terça-feira, 25 de agosto de 2015

Política de Desenvolvimento de Coleção

Pensando em compartilhar experiências com as bibliotecas integrantes do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SisEB), um grupo de bibliotecárias se reuniu para elaborar esta apostila, sistematizando alguns conceitos relativos ao tema, abordando e informando as boas práticas já realizadas. Aqui, encontra-se a missão da biblioteca pública, o conceito e os objetivos da política de desenvolvimento de coleções, além dos critérios de seleção, fontes de informação que podem ser utilizadas e a diferença das formas de aquisição: compra, doação e permuta. Neste documento estão mencionados critérios e benefícios, e quem deve fazer o desbaste e/ou descarte dos títulos que não atendem à comunidade, assim como recomendações para que a biblioteca obtenha amparo legal para sua política. Por fim, está esclarecida a diferença entre preservação, conservação e restauração, e quais as características principais para a identificação de obras raras. Nos documentos anexos, encontra-se, na íntegra, a Política de Desenvolvimento de Coleções da Biblioteca de São Paulo, para servir como exemplo, um decreto de regulamentação de descarte de material bibliográfico e uma lei que cria um “banco de livros” para captação de doação. Política de Desenvolvimento de Coleção cadernos de práticas do siseb Espera-se contribuir para a reflexão e necessidade de implantação e manutenção de uma Politica de Desenvolvimento de Coleções em bibliotecas. Material elaborado em 2013 para apoiar a oficina realizada na Biblioteca de São Paulo, dinamizada por Adriana Cybele Ferrari, Luciana Marques Silva e Sueli Regina Marcondes Motta, com a colaboração de Ligia Consuelo Araújo e Sueli Pereira de Castro. Política de Desenvolvimento de Coleção cadernos de práticas do siseb Apresentação A oficina foi pensada para auxiliar os profissionais que atuam nas bibliotecas integrantes do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB), que têm apresentado à coordenação da Unidade de Bibliotecas e Leitura, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, seus questionamentos a respeito do tema. Sabemos que a gestão das coleções é bastante complexa e que muitos fatores devem ser analisados e dimensionados para que a biblioteca possa ter uma coleção afinada que atenda sua comunidade. Pensando nisto, optamos por sistematizar alguns conceitos relativos ao tema, bem como identificar boas práticas realizadas pelas bibliotecas que possam ser compartilhadas pelo conjunto do SisEB.

“A biblioteca pública é a porta de acesso local ao conhecimento – fornece as condições básicas para uma aprendizagem contínua, para uma tomada de decisão independente e para o desenvolvimento cultural dos indivíduos e dos grupos sociais.” Manifesto Ifla / Unesco “No cenário atual, a renovação do conhecimento cresce em um ritmo acelerado, causando para as  bibliotecas grande transtorno na manutenção da atualização do acervo, tornando indispensável a elaboração de políticas de desenvolvimento de coleções.” MIRANDA, 2007
É um conjunto de atividades que determina a convivência de se adquirir, manter ou descartar materiais bibliográficos e não bibliográficos, mediante critérios previamente estabelecidos, visando a formação, desenvolvimento e manutenção de um acervo de qualidade. A Ifla (Federação Internacional de Associação de Bibliotecas) recomenda a todas as bibliotecas públicas o estabelecimento, por escrito, de critérios de gestão das coleções e de políticas de seleção, que incluam aspectos relacionados à: Política de Desenvolvimento de Coleção cadernos de práticas do siseb 2 Desenvolvimento de coleções “A biblioteca pública é a porta de acesso local ao conhecimento – fornece as condições básicas para uma aprendizagem contínua, para uma tomada de decisão independente e para o desenvolvimento cultural dos indivíduos e dos grupos sociais.” Manifesto Ifla / Unesco “No cenário atual, a renovação do conhecimento cresce em um ritmo acelerado, causando para as bibliotecas grande transtorno na manutenção da atualização do acervo, tornando indispensável a elaboração de políticas de desenvolvimento de coleções.” MIRANDA, 2007

1 Missão da biblioteca pública • Incorporação de uma quantidade de documentos de acordo com o tamanho da comunidade atendida; • Acesso a recursos externos, tais como as bibliotecas de outras instituições, a internet, bases de dados eletrônicas e organiza ções locais, entre outros; • Elaboração de normas e critérios para o descarte de materiais – em diferentes formatos – que tenham perdido atualidade ou estejam em mal estado de conservação; • Elaboração para critérios para aceitação de doações e para seleção das doações recebidas; • Definição de normas de conservação e preservação das coleções. Política de Desenvolvimento de Coleção cadernos de práticas do siseb É importante ressaltar que vivemos um momento de reflexão sobre o papel das bibliotecas públicas brasileiras. Impõe-se às bibliotecas serem mais pró-ativas e estarem totalmente envolvidas com a comunidade que atendem. Ou seja, há todo um movimento de requalificação das bibliotecas, que tem sido chamado de “Biblioteca Viva”. É aquela que é protagonista na sua cidade, bairro ou região. Dentro desse conceito, o tamanho do acervo passa a ter um peso menor na avaliação da qualidade da biblioteca. O mais importante é a pertinência do acervo para a comunidade que se atende. Sabemos que não é possível atrair o público e sensibilizá-lo para a leitura se a biblioteca tiver estantes abarrotadas, com materiais amontoados e em mal estado de conservação. Uma biblioteca abarrotada de materiais com pouco ou nenhum uso pode produzir um efeito negativo entre as autoridades responsáveis, indicando que a aquisição de coleções não é prioritária, pois as estantes já estão cheias de livros. Por isso é muito importante identificar o limite e a capacidade de armazenamento de uma biblioteca. Assim é necessário ter um uso racional do espaço. A biblioteca que tem a preocupação com seu desenvolvimento conhece melhor seu acervo e tem possibilidade de atender melhor sua comunidade. “Conjunto de normas e diretrizes que buscam determinar ações
“Conjunto de normas e diretrizes que buscam determinar ações, descrever estratégias gerais, estabelecer instrumentos e delimitar critérios para facilitar a tomada de decisão na composição e no desenvolvimento de coleções, em sintonia com os objetivos da instituição, dos diferentes tipos de serviços de informação e dos usuários do sistema.” LIMA e FIGUEIREDO (1984) - citado por Miranda, 2007http://aprendersempre.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2014/08/1_cadernos-de-pratica_siseb_politica-de-desenvolvimento.pdf

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

7 erros de português que você nem sabia que estava cometendo

A língua portuguesa é cheia de detalhes. Mesmo para os falantes nativos do idioma, algumas regras de gramática podem confundir na hora de escrever. Ter um bom domínio do nosso idioma é essencial até mesmo para quem não trabalha como redator profissional. Afinal, um pequeno deslize no texto pode comprometer toda mensagem que você está querendo passar.
Pensando em ajudar você a deixar seus textos ainda melhores, fizemos uma compilação de alguns erros ortográficos e gramaticais que você talvez nem sabia que estava cometendo. Confira!

7 dos erros de português mais cometidos por redatores

1 – “Seja isso ou aquilo”

O termo “seja” não pode ser utilizado sozinho ou ligado a outra conjunção (como “ou”) em uma conjunção coordenativa alternativa. Traduzindo: sempre que utilizar “seja” para exemplificar alguma coisa, lembre-se de que é necessário duplicar o termo. Veja o exemplo.
Correto: Seja uma vez por semana, seja todos os dias, o importante é manter a frequência de publicações no seu blog.
Incorreto: Seja uma vez por semana ou todos os dias, o importante é manter a frequência de publicações no seu blog.

2 – Usar “onde” sem se referir a lugar

O pronome “onde” expressa a noção de lugar, portanto, é preciso tomar cuidado para não utilizá-lo em contextos diferentes. Quando não houver indicação de lugar, prefira utilizar “em que” ou “no qual” e suas variações.
Correto:  O conteúdo acompanha esse novo comportamento, em que empresas e consumidores estão em pé de igualdade, trocando informações e experiências.
Incorreto:  O conteúdo acompanha esse novo comportamento, onde empresas e consumidores estão em pé de igualdade, trocando informações e experiências.

3 – Mistura dos pronomes “tu” e “você”

Não é raro encontrar textos que misturam esses dois pronomes nas suas diferentes formas. Porém, é preciso escolher um deles e mantê-lo em todo o texto, sem alternância.  Ao utilizar “você”, evite as formas “te”, “teu” e demais variações do pronome “tu”. Para quem trabalha com produção de conteúdo para a web, o mais indicado é utilizar sempre a forma “você”, já que o “tu” traz uma ideia de regionalismo que não é adequada para textos que atingem um público geral.
Correto: Pensando em começar uma estratégia de marketing de conteúdo? Preparamos este post para tirar suas dúvidas e ajudar você a começar.
Incorreto: Pensando em começar uma estratégia de marketing de conteúdo? Preparamos este post para tirar suas dúvidas e te ajudar a começar.

4 – Mesmo

É muito comum encontrar a palavra “mesmo” sendo utilizada como pronome pessoal. Porém, apesar de a palavra poder ser usada de diversas formas, esta não é uma delas. O termo “mesmo” pode ser usado como pronome demonstrativo, substantivo ou adjetivo. Confira alguns exemplos:
Correto: Ao entrar em contato com o cliente, não espere que ele o responda em menos de 24 horas.
Incorreto: Ao entrar em contato com o cliente, não espere que o mesmo o responda em menos de 24 horas.
Outras possibilidades corretas de uso:
  • 70% do processo de compra acontece antes mesmo de o cliente entrar em contato com a empresa
  • Ao mesmo tempo que ter uma boa frequência de atualizações é importante, é preciso prestar atenção no conteúdo.
  • Mesmo que algumas pessoas não acessem o seu blog todos os dias, mantê-lo atualizado é a melhor forma de aumentar o número de visitantes.
  • O objetivo é atender aos mais diversos segmentos de mercado com omesmo nível de conhecimento em todas as áreas.

5 – “vir de encontro a” e “ir ao encontro de”

Estas duas expressões, por serem muito parecidas, costumam gerar bastante confusão, porém, seus significados são opostos. Por isso, é preciso ter cuidado: “ir de encontro a”  significa “ir contra algo”, “bater”, “colidir”, enquanto que “ir ao encontro de”  expressa acordo, concordância.
Exemplo de concordância: Os interesses profissionais de um redator web vão ao encontro dos do cliente que encomenda um conteúdo.
Exemplo de discordância: O texto redigido pelo redator foi de encontro à proposta de pauta do conteúdo.

6 – “Adéqua”

Apesar de ser muito usada, essa flexão do verbo “adequar” ainda não é aceita pela gramática da língua portuguesa. Portanto, enquanto não é feita uma nova reforma no nosso idioma que aceite a palavra, prefira utilizar a construção “não é adequado” ou algum sinônimo para que a qualidade do seu texto não caia.
Correto: Aquela sugestão de pauta não é adequada para a estratégia do cliente.
Incorreto: Aquela sugestão de pauta não se adéqua à estratégia do cliente.

7 – O verbo lembrar e suas variações

O verbo “lembrar” é cheio de peculiaridades que fazem com que seja fácil se confundir e cometer algum deslize. Isso acontece porque o verbo pode ser transitivo direto, transitivo indireto ou ainda transitivo direto e indireto ao mesmo tempo, o que significa que o complemento muda de acordo com a situação. Veja alguns exemplos:
Lembrar-se de: quando utilizar o verbo no sentido de “vir à memória”, sempre utilize o pronome adequado e a preposição “de”:
Exemplo: Lembre-se de que é necessário inserir um call to action no fim do texto!
Lembrar: quando o verbo “lembrar” for utilizado com o sentido de “ser parecido” não exige preposição.
Exemplo: O estilo de escrita do redator lembra os textos de Machado de Assis.
Lembrar: no sentido de “informar” ou “advertir” alguém, o verbo pede um pronome oblíquo e a preposição “de”:
Exemplo: O redator recebeu um e-mail lembrando-o de finalizar o conteúdo.
Nunca saberemos tudo que há para saber sobre um idioma, afinal, a língua é viva e está em constante transformação. Porém, um bom redator está sempre tentando ser a melhor versão de si mesmo e a forma mais eficaz de lidar comproblemas linguísticos e adquirir conhecimento é lendo, estudando e buscando tanto se aprofundar no que sabe quanto conhecer novos assuntos.
Luisa Wink - Writer experience

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

REVENDO AS LEIS DA BIBLIOTECA SEGUNDO AS LEIS DE MURPHY

Fernando Modesto)

Apesar da Biblioteca possuir  6 livros sobre um mesmo assunto, os professores irão sempre indicar umúnico livro para o mesmo tópico ao mesmo tempo aos seus alunos.

orçamento estabelecido pela Organização é sempre inversamente proporcional às necessidadesorçamentárias da Biblioteca.

É  a biblioteca implantar um sistema simples para descobrir que todos os seus usuários tornaram-segênios de repente.  

Um livro "perdido" no acervo permanecerá desaparecido até a sua substituição quando o bibliotecário for ordenar a prateleira para colocar o novo exemplar na estante.  

Livros permanecerão verticais na estante até que se coloque outro livro ao lado deles.  

Você finalmente revisou o catálogo de fichas após colocá-lo em ordem durante um ano e descobre uma semana depois a necessidade de realizar uma nova revisão completa.

Quando o professor recomenda um livro da biblioteca para seu aluno, pode ter certeza que foi indicada a única cópia que ele mesmo emprestou e encontra-se com um amigo em viagem ao Peru.

Os estudantes sempre pedem um artigo de 400 palavras para elaborarem um texto de 500 palavras.

Mude com frequência a bibliotecaIsto lhe permite colocar a culpa em seu antecessor para qualquercoisa que estiver errado.

Elaborar 17 cabeçalhos de assunto para um livro e na hora da busca descobrir que deveria terelaborado 18.

Se um professor, antecipadamente, discutir com você uma visita à biblioteca, é quase certo que eleestará ausente nos dias programados, o seu substituto não poderá realizar a visita, e quando oprofessor retornar não poderá fazer a visita porque tem que compensar tempo perdido.

A única vez no mês em que você tira 5 minutos para ler a revista Playboy é justamente quando seuchefe entra na biblioteca.  

Lei do Serviço de Aquisição na Biblioteca: Se for um livro bom, está em falta. Se for um livroexcelente, está esgotado.  

Não importa quantos livros você tenha sobre um determinado assunto o estudante sempre irá pensarque ele é muito grande.

A "super" síndrome da inutilidade dos serviços de informação. As bibliotecas sempre estão vazias quando: o presidente da empresa, o prefeito, o governador, o secretário, o diretor da escola ousuperintendente qualquer vêm visitá-la.  

Se a biblioteca tem um sistema que funciona deve estar fazendo tudo errado.

Quando você gasta metade do orçamento da biblioteca para atender ao pedido de um professor paraum curso ou uma pesquisacertamente o professor deixará a escola ou sairá para uma pós-graduação, e o curso será cancelado ou a pesquisa será mudada.

Não importa por quanto tempo você guarde um artigo ou uma informação que nunca precisou. Ela fará falta um dia após tê-la jogado fora.

Se você perdeu uma publicação sobre determinado assunto haverá 35 usuários que irão solicitarexatamente aquele assunto da revista.  

Os livros não estão perdidos exceto esses que são os mais procurados e os mais difíceis de serem substituídos.

Todo bibliotecário deveria ter um auxiliar em tempo integralisto lhe permitiria pôr a culpa emalguém.  

Se tudo está bom para você provavelmente está na biblioteca errada.  

Quando você cataloga novamente um livro para corrigir um erro, está criando sete novos problemasautomaticamente.

Se você fecha a biblioteca  3 dias antes do final do ano para realizar o inventário, é fato que osprofessores irão lhe pedir para realizarem pesquisa na biblioteca justamente nesses dias.

Os livros mais finos têm os números de classificação mais longos.

Fonte:
IFLANET Library Humour: REVEYRAND'S LIBRARY LAWS
(with apologies to Murphy)
Disponível emhttp://www.ifla.org/I/humour/humour.htm.Acesso em: 12/12/2005.
(Livre adaptação e tradução de Fernando Modesto)
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PRÁTICA PROFISSIONAL E ÉTICA: dez atitudes questionáveis do bibliotecário brasileiro registrado nos Conselhos de Biblioteconomia.

Francisco das Chagas de Souza

Continuo nesta coluna, a discussão iniciada na edição do mês de novembro de 2014. Nela falei de medos que corroem a autoestima do bibliotecário. Para muitos, creio que aquelas observações soaram como algo abstrato. Nesta edição trato de algo mais palpável: as atitudes e posturas provocadas pelos medos que os bibliotecários brasileiros registrados nos Conselhos de Biblioteconomia assumem, sem aparente crítica.

Medos determinam posturas e atitudes. As podem ser expressas como parte de um esforço de superação ou de conformação e, por isso, no caso da segunda postura, isto é, de conformação, dá-se a confirmação de um estado de quase inércia.

Há em parte dos bibliotecários brasileiros alguma atitude e consequente postura de superação limitada às questões técnicas. Mas mesmo isso, infelizmente,  não ocorre com a grande maioria. Os que fazem esse esforço creem e procuram demonstrar que muito sabem aplicar de mais técnicas e suas inovações. Mas, cada vez mais, isso termina por confirmar o estado de conformação ao quadro de exclusão política, que afasta as minorias sociais do maior e melhor acesso à informação e ao conhecimento, quando mediado pela atuação do bibliotecário registrado nos Conselhos de Biblioteconomia. Com isso, pelo seu autoengano, esses bibliotecários terminarão por fortalecer o movimento que procura compensar sua ausência ou substituí-lo em ações relacionadas à atuação em bibliotecas públicas e em bibliotecas escolares.

Sem a expectativa de deter a verdade da maioria, tenho as minhas impressões, que decorrem de minhas leituras contextuais, circunscritas à atuação como docente e pesquisador, nas áreas de Biblioteconomia, Educação e Ciência da Informação. Assim, construí este texto a partir de uma relação composta por dez itens listados abaixo. Ela não está dada segundo uma ordem de prioridade, mas decorre da lembrança que fui explorando, decorrente de minhas observações assistematicamente construídas.

Atitude 1 – Dirigir as bibliotecas, ou entidades com nomes similares, de forma amadora.

Os bibliotecários registrados nos Conselhos de Biblioteconomia são tidos como pessoas que durante 3,5 a 4 anos se submeteram a um processo de formação universitária, pelo qual deveriam ter assimilado dentre as técnicas ensinadas, as de gestão de bibliotecas. A justificativa para a oferta dos conteúdos pertinentes a esse domínio nos currículos de Biblioteconomia é de que esse conhecimento será fundamental para um trabalho que terá por base a organização dessas unidades de serviço. No mínimo, cada biblioteca, independentemente de seu porte, deveria ter como base um projeto  em que estivessem explicitas políticas e planos de ação. Para muitos, a política mais básica seria a Política de Formação e Desenvolvimento de Coleções, construída com a participação dos usuários e mantenedores ou dos representantes desses últimos, e aprovada em instância legitimadora da política e de suas estratégias de execução. Convencionalmente, o que se vê na atuação da grande maioria dos bibliotecários brasileiros registrados não confirma essa forma de agir. Do modo como a maioria dos bibliotecários atua, para a população e para os usuários, que diferença faz entre sua presença ou a de qualquer outra pessoa como dirigente de biblioteca?

Atitude 2 –  Aplicar multa pecuniária na biblioteca.

Um especialista que lida com pessoas está supostamente preparado para adotar estratégias que progressivamente possam levar a maioria dessas pessoas a se autopoliciar na contenção de suas pulsões antissociais. No caso de uma biblioteca coletiva, pública estatal, por exemplo, pode-se perceber que há o imperativo de que todos os membros da comunidade que a utilizam ou possam utilizá-la a enxerguem como pertencimento comum. Entretanto, ao ser pertencimento comum, pode ser necessária a adoção de um regulamento ou de regras mais pontuais para a circulação do material, por exemplo. Quem decidirá qual é o conteúdo desse regulamento ou quais são as regras? Em geral, os bibliotecários, especialmente os formados nos cursos universitários do Brasil, têm como dogma que a multa pecuniária na biblioteca é a única ou a melhor forma. Alguns argumentam que ela serve como instrumento  educativo, ou que é uma forma de correção moral, ou que é um instrumento que evita a repetição e que pune uma “ação criminosa”, pois teimam em ver o atraso na devolução da obra com essa característica. Há exagero nesse dogma, embora o atraso na devolução de materiais, por exemplo, possa ser em si e a depender das circunstâncias reprovável, nem sempre sua condenação de forma cega produz equilíbrio entre o retorno da obra à coleção e seu imediato empréstimo. Não são poucos os casos em que atingido o prazo de devolução não há a reivindicação da obra por um terceiro leitor. Em casos em que não há um beneficiário direto do retorno da obra à coleção, esta atitude tirânica de aplicar a extorsão financeira sobre o usuário em atraso não pode ser tida somente como um mero dogma profissional. Não é um dogma profissional, mas uma insensível forma de manifestação de poder, atitude que, provavelmente, para o bem da profissão não deveria ser afirmada como regra predominante pelo bibliotecário. Sendo, portanto, uma tirania contra “os proprietários” da coleção poderia ser afirmada como uma operação de cunho meramente técnico? Ou, por fim, representaria o completo desconhecimento de parte do bibliotecário da comunidade usuária a que atende, e que por isso crê que o melhor relacionamento seria tratá-la como manada, sob o seu chicote? No fundo da questão, o controle do fluxo de uso da coleção tem relação direta com a negociação que deverá envolver os “proprietários” da coleção, que são inclusive os garantidores do emprego do bibliotecário, e este bibliotecário. Os “proprietários” da coleção teriam momentos para coletivamente instituir a melhor maneira de aumentar o benefício que o uso da coleção poderia proporcionar à comunidade. Um primeiro momento se daria quando da implantação da biblioteca, já em sua primeira etapa do projeto institucional. Dentre todas as decisões a tomar, uma das primeiras é sobre a coleção, conteúdo e uso. Depois viriam outras, dentro de uma proposta de avaliação continua. Essa outra forma de ação, de trabalho realmente conjunto com a comunidade, e vale para todos os tipos de biblioteca, certamente, tiraria o chicote da mão do bibliotecário, que poderia assumir uma atitude de conciliador. Felizmente, já há algumas aceitáveis experiências em bibliotecas universitárias de substituir essa violência da multa pecuniária por outras formas de contenção de pulsões antissociais no uso das coleções que promovem o empréstimo domiciliar.

Atitude 3 – Sustentar a ideia da unicidade da bibliotecária.
           
Há no Brasil, desde quando algum(a) santo(a) bibliotecário(a) intuiu, defendeu e fez valer a ideia de que os vários tipos de bibliotecas, isto é, de comunidades usuárias de coleções de conhecimentos, precisam de um mesmo profissional, formado com o mesmo currículo mínimo e centrado em técnicas de descrição de forma e conteúdo de materiais impressos ou similares. Cada vez mais fica evidente que o bacharelado em Biblioteconomia no Brasil, ainda sustentado por uma ideologia da neutralidade ou do distanciamento social, dado pelo domínio técnico ordenador de coleções, caducou. A experiência social brasileira hoje corresponde, ao ter retomado nos últimos anos certa força da base social, àquela que havia na Europa e Estados Unidos da América da terceira ou quarta décadas do século XX. Essa experiência apontava para a impossibilidade de alguém ser e sustentar-se como bibliotecário apenas com o domínio de técnicas de gestão de coleções. Ser bibliotecário é ser gestor de demandas de pessoas que buscam o conhecimento. Assim, para ser um bibliotecário, de fato, é necessário que a pessoa que escolhe essa profissão tenha em sua formação um bom acervo de conhecimento e, portanto, de formação em história, sociologia e psicologia, como base. Essa foi a ideia exposta por Pierce Butler na década de 1930 nos Estados Unidos da América e lá aceita. O Brasil hoje está em estágio similar. Para ser bibliotecário, e saber ser bibliotecário, precisamos urgentemente de milhares de mestres em Biblioteconomia ou de milhares de bacharéis em Biblioteconomia com mestrado em diversos campos. 

Atitude 4 – Enxergar o usuário, ou leitor, ou consulente como inimigo de seu trabalho ou da biblioteca.

Parece cada vez mais comum, em parte por conta das atitudes predominantes entre os bibliotecários, entre os quais há um grande número de mentes estreitas do ponto de vista social e moral, que tenhamos bibliotecários que se sentem mais confortáveis quando atuam majoritariamente nas funções de catalogadores, classificadores, indexadores e preenchedores de planilhas. Na condição de verem a biblioteca como a coleção de materiais, quaisquer demandas que os retirem das tarefas mencionadas são consideradas como tempo morto, sobretudo aquelas em que o usuário, ou leitor, ou consulente precisa de um ouvido e de atenção para falar de algo. Essa parte da missão profissional quando requerida dificulta a comprovação de trabalho feito. Por produzir baixa estatística de preparo, circulação ou uso da coleção cairá na categoria de trabalho morto, por isso não interessa. Como preferência, grande parte dos bibliotecários roga aos seus deuses, que não venham os usuários como leitores ou consulentes, isto é, como pessoas. Melhor ainda que eles se satisfaçam com trabalho a distância, isto é, sejam apenas usuários.

Atitude 5 –  Considerar a biblioteca como sendo um “lugar” e esse “lugar” tendo a coleção como foco central.

Ainda parece ser ideia predominante entre os bibliotecários aquela que associa biblioteca com o edifício sede onde está instalada uma equipe profissional, que trabalha sob um projeto de promoção do relacionamento entre a memória histórica, artística, filosófica, científica e social da humanidade e a geração atual de indivíduos que busca esses conhecimentos com a finalidade de existir e ser. Ora, a biblioteca é a expressão desse relacionamento; sendo assim a biblioteca não se reduz ao prédio onde estão sediadas equipes profissionais e os materiais. Em sendo relacionamento interpessoal a biblioteca é movimento. Grande número de papagaios de Ranganathan não percebeu ainda que as famosas cinco ideias nucleares da prática bibliotecária (por que chamá-las de leis?) desfoca a ideia de prédio. O que impede o bibliotecário brasileiro de rever essa ideia? É o sentido de “sem teto” e “sem chão”, que faz parte do nosso pensamento miserável?

Atitude 6 –  Considerar o usuário como ignorante em relação à biblioteca ao vê-lo valorizá-la mais como um organismo vivo e em movimento.

Em função de que o mundo vivido é um monstro de contradições, em função de que cada um de nós é fonte e usuário dessas contradições, sabemos que para a grande maioria dos usuários a biblioteca é mais movimento que “lugar”. Para eles importa mais o acesso à informação sob quaisquer formatos que o prédio da biblioteca; porém, ao mesmo tempo, parte deles quando toma a iniciativa de criar suas bibliotecas comunitárias tende a pensar no prédio, mas com um relevante detalhe: esse prédio é a sede dinamizadora da comunidade; é parte do movimento. Essa sede não é, necessariamente, um armazém de materiais. Vê-se nitidamente o contraste de ideias, quando, por acaso, voluntariamente, um bibliotecário formado em Biblioteconomia, se oferece para colaborar neste tipo de empreendimento. Ao tentar reduzir a ideia de biblioteca a uma coleção organizada ou desmonta a dinâmica social do trabalho em realização ou muda a si mesmo. Se optar pela segunda vertente, sufocando a sua ideologia redutora do que é uma biblioteca, ele começa a superar essa atitude, isto é, de se considerar o dono da iluminação bibliotecária. Quantos suportarão isso?

Atitude 7 – Propagar a eterna defasagem do currículo acadêmico adotado pelo sistema universitário para a formação de bibliotecário.

Essa atitude é um defeito social largamente praticado por grande parte dos bibliotecários brasileiros. Tem duas fontes: primeira, vem de sua formação como mero bacharel técnico, desprezando que o Brasil das últimas décadas exige outro tipo de formação bibliotecária, que não é uma simples modificação ou atualização curricular. Exige algo parecido com o que expus como comentário da atitude 3 acima, ou seja, precisa de mestres em Biblioteconomia, vindos de quaisquer áreas de bacharelado ou licenciatura e de mestres em quaisquer áreas que tenham bacharelado em Biblioteconomia; segunda, vem da ausência da competência política para o engajamento em movimento associativo, a partir do qual, possa realizar a avaliação continua da formação de bibliotecários e, com isso, permanentemente assessorar a formação bibliotecária com a proposição clara e oferta de conteúdos e com a disposição consciente de complementar a formação universitária com a oferta honesta de estágios de aprendizagem para os formandos.

Atitude 8 – Defender exaustivamente a ideia de que sem bibliotecário registrado nos Conselhos Profissionais a biblioteca não é biblioteca.

Essa atitude é também um defeito na inserção social do bibliotecário. Está correlacionada ou confirma o modelo de submissão representado pela existência do Conselho Profissional, imperiosamente instituído através de uma Lei que, para Edson Neri da Fonseca (citado à página 176 do Livro de César Castro, História da Biblioteconomia no Brasil, Ed. Thesaurus, 2000), “não protegia o bem comum e sim a classe bibliotecária, instituindo mais um corporativismo dentro do serviço público”.

Atitude 9 – Pleitear o discurso da ética enquanto desprestigia as suas Associações Bibliotecárias.

Esta atitude é tão visível, que não requer comentário longo. Para compreendê-la é bastante o bibliotecário brasileiro olhar para o lado e ver o que faz das e com as Associações profissionais de bibliotecários. Elas são, historicamente, por sua constituição como ente voluntário e sustentado pelo coletivo dos profissionais, os meios para a legitimação profissional. Em sendo assim, dependem ‒ para existir, atuar e de fato defender a excelência do conhecimento profissional ‒ da sustentação financeira, do envolvimento de bibliotecários com a gestão corrente, com a captação de fontes de financiamento para seus cursos e suas publicações, da publicização e da concertação política com as fontes de poder econômico e político presentes na sociedade. Esse perfil que em âmbito internacional não é somente idealização ainda é no Brasil uma quase abstração. Em sendo assim, nesse aspecto, falta uma boa prática ao bibliotecário brasileiro; isto é, a prática da ética, com foco na beneficência.

Atitude 10 – Estar indisposto para fazer e receber crítica às suas práticas profissionais.

Esta atitude, em geral, se manifesta na reação de grande parte dos bibliotecários de negar valor aos comentários e observações dos poucos que se aventuram a fazer essa crítica. Mas esses, por sua crítica, em geral, estão tentando contribuir para que surja um sentimento de incomodação na maioria, de forma a potencialmente levá-los ao esforço de superação de suas deploráveis atitudes. Há um vício generalizado entre os bibliotecários em torno do entendimento de que existe boa crítica e má crítica. Por isso, há a leitura predominante de que a boa crítica é sinônimo de elogio e a má crítica ao não ser elogio, mas a síntese de uma análise consciente, ser sinônimo de ofensa. Essa indisposição em receber a crítica cria e reforça a indisposição para fazê-la, na medida em que fazer a crítica torna o seu autor não alguém a ser visto como um colaborador do progresso profissional, mas um inimigo pessoal. Como superar esse círculo vicioso?

Concluindo, este texto corresponde ao 72º que apresento nesta Coluna: Prática Profissional e Ética. Nestes sete anos de exposição de ideias, motivado pelo duplo interesse em refletir sobre prática e sobre a ética profissionais pude contar com a aceitação do Professor Oswaldo Almeida Junior em abrir este espaço para que essas ideias fossem divulgadas. Também pude contar com leitores que, silenciosos ou travando interlocução, questionando alguns pontos de vista expostos ou até elogiando a exposição de algumas dessas ideias, mantiveram-me convicto de que valia o esforço em levantá-las. Evidentemente, não houve qualquer outro propósito senão o de exercer uma das relevantes posturas profissionais e éticas do bibliotecário que é o de avaliar permanentemente a sua ação como membro de uma categoria profissional. Fiz isso com a certeza de que era parte do meu trabalho acadêmico. Tendo em vista que estou com processo de aposentadoria em tramitação na UFSC, esperando entrar em inatividade profissional a partir do final de fevereiro de 2015, quero aqui me despedir desta coluna.

A coluna Prática Profissional e Ética, entretanto, continuará em atividade, com o concurso da Professora Ana Cláudia Perpétuo de Oliveira da Silva. Ela, com certeza, elegerá focos a partir dos quais difundirá suas ideias sobre a temática a envolver profissão e ética. A ela desejo o melhor sucesso.

A todos que, direta ou indiretamente, tiveram conhecimento da Coluna e que, por meio dela, comigo interagiram os meus agradecimentos.

Ao Professor Oswaldo Almeida Júnior os meus melhores votos de continuo sucesso.

Felicíssimo Natal a todos e um 2015 só de coisas boas!

 Sobre Francisco das Chagas de Souza
Docente nos Cursos: de Graduação em Biblioteconomia; Arquivologia; Mestrado e Doutorado em Ciência da Informação da UFSC; Coordenador do Grupo de Pesquisa: Informação, Tecnologia e Sociedade e do NIPEEB
Francisco das Chagas de Souza


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Profissional da informação como produtor de conhecimento -

Posted on July 22, 2015 by portaldobibliotecario


Muitas competências profissionais e pessoais são necessárias para que o profissional da informação atue com eficiência na contemporaneidade. A criatividade, por exemplo, é um dos atributos indispensáveis ao profissional da informação, uma vez que o mesmo deverá se alicerçar na originalidade, criticidade, flexibilidade e sensibilidade, para buscar novas soluções para enfrentar velhos problemas - See more at: http://portaldobibliotecario.com/2015/07/22/profissional-da-informacao-como-produtor-de-conhecimento/#sthash.ifLgPTen.dpuf
Além do domínio dos conteúdos inerentes à área, o profissional deve estar preparado para enfrentar com proficiência e criatividade os problemas de sua prática profissional, produzir e difundir conhecimentos, como também refletir criticamente sobre a realidade que o envolve.
Na atualidade, o profissional necessita ser reflexivo e deve ponderar sobre sua prática pois, caso tenha à sua frente um novo problema ele possa, por meio das experiências anteriores, ser criativo para resolvê-lo, compreendendo e modificando a realidade.
A importância da prática da pesquisa científica para a atuação profissional
O profissional de hoje necessita saber pensar estrategicamente, com criatividade, e ter capacidade de tomar decisões. Ele também necessita saber pensar e aprender a aprender. Consequentemente, o ensino superior é considerado a base para a formação de profissionais, e por que não dizer cidadãos, pois têm como missão principal ajudar no desenvolvimento sustentável do país.
No processo educativo “aprender a aprender”, considera-se a prática da pesquisa científica como um princípio pedagógico, o qual proporciona a ação/reflexão dos alunos perante osconhecimentos aprendidos. Essa concepção tem como base desenvolver atitudes analíticas, reflexivas, questionadoras e problematizadoras em que o ponto de partida são as próprias observações, que, por sua vez, levam a se indagar sobre o conhecimento e a realidade
A educação e a pesquisa caminham em conformidade, pois se obtém a educação por meio da pesquisa e não o contrário, primeiro a pesquisa e depois a educação ou vice-versa. A diferença principal da educação por meio da pesquisa está no critério do “questionamento reconstrutivo”, em que tal aspecto seja um ato natural ao aluno cidadão, nas diferentes instâncias da sociedade e fases de sua vida. O ensino/aprendizagem por meio da pesquisa, deve ser inserida na escola, nos primeiros anos da educação infantil, e se estender naturalmente ao ensino superior e ao ambiente profissional.
Pode-se dizer que quanto mais cedo o aluno for posto em contato com o aprendizado, que valorize a investigação, mais se aguçará sua percepção das contradições e antagonismos tecidos no contato real e social. Isso o fará (re)ler e interpretar os fatos de forma crítica e, consequentemente, estimulará atitudes inovadoras frente a desafios e problemas.
No que restringe à Biblioteconomia e a Ciência da Informação, pode-se inferir que o desenvolvimento de pesquisas na graduação contribuirá para a prática profissional de forma efetiva, tendo em vista que esses profissionais trabalham diretamente com fluxos informacionais que percorrem a criação, a publicação e a disseminação da informação. É necessário formar “gestores da informação”, que saibam trabalhar a informação enquanto “objeto de atuação” e “objeto de pesquisa”. Busca-se, assim, preparar os profissionais da informação, por meio da pesquisa em suas diferentes facetas, para desenvolverem atividades de trabalho com proficiência e criatividade, além de proporem e solucionarem problemáticas advindas do cotidiano, contribuindo, por conseguinte, para o avanço dos estudos da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação.
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As virtudes dos bibliotecários

Posted on July 15, 2015 by portaldobibliotecario

Perto dos 50 anos de profissão regulamentada é importante refletir sobre nosso trabalho. Como melhorar? Como evoluir? Vejo muitas discussões sobre mudanças, leis e empregos. Acho tudo isso muito válido, mas considero a auto avaliação um tópico tão importante quanto esses outros citados.
Recentemente saiu um estudo muito interessante sobre os resultados de uma pesquisa-ação desenvolvida com a participação de alunos de três turmas da disciplina Ética da Informação no Curso de Bacharelado em Biblioteconomia da Universidade Federal da Paraíba sobre as virtudes dos bibliotecários.
O estudo segue uma metodologia científica e chegou ao seguinte resultado:
Coragem para enfrentar os poderosos que ao longo da história pilham e destroem bibliotecas, preservando os suportes do conhecimento registrado das gerações anteriores para as gerações futuras.
Justiça, para pesar, medir e atender a necessidade de cada usuário, e o tempo certo para trazer novamente à luz os tesouros do conhecimento antigo.
Tolerância, para atender aos que vociferam que precisam de informação, mas ainda não sabem como pedir e muitas vezes desconhecem sua própria necessidade.
Humildade, para atuar em rede e compartilhar as fontes de informação, de modo a facilitar a transmissão do conhecimento para aqueles que dele necessitam, na sociedade.
Humor, pois o sentido da existência é viver bem, ou para o Bem, e alegrar-se por exercer uma profissão onde é possível transmutar a incerteza da busca na satisfação de recuperar a informação relevante para um usuário.
Amor, pois para os seres humanos tudo começa e termina com esta virtude central, que nos vincula à natureza, aos outros seres humanos e à nossa ação na sociedade – no presente caso, ao exercício virtuoso da profissão bibliotecária.
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Conheça os 12 livros mais vendidos da história

Carlos Willian Leite - Revista Bula - 27/07/2015

Em 2012 a Revista Bula publicou o primeiro levantamento sobre os dez livros literários mais vendidos da história, em 2015 repetimos o levantamento utilizando os mesmos critérios do levantamento anterior — pouco se alterou em relação ao resultado de três anos antes: apenas a inversão na ordem de alguns dos livros mais vendidos e a inclusão de dois novos títulos à lista. A metodologia para se chegar ao resultado foi a mesma utilizada em 2012: consultamos reportagens, entidades editoriais, empresas de pesquisas de mercado e publicações especializadas. Livros religiosos, políticos, educacionais e de curiosidades como: “Bíblia Sagrada”, “Iluminatti: Sociedade Secreta”, “Corão”, “Dicionário Xinhua Zidian”, “A Arte da Guerra” e “Livro Guiness dos Recordes” não foram contabilizados, apenas livros literários.

Participaram do levantamento as publicações: “The Paris Review”, “Washington Post”, “Open Culture”, “The Guardian”, “Telegraph”, “Toronto Star”, “New York Times”, “Global Times”, “Financial Times”; as entidades editoriais International Publishers Association (IPA), European and International Booksellers Federation (EIBF) e International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA); e as empresas de auditagem e pesquisas de mercado Nielsen e a GfK.

Os livros, “Cinquenta Tons de Cinza” e “O Senhor dos Anéis”, apesar de terem sido publicados em mais de um volume — foram considerados como um livro único — porque, originalmente, seus autores os conceberam como obra única, diferentemente da série Harry Potter.

Embora não exista concordância sobre os números exatos do mercado de livros ao longo dos séculos, os levantamentos das publicações, instituições e empresas mencionadas, parecem ser o que mais se aproximam do consenso editorial.

1 — Harry Potter e a Pedra Filosofal
(J.K. Rowling)
Publicado em 1997, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” é o primeiro volume da série Harry Potter, da britânica J. K. Rowling. O livro narra a história de um garoto órfão que vive infeliz com seus tios. Até que, repentinamente, ele recebe uma carta contendo um convite para ingressar em uma famosa escola especializada em formar jovens bruxos. Estima-se que tenha vendido entre 850 e 950 milhões de cópias.

Dom-Quixote

2 — Dom Quixote
(Miguel de Cervantes)
Publicado em Madrid em 1605, “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, é composto de 126 capítulos, divididos em duas partes. O livro narra a história de Dom Quixote de La Mancha, um cavaleiro errante que perdeu a razão e, junto com seu fiel escudeiro Sancho Pança, vive lutas imaginárias. Estima-se que tenha vendido entre 600 e 630 milhões de cópias.

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3 — O Conde de Monte Cristo
(Alexandre Dumas)
Publicado em 1844, “O Conde de Monte Cristo é, juntamente com “Os Três Mosqueteiros”, a obra mais conhecida de Alexandre Dumas e uma das mais celebradas da literatura universal. O livro narra a história de um marinheiro que foi preso injustamente. Quando escapa da prisão, e toma posse de uma misteriosa fortuna e arma uma plano para vingar-se daqueles que o prenderam. Estima-se que tenha vendido entre 300 e 350 milhões de cópias.

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4 — Um Conto de Duas Cidades
(Charles Dickens)
Publicado em 1859, “Um Conto de Duas Cidades”, de Charles Dickens, é um romance histórico que trata de temas como culpa, vergonha e retribuição. O livro cobre o período entre 1775 e 1793, da independência americana até a Revolução Francesa. Dickens evita o posicionamento político, centrando a narrativa nas observações de cunho social. Estima-se que tenha vendido entre 280 e 300 milhões de cópias.

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5 — O Pequeno Príncipe
(Antoine de Saint-Exupéry)
Publicado em 1943, “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, é uma das obras mais traduzidas da história. Por meio de uma narrativa poética, o livro busca apresentar uma visão diferente de mundo, levando o leitor a mergulhar no próprio inconsciente. Estima-se que tenha vendido entre 250 e 270 milhões de cópias.

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6 — O Senhor dos Anéis
(J.R.R. Tolkien)
Publicado em três volumes entre 1954 e 1955, “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, é um romance de fantasia que ocorre em um tempo e espaço imaginários. A história narra o conflito entre raças para evitar que um anel poderoso volte às mãos de seu criador, o senhor do escuro. Estima-se que tenha vendido 230 e 250 milhões de cópias.

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7 — O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa
(C.S. Lewis)
Publicado em 1950, “O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa” é um romance infantil do escritor britânico C.S. Lewis. O livro narra a história de quatro irmãos que vivem na Inglaterra durante a 2ª Guerra Mundial. Em uma de suas brincadeiras descobrem um guarda-roupa que leva quem o atravessa ao mundo mágico habitado por seres estranhos, como centauros e gigantes. Estima-se que tenha vendido entre 200 e 220 milhões de cópias.

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8 — Harry Potter e o Enigma do Príncipe
(J.K. Rowling)
Lançado oficialmente em julho de 2005, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” é o sexto livro da série que dá continuidade à saga do jovem bruxo Harry Potter que acabou de completar 16 anos e parte rumo ao sexto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, animado e, ao mesmo tempo, apreensivo com a perspectiva de ter aulas particulares com o professor Dumbledore, o diretor da escola e o bruxo mais respeitado em toda comunidade mágica. Estima-se que tenha vendido entre 180 e 200 milhões de cópias.

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9 — O Caso dos Dez Negrinhos
(Agatha Christie)
Publicado em 1939, “O Caso dos Dez Negrinhos”, de Agatha Christie, é o maior clássico moderno das histórias de mistério. Dez pessoas diferentes recebem um mesmo convite para passar um fim de semana numa ilha. Na primeira noite, após o jantar, elas ouvem uma voz acusando cada uma de um crime oculto cometido no passado. Mortes inexplicáveis se sucedem. Estima-se que tenha vendido entre 150 e 170 milhões de cópias.

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10 — Cinquenta Tons de Cinza
(E. L. James)
Publicado em 2011, Cinquenta Tons de Cinza é um romance erótico da autora inglesa Erika Leonard James. O livro retrata Anastasia Steele, uma garota virgem de 21 que, após entrevistar milionário Christian Grey para o jornal da faculdade, passa a ter um relacionamento sadomasoquista com ele. A história se passa em Seattle com ricos detalhes de bondage, sadismo e masoquismo. Estima-se que tenha vendido entre 120 e 130 milhões de cópias.

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11 — O Sonho da Câmara Vermelha
(Cao Xueqin)
Publicado em meados do século 18, “O Sonho da Câmara Vermelha”, de Cao Xueqin, é uma das obras-primas da literatura chinesa. O livro faz um relato detalhado da aristocracia chinesa da época. Acredita-se que o conteúdo da história seja autobiográfico descrevendo o destino da própria família do escritor. Estima-se que tenha vendido entre 100 e 110 milhões de cópias.

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12 — Ela, a Feiticeira
(Henry Rider Haggard)
Publicado em 1887, “Ela, a Feiticeira” é um livro de aventura e fantasia do escritor britânico Henry Rider Haggard. O livro narra as aventuras de dois amigos numa região inexplorada da África, onde encontram uma civilização perdida, na qual reina uma misteriosa feiticeira chamada Ela. Estima-se que tenha vendido entre 85 e 95 milhões de cópias.