terça-feira, 10 de outubro de 2017

Conhecimento levado para a sala de aula

Conhecimento levado para a sala de aula By PROCEDATA INFORMÁTICA LTDA | Published: 5 DE OUTUBRO DE 2017 Bibliotecária apresenta sua profissão para alunos de escolas públicas de BH Se você perguntar a um aluno do ensino médio quais as funções de um bibliotecário, é possível que ele não saiba responder com exatidão. Poucos são os que conhecem o curso superior de Biblioteconomia. Por isso, levar o conhecimento às escolas é tão importante. Durante o mês de setembro, a bibliotecária Alice Alves da Silva (CRB-6/1701), membro da Comissão de Bibliotecas Escolares do Conselho Regional de Biblioteconomia da 6ª Região (CRB-6), fez exatamente isso. Ela visitou duas escolas públicas de Belo Horizonte para apresentar a profissão para alunos do 3º ano do Ensino Médio, que se mostraram interessados no que ouviram. A primeira visita foi realizada na Escola Municipal Professora Maria do Socorro Andrade, no bairro Nova Cintra. “A reação dos alunos que não conheciam o curso foi muito interessante. Uma quis saber se havia curso técnico para bibliotecário e eu disse que o melhor seria fazer a graduação. Argumentei que, além de aprender mais, ela teria uma profissão mais vantajosa financeiramente”, conta Alice. A segunda visita ocorreu na Escola Estadual Domingas Vieira, no bairro Independência. Segundo a bibliotecária, os alunos também não conheciam a profissão. Ela explicou quais são as áreas de atuação e as perspectivas de salários e convidou a todos a acessarem os canais de comunicação do CRB-6 para esclarecer eventuais dúvidas. “Foi uma experiência gratificante. Senti que precisamos divulgar mais a profissão e o curso de Biblioteconomia, pois as pessoas ainda não têm muita noção do que fazemos.” Mariza Martins Coelho (CRB-6/1637), presidente do CRB-6, diz que a divulgação nas escolas é um projeto do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) para aumentar o número de profissionais no mercado de trabalho. “O bibliotecário que puder nos apoiar deve solicitar ao CRB-6 o material de divulgação.”

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Vocabulário controlado básico

Olha só que coisa boa!!! :) VCB disponível na Biblioteca Digital do Senado! O VCB é a linguagem documental adotada na RVBI, para a uniformidade da indexação e da recuperação da informação dos documentos bibliográficos. Nesta publicação, preparada no final de agosto de 2017, constam os descritores de assunto de diversos campos do conhecimento, com destaque para as Ciências Sociais e Humanas e, neste campo, ênfase no Direito, refletindo as áreas de atuação das bibliotecas participantes da Rede. Os nomes geográficos, gêneros/formas literárias e especificadores estão disponíveis para pesquisa no site da RVBI. Acesse: http://bit.ly/VCB_2017

terça-feira, 30 de maio de 2017

Blog para concursos

Site da Santa Biblioteconomia: https://santabiblioteconomia.com/ Página Oficial da Santa Biblioteconomia: https://www.facebook.com/santabiblio Site do Curso Biblioteconomia para Concursos: http://biblioteconomiaparaconcursos.net/ Página Oficial da Biblioteconomia para Concursos no Facebook: https://www.facebook.com/BiblioteconomiaParaConcursos/

O que é ser bibliotecário?

O que é ser bibliotecário? É ter que responder muitas vezes ao longo da vida sobre o que você de fato faz no trabalho. É ter que lidar com algumas piadas de quem é ignorante no assunto. É encarar a precariedade das bibliotecas públicas. É se entristecer ao encarar a falta de verba e incentivo. É se sentir que precisa sempre provar seu valor e sua capacidade na empresa. É ser multi-tarefas. É aprender na marra a lidar com problemas de informática, administração, contabilidade e o que mais acontecer na biblioteca. É ficar revoltado com algumas situações salariais. Mas, também é… Ficar muito feliz ao atender a solicitação de um usuário. Ganhar o dia ao chegar a uma informação de difícil acesso. Crescer como ser humano a partir de tantas trocas com usuários distintos. Compartilhar, gerir, divulgar, organizar informações e tudo relacionado a isso. Se sentir satisfeito após a conclusão de um projeto. Ajudar sua empresa a crescer, seja ela pública ou privada. Lutar por acesso a informação, a educação de qualidade e competência informacional. Ser bibliotecário é uma escolha, uma profissão que muitos exercem com orgulho apesar de diversas adversidades. Valorize o bibliotecário, ele ajuda na construção de uma sociedade melhor. Texto: Thalita Gama Compartilhe

