverá está em relação aos outros conceitos. Desta forma, dois princípios são fundamentais:

• Cânone da Extensão Decrescente onde os conceitos de uma série descendente devem crescer em intensão .

• Cânone da Modulação onde a ordem dos conceitos em uma classe de conceitos devem ter uma seqüência que respeite cada elo da cadeia. Não se deve quebrar nenhum elo da cadeia.

Cânones para Renque

Como os renques são formados a partir da reunião de elementos em uma classe, é necessário estabelecer a forma como estes elementos devem ser agregados para formar classes de conceitos.

• Cânone da Exclusividade – o conjunto de elementos de uma classe não deve constituir uma outra classe, ou seja, os elementos de um renque devem ser mutuamente exclusivos.

• Cânone da seqüência Útil – a seqüência dos elementos em uma classe, deve ser útil ao propósito daqueles a quem ela se destina.

• Cânone da Seqüência Consistente – sempre que existirem classes semelhantes à seqüência de seus elementos deve ser paralela em todas aquelas classes, aonde a insistência em tal paralelismo não venha a contrariar outros requisitos mais importantes.

Cânones para Características de Divisão

Alguns princípios são importantes para a ordenação das cadeias. Estes princípios se consolidam no que se denomina de características de divisão, ou seja, os princípios pelos quais as classes podem ser divididas.
Cada característica de um esquema associado de características deve satisfazer os quatro cânones seguintes:

• Cânone de Diferenciação – uma característica usada como base para a classificação de um universo deve fazer a diferenciação de algumas de suas entidades, ou seja, deve dar origem a pelo menos duas classes;

• Cânone de Relevância – uma característica usada como base para a classificação de um universo deve ser relevante para o propósito da classificação;

• Cânone da Verificabilidade – uma característica usada como base de classificação em um universo deve ser definitiva e verificável. Um universo de entidades pode ter muitas características relevantes. Mas nem todas elas são passíveis de verificação. Este cânone enfatiza que apenas as características verificáveis devem ser escolhidas para divisão do universo de entidades;

• Cânone da Permanência – uma característica usada como base para a classificação de um universo continua a ser mantida enquanto não houver mudança no propósito da classificação

A sucessão de características no esquema associado de características deve satisfazer os três cânones seguintes:

• Cânone de Concomitância – em caso algum duas características podem ser concomitantes num esquema associado de características, ou seja, elas não devem dar origem ao mesmo renque de conceitos;

• Cânone da Sucessão Relevante – a sucessão de características no esquema associado de características deve ser relevante para o propósito da classificação;

• Cânone da Sucessão Consistente – a sucessão das características no esquema associado de características deve ser seguida de forma consistente, enquanto não houver mudança no propósito da classificação.


Princípios para ordenação das classes e de seus elementos

A ordenação dos vários elementos nas classes e sub-classes requer alguma ordem em sua seqüência. Vários são os princípios passíveis de adoção:

• Princípio do Posterior-no-Tempo – este princípio ocorre principalmente em fenômenos, processos, atividades. Podem ser citadas como exemplo, as escolas de pensamento, as religiões, os movimentos culturais e artísticos, os planos econômicos de desenvolvimento.

• Princípio do Posterior-na-Evolução - este princípio, como diz o nome, serve para orientar a organização de conceitos ligados a processos evolutivos. É bastante sutil a diferença entre o princípio anterior e este, pois ambos se referem à contigüidade temporal, mesmo porque o conceito de "evolução" embute a idéia de progressão, o que corresponde à transformação de um processo ou de uma idéia no tempo. Taxonomias consideram, por vezes, que existe uma relação partitiva com o todo que está sendo classificado.

• Princípios da Contigüidade Espacial - A seqüência defendida neste Princípio se refere, em geral, a um objeto no todo, quando se necessita ordenar os elementos que o compõem, os quais se apresentam numa disposição espacial, que pode ser numa linha direcional, radial ou circular. Nestes casos, sempre que possível, os assuntos devem ser "arranjados numa seqüência correspondente", exceto quando houver um forte impedimento para arranjos deste tipo. Em geral podem se apresentar em pares antitéticos: a) Entidades numa Linha Vertical - Aqui se incluem os Princípios "de cima para baixo" e "de baixo para cima"; b) Entidades numa Linha Horizontal - o arranjo pode atender os Princípios de Esquerda para Direita, ou de Direita para Esquerda; c) Entidades numa Linha Circular - Dois princípios são propostos: na Direção horária e na Direção anti-horária; d) Entidades numa Linha Radial - Dois Princípios são invocados: da Periferia para o Centro e do Centro para a Periferia; e) Contigüidade Geográfica "...continentes, países, províncias, distritos ou outras divisões administrativas estão numa superfície e não numa linha. Portanto, a contigüidade não pode ser determinada de uma única maneira.

• Princípios para Medida Quantitativa - aqui, também, um par de Princípios é proposto: o de Quantidade Crescente e o de Quantidade Decrescente. A área da Geometria é o exemplo para quantidade crescente, no que se refere ao número de dimensões: linha, plano, três dimensões, cinco dimensões, até n-dimensões.

• Princípio da Complexidade Crescente - Se os elementos de uma série horizontal "mostrarem diferentes graus de complexidade, devem ser arranjados de modo correspondente à seqüência de complexidade crescente, exceto quando qualquer outro forte impedimento o exigir." Em tecnologia industrial, poderíamos pensar em: matéria-prima, produto semi-manufaturado, produto manufaturado."

• Princípio da Seqüência Canônica - este princípio consagra a tradição. Se existe uma ordem tradicional para citar um conjunto de assuntos, então ela deve ser adotada, se for conveniente.

• Princípio da Garantia Literária - este princípio estabelece uma ordem para os assuntos de acordo com a quantidade decrescente de documentos publicados ou a serem publicados. A adoção deste princípio requer cuidado e bom senso

• Princípio da Ordem Alfabética.- não por acaso, a ordem alfabética fica por último. Ela deve ser adotada quando nenhuma das outras seqüências for mais útil.

Um fato a destacar é que a existência de vários princípios não significa que todos tenham que ser adotados. São fatores decisivos para adoção dos princípios: os propósitos da taxonomia, os documentos a serem agregados, a comunidade a ser atendida, o software disponível.


Elaboração da taxonomia
A elaboração de taxonomias é uma atividade que requer do classificacionista um planejamento que inicia com o seu dimensionamento até as etapas de construção propriamente. Os estudos e as experiências desenvolvidas por nosso grupo de pesquisa têm mostrado que alguns princípios são fundamentais para garantir a consistência de sua estrutura classificatória e atender a uma boa recuperabilidade.

No que tange ao dimensionamento das taxonomias, de acordo com Holgate (2004), algumas questões são fundamentais e devem ser observadas pelo profissional que irá se envolver com tal tarefa, a saber:

• Qual o problema que a taxonomia está tendo que responder?
• Qual o tipo e o alcance da informação corporativa?
• Qual o volume do conteúdo de informação agregada?
• Qual a disponibilidade dos especialistas da área para estarem desenvolvendo a taxonomia?
• Qual a arquitetura de informação e informática da organização para suportar uma taxonomia?

Consideramos também, de forma geral, que alguns princípios gerais devem ser adotados na elaboração de taxonomias relativos ao termo, que é o elemento de comunicação e acesso as informações, ou seja:

Comunicabilidade: o termo empregado deve representar a linguagem utilizada pelo usuário;

Utilidade: o nível de especificidade dos termos deve expressar um agrupamento de documentos e não um único documento, ou seja, o termo só é útil quando representativo para um conjunto de documentos; Estimulação: utilizar termos que induzem o usuário a continuar a navegação pelo sistema;

Compatibilidade: os termos empregados representem o campo que se está ordenando, fazendo parte das atividades e funções da organização. (Terra, 2005)

A partir das considerações acima, o classificacionista inicia o que denominamos de desenvolvimento da taxonomia, que se configura das etapas apresentadas a seguir.

Captura do conhecimento
A captura do conhecimento é uma etapa da elaboração da taxonomia em que o objetivo é o levantamento dos assuntos que deverão ser acomodados numa estrutura classificatória, servindo como ponto de acesso à informação.

O levantamento dos assuntos pode-se dar através de entrevistas com especialistas da área, de documentos existentes na instituição, de outros instrumentos classificatórios ou terminológicos.

No caso das entrevistas com especialistas é importante definir a metodologia utilizada para a explicitação do conhecimento tácito do especialista para um conhecimento explícito. Neste sentido, diversas técnicas têm sido empregadas, como por exemplo, a observação participativa, onde o observador (classificacionista) e o observado (especialista), a partir de um contexto apresentado (no caso, exemplos de propostas classificatórias existentes), expressam suas impressões através de discussões consolidadas posteriormente pelo observador, que transforma estas observações em novas propostas, que serão novamente discutidas até se chegar a um modelo adequado que atenda os propósitos da organização.


Análise dos documentos e informações que serão agregados à taxonomia
As Taxonomias têm por finalidade servir de mapa navegacional para uma dada tipologia de documentos/informação, e necessitam de uma estrutura classificatória que expresse a natureza dos documentos agregados. Aqui cabe ressaltar, a diferença apresentada por Ranganthan em seu Prolegomena (1967) quanto aos princípios da classificação de documentos, entre Universo de Conhecimento e Universo de documentos.

O que se pretende representar em taxonomias são os conhecimentos existentes e explicitados por aquela comunidade de especialistas, ou seja, analogamente o Universo de Documentos, e não um pseudoconhecimento que não expressa o contexto e as visões daquela comunidade. Desta forma, as taxonomias agregam documentos, considerando documentos em sua acepção mais ampla, e estas informações/documentos devem encontrar hospitalidade no sistema. Isto evidencia a diferença entre a construção de taxonomias tradicionais para representar o conhecimento de uma área e a construção de taxonomias para organizar e recuperar documentos.


Elaboração da Estrutura Classificatória da taxonomia
Primeiramente nesta etapa é importante definir a tipologia de taxonomia que será representada, de domínio ou voltada para representação de processos e tarefas gerenciais, como apresentada nos itens anteriores. A partir de então consideramos importante estabelecer os princípios utilizados na elaboração de estruturas classificatórias apresentados nos itens anteriores.

Além dessas etapas, a taxonomia é também fruto do modelo de representação adotado; assim, definir a forma representacional e o software utilizado para esta representação é fundamental. Desta forma, é importante investigar formas gráficas de representação, porque em alguns casos estas formas "inibem" as possibilidades representacionais.

Cabe ressaltar que toda taxonomia é fruto de um processo representacional e classificatório e como todo processo desta natureza é um produto de uma construção que representa o estado e visão do conhecimento de seus elaboradores. Entretanto, consideramos fundamental explicitar os princípios pelos quais tais representações foram construídas, pois isto facilita sua alimentação constante.

Validação
A validação pelos especialistas tem, pelo menos, duas funções: uma delas é confirmar o trabalho realizado, a outra, transferir o conhecimento do processo de realização. Desta forma, consideramos imprescindível a validação em todas as etapas de definição da taxonomia, que vão dos estudos dos documentos/informações agregadas até a definição das formas gráficas de representação. Isto permitirá que se possa atingir critérios de comunicabilidade, estimulação e compatibilidade.

Resultados e Discussão
A proposta do estudo teve por objetivo traçar um caminho teórico e metodológico visando auxiliar na elaboração de taxonomias consistentes. Os critérios aqui apresentados se pautaram em estudos teóricos desenvolvidos pelos autores, além de um grande envolvimento em ensino e consultorias em diversas instituições e em variados contextos de conhecimento.

Estas experiências incluem, dentre outros, empresas de tecnologia, instituições que atuam em áreas científicas e tecnológicas, órgãos de cultura e organizações ligadas ao entretenimento. Os diferentes recursos objetos das taxonomias incluem além de textos (de natureza bibliográfica e arquivística), imagens em movimento, pranchas para cenários, plantas baixas, esquemas para produção de objetos, moda, mapas e cartas de diferentes tipos, fotografias originais e manipuladas, para citar os mais características das organizações.

O sucesso dos empreendimentos se deve, em especial, a dois aspectos a serem considerados: primeiro, a adoção de princípios teóricos e metodológicos de classificação consistentes, para que as taxonomias possam ser elaboradas de forma a serem expandidas e, segundo, estar atento para soluções relativas à arquitetura de informação existente para acomodar as taxonomias.

Sobre o primeiro aspecto, consideramos importante a adoção de princípios classificatórios que estejam explicitados para a elaboração de classes de conceitos que possam evidenciar o conhecimento existente em dado domínio de saber ou atividade e possibilitem sempre a inclusão de novos conceitos. Neste sentido, considera-se que etapas de elaboração, como apresentado, devam envolver as seguintes ações:

1. Captura do conhecimento - que pode se dá através de entrevistas com especialistas da área, de documentos existentes na instituição, de outros instrumentos classificatórios ou terminológicos;

2. Análise dos documentos/informações que serão agregados à taxonomia – adequação das informações existentes nos acervos a terminologia apresentada na taxonomia;

3. Elaboração da estrutura classificatória da taxonomia – que deve se pautar nos princípios teóricos de categorização, de formação e de ordenação das classes de conceitos;

4. Validação - se apóia como base para a certificação da proposta classificatória, visando atender as necessidades da comunidade para quem se destina. Esta ação permitirá que possamos atingir critérios de comunicabilidade, estimulação e compatibilidade.


Sobre o segundo aspecto, consideramos que os projetos de soluções de arquiteturas de informação precisam atentar para múltiplas formas de disponibilizar uma taxonomia e de integrá-la inclusive com funcionalidades de busca.

Assim, múltiplos ambientes de busca podem ser oferecidos ao usuário. Sobre este último aspecto, nossa experiência revelou ser necessário trabalho conjunto entre profissionais de informação e computação para a adoção de soluções que possam permitir a elaboração de taxonomias dinâmicas e expressivas.


Considerações finais
A disponibilidade de uma taxonomia fornece ao usuário um guia ao assunto a ser investigado. Esta disponibilidade elimina a necessidade do usuário possuir um entendimento completo do assunto antes de submeter uma pergunta. Ela serve como um guia ao processo de pesquisa, até mesmo de forma educativa, progressivamente revelando áreas de interesse ao usuário. A navegação por categorias, técnica utilizado de acesso à taxonomia, encoraja o pensamento associativo e pode guiar o usuário através de processos de descoberta de informação.

Apesar de considerarmos que as técnicas de navegação por taxonomias não são superiores às outras formas de busca, como por exemplo, as buscas por palavras-chave sendo uma complementar à outra, com o advento dos sítios e portais, a utilidade das taxonomias tem-se tornado mais importante e difundida, pois a navegação é uma interface bem projetada sobre a informação desses sítios ou portais. Então, faz-se necessário que o classificacionista se paute em princípios classificatórios explícitos e consistentes.


Notas

[1]Folguedo - Atividade ritual que se expressa como manifestação coletiva composta de elementos dramático, musical e coreográfico. Em geral, organiza-se ao longo de reuniões periódicas para os ensaios dos integrantes, que são mais ou menos constantes. A divisão de trabalho e a hierarquia interna dos grupos exigem certa permanência, contribuindo para a manutenção de um padrão básico. O folguedo integra dimensões festivas, musicais, estéticas e dramáticas. O componente dramático, nem sempre explicitamente encenado, é sempre identificável nos trajes especiais, na organização de danças, cantorias, embaixadas, cortejos e na existência de personagens. As apresentações ocorrem em ruas e praças públicas, ou em terreiros e estádios, especialmente nos dias de festas do calendário litúrgico ou profano. (Tesauro de folclore e cultura Popular Brasileira).

[2] Grupo de Pesquisa registrado no CNPq Ontologias e Taxonomias: princípios

[3]Estes princípios foram sintetizados a partir do trabalho publicado no site: < http://www.conexaorio.com/biti/revisitando/revisitando.htm > , intitulado Revisitando Ranganthan : a classificação na rede, de autoria de Hagar Espanha Gomes, Dilza Motta e Maria Luiza de Almeida Campos.

Referências Bibliográficas

ADAMS, Katherine. The semantic web: differentiating between taxonomies and ontologies. Online, p.20-24, 2002.

BAILEY, Kenneth D. Typologies and taxonomes: an introduction to classification techniques. Disponível em: Acesso em: 04 de abril de 2007.

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Sobre os autores / About the Authors:

Maria Luiza de Almeida Campos
mlcampos@nitnet.com.br

Doutora em Ciência da Informação pelo IBICT/UFRJ, Professora Adjunta do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal Fluminense/Professora do Programa de Pós-Graduação UFF/IBICT.



Hagar Espanha Gomes
hagar.espanha@terra.com.br

Livre-docente pela Universidade Federal Fluminense, Consultora independente.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Concurso Público Edital 001/2011 Prefeitura Municipal de Arceburgo – MG - 10/10/2011 4

Gabarito – Concurso Público Edital 001/2011
Prefeitura Municipal de Arceburgo – MG - 10/10/2011
4
04 –Bibliotecário
Questões Letras Questões Letras
Língua Portuguesa Conhec. Específico
01 C 21 B
02 B 22 D
03 A 23 A
04 B 24 C
05 C 25 D
06 D 26 A
07 B 27 B
08 C 28 C
09 D 29 A
10 A 30 B

Leg. Adm. Púbica
31 C
11 B 32 D
12 C 33 C
13 B 34 B
14 C 35 A
15 C 36 A
16 B 37 B
17 B 38 C
18 B 39 D
19 A 40 D
20 D

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Concurso IFAL Análise de prova

Concurso IFAL Análise de prova

36. Inicialmente, a Ciência da Informação foi apresentada como a ciência que investiga as propriedades e o comportamento da informação, as forças que governam o fluxo de informação e os meios de processamento de informação para otimizar o acesso e o uso. Dados os enunciados abaixo,
I. O termo Ciência da Informação surgiu no final do século XIX, a partir do trabalho visionário e inovador dos belgas Paul Otlet e Henri La Fontaine.
II. A Ciência da Informação é derivada ou relacionada com vários campos como a matemática, a lógica, a linguística, a psicologia, a tecnologia computacional, as operações de
pesquisa, as artes gráficas, a comunicação, a biblioteconomia, a administração e outros similares.
III. Em 1986 o American Documentation Institute muda seu nome para American Society of Information Science (ASIS), impulsionando o uso do termo em diferentes contextos.
verifica-se que está(ão) correto(s)
A) II, apenas.
B) II e III, apenas.
C) I e III, apenas.
D) I, II e III.
E) I, apenas.

Questão difícil, pois exige um certo conhecimento de CI. De qualquer forma, a opção I claramente está errada, pois Otlet não usava o termo ciência da informação. Ele usava Documentação. A III também está errada, pois a ASIS virou ASIS na década de 60.
GABARITO A
37. Atualmente, a instituição que detém os direitos autorais e é responsável pela manutenção e publicação da Classificação Decimal de Dewey (CDD) é:
A) FEBAB (Federação Brasileira de Associações Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições).
B) OCLC (On-line Computer Library Center).
C) ALA (American Library Association).
D) LC (Library of Congress).
E) IFLA (International Federation Library Association).
CDD é da OCLC. E está na 23 edição.
GaBARITO B
41. Ao realizar uma busca em um OPAC (On-line Public Access Catalog) de uma determinada biblioteca, um usuário obtém como resultado 60 registros bibliográficos, dos quais 24 atendiam satisfatoriamente à sua necessidade de informação. Cada registro corresponde a um item documental daquela biblioteca. Sabe-se que a biblioteca
possui ao todo, em seu acervo, 30 documentos úteis para a demanda do usuário. É correto afirmar que
A) o coeficiente de precisão é 0,2, ou seja, 20%.
B) o coeficiente de precisão é de 0,8, ou seja, 80%.
C) o coeficiente de revocação é 0,4, ou seja, 40%.
D) o coeficiente de revocação é de 0,8, ou seja, 80%.
E) o coeficiente de precisão é maior que o coeficiente de revocação.

Paro Lancaster. Revocação é tudo aquilo que o sistema nos retorna. Logo, se de 30 documentos ele nos retornou, após a busca, 24, logo, o coeficiente de revocação é de 80%. Pois é o total de itens existentes dividido pelo total de itens recuperados. Já o coeficiente de precisão é o total de itens recuperados dividido pelo total de itens que realmente interessam.
GaBARITO D
44. Os sistemas de classificação bibliográfica são instrumentos fundamentais na organização de bibliotecas. A respeito de um destes sistemas, considere as afirmativas a seguir:
I. É composta por sete tabelas de classificação, cada uma mais extensa e minuciosa que a precedente, e possui tabelas auxiliares de forma e de subdivisões geográficas.
II. A primeira tabela pode ser usada para uma coleção no estágio inicial de formação e, com o crescimento do acervo podem ser usadas as tabelas seguintes, mais detalhadas.
III. Sua notação é constituída de letras maiúsculas, algarismos arábicos e ponto.
Trata-se da
A) Expansive Classification.
B) Classificação Decimal Universal.
C) Library of Congress Classification.
D) Subject Classification.
E) Colon Classification.

Achei essa questão uma pegadinha sem necessidade. Poucas pessoas conhecem a Expansive Classification, de Cutter, mas menos famosa que a tabela de Cutter.. Ninguém usa isso no Brasil. Era melhor avaliar se o candidato sabe mais de CDU ou de CDD do que saber se ele conhece as bases da Expansive Classification.
GABARITO A
45. Analise a seguinte situação:
O setor de processamento técnico de uma biblioteca recebe um livro cujo título fora transcrito apenas na capa. A biblioteca utiliza as Regras de Catalogação Anglo-Americanas, 2a edição (AACR2).
Pela situação descrita o bibliotecário responsável pela representação bibliográfica do item acima deve
A) transcrever o título principal conforme aparece no item e exatamente no que respeita a redação, ordem e grafia, mas não necessariamente quanto à pontuação e uso de
maiúsculas, entre colchetes, apenas.
B) deixar a área de título em branco.
C) redigir com suas palavras um título para o item, da forma mais sucinta possível.
D) separar o documento e comunicar a Direção da Biblioteca, para que a equipe tome uma decisão de como proceder.
E) fornecer um título principal extraindo-o do restante do item, entre colchetes, e citar a fonte usada para a descrição em nota.
Bom, confusa essa questão. Pois no caso de não haver folha de rosto, é possível considerar que a capa é a fonte de informação mais segura. Como toda informação utilizada na catalogação mas retirada de fonte diversa da principal, deve estar entre colchetes. A única alternativa que considera colchetes é a E. Correta.
58. Para a aquisição de material bibliográfico as opções são, basicamente, três: compra, doação e permuta. Na administração pública, além do princípio de que as compras
devem ser feitas por meio de processo de licitação, devem ser considerados os seguintes requisitos:
I. O bibliotecário responsável pela seleção do material deve, obrigatoriamente, dar o aceite e receber o material, bem como tombar, catalogar e classificar o mesmo material.
II. É necessário haver sido feito empenho da despesa, ou seja, o comprometimento da importância destinada a honrar determinada despesa.
III. A entrega do material deve ocorrer no mesmo exercício em que foi efetuada a aquisição.
IV. Os recursos devem estar previstos no orçamento, ou seja,
haver disponibilidade orçamentária.
V. Os recursos devem estar liberados, havendo disponibilidade financeira.
Verifica-se que estão corretos
A) II, IV e V, apenas.
B) III e IV, apenas.
C) III e V, apenas.
D) I, II, III, IV e V.
E) I, II, III e IV, apenas.
Note que a opção I usa a palavra obrigatoriamente. Isso já nos leva a desconfiar dela. A III também está errada, pois diz que a entrega deve ser feita no mesmo exercício. Ora, muitas vezes isso é impossível de aconteter se a compra é feita no mês de dezembro, por exemplo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

FRBR MODELANDO A CATALOGAÇÃO SEM ANOROXIA

http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=278

FRBR MODELANDO A CATALOGAÇÃO SEM ANOROXIA
[Dezembro/2006]

A catalogação, nos últimos anos, tem experimentado mudanças em suas práticas e teorias, afetadas pelas tecnologias de informação. Aliás, as mudanças não provocam sofrimento, mas saudável inovação, que propicia uma nova dimensão no desenvolver do aparato teórico e em servir como recurso para a gestão e organização do conhecimento impresso, e digital circulante na Internet. Alguns bibliotecários podem achar que as mudanças provocam uma anorexia catalográfica, decorrente de estruturas com poucos metadados e para o qual a magreza descritiva simboliza uma completa representação da informação. Embora haja discordâncias a respeito, para vários catalogadores a “ficha” já caiu, na compreensão das transformações que afetam, atualmente, o trabalho catalográfico.

Sabemos da importância dos Princípios de Paris e das ISBDs, cujas recomendações incentivaram a criação de uma variedade de códigos de catalogação nacionais incorporando elementos novos na discrição e na operacionalização das políticas de controle bibliográfico. Atualmente, começa a consolidar-se o modelo FRBR (Requisitos Funcionais para os Registros Bibliográficos) que apresentam uma maneira de organizar a informação, possibilitando uma obtenção de resultados mais completos para as buscas dos usuários, além de oxigenar a discussão na área da representação descritiva.

O modelo é resultado das resoluções adotadas durante o Seminário sobre Registros Bibliográficos, realizado em Estocolmo, no ano de 1990. As resoluções foram aprofundadas com o trabalho desenvolvido por um grupo de especialistas, entre os anos de 1992 e 1997, com a finalidade de discutir uma estrutura que possibilitasse relacionar os registros bibliográficos às necessidades dos usuários. As ações foram apoiadas e encampadas pelo Comitê Permanente da Secção sobre Catalogação da IFLA (International Federation of Library Associations and Institutions) que, em 2002, constituiu um Grupo de Trabalho sobre FRBR, posteriormente transformado em Grupo de Revisão do FRBR, o endereço eletrônico é: http://www.ifla.org/VII/s13/wgfrbr/index.htm.



Finalidades do Catálogo

Sobre as finalidades do catálogo bibliográfico baseadas nas necessidades do usuário, vale recordar Anthony Panizzi (1797 – 1879), que estando à frente da biblioteca do Museu Britânico, buscou torná-la mais transparente ao público. A intenção era substituir os mistérios de seu funcionamento, por um procedimento que proporcionasse independência do usuário em saber da existência e localização do material procurado. Panizzi entendia que o principal objetivo do catálogo era ser muito mais que uma listagem. Ser um instrumento para transformação da sociedade ao promover acesso ao conhecimento para todas as classes sociais, sem distinção.

Neste sentido, no clássico livro “Introdução à catalogação”, a professora Eliane Mey salienta que as pessoas desejam obter acesso a algum tipo de conhecimento. Assim, compete ao bibliotecário tornar o conhecimento acessível e compatível com as necessidades das pessoas. Em sua reflexão exemplifica: “Como se tornaria impossível aos usuários das bibliotecas, para escolha do mais conveniente, folhear todos os livros, ou ouvir todos os discos, ou manusear todas as outras formas de registro disponíveis no acervo, mesmo que os itens estivessem ampla e corretamente organizados, nós, bibliotecários, elaboramos representações desses itens, de forma a simplificar a busca. Essas representações abrangem tanto o aspecto físico dos itens como seu conteúdo. Com essas representações, criamos instrumentos diversos: bibliografias, catálogos, boletins de serviços de alerta, entre outros” (p.1).

Em suma, ao elaborar a representação de um objeto, descrever seu conteúdo e torná-lo recuperável com visto ao uso, se constrói um meio de comunicação. Comunicação pela qual o usuário é informado sobre os materiais disponíveis na biblioteca, e pode manifestar o seu desejo de obtê-los. Neste aspecto, o FRBR dá continuidade ao objetivo da elaboração de catálogos. O seu diferencial é o aprimoramento que introduz neste processo ao oferecer uma nova perspectiva sobre a estrutura, e as relações dos registros bibliográficos. Contempla propostas, que auxiliam aos responsáveis por códigos de catalogação, os fornecedores de sistemas, e os próprios bibliotecários a repensarem seus produtos para satisfazerem as necessidades dos usuários. Saliente-se, que o FRBR não é um novo código de catalogação ou um novo tipo de ISBD, mas provoca impactos sobre a revisão dos mesmos.


Concepção

A concepção do FRBR baseia-se no modelo de entidade – relacionamento (E-R), compreendida como um modelo lógico orientado ao objeto, e a identificação de entidades e relacionamentos para projeção de banco de dados. No modelo E – R, a entidade é compreendida como objeto do mundo real que pode ser identificado de forma unívoco em relação a todos os outros objetos. Ela pode ser concreta ou abstrata. Os atributos referem-se às diversas características que uma entidade possui, ou propriedades descritivas de cada membro de um conjunto de entidades. O Relacionamento é a associação entre uma ou várias entidades.

O FRBR baseado neste modelo divide-se em três grupos de entidades estruturadas sob os seguintes princípios:

v Grupo 1 – compreende os produtos de trabalho intelectual ou artístico que se descrevem nos registros bibliográficos e que formam a base do modelo: Obra, Expressão, Manifestação e Item.

Ø Obra: entidade abstrata, referente a uma criação intelectual ou artística distinta. É reconhecida como entidade por meio de suas expressões. Esta entidade permite fornecer um nome e elaborar relações com a criação intelectual ou artística. Quando falamos de “Don Quixote de Miguel de Cervantes” enquanto uma obra, não se está referindo a uma edição ou texto específico, mas sim a criação intelectual.

Ø Expressão: refere-se à realização intelectual ou artística específica que assume uma obra ao ser elaborada, excluindo-se aí aspectos de alteração da forma física. Envolve palavras, frases, parágrafos, etc., específicos que resultam da realização ou expressão de uma obra e fornece uma distinção no conteúdo intelectual entre uma realização e outra da mesma obra. Portanto, diferenças tipográficas não constituem uma nova expressão.

Ø Manifestação: é a representação física da expressão de uma obra. Compreende um amplo conjunto de objetos físicos (itens) que podem ser monografias, periódicos, vídeos, etc., que compartilhem as mesmas características no que se refere tanto ao conteúdo intelectual como a forma física. A manifestação possibilita descrever as características compartilhadas.

Ø Item: em muitos casos refere-se a um único objeto físico ou um único exemplar de uma manifestação. Em outras determinadas situações pode compreender mais de um objeto como no caso de uma monografia publicada em três volumes. No Item também está representado o artigo eletrônico recuperado da Internet. Este objeto se pode possuir ou ser visualizado em uma biblioteca digital. O Item, normalmente, compartilha as mesmas características físicas e intelectuais que a manifestação.

v Grupo 2 – agrega as Entidades que são responsáveis pelo conteúdo intelectual, guarda ou disseminação das entidades do primeiro grupo. São duas entidades de fácil compreensão: pessoa e entidade coletiva.

Ø Pessoa: indivíduo responsável pela criação ou realização de uma obra, ou aquele que é assunto de uma obra (biográfico, autobiográfico, histórico e etc.). São definidos como entidade pessoa: autores, compositores, artistas, editores, tradutores, diretores, intérpretes.

Ø Entidade Coletiva: organizações ou grupos de indivíduos ou organizações, inclusive grupos temporários (encontros, conferências, reuniões, festivais, etc.) e autoridades territoriais como uma federação, um estado, uma região, uma municipalidade.

v Grupo 3 – envolve as Entidades que representam o conjunto de temas caracterizadores de uma obra. Inclui as seguintes entidades:

Ø Conceito: uma noção abstrata ou idéia. Abrange abstrações que podem ser temáticas de uma obra: áreas de conhecimento, disciplinas, escolas de pensamento, teorias. Um conceito pode ser amplo ou específico. Ex.: Teoria Quântica.

Ø Objeto: uma coisa material. Abrange uma completa categoria de coisas materiais que podem ser as temáticas de uma obra: objetos animados ou inanimados que ocorrem na natureza, fixos ou móveis; objetos que são produtos da criação humana ou objetos que já não existam. Ex.: Apollo 11.

Ø Evento: entidade que inclui uma variedade de ações, ocorrências ou acontecimentos: histórica, época, período de tempo. Ex.: O século XX.

Ø Lugar: entidade referente a uma localização. Abrange uma série de localizações: terrestres e extraterrestres, históricas ou contemporâneas, características geográficas e jurisdições geopolíticas. Ex.: Ilha de Fernando de Noronha.



Projetos de FRBR


Diversas ações e projetos estão sendo realizados visando aplicar o modelo do FRBR, algumas destas ações estão relacionadas a seguir:

AustLit Gateway – projeto de base de dados bibliográfica (não de catálogo) que apresenta um exemplo de implementação de FRBR. É um experimento aplicado ao mapeamento do corpus literário de textos australianos, ou seja, inclui tanto as bibliografias nacionais que compreendem obras publicadas fora do país como aquelas que abarcam artigos e ensaios ou outros tipos de materiais. Utiliza de uma combinação de conjuntos de dados diferentes e heterogêneos onde se inclui elementos da ISBD. O projeto é fruto da colaboração de várias bibliotecas universitárias australianas e da Biblioteca Nacional.

Virtua – software integrado de biblioteca – desenvolvido pela VTLS (Visionary Technology in Library Solutions), que fazendo jus à sua nomenclatura, introduziu a partir da versão 4.10 a possibilidade das bibliotecas criarem seu próprio catálogo sob modelo FRBR. O sistema permite a coexistência de registros convencionais e FRBR em uma mesma base de dados. O esquema adotado é baseado no sistema de correspondência do MARC 21 e FRBR e toda a interação interna de montagem dos registros se faz via linguagem XML. No site, do fornecedor, é possível encontrar um texto demonstrativo do modelo e dos avanços propostos em matéria de prática catalográfica: http://www.vtls.com.br/demonstracao/demonstracao_arquivos/frbr.pdf, mas o arquivo tem quase 30 Megabytes, e baixa-lo é recomendável acesso via banda larga.

As utilidades bibliográficas também têm se mobilizado na análise e aplicação do modelo, como é o caso da OCLC (Online Computer Library Center) e RLG (Research Libraries Group). As bases de dados, WorldCat da OCLC e o Catálogo Coletivo da RLG (denominado RedLightGreen), estão avaliando o potencial para uso do FRBR.

A OCLC desenvolveu, também, um protótipo FictionFinder que demonstra como os 177 registros bibliográficos, sobre “Cem anos de solidão” de Gabriel García Marquez, podem ser apresentados aos usuários como um único registro da obra, sob o qual se agrupam todas as suas versões lingüísticas e todas as manifestações de cada versão existente.

A Library of Congress desenvolveu um software, denominado “FRBR Display Tool”, que oferece uma visualização hierarquizada de registros bibliográficos obtidos em uma busca no catálogo. Os três níveis superiores do modelo FRBR – Obra, Expressão e Manifestação servem para organizar tais listas hierarquizadas. O programa não permite busca em catálogos bibliográficos, sendo apenas uma ferramenta conversora. Fernanda P. Moreno, em sua dissertação sobre o FRBR, apresenta todo um capítulo comentando a instalação e operação da ferramenta, bem como, as limitação e problemas encontrados na configuração.

Estudo interessante, de aplicação do FRBR, utilizando o software CDS/ISIS, é mostrado por Roberto Sturman, que durante o II Congresso Mundial de Usuários de CDS/ISIS (Salvador - Ba, 20-23 de setembro de 2005), apresentou trabalho “A case study of cataloging software implementation: IFPA (ISIS FRBR Prototype Application)”. Outras informações sobre o protótipo baseado no CDS/ISIS podem ser obtidas no endereço: http://pclib3.ts.infn.it/frbr/FRBR.htm.



Considerações

A inovação do FRBR está em formular um modelo conceitual que possibilita a identificação das entidades, os atributos de cada uma das entidades, e os tipos de relação entre elas.

O FRBR oferece a possibilidade de realizar uma única busca, para encontrar todos os materiais relacionados, mesmo se estes materiais se catalogam em diferentes línguas ou edições, ou com diferentes cabeçalhos de assuntos. É uma nova camada que se pode colocar sobre a catalogação tradicional.

O conceito tradicional de catálogo automatizado se modifica ao adotar um novo modelo de operação, e apresentação de registro bibliográfico, superando limitações nas possibilidades de busca e no desenho das interfaces de consulta.

Um aspecto positivo, observado sobre o FRBR, foi na mudança de foco das discussões técnicas centradas somente na normalização, e nos padrões de intercâmbio bibliográfico, para preocupações sobre: o que os usuários necessitam; como um registro bibliográfico poderia atender satisfatoriamente o questionamento do usuário, ao consultar o catálogo eletrônico. Implica, ainda, revisão e discussão sobre os códigos de catalogação em vigor, formatos de intercâmbio e no desenvolvimento de sistemas de automação. Além da atualização das competências técnicas e habilidades analíticas do catalogador.



Indicação de Leitura

Para maior compreensão sobre o FRBR, recomenda-se a leitura das publicações, em português:

Mey, Eliane S. Alves. Introdução à catalogação. Brasília: Briquet de Lemos / Livros, 1995.

Assunção, Maria Clara. Catalogação de documentos musicais escritos: uma abordagem à luz da evolução normativa. 2005. Master thesis, Departamento de História, Universidade de Évora.

Moreno, Fernanda Passini. Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos – FRBR: um estudo no catálogo da Rede Bibliodata. Brasília, 2006. Dissertação (Mestrado). Universidade de Brasília. Departamento de Ciência da Informação e Documentação - CID

Moreno, Fernanda Passini; Arellano, Miguel Angel Márdero. Requisitos funcionais para registros bibliográficos – FRBR: uma apresentação. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v.3, n.1, p.20-38, jul./dez. 2005.



link sobre o tema:

A case study of cataloging software implementation: IFPA (ISIS FRBR Prototype Application): http://w2isis.icml9.org/activity.php?lang=es&id=13

International Federation of Library Associations and Institutions, "Functional Requirements for Bibliographic Records": www.ifla.org/VII/s13/frbr/frbr.htm

Library of Congress Network Development and MARC Standards Office: www.loc.gov/marc

OCLC FictionFinder: fictionfinder.oclc.org.

RLG's RedLightGreen: www.redlightgreen.com

VTLS's Virtua: www.vtls.com

Sobre Fernando Modesto
Bibliotecário e Mestre pela PUC-Campinas, Doutor em Comunicações pela ECA/USP e Professor do departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP.

Catalogação descritiva no século XXI :Um estudo sobre o RDA

http://www.scribd.com/doc/57803839/13/Conceitos-teoricos

ROSA MARIA RODRIGUES CORRÊA
Catalogação descritiva no século XXI :Um estudo sobre o RDA

RESUMO
A informação é essencial neste limiar do Século XXI, assim como sua transmissão.A catalogação descritiva, como área da Biblioteconomia responsável por transmitiras informações contidas em acervos de qualquer natureza, por meio da construçãode formas de representação, deve acompanhar a evolução das necessidades dosusuários. Esta constatação preocupa especialistas da área. A padronização, narepresentação das informações e documentos é imprescindível e também o objetode trabalho da catalogação descritiva como forma de garantia do intercâmbio deregistros bibliográficos. A preocupação cresce com a rapidez com que asinformações são geradas e disponibilizadas em diferentes formas. Este trabalhopropõe-se a analisar o estado da arte do esquema Resource Description and Access(RDA) elaborado pela International Federation of Libraries Associations (IFLA), parauso de catalogadores e bases de dados bibliográficos. A análise baseia-se empesquisas bibliográficas on-line. A evolução da catalogação e seus códigos deregras; a influência das tecnologias nos meios de comunicação, especificamente natroca de informações bibliográficas; a compatibilidade de conceitos visando acomunicação eficiente entre máquina, catalogador e informações codificadas paraatendimento dos usuários foram utilizadas para a construção da parte histórica dotrabalho. O estudo do RDA foi elaborado reunindo-se as necessidadesinformacionais, a catalogação descritiva e o novo esquema para compreender suaabrangência e a sua possível aceitação internacional, como uma forma depossibilitar o controle bibliográfico e ampliar o acesso e uso das informaçõesdisponíveis nos mais diversos ambientes informacionais. O RDA, por ser umesquema em fase de elaboração somente pode ser analisado do ponto de vistateórico. Nossa análise verificou que o RDA é um esquema eficaz, por aliar a teoria àprática. A base teórica serve de apoio para a tomada de decisões para acatalogação descritiva. As considerações finais nos conduzem ao aceite do RDA,desde que eficazmente gerido pelas Instituições que detêm seu domínio. Suapublicação está prevista para 2009, quando poderemos realmente saber as dimensões de sua aplicação e aceite

REQUISITOS FUNCIONAIS PARA REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS - FRBR: UMA APRESENTAÇÃO

http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/sbu_rci/article/viewFile/317/196
REQUISITOS FUNCIONAIS PARA REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS - FRBR: UMA APRESENTAÇÃO
Fernanda Passini Moreno
Miguel Ángel Márdero Arellano
Resumo
A área de estudos da Biblioteconomia, denominada representação descritiva, ou catalogação, tem um histórico de encontros de peritos para estabelecimento de padrões de descrição de documentos, no que tange às regras e formatos. Passados quarenta anos da Declaração dos Princípios de Paris, em 1961, teve início um
re-exame de práticas e normas de catalogação, sob a responsabilidade de um grupo de estudos da Seção de Catalogação, Classificação e Indexação da IFLA-Internacional Federation Library Associations and Institutions – Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias, materializado no relatório final: FRBR – Functional requirements for bibliographic records: final report, FRBR - Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos. Representando um avanço significativo na área de representação bibliográfica, publicado em 1998, apresenta conceitos e definições de entidades, relacionamentos e atributos, lançando um novo olhar sobre o objeto bibliográfico, centrado no usuário e suas ações. O modelo tornou-se objeto de teses, dissertações, grupos de estudos permanentes, tema de seminários e projetos de pesquisa, em nível internacional. Ao propor relacionamentos de diversas naturezas, os FRBR propõem o agrupamento de entidades com semelhanças, oferecendo um maior número de opções ao usuário que busca informações nos registros bibliográficos. Apesar de ser amplamente discutido, possuindo projetos de pesquisa para implementação do modelo em softwares bibliográficos, no exterior, no Brasil não existem registros de
discussão a respeito. Este trabalho apresenta o modelo e algumas considerações como o início de um debate sobre o tema, que revela o futuro da descrição bibliográfica no cenário mundial e a criação do Código de Catalogação Internacional.
Palavras-chave
Registro bibliográfico; Descrição bibliográfica; Catalogação; FRBR; IFLA.
FRBR
A intensificação dos custos de catalogação; a contínua necessidade de economizar no processo de catalogação; o crescimento vertiginoso de publicações e a rápida proliferação
de novos formatos e materiais com diversos novos métodos de acesso. Esses pontos, tão conhecidos dos bibliotecários, motivaram os participantes do seminário de Estocolmo,Suécia, em 1990, patrocinado pela IFLA UBCIM Programme e Divisão de Controle bibliografico. Dentre as várias recomendações do seminário, duas são a base para um reexame dos registros bibliográficos: a necessidade de se estabelecer um nível básico de funcionalidade para os registros bibliográficos em relação à variedade de usuários e de
mídias e que as agências bibliográficas nacionais ficassem responsáveis por garantir que
suas publicações saíssem em diversas mídias, fazendo, em conjunto, um estudo de
necessidade dos usuários.
Ao longo de oito anos, o grupo de estudos oriundo da Seção de Catalogação e da Seção de
Classificação e Indexação da IFLA, com a colaboração de consultores e de voluntários de várias nacionalidades, desenvolveu os FRBR, apresentando um relatório final em 1998, configurando uma recomendação para reestruturar os registros bibliográficos de maneira a refletir a estrutura conceitual de buscas de informação, levando em conta a diversidade
_____________________________________________________________________________________________________
© Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação,Campinas, v .3, n 1, p. 20-38, jul./dez. 2005– ISSN: 1678-765X.
23 ARTIGO de:
ƒ usuários - usuários da biblioteca, pesquisadores, bibliotecários da seção de
aquisição, publicadores, editores, vendedores;
ƒ materiais - textuais, musicais, cartográficos, audiovisuais, gráficos e
tridimensionais;
ƒ suporte físico - papel, filme, fita magnética, meios óticos de armazenagem,
etc. e, formatos - livros, folhas, discos, cassetes, cartuchos, etc. que o registro possa conter.
Os FRBR oferecem-nos uma nova perspectiva da estrutura e nos relacionamentos dos
registros bibliográficos. A proposta dos FRBR é:
primeiro, fornecer um quadro estruturado, claramente definido, para relacionar
dados registrados em registros bibliográficos às necessidades dos usuários destes
registros. O segundo objetivo é recomendar um nível básico de funcionalidade
para registros criados por entidades bibliográficas nacionais. (IFLA, 1998, p. 7).
No primeiro objetivo, percebe-se a intenção da proposta inovadora dos FRBR: que
catálogos em linha, baseados no modelo, possam mostrar as relações bibliográficas mais claramente, de maneira útil ao usuário, de maneira que ele possa navegar em "espaços" de informações complexos, através das relações, de maneira que as informações nos registros, recuperadas através da expressão de busca do usuário, reflitam um apropriado "rol" de registros (BEACOM, 2003).
Para responder às necessidades dos usuários, os Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos são definidos em relação às seguintes tarefas genéricas realizadas pelos usuários quando fazem buscas em bibliografias nacionais e catálogos de bibliotecas, ou os utilizam, chamadas user tasks:






uso dos dados para encontrar materiais que correspondam aos critérios
estabelecidos para a busca do usuário;
uso dos dados recuperados para identificar uma entidade;
uso dos dados para selecionar uma entidade adequada às necessidades do usuário;
uso dos dados para encomendar, adquirir, ou obter acesso à entidade descrita
(IFLA, 1998, p. 8).
Nota-se que as tarefas genéricas acima descritas são fortemente inspiradas nos três objetivos do catálogo, propostos por Cutter (MEY, 1987; RILEY, 2004; TAYLOR, 2004), quais sejam:
1) Permitir a uma pessoa encontrar um livro do qual ou: a) o autor; b) o título; c) o assunto seja conhecido;
2) Mostrar o que a biblioteca possui: d) de um autor determinado; e) um assunto
determinado; f) em um tipo dado da literatura;
3) Para ajudar na escolha de um livro: g) de acordo com sua edição
(bibliograficamente); h) de acordo com seu caráter (literário ou tópico)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

BibMargarida: PROVA DA USP

BibMargarida: PROVA DA USP

PROVA DA USP

http://www.pcarp.usp.br/pages/processos/201162/prova201162.pdf

PROVA DA USP

http://www.pcarp.usp.br/pages/processos/201162/prova201162.pdf

Concurso publico CCRP/USP- GABARITO DA USP

GABARITO – 25/09/2011
PROVA DE MÚLTIPLA ESCOLHA
01 E 26 B
02 E 27 A
03 A 28 E
04 D 29 D
05 C 30 C
06 E 31 D
07 A 32 E
08 B 33 A
09 B 34 B
10 D 35 E
11 C 36 A
12 D 37 E
13 A 38 C
14 A 39 C
15 D 40 C
16 B 41 E
17 B 42 B
18 C 43 D
19 A 44 B
20 D 45 C
21 C 46 A
22 A 47 A
23 D 48 E
24 B 49 C
25 C 50 C

Concurso publico CCRP/USP

http://www.pcarp.usp.br/pages/processos/

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

CONCURSO PÚBLICO – BIBLIOTECÁRIO - DOCUMENTALISTA

CEFET-RN
CONCURSO PÚBLICO – BIBLIOTECÁRIO - DOCUMENTALISTA
EDITAL 02/2006/GDRH/CEFET-RN

1. No Brasil, a instituição designada para atribuir o International Standard Book Number (ISBN) para publicações monográficas é o(a)
a) Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia.
b) Fundação Biblioteca Nacional.
c) Fundação Getúlio Vargas.
d) Ministério da Educação.
2. Um pesquisador da área de Biblioteconomia/Ciência da Informação necessita fazer um levantamento em uma base de dados referencial de grande abrangência
nessa área. Então ele utilizará a
a) CAB Abstracts.
b) LISA.
c) PsyINFO.
d) CrossRef.
3. O Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte é uma das instituições participantes do Portal de Periódicos da CAPES. Dentre as bases
referenciais que essa instituição tem acesso, destacase a DII- Derwent Innovations Index, que dispõe de
a) patentes.
b) livros eletrônicos.
c) teses e dissertações.
d) artigos de periódicos.
4. Os processos de compra, permuta e doações caracterizam-se como as principais modalidades de aquisição
a) de livros.
b) de materiais informacionais.
c) somente de materiais especiais.
d) somente de periódicos.
5. No Sistema de Classificação Decimal de Dewey, o sinal . (ponto) é utilizado para separar cada conjunto de
a) nenhum dígito.
b) um dígito.
c) dois dígitos.
d) três dígitos.
6. As Linguagens Documentárias (LDs) são sistemas simbólicos instituídos e visam facilitar o processo de comunicação, embora a sua função comunicativa seja
restrita ao contexto da
a) informática.
b) semiótica.
c) documentação.
d) comunicação.
7. O processo que utiliza a operação de tradução de textos em Linguagem Natural (LN) para uma Linguagem Documentária (LD) se denomina
a) automação.
b) normalização.
c) indexação.
d) recuperação.
8. Uma Linguagem Documentária (LD) é utilizada na entrada de um sistema de informação quando o documento é analisado para
a) registro.
b) empréstimo.
c) aquisição.
d) seleção.
9. Um código de catalogação e um formato de entrada são imprescindíveis para o processo de criação de um registro bibliográfico em meio magnético. Identifiqueos a seguir:
a) AACR2 e o DPAC.
b) AACR2 e o MARC.
c) AACR2 e o thesaurus Brased.
d) AACR2 e o thesaurus de Roget.
10. Na sociedade atual, os avanços tecnológicos têm permitido o compartilhamento, a padronização e o armazenamento de registros bibliográficos por meio do(a):
a) CDD – Classificação Decimal de Dewey.
b) CDU – Classificação Decimal Universal.
c) OPAC – On line Public Access Catalogue.
d) MARC21 – Formato Condensado de Dados Bibliográficos.
11. A questão das políticas de análise e representação do conteúdo informacional de documentos é também considerada como uma política
a) educacional.
b) de desenvolvimento de coleção.
c) de indexação.
d) de seleção.
12. No processo de busca e recuperação da informação, o Portal Brasileiro da Informação Científica oferece acesso à produção científica mundial como niciativa
do(a)
a) IBICT.
b) INEP.
c) CAPES.
d) CNPq.
13. O planejamento estratégico enquanto uma metodologia de pensamento participativo, no âmbito de uma Unidade de Informação, inicia-se com a participação
a) somente de gerentes de divisão.
b) somente de gerentes de seções.
c) somente de bibliotecários.
d) de todos os dirigentes (tomadores de decisão).
14. No Brasil, o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas foi traduzido e customizado pelo(a)
a) Universidade de São Paulo.
b) Fundação Biblioteca Nacional.
c) Fundação Getúlio Vargas.
d) Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia.
15. O International Standard Serial Number (ISSN) é considerado um número único internacional para identificação e atribuição a um título de publicação de
a) obra de referência.
b) periódicos.
c) artigo de periódico.
d) livro.
16. No formato bibliográfico Machine Readable Cataloguing (MARC), o campo correspondente para registrar o número do ISSN é
a) 020.
b) 022.
c) 027.
d) 040.
17. No contexto da documentação, o processo de elaboração de índices e resumos é desenvolvido à luz da análise
a) literária.
b) documentária.
c) de conteúdo.
d) do discurso.
18. Um Vocabulário de Termos Controlados, também denominado Thesaurus Brased, contribui para o processo de indexação e recuperação da informação na área de
a) Biologia.
b) História.
c) Educação.
d) Odontologia.
19. O tesauro de documentação, enquanto instrumento metodológico, relaciona descritores/termos e tem como funções principais indexar e
a) catalogar.
b) explicar o significado das palavras.
c) analisar.
d) recuperar informação.
20. A Análise Documentária (AD) se define como um conjunto de procedimentos metodológicos para representar o conteúdo informacional de documentos e com o objetivo de
a) recuperar e armazenar informação.
b) recuperar e disseminar informação.
c) organizar e armazenar informação.
d) organizar e coletar informação.
21. Os primeiros sistemas de classificação bibliográfica considerados de natureza enciclopédica e que visam abranger todas as áreas do conhecimento são:
a) CDU, LC e tesauro.
b) CDD, CDU e LC.
c) CDD, CDU e tesauro.
d) CDD, LC e tesauro.
22. Uma das Linguagens Documentárias mais desenvolvidas que faz uso de operadores boleanos para construção de novas relações entre os termos é o(a)
a) CDD.
b) CDU.
c) LC.
d) tesauro.
23. No âmbito da Análise Documentária, os processos de síntese e de representação documentária advêm do processo de análise. Estes, por sua vez, se apresentam sob duas modalidades:
a) Cutter e resumo.
b) índice e resumo.
c) normalização e resumo.
d) memória coletiva e resumo.
24. O Portal de Domínio Público, lançado em novembro de 2004, é uma importante fonte de informação fomentada pelo Ministério da Educação. Nesse portal estão disponibilizados, gratuitamente, ao público
a) periódicos com texto completo.
b) livros com texto completo.
c) teses e dissertações.
d) livros e periódicos com texto completo.
25. Um usuário portador de deficiência visual deseja fazer uma pesquisa no livro falado “O Atheneu”, de Raul Pompéia. No sentido de agilizar uma busca direta, o
bibliotecário deverá indicar a seguinte fonte de informação:
a) Biblioteca Eletrônica SCIELO.
b) Biblioteca Virtual em Educação.
c) Biblioteca Virtual de Literatura.
d) Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa.
26. Na construção de um tesauro, é fundamental o emprego de relações conceituais. Nesse contexto, se dois conceitos diferentes possuem características idênticas e um deles possui uma característica a mais do que o outro, pode-se afirmar que entre eles se estabelece uma relação
a) de equivalência.
b) hierárquica.
c) partitiva.
d) de oposição.
27. Para formar as classes principais da CDD, Dewey baseou-se diretamente no sistema de Harris, que teve por base a ordem inversa do sistema filosófico de
a) Paul Otlet.
b) Francis Bacon.
c) Porfírio.
d) Shiyali Ramamrita Ranganathan.

28. A notação que melhor representa o assunto “ensaio sobre florestas”, segundo a CDD, corresponde a
a) 502.904
b) 504.904
c) 634.904
d) 910.904
29. Ao normalizar o sumário de um trabalho acadêmico, o bibliotecário necessita fazer uso da norma que estabelece a numeração progressiva das seções de um documento escrito. Nesse caso, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) recomenda a
a) NBR 6021.
b) NBR 6024.
c) NBR 6031.
d) NBR 6032.
30. De acordo com a NBR 6022, de maio de 2003, da ABNT, que trata da apresentação de artigo em publicação periódica científica impressa, o resumo em língua estrangeira é considerado um elemento
a) pré-textual.
b) textual.
c) opcional.
d) pós-textual.
31. Segundo a NBR 6029, de setembro de 2002, da ABNT, um dos elementos pós-textuais obrigatórios na apresentação de livros e folhetos corresponde ao
a) índice.
b) colofão.
c) posfácio.
d) apêndice.
32. Conforme a NBR 6023, de agosto de 2002, da ABNT, o documento jurídico que inclui toda e qualquer discussão técnica sobre questões legais refere-se à(a).
a) súmulas.
b) doutrina.
c) jurisprudência.
d) resoluções.
33. Observe a catalogação do item abaixo
França, Marcos.
Peixe vivo [original de arte] / Marcos França.–
Brasília: Ferro e Aço Badaruco Ltda, 2002.
1 escultura pendular : aço carbono, suporte em arco
fixado em base de concreto ; 9 x 5 x 5m.
De acordo com o Código de Catalogação AngloAmericano, 2ª edição (AACR2), esse item corresponde a
a) um material iconográfico.
b) um material cartográfico.
c) um artefato tridimensional.
d) uma microforma.
34. Na descrição bibliográfica de um item, o principal ponto de acesso é o autor. Este pode ser uma pessoa ou entidade. Segundo a AACR2, na falta de ambos, o
ponto de acesso poderá ser o título da obra ou um título
a) equivalente.
b) corrente.
c) uniforme.
d) de partida.
35. Conforme o AACR2, a entrada para parte de um item já registrado sob uma entrada abrangente é denominada de:
a) secundária.
b) analítica.
c) principal.
d) secundária nome-título.
36. A forma de entrada do título de uma publicação seriada, de acordo com a NBR 10525, de outubro de 1988, da ABNT – Numeração Internacional para Publicações Seriadas – ISSN, é chamada de:
a) título-chave.
b) título coletivo.
c) título corrente.
d) título principal.
37. A ferramenta que possibilitou a concretização da catalogação cooperativa em ambiente digital e em rede corresponde ao
a) Pergamum.
b) ORTODOCS.
c) BIBLIODATA.
d) MARC.
38. O líder, o diretório e os campos são elementos que compõem a estrutura de um registro MARC21. Para cada campo, é associado um número de três dígitos.
Nesse sentido, o número 505 está relacionado ao campo
a) de notas de conteúdo.
b) da descrição física.
c) de assunto tópico.
d) de entidade coletiva.
39. Segundo o Código de Ética Profissional do Bibliotecário (Resolução CFB nº 42, de 11.01.2002), a alternativa que não é considerada como uma penalidade nas infrações cometidas pelo bibliotecário é:
a) advertência reservada.
b) censura pública.
c) cassação do exercício profissional.
d) suspensão do registro profissional pelo prazo de cinco anos.
40. O AACR2 estabelece as regras gerais para uso de uma pontuação na descrição de um item. Conforme este código, o sinal ponto-e-vírgula (;) pode ser utilizado
a) para a designação geral do material.
b) a cada subseqüente indicação de responsabilidade.
c) para a edição.
d) no título equivalente.

Gabarito - Bibliotecário/Documentalista
- Após análise dos recursos

Questão Resposta Questão Resposta
1 B 21 B
2 B 22 D
3 A 23 B
4 B 24 B
5 D 25 D
6 C 26 B
7 C 27 B
8 A 28 C
9 B 29 B
10 D 30 D
11 C 31 B
12 C 32 B
13 D 33 C
14 D 34 C
15 B 35 B
16 B 36 A
17 B 37 D
18 C 38 A
19 D 39 D
20 B 40 B

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

http://www.followscience.com/library_uploads/533836d0a83340bec764e684b73acf41/614/a_indexacao_de_livros_a_percepcao_de_catalogadores_e_usuarios_de_bib

http://www.followscience.com/library_uploads/533836d0a83340bec764e684b73acf41/614/a_indexacao_de_livros_a_percepcao_de_catalogadores_e_usuarios_de_bibliotecas_universitarias.pdf
a indexação de livros a percepção de catalogadores e usuários de bibliotecas
universitárias
mariângela spotti lopes fujita

A legislação sobre bibliotecas no Brasil by EXTRALIBRIS on dez 12, 2005 • 11:19 am

A legislação sobre bibliotecas no Brasil
by EXTRALIBRIS on dez 12, 2005 • 11:19 am Nenhum Comentário
A LEGISLAÇÃO SOBRE BIBLIOTECAS NO BRASIL

CECÍLIA ANDREOTTI ATIENZA
Diretora do Centro de Documentação e Informação da Câmara Municipal de São Paulo.

Revista Palavra-Chave, São Paulo, n.1, p.15-18, 1982.

1 Introdução

Os profissionais bibliotecários, já não sem tempo, estão começando a tomar consciência dos problemas atuais existentes sobre a invasão de outros profissionais (não bibliotecários), na área da Biblioteconomia brasileira.

Ora, esse mercado de trabalho, que deveria ser privativo do bacharel em Biblioteconomia, está sendo utilizado por profissionais de outras áreas, sobre as mais diversas alegações. Isto porque a profissão biblioteconômica vem se desenvolvendo a passos largos, ampliando a escala de valores, que por definição, sempre pertenceu à Biblioteconomia, mas que na impossibilidade natural dos legisladores de 1962 de preverem esse desenvolvimento na Ciência da Biblioteconomia, fez com que a parca legislação existente sobre o assunto se tornasse inadequada, dando margens a interpretações jurídicas as mais diversas, embora saibamos que essas interpretações deveriam respeitar o conceito da matéria a intenção do legislador ao elaborar uma norma, ou seja, obedecendo a interpretação lógica da norma, que nada mais é que a investigação do fim ou da razão da lei, para fixar-lhe o seu real sentido.

Mas nem sempre isso acontece, pois por conveniências diversas, o intérprete poderá justificar sua tese segundo uma interpretação gramatical, ou seja, aquela que estabelece o sentido objetivo da lei, com base em sua “letra”.

Muitos autores jurídicos não se satisfazem com essa interpretação, pois as palavras escondem ou representam um significado não representado, na maioria das vezes, com fidelidade.

Por esta razão, os intérpretes da lei partem a investigação da “ratio legis”, ou melhor, para o fim perseguido pela lei, de modo que, em função dele, possa fixar exatamente o sentido depreendido da “letra da lei”.

Interpretar o Direito “é estabelecer o sentido objetivo da norma, não o sentido retrógrado e nem aquele que de forma alguma poderia ser incluído, mas o que se depreende do texto ajustado à realidade social. Pra descobri-lo, o intérprete deve pensar como homem de sua época e não como homem do tempo em que a lei foi sancionada. Assim, o sentido da lei deve ser atual, e não retrógrado e nem revolucionário” (13).

Uma vez explicadas as divergências possíveis de interpretação, vamos detalhar os problemas legais da Biblioteconomia, dividindo em partes as áreas mais atingidas, começando pela lei maior que disciplina o exercício da profissão, mediante a Lei Federal nº. 4084, de 30 de junho de 1962 (1) e o respectivo Decreto Federal regulamentador, nº. 56.725, de 16 de agosto de 1965 (2).

2 Princípios da Lei 4084/62

Essa lei é o resultado da situação biblioteconômica correspondente aos anos de 1962. Ora, passados vinte anos de sua promulgação, ela não pode atender mais aos objetivos da época atual, pela natural evolução da profissão e as conseqüências resultantes desse fator cultural, mas isto não significa que se deva permitir as “convenientes” interpretações de outrens, menos preocupados com o destino das bibliotecas brasileiras. Sabemos que se faz necessário modificar a Lei 4084/62, mas, antes que isso aconteça, vamos defender os princípios existentes na lei, que por extensão, permitem a defesa dos interesses profissionais dos bibliotecários.

Quais são esses princípios? Então, vejamos:
2.1 Exercício profissional

O exercício da profissão de bibliotecário foi objeto de disposição da Lei 4084, de 30 de junho de 1962 e de sua respectiva regulamentação, pelo decreto 56.725, de 16 de agosto de 1965.

Esta norma apresenta para o estudo do problema, basicamente, a disposição que exige para provimento e exercício de cargos técnicos de bibliotecários (e documentaristas), na administração pública, autárquica, parestatal, empresas sob intervenção governamental ou concessionárias de serviço público, a obrigatoriedade da apresentação de diploma de bacharel em Biblioteconomia. (Obs.: Não existe, juridicamente, a profissão de documentarista. O exercício das funções de “documentarista” é sempre do profissional bibliotecário. Esta nomenclatura precisa de uma reavaliação por autoridade competente.)

2.2 Funções privativas ou atribuíveis ao profissional bibliotecário

O art. 1º., do próprio diploma legislativo em questão, estabeleceu expressamente a intenção citada em primeiro lugar, ao declarar ser “a designação profissional de bibliotecário, privativa dos bacharéis em Biblioteconomia”, como também, assim podem entender, no art. 3º., em relação ao preenchimento dos cargos da série de classes de bibliotecário (e documentarista), onde está clara a exigência peremptória do diploma para aquele fim.

Porém, no art. 2º. quando diz a quem caberá o exercício da profissão de bibliotecário, usa a palavra “permitido” e não “privativo” que impediria, legalmente, as aberrações que estão acontecendo em nosso país, onde pessoas não habilitadas estão dirigindo nossas bibliotecas e centros de documentação, muitas delas sob a alegação (errônea) de que os cargos são de confiança.

O art. 6º. quando diz: “São atribuições dos bacharéis em Biblioteconomia…”, também não deixou claro essa intenção, dando oportunidade a alguns técnico-jurídicos, de adotarem a tese segundo a qual a lei diz que são atribuíveis aos bacharéis em Biblioteconomia as tarefas relacionadas no artigo mencionado, sem afirmar que lhes seriam, também, privativas, pretendendo, apenas, evidenciar que do exercício do cargo em comissão de direção intermediária, não se origina qualquer desvio de atribuições.

Temos como exemplo, o caso da Biblioteca Nacional. Embora a alínea “c” do art. 6º. dá como atribuição ao bacharel em Biblioteconomia “a administração e direção de bibliotecas”, tivemos um não bibliotecário na direção da Biblioteca Nacional, sob a alegação de especialistas jurídicos ligados ao MEC de que “segundo a Lei 4084, que regulamenta a biblioteconomia, o diploma de bibliotecário é imprescindível para a ocupação de cargos técnicos de bibliotecários e documentaristas. A direção da Biblioteca Nacional, entretanto, não se enquadra nestas especificações, sendo um cargo de direção e assessoramento superior, com funções essencialmente administrativas” (8).

Outro exemplo a ser citado é o caso da direção de Serviços de Documentação que, embora, expresso na alínea “d” do art. 6º. “a organização e direção dos serviços de documentação”, tivemos um parecer da Consultoria Geral da República, aprovado pela Presidência da República, onde encontramos a alegação de que “a Lei 4084/62, não tornou privativo dos bacharéis em Biblioteconomia, as funções de direção dos serviços de documentação. É aconselhável, entretanto, o recrutamento entre aqueles que tenham a qualificação de que trata a referida Lei” (3).

Esses exemplos retratam o resultado dessa omissão legislativa que permitiu a elaboração dos pareceres acima mencionados entendendo (esses pareceres) que o diploma legislativo em causa não deu exclusividade aos ocupantes de cargos de bibliotecário (e documentaristas), ou que pelo menos isso não ficou expresso na lei e consideram o diploma legal, apenas, quanto à sua interpretação literal, ou seja, onde a lei não distingue, ao intérprete não será lícito distinguir.

A gravidade, nesses casos, reside no fato (como aconteceu com o Parecer 382-H/66, de autoria do Consultor Geral da República, Dr. Arnaldo Mesquita da Costa) de que esses pareceres quando aprovados pela Presidência da República, não se pode recusar sua aplicação na esfera administrativa, embora essa exigência de habilitação seja perfeitamente legal quando entendida sob a luz da interpretação lógica da norma. (Ao “caput” do art. 6º. Deve ser dada nova redação como: “São atribuições privativas dos bacharéis em Biblioteconomia…”. E, para resolver definitivamente o problema de “cargos de confiança”, deve ser acrescentada uma alínea nesse mesmo artigo, referente às atribuições, constando do seguinte: “o exercício de cargos ou funções de direção, chefia e encarregatura, em comissão ou mediante contrato, nas áreas abrangidas pelas bibliotecas, bancos de dados bibliográficos, redes, sistemas, centros e serviços de documentação e/ou informação e demais entidades e/ ou instituições que tenham como objetivo o armazenamento e/ou a disseminação da informação em qualquer área de atividade intelectual” (4)).

2.3 Direção de Bibliotecas e de Serviços de Documentação

As alíneas “c” e “d” do art. 6º. Declaram como “atribuições dos bacharéis em Biblioteconomia a organização, direção e execução dos serviços técnicos de repartições públicas federais, estaduais, municipais e autárquicas e empresas particulares, concernentes às matérias e atividades seguintes”:

———-
c) a administração e direção de bibliotecas.
d) a organização e direção dos serviços de documentação.
———-

Ora, hoje temos que fazer a interpretação lógica, extensiva dessas alíneas, uma vez que além de bibliotecas de uma forma pura, temos em razão do desenvolvimento dessas mesmas bibliotecas “o planejamento, assessoramento, consultoria, organização, implantação, administração e direção de bibliotecas, bancos de dados bibliográficos, redes, sistemas, serviços e centros de documentação e/ou informação e demais entidades e/ou instituições que tenham como objetivo o armazenamento e/ou disseminação da informação em qualquer área de atividade intelectual” (4).

3 Definição de bibliotecas

Outro comentário a ser feito, ainda com relação ao art. 6º., onde o dispositivo menciona, textualmente, “organização, direção e execução dos serviços técnicos (…) de administração e direção de bibliotecas”. Mas, a aplicação desse preceito esbarra numa indagação: o que é biblioteca? Com efeito, sob esta denominação cabem realidades muito distintas, desde a Biblioteca Nacional com seis milhões de peças (livros, discos, mapas, periódicos etc.) até a de uma escola primária modesta.

E, aqui, poderemos citar alguns exemplos com comentários relativos a essas bibliotecas exemplificativas.

3.1 Biblioteca Pública

O manifesto da UNESCO sobre a biblioteca pública, define-a como força em prol da educação, da cultura, da informação e como instrumento indispensável para promover a paz e a compreensão entre os povos e as nações. Esse manifesto diz ainda que a biblioteca pública deve ser estabelecida à base de dispositivos legais inequívocos que regulem a prestação de um serviço de biblioteca pública de alcance nacional.

Portanto, é indiscutível a necessidade de serem baixadas normas por autoridade competente, baseadas numa publicação de nível internacional, como Internationl Federation of Library Associations, denominada Standards for Public Libraries traduzida para o português como “Normas para Bibliotecas Públicas” e onde inclui o citado manifesto da UNESCO (11).

3.2 Biblioteca Infanto-Juvenil

Em artigo publicado por Yvette Z. Duro (9) encontramos o pensamento de Cecília Merirelles, segundo o qual “as bibliotecas infantis correspondem a uma necessidade da época e têm a vantagem não só de permitirem à criança uma enorme variedade de leituras, mas de instruírem os adultos acerca de suas preferências”.

Yvette diz que “o número de bibliotecas infantis no Brasil é pouco significativo, embora na década de 70 fosse verificado maior desenvolvimento em algumas regiões”. Diz, ainda, que “as atuais diretrizes do ensino brasileiro contribuíram para o maior afluxo de estudantes às bibliotecas públicas mas relegaram a um plano secundário as escolares e infanto-juvenis”.

Não seria o caso de se estabelecer normas por autoridade competente, que poderiam ser baseadas, também, na publicação “Normas para Bibliotecas Públicas”, no item que se refere às crianças, lembrando sempre que “as crianças formam um grupo identificável dentro da comunidade, com necessidades e interesses especiais” (11).

3.3 Biblioteca escolar

A biblioteca escolar permanece entre nós como um simples repositório de material impresso ou um depósito de livro apenas.

Tereza da Silva Freitas Oliveira (16), em seu artigo, diz muito bem e de forma sucinta como a biblioteca escolar representa uma unidade integrante do núcleo de Apoio Técnico Pedagógico, no Regimento das Escolas de 1º. e 2º. graus no Estado de São Paulo, explicando a integração do bibliotecário nos planejamentos e programações escolares e, ainda, o relacionamento que se almeja no processo ensino-aprendizagem. Esses elementos todos fazem parte da estrutura funcional dessas escolas, de uma forma técnico-legal a não deixar dúvidas, mediante decretos estaduais (para São Paulo): nº. 10.623, de 26 de outubro de 1977 e nº. 11.625, de 23 de maio de 1978.

Temos que citar nesse item que “de acordo com o determinado nos artigos 2º. e 3º. do Decreto Estadual (São Paulo) 5.771, de 4 de março de 1975, o governo paulista assumiu o encargo de criar bibliotecas e, simultaneamente, os cargos de bibliotecários nas escolas de 1º. e 2º. graus da rede estadual de ensino, quando estas tiverem mais de 200 alunos. Infelizmente a exigência legal não está sendo cumprida, apesar da sua indiscutível necessidade” (10).

“Ora, se a lei estabeleceu que as bibliotecas fossem instituídas nos estabelecimentos de ensino de 1º. e 2º. graus, não se compreende e muito menos se admite a omissão do governo estadual” (10). E, nós acrescentamos: e os trabalhos de base a serem elaborados pelos órgãos de classe?

Ainda assim, São Paulo possui alguma norma sobre o assunto. E as demais regiões? Não seria o caso de termos uma legislação em âmbito nacional como diretriz básica? E, conseqüentemente, normas paralelas em cada região, salvaguardando as peculiaridades de cada um?

Nos Estados Unidos, temos a American Association of School Libraries que cuida de tornar realidade normas legais sobre biblioteca escolar.

3.4 Bibliotecas Universitárias

Conforme Indicação do CFE, nº. 20, de 8 de outubro de 1968 (7), nos processos de autorização e reconhecimento de escolas superiores ou de universidades devem ser objetivamente consideradas as condições de suas bibliotecas. Esse mesmo documento diz que “a biblioteca constitui a peça central de uma escola. Mesmo antes de a escola existir, pode existir a biblioteca. Por sua natureza um núcleo de estudos, tem sido, em casos raros porém altamente expressivos, o ponto de partida de escolas e universidades. Isso porque a dinâmica de uma biblioteca se enriquece dia a dia: é, ao mesmo tempo, uma fonte de bibliografia e uma instituição de consulta e pesquisa. Habitualmente promove cursos, conferências, exposições, seminários, publicações. Ao acervo de livros, outros departamentos se juntam, como os de revistas, os de gravura, os de dispositivos, a discoteca e a filmoteca. Enfim, todos os veículos em que a cultura se perpetua, e através dos quais pode ser definida. Por vezes, a biblioteca inteligentemente dinamizada vale tanto ou mais que uma escola. Impõe-se, pois, considerar a biblioteca como exigência preliminar à existência de qualquer escola”. E, ainda, diz que “a organização, as instalações específicas, a relação entre estas e o numero de alunos e mestres, a bibliografia geral, as bibliografias especializadas, os técnicos e funcionários hão de ser considerados na apreciação de autorizações e reconhecimentos no tocante às bibliotecas”.

3.5 Bibliotecas especializadas ou de empresas

Nice Figueiredo (12), em artigo publicado, diz que: “as bibliotecas especializadas diferenciam-se por sua estrutura orientada ao assunto, uma vez que as organizações maiores nas quais se inserem, têm normalmente objetivos mais específicos que gerais. Distinguem-se também pelos tipos de pessoas de que são servidas: pessoas associadas às organizações mantenedoras e que têm interesses e habilidades especiais”.

Não podemos deixar de citar, também, Antonio Miranda (15) quando diz que: “o objetivo da biblioteca de empresa é de capacitar o indivíduo para que ele, bem informado, acompanhe a evolução tecnológica e científica e garanta, para a empresa, rendimento e produtividade em termos de qualidade e efetividade profissionais”.

Segundo os conceitos de biblioteca especializada preconizados por Nice Figueiredo e Antonio Miranda, deveríamos ter normas específicas sobre definição, características, funções e objetivos desse tipo de biblioteca, a exemplo do que acontece com a Special Libraries Association quando descreve os objetivos da biblioteca especializada.

3.6 Deliberação do Conselho Federal de Biblioteconomia

Voltando ao início da nossa indagação, nesse comentário “Definição de bibliotecas”: poderíamos aplicar a toda essa heterogeneidade de situações o mesmo critério? – ou, mesmo, identificar a todas sob a mesma denominação, no seu sentido legal? – ou, ainda, fazer as mesmas exigências a todas elas? Acreditamos que não.

Essa dificuldade existe na Lei 4084/62, pois o termo “biblioteca”, no texto legal, é carente de definição. Caberia, pelo menos, distinguir entre uma biblioteca como entidade autônoma e outra que é, apenas, uma coleção de textos para consulta, servindo em caráter suplementar a uma atividade principal. Mesmo no primeiro caso, uma biblioteca que seja, em si mesma, uma entidade, pode serão tão modesta que não se concebe exigir à sua administração um profissional qualificado.

A perfeita interpretação da regra contida nas alíneas “c” e “d”, do art. 6º., conforme redação da Lei 4082/62, exige atenção ao conceito de “bibliotecas” e de “serviços de documentação”. Essa cautela se impõe porque os vocábulos são mencionados em todas as disposições legais existentes, como referência às diretrizes para a fixação de exigências e qualificação profissional.

Daí chegamos à conclusão de que o dispositivo acima mencionado não é auto-aplicável, sendo ao contrário, carente de regulamentação ou interpretação que tenha validade normativa. Ora, a própria Lei 4084 consigna, na alínea “f”, do seu art. 15, como atribuição do Conselho Federal de Biblioteconomia, a de “expedir as resoluções que se tornem necessárias para a fiel interpretação e exceção da presente Lei”. Podemos citar, como exemplo, o final do art. 3º. da Lei 4084, que oferece um caso de exceção à regra geral contida no art. 2º., que exige a formação técnica específica para o exercício da profissão de bibliotecário. Essa exceção se refere aos casos dos “atuais ocupantes efetivos” da função de bibliotecário e documentarista na época da promulgação da Lei 4084. Como essa disposição compreendendo a norma da exceção não está muito clara, o Conselho Federal de Biblioteconomia solicitou a especialista no assunto, um parecer técnico-jurídico (14) sobre a interpretação da mesma. Esse parecer teve como resultado a Resolução do CFB nº. 131, de 21 de outubro de 1975 (5), que interpretou e definiu o campo de aplicação do art. 3º. da Lei mencionada e que deu solução aos processos referentes à questão.

Por que os Conselhos não continuam a adotar o mesmo critério, uma vez que a própria Lei manda?

Àquele órgão cabe, portanto, não a outro qualquer, persistindo a omissão regulamentadora do Poder Executivo, deliberar sobre o âmbito exato de aplicação da regra, não somente por ser esta lacônica, senão, também, por ser absolutamente impreciso o seu objeto.

4 Conclusão

Movimentam-se os bacharéis em Biblioteconomia para discutir a questão do mercado de trabalho do bibliotecário. Muito se tem dito a respeito. Quase tudo é lógico e pertinente à matéria. As soluções apontadas, se praticadas, não deixariam de melhorar, de alguma forma, a situação. Contudo, à evidência, as análises não aprofundam o tema, até o desejável. E, as saídas apontadas são parciais, portanto, insuficientes.

E, em primeiro lugar, vêm as graves seqüelas que o arbítrio deixou em nosso ordenamento jurídico, a partir da Lei 4084/62, que com o decorrer do tempo (20 anos), sem querer sofrer as naturais modificações de redação, tornou-se ultrapassada, permitindo que determinadas soluções fossem encontradas fora das normas regulamentadoras da profissão.

Outra questão importante é a da prevalência de atos emanados por órgãos diretivos. Onde estão as Resoluções dos Conselhos Federal e Regionais que deveriam suprir as lacunas existentes e interpretar o que não está claro? Esquecem esses Órgãos que os atos normativos por eles baixados têm força de lei quando suprem ou interpretam os claros de uma lei maior?

Apesar de estarmos com uma legislação omissa e que, apesar de insuficiente, o pouco que existe, ainda á inadequado, não devemos, contudo, perder o ânimo de lutar pelo que de direito nos pertence.

Do quadro singelamente traçado, decorre que o reencontro do profissional de Biblioteconomia com seu mercado real de trabalho depende de mudanças estruturais, mais do que simples medidas corretivas da conjuntura.

Referências bibliográficas

1 BRASIL. Leis, decretos, etc. Lei 4808, de 30 de junho de 1962. Dispõe sobre a profissão de bibliotecário e regula o seu exercício. Diário Oficial, Brasília, 2 jul. 1962. Seção I, Parte 1.

2 BRASIL. Leis, decretos, etc. Decreto 56.725, de 16 de agosto de 1965. Regulamenta a Lei 4084, de 30 de junho de 1962 que dispõe sobre o exercício da profissão de bibliotecário. Diário Oficial, Brasília, 19 ago. 1965. Seção I, Parte 1.

3 BRASIL. Consultoria Geral da República. Parecer 382-H, de 18 de agosto de 1966. A Lei 4084/62, não tornou privativo dos bacharéis em Biblioteconomia as funções de direção dos serviços de documentação. É aconselhável, entretanto, o recrutamento entre aqueles que tenham a qualificação de que trata a referida Lei. Diário Oficial, Brasília, 8 set. 1966. Seção I, Parte 1. (Observação: este parecer foi aprovado pela Presidência da República, em 2 de setembro de 1966 e encaminhado ao DASP em 8 de setembro de 1966.)

4 CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Anteprojeto de reforma da Lei 4084 de 30 de junho de 1962. Brasília, 1978.

5 CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Resolução 131, de 21 de outubro de 1975. Interpretação e definição do campo de aplicação ao art. 3º. da Lei Federal 4084/62. Diário Oficial, Brasília, 21 nov. 1975. Seção I, Parte II, p. 4288.

6 CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO. Comissão de Legislação e Normas. Parecer de 18 de agosto de 1971. Exigência de bibliotecário profissional para as bibliotecas dos estabelecimentos de ensino.

7 CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO. Indicação 20, de 8 de outubro de 1968. Constituição das bibliotecas nos processos de autorização e reconhecimento de escolas superiores ou de universidades. FEBAB. Boletim. São Paulo, 19 (5/6) : 58-63, maio/jun. 1969.

8 DIREÇÃO de biblioteca. Diário Popular, São Paulo, 16 abr. 1979.

9 DURO, Yvette Zietlow. Dimensão atual da biblioteca infanto-juvenil. Rev. Bras. de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, 12 (3/4) : 211-222, jul./dez. 1979.

10 ESCOLAS sem bibliotecas. O Estado de São Paulo, 4 out. 1981.

11 FEDERAÇÃO INTERNACIONAL de ASSOCIAÇÕES de BIBLIOTECÁRIOS. Seção de Bibliotecas Públicas. Normas para bibliotecas públicas; trad. de Antônio Agenor Briquet de Lemos. São Paulo, Quirón, Brasília, INL, 1976.

12 FIGUEIREDO, Nice. Serviços oferecidos por bibliotecas especializadas: uma revisão da literatura. Rev. Bras. de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, 11 (3/4) : 155-168, jul./dez. 1978.

13 GUSMÃO, Paulo Dourado. Introdução à Ciência do Direito. São Paulo, Forense, 1976.

14 LACERDA, Paulo Rubens de Moraes. Parecer s.n., de 21 de abril de 1975. Bibliotecário – Exercício regular da profissão – A regra de exceção contida no art. 3º. da Lei Federal 4081/62: como interpretá-la e definir seu campo de aplicação. (Observação: não foi publicado. Este parecer foi oferecido ao CFB e uma vez aprovado pelo Plenário do Conselho foi transformado na Resolução CFB-131/75).

15 MIRANDA, Antonio. Informação na empresa: o papel da biblioteca. Rev. Bras. de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, 12 (1/2) : 67-88, jan./jun. 1979.

16 OLIVEIRA, Tereza da Silva Freitas. A biblioteca escolar no regimento comum das escolas estaduais de 1º. grau. Diário Oficial do Estado, São Paulo, 24 mai. 1978.

17 SÃO PAULO (Estado). Leis, decretos, etc. Decreto 10.623, de 26 de outubro de 1977. Aprova o Regimento comum das escolas estaduais de 1º. grau. Diário Oficial do Estado, São Paulo, 27 out. 1977.

18 SÃO PAULO (Estado). Leis, decretos, etc. Decreto 11.625, de 23 de maio de 1978. Aprova o Regimento comum das escolas estaduais de 2º. Grau. Diário Oficial do Estado, São Paulo, 24 mai. 1978.

19 SÃO PAULO (Estado). Leis, decretos, etc. Decreto 5.771, de 4 de março de 1975. Fixa a estrutura básica das escolas de 1º. e 2º. graus e regulamenta os artigos 11, 12 e 13 da Lei Complementar 114, de 13 de novembro de 1974. Diário Oficial do Estado, São Paulo, 5 mar. 1975

Original: ATIENZA, Cecília Andreotti. A legislação sobre bibliotecas no Brasil. Palavra-chave, São Paulo, n.1, p.15-18, 1982.

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