Indexação: Lancaster x Robredo

Olá, trouxe uma dica básica sobre indexação. Os autores clássicos cobrados são o Lancaster e o Robredo, porém eles abordam de forma diferente as etapas da indexação. É importante ter essa diferença na cabeça! O conceito : Indexar é construir representações do conteúdo do documento numa forma que se preste a sua inclusão em algum tipo de base de dados. Em geral, as etapas são: O conhecimento prévio do documento; A determinação de seu tema principal; A identificação do elementos do conteúdo que devem ser descritos e a extração dos termos correspondentes; A verificação da pertinência dos termos escolhidos; A tradução do termos da linguagem natural para termos correspondentes da linguagem documentária, se for o caso; A verificação da pertinência da descrição; A formalização da descrição quando o sistema prevê regra especiais de apresentação ou de escrita. Para Lancaster: 1. Análise conceitual é identificar os assuntos, os conceitos tratados no documento. 2. Tradução é a conversão da análise conceitual num determinado conjunto de termos de indexação. Para Robredo: I – análise conceitual do conteúdo significativo do documento, ou seja, identificação do assunto; II – expressão desta análise através de um conjunto de palavras, frases ou códigos que representem o assunto; III – tradução das descrições de assuntos relevantes para a linguagem de indexação; IV – organização das descrições padronizadas dos assuntos de acordo com a sintaxe da linguagem de indexação. Para quem quiser se aprofundar, as referências de ambos: LANCASTER, F.W. Indexação e resumos. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2004. ROBREDO, J. Da Ciência da Informação revisitada aos sistemas humanos de informação. Brasília: Thesaurus, 2003. LEMBRETE! Estão abertas as inscrições da minha nova turma do PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS ONLINE. Faça já sua inscrição AQUI ! O curso dura 3 meses e será realizado de 10/04/2017 até 10/07/2017 😉 Ranganathan não faz milagre, estudar sim! Thalita Gama Compartilhe

https://santabiblioteconomia.com/

Blog muito bom com analise de provas de concursos. Estudar para concursos públicos Ranganathan não faz milagre, estudar sim! Thalita Gama Como chutar certo nas provas? Chutar é inevitável. Impossível sabermos todas as questões de uma prova. Normalmente ficamos em dúvida entre 2 alternativas, é normal. Muitas vezes o candidato é reprovado por uma questão. Por isso, em concursos públicos acertar uma ou algumas questões à mais faz toda a diferença. Dicas básicas e práticas: Você só deve chutar quando não tem a mínima ideia da resposta. Se tiver alguma lembrança vaga ou palpite da resposta, você deve segui-los. Sua intuição deve ser levada em conta. LEIA ATENTAMENTE o enunciado! Muitas vezes erramos por falta de atenção ao que está sendo pedido na questão. Grife o comando da questão, se está querendo a alternativa certa ou a errada, se está querendo a exceção, enfim tenha claro na sua mente o que a questão quer. Comece eliminando as opções que você tem certeza que estão erradas. Isso já elimina 2 ou 3 questões. Não marque as alternativas com assunto totalmente desconhecido, se você está estudando pelo menos sabe o geral do que está sendo perguntado. Prefira opções que você se lembre. Assinale a resposta que menos saiu até o momento. É claro que esta técnica deve ser aplicada em último caso e também depende das demais estarem corretas. Alternativas que trazem as palavras “sempre”, “nunca”, “jamais”, “sem exceção”, “somente”, geralmente estão erradas. Tome cuidado porque esta técnica de chute também por ter a sua exceção. Por isso, você só vai aplicá-la quando não tiver a mínima ideia da resposta certa. Por outro lado, alternativas que trazem palavras como “geralmente”, “em geral”, “alguns”, tem mais chances de estarem corretas. Quanto mais estudamos, mais fácil se torna chutar. Boa sorte 😉 Ranganathan não faz milagre, estudar sim! Thalita Gama Compartilhe

sexta-feira, 26 de maio de 2017

As dificuldades na formação do hábito de leitura em alunos do Ensino Fundamental

As dificuldades na formação do hábito de leitura em alunos do Ensino Fundamental Helena de Paula Rampelotto O hábito da leitura é de grande importância para a vida profissional e social das pessoas, uma vez que a leitura é essencial para um processo de ensino-aprendizado satisfatório, pois é por meio da leitura que se abrem novos horizontes e torna-se possível entender e aprofundar conhecimentos sobre o mundo, até atuar nele efetivando seu papel como cidadão. Para discutirmos as dificuldades na formação do hábito de leitura em alunos do ensino fundamental, algumas obras foram analisadas e comparadas com a fundamentação teórica de alguns pensadores influentes da educação a respeito do especificado tema. Os resultados obtidos demonstram que boa parte dos alunos consideram o hábito da leitura como “massacrante” imposta pelos professores, isso ocorre pelo fato de que na escola ela é trabalhada de forma errada, e em casa falta auxílio e incentivo para que esses indivíduos leiam. Com base nos resultados pode-se demonstrar que o interesse pela leitura ficou precária. Mas não podemos deixar de ressaltar que ainda existem alunos que costumam procurar os livros não apenas como obrigação, mas como um meio de lazer. Assim sugere-se mais incentivo aos alunos desde cedo para obterem o hábito da leitura. 1. INTRODUÇÃO O respectivo estudo apresentou como tema As dificuldades na formação do hábito de leitura em alunos do ensino fundamental, e buscou encontrar maneiras de vencer tais dificuldades. O tema escolhido decorreu de assuntos atuais frequentemente discutidos por pesquisadores da área. A leitura além de ser instrumento para a construção do saber em sala de aula, cria um indivíduo crítico-reflexivo, pronto para transformar a sociedade em que vive. No entanto, percebeu-se que cada vez menos jovens desenvolvem o hábito diário da leitura. Dessa forma a pesquisa buscou colaborar com educadores de Língua Portuguesa para que possam encontrar subsídios para atrair a atenção dos jovens para a leitura com práticas pedagógicas diferenciadas. Foi analisada ainda, a possível conexão entra o uso da leitura em sala de aula e a construção do saber, que se baseou na metodologia que teve como alicerce estudos estritamente teóricos e bibliográficos que buscou atingir os objetivos propostos inicialmente. Foram feitas pesquisas em livros, artigos, revistas e sites relacionados ao tema proposto que apresentaram modelos inovadores de como trabalhar com a leitura de maneira que atraísse a atenção de alunos do ensino fundamental e que ao mesmo tempo não desrespeitasse os conteúdos programáticos. O determinado assunto foi desenvolvido de modo que mostrasse a importância da leitura, a dificuldade do hábito de leitura nos alunos de ensino fundamental e buscou-se apresentar da maneira mais clara possível contribuições dos principais pensadores da educação que falam sobre o tema com a finalidade de constituir uma base teórica para o respectivo estudo. A partir do exposto, o trabalho procurou demonstrar como a leitura é trabalhada em sala de aula, sua importância no ensino-aprendizado e também as suas deficiências. Desvelou-se descobrir o porquê dos alunos terem tanto desprazer diante do processo de desenvolvimento da leitura e ao mesmo tempo buscou-se sanar as dificuldades na aquisição do hábito pela leitura. 2. A IMPORTÂNCIA DO HÁBITO DA LEITURA 2.1. LEITURA NO ENSINO FUNDAMENTAL Tendo como cenário um país com baixos índices de leitura faz-se necessário tentar compreender a razão de tal fracasso. Através de análises efetuadas em vários países a respeito da aquisição da prática de leitura, mencionadas por Bamberguer (1987), “observou-se diferenças gritantes quanto ao interesse pela leitura”. Tais análises conferiram enormes contrastes a quatro elementos decisivos: a colocação dos livros na escala de maior valia no país; a bagagem cultural; as chances de leitura (este em questão destaca a imprescindibilidade das escolas, suas bibliotecas, como também as bibliotecas públicas que há em cada cidade do país que irá exercer um papel essencial); o alto valor do livro relacionado a questões socioeconômicas, e o papel que os livros desempenham na construção de um sujeito que será um futuro leitor crítico-reflexivo. Foi possível citar a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil que teve sua 3ª edição realizada em 2012, nela notou-se que “há no Brasil 88,2 milhões de leitores, ou seja, 50% da população – 7,4 milhões a menos do que em 2007, quando 55% dos brasileiros se diziam leitores”. Após uma possível reflexão anteriormente sobre o valor dos livros condizente com o aspecto socioeconômico da maior parte das famílias brasileiras, será o preço do livro o que lhes impede o acesso às obras? “A pesquisa aponta que não. O preço fica em 13º lugar como razão para se ler menos do que se lia antes, com 2% dos entrevistados. A falta de interesse fica em primeiro lugar, com 78% e a falta de tempo em segundo, com 50%. Também foi apontado que o livro tem hoje uma série de concorrentes – 85% das pessoas preferem assistir TV em seu tempo livre e 52% ou música ou rádio. A opção pela leitura aparece em 7º plano com 28%. A boa notícia é que houve maior fidelização dos leitores aos seus queridos companheiros, os livros: atualmente, 49% deles leem mais, ante os 40% de 2007, equivalendo a um acréscimo de cerca de 5 milhões de leitores. O índice de leitura por prazer também subiu em 2011: é de 75% contra 70% em 2007. A média de livros lidos em casa aumentou: de 25, em 2007, para 34, em 2011. Crescimento de 36%.” ( RETRATOS DA LEITURA NO BRASIL, 2012) Os resultados atingidos revelaram que ainda existem mais questionamentos do que soluções: Como acordar no jovem aquele apreço pela leitura? Quais atitudes são verdadeiramente efetivas na mediação da leitura nos alunos do ensino fundamental? Desde muito tempo a leitura foi classificada, apenas, como um canal de propagação de um comunicado importante. Hoje, ler significa um processo mental de vários níveis, o que contribui e muito para o desenvolvimento intelectual, profissional e social do ser humano. A imprescindibilidade da leitura deve ser reconhecida socialmente, pois a vida individual, social e cultural de um sujeito, se dá devido à aquisição do hábito de leitura desde a infância até a fase final do seu desenvolvimento, pois desenvolve as potencialidades intelectuais de cada um, o de aprender, desenvolver e progredir. “O ato de Ler não nasce com o indivíduo, assim como as outras funções vitais. Este ato precisa ser ensinado e aprendido, e neste processo o professor é o mediador” (BARBOSA 1990). Segundo Ferreiro e Palácio (1987), o ato de ler é beneficiado de uma variedade de opções. “O leitor não responde simplesmente aos estímulos do meio, e sim desenvolve estratégias para trabalhar com o texto de tal maneira que seja possível compreendê-lo”. O hábito da leitura é importante na vida intelectual, profissional e social das pessoas, e a leitura, é um instrumento essencial para um ensino-aprendizado satisfatório e significativo, pois é por meio dele que se abrem novos horizontes e torna-se possível entender e aprofundar conhecimentos sobre o mundo, até mesmo atuar nele como cidadão de direito. O leitor, durante o seu ensino fundamental, pode ser apenas um aprendiz se não apreciar as maravilhas oferecidas no ato de ler, nunca ganhará autonomia e perderá a oportunidade de ser transformado pelo hábito e pelo prazer que a leitura proporciona. A palavra escrita é a principal ferramenta para compreender o mundo em que os sujeitos estão inseridos. A grandeza do texto consiste em dar a possibilidade de refletir e interpretar a sociedade, o mundo em que se vive da maneira em que se acreditar estar certo. O livro é o ponto de partida para o desenvolvimento da leitura, assim, se estudou a importância da leitura e as dificuldades que foram encontradas ao tentar incluir a leitura no dia a dia dos jovens que estão no ensino fundamental. Kleiman (1993) evidenciou claramente como a leitura foi aplicada pelos educadores em sala de aula, e como foi vista pelos educandos do ensino fundamental: “A leitura é vista pelo corpo discente como algo “massacrante”, imposta pelos mestres.” Isso aconteceu porque ela foi aplicada de um modo incorreto desde as séries iniciais. As escolas usaram excessivamente os livros didáticos, em que o texto era apenas um grupo de componentes gramaticais, os quais foram trabalhados separadamente, de forma desconexa, ou seja, retirou-se a mensagem do texto por meio da assimilação e da compreensão de cada palavra, uma por uma. Verdadeiramente, a essência do texto manifesta-se da associação entre seus componentes, um elemento isolado não tem significação, pois elas estão todas unidas, e essa união é que exprimiu a questão total do texto, ou seja, cada palavra tem seu valor que somada a outras formarão o significado da frase ou do texto em questão. Outro erro lastimável na leitura é fazer um interrogatório a respeito do texto que foi lido, em que as respostas constem explícitas no texto, sem qualquer interpretação. Além de fazer com que o aluno exerça essas tarefas automaticamente, sem usar a imaginação, o conhecimento de mundo e o raciocínio, é também uma negligência para com o autor, afinal, o texto é criado para que os leitores viagem para um mundo fictício usem de sua imaginação e criatividade, transportem-se para um mundo utópico, ou até mesmo, em alguns casos usem suas próprias experiências vivenciadas. Para que o processo da leitura seja efetuado aos alunos de ensino fundamental, de fato, primeiramente o educador deve apresentar textos com temas interessantes aos sujeitos-leitores, temas polêmicos, atuais e que de algum modo desperte o interesse dos alunos, ou seja, a curiosidade deles, logo após o sujeito-leitor dever-se-á perguntar por qual finalidade está lendo, ou seja, qual seu objetivo ao efetuar determinada leitura, só assim sua leitura terá sentido. Conforme Geraldi (1984) declarou, “a característica básica ante o texto é o objetivo do leitor, ou seja, o leitor deve extrair do texto uma informação. Sabendo fazer isso, já é um grande passo para que o leitor comece a ter o gosto pela leitura”. Em alguns casos, ler se tornou uma agonia, uma vez que a falta de conhecimento sobre o tema discutido, tornou-se um problema para o jovem. Nas escolas, por exemplo, muitas vezes, não houve estímulo à leitura. “Na sala de aula, os textos são fragmentos descontextualizados”, como afirma Soares (2006, p. 25), geralmente retirados do livro didático, que regia a aula. Os textos foram utilizados como argumento para a prática de atividades contínuas, como questões que trabalhassem a gramática. Desse modo, os fragmentos de textos lidos pouco acrescentavam de importante à vida do leitor. Assim, é indiscutível a importância do tema em questão, pois está diretamente relacionado com a formação do sujeito, de sua personalidade, seu caráter, e intelecto. Por isso, evidenciou-se que o ato de ler é a urgência em que o ser humano se dispõe-se frente ao mundo, em frente ao outro, fortalecendo, por meio do entendimento, da análise e da escrita, suas habilidades críticas. Segundo Freire (1988, p. 21) “a importância do ato de ler, que implica sempre a percepção critica, interpretação e reescrita do lido […]”. É na interação com a leitura, sendo esta uma ferramenta de aprendizado e critica, mas também de distração e diversão, que o leitor relaxa, aprende e se desenvolve continuamente. Esta pesquisa comprovou pelo fato de que, somente através da leitura, o ser humano se constrói como sujeito ativo e crítico, estabelecendo condições para refletir sobre vários aspectos e formular opiniões sobre vários assuntos. Tal entendimento propôs a ideia de que a formação de jovens leitores competentes se constitui por meio do contato com diversos textos, relacionando os dados textuais com seu conhecimento prévio, de modo a interagirem com a leitura e ao mesmo tempo com seu conhecimento adquirido. Entretanto, para Liberato (2007, p. 14) “é possível que o leitor não consiga ler um texto que, embora escrito numa língua que ele domina, trate de um assunto sobre o qual ele não tem informações”. No entanto notou-se que quando o leitor não consegue captar o sentido do texto lido, tudo dificulta. Deu-se que este foi uma das maiores barreiras encontradas pelos indivíduos que não realizam esta atividade frequentemente. Todavia, para esquivar-se de circunstâncias análogas, foi relevante tornar o hábito da leitura mais e mais constante, visto que é a partir do ato da leitura que fortalece o raciocínio, como também a aprendizagem. Tudo depende da forma que foi visto, analisado e entendido o que estava sendo lido. Cada pessoa compreende de seu modo, ou seja, que cabe a seu entendimento, tudo depende de seu pensamento, cultura e conhecimento prévio em relação ao tema que foi lido, cada sujeito-leitor tem autonomia de pensamento durante a leitura, seja para apoiar o autor ou para desaprovar, tudo se reflete no atoa da leitura. Ao ler um texto, muitas vezes por preguiça, pratica-se uma leitura de forma superficial e, com isso, não entende-se o que está contido implicitamente nas entrelinhas do texto. “Não acrescentamos ao ato de ler algo mais de nós além do gosto mecânico de decifrar os sinais. Sobretudo se esses sinais não se ligam de imediato a uma experiência, uma fantasia uma necessidade nossa. Reagimos assim ao que não nos interessa no momento”. (MARTINS, 2007, p. 9). Além de tudo isso que foi destacado, se o sujeito leu, sem determinar sua finalidade, evidentemente o entendimento será insuficiente, visto que é a finalidade que dará rumo à leitura. Assim, “se o sujeito ler o texto, pensando apenas em achar respostas a perguntas que serão feitas posteriormente, certamente só se estará atendendo as expectativas da escola”, conforme destacou Kato (1999, p. 134-135). Deste modo, acreditou-se que a compreensão da leitura se deu em uma atividade que envolvia a união do velho com o novo. Para Kato (1999, p. 62) “essa conexão se deu a fim de desenvolver no aluno-leitor a habilidade de deduzir complementarmente com a averiguação e confiabilidade das informações antecipadas, visando à apreensão dos processamentos de forma a constituir o leitor maduro”. A leitura é uma condição para dar voz ao ser humano, além de prepará-lo para torná-lo sujeito ao ato de ler. O ato de ler é um processo mental complexo e descontínuo que exige tempo e concentração. Os conteúdos apresentados em turmas do ensino fundamental, assim como também a leitura, surgirem gradativamente na vida do estudante, na medida em que ele é inserido no contexto de símbolos que fazem parte de seu dia a dia. Assim, é na escola que esses conceitos devem ser reforçados, principalmente pelo educador, cujo papel é fazer com que a leitura seja um hábito diário na vida dos alunos, de forma a tornar-se uma atitude natural do indivíduo. Kleiman (2000, p. 15) alertou o educador: “a leitura se baseia no desejo e no prazer, não em uma atividade desagradável visando à decifração de palavras, que leva o aluno a caracterizar o ato de ler como difícil demais, inacessível, não fazendo sentido para o mesmo. Afinal, o sujeito conceber a leitura como um objeto de aprendizagem, que faça sentido a ele”. Necessitava, pois, segundo Geraldi (2006, p. 110) “necessário resgatar na escola e trazer para dentro dela o que dela se exclui por princípio: o prazer de ler sem ter que apresentar ao professor e à escola o resultado desse prazer, que a própria leitura”. O ato de ler é efetuado para que sejam ampliados os limites do próprio conhecimento, de forma divertida e descontraída. Geraldi (2006, p. 60-61) assegurou que “o professor não deve visar à cobrança da leitura, dado que o que se busca é desenvolver o gosto pela leitura e não a capacidade de análise literária”. A avaliação do professor deve ser em um aspecto qualitativo, e não quantitativo, deve-se contar a progressão do aluno em relação à determinada leitura e não a quantidade de livros que ele lê em uma semana ou em um ano por exemplo. O papel do professor, no que tange a leitura, faz-se principalmente em forma de estímulo, deixando com o que o aluno tenha liberdade de escolha e se sinta capaz de ler o que gosta o que lhe dá prazer de maneira que o aluno não se sinta pressionado. Caso contrário, o desinteresse aloja-se. Silva (1986, p. 84-85) diz que “um dos motivos para tal desinteresse, pode estar na escolha realizada pelo professor, exigindo que todos da turma leiam o mesmo título, sem opção de escolha, geralmente clássicos da literatura”. Nessa escolha que beneficia apenas um lado, nem sempre o que agrada o educador compatibiliza com o gosto do aluno. Silva (1986), afirma: […] “é de competência do educador, entretanto, analisar a adequabilidade, o interesse e a motivação para a leitura. Assim, com tais critérios, assegura-se o sucesso do livro. Outras informações a respeito da obra ainda são relevantes; entre elas, o assunto abordado é adequado para a faixa etária e o nível de escolaridade, visto que não se deve ficar apenas com informações exteriores contidas no livro, mas saber e conhecer a melhor obra para a turma e até mesmo para a escola”. (SILVA, 1986 p. 86) Para que o ensino-aprendizado da leitura no ensino fundamental forme jovens leitores é necessário que o papel do educador seja de mediador do conhecimento. Por isso, para Geraldi (2006): “não pode o professor usar a leitura para outros fins, como pretexto para desenvolver outra atividade: dramatizar uma narrativa, ilustrar uma estória, por exemplo. O tipo de leitura em que o intuito de ler por ler se faz gratuitamente, quebra tal paradigma tão alicerçado por professores no ensino fundamental”. (GERALDI, 2006 p. 26-27) Nas palavras ditas por Geraldi (2006, p. 107), “o professor é somente observador do diálogo do aluno com o texto”. Nesse processo do aluno-leitor com o texto/autor, o professor é o expectador, apenas vê efetivar-se o processo de leitura em seu aluno, em algumas situações entra em cena e torna-se mediador, que sana as dúvidas que surgiram e ao mesmo tempo questiona ao longo do procedimento. O aluno carece e deve ver tanto o educador, quanto o livro, uma referência em que possa buscar o conhecimento e sanar suas dúvidas. Os livros em vários momentos podem ajustar-se às experiências vividas do leitor. A liberdade com que o aluno tem abordado os livros que lê decorre do não privilégio a um único sentido ao texto, mas aqueles sentidos que a experiência de mundo, de cada leitor, atribui ao livro que lê na produção de sua leitura. A qualidade (profundidade) do mergulho de um leitor num texto depende de seus mergulhos anteriores. (GERALDI, 2006, p. 112). A leitura escolar no ensino fundamental precisa de planejamento desprovido de autoritarismo e rico em soluções para as necessidades, inquietações e desejos de alunos-leitores. É necessário comprometimento com o uso dos livros, favorecido pela ação do educador. Cabe destacar, por fim, quais finalidades a escola possui com relação à leitura e as dificuldades características ao educador e ao educando. Diante do exposto, foi possível propor caminhos para os profissionais que atuam com a leitura, respeitando as particularidades e auxiliando no processo de ensino-aprendizado, de forma a obter o prazer advindo de forma natural de cada jovem, como também a realização de uma leitura significativa. Para vencer as barreiras encontradas na aquisição do hábito da leitura nos alunos do ensino fundamental, ou seja, para tornar alunos do ensino fundamental sujeitos leitores, para desenvolver, além do que a competência, o apreço ou o compromisso frequente com a leitura, as instituições de ensino terão de estimulá-los internamente, pois adquirir o hábito de ler requer estímulo e engajamento. Dever-se-á fazê-los acreditar que a leitura é algo atraente e estimulante, algo que, conquistado integralmente, dará independência e autossuficiência, como também necessitará transformá-los em seres confiantes, requisito para poderem se instigar a “compreender fazendo”. Essa é a percepção de ler que se ânsia nas instituições de ensino e em qualquer outro lugar, que favorece o aprendizado de forma agradável e estimulante, que faz assimilar, desenvolver uma percepção crítica e extensa do mundo, dos seres e vida de cada um. O processo de leitura em si estabelece uma teia de conexões, interações significativas entre quem lê e quem escreve a que se acrescentam as ideias de uma ou de várias pessoas (autor, crítico, leitor) e o contexto em que todos se inserem. Além disso, resulta em conferência do conhecimento próprio, crítica e ou aceitação do que já foi dito. Depois de ler, independentemente do tipo, quando os questionamentos propostos pelo texto são respondidos, ocorre o entendimento. Só o ato da leitura desperta o interesse e desenvolve o diálogo entre texto e leitor, ou seja, concede compreensão. 3. O PAPEL DA FAMÍLIA Notou-se que é incontestável a importância da leitura e da escrita para a formação do educando. Assim, o primeiro contato que o sujeito teve com a escrita e com a leitura veio do âmbito familiar. Vendo dessa forma, para Freire (1995, p. 12) “a leitura inicia-se no próprio contexto sociocultural a partir de ideias que fazem do conhecimento de mundo e que vão se aprofundando de acordo com seu desenvolvimento”. Como afirmou Zilberman (1999): “Crianças que desde os primeiros anos de vida se habituam a manusear livros infantis e ouvem histórias contadas pelos pais, avós ou babás e mais tarde leem aventuras cujos protagonistas são crianças de sua mesma faixa etária, provavelmente desenvolverão com mais rapidez o ofício da leitura. Essas crianças, na fase adulta, com certeza sentirão um imenso prazer na leitura. São capazes de ler e escrever mais facilmente desenvolve a imaginação e amadurecem a sensibilidade mais rapidamente que outras crianças em situações adversas.” Antes mesmo, ao inserir-se no âmbito escolar, o sujeito já demonstrava um contato com a escrita e a leitura, por meio da assimilação e do entendimento com seus rabiscos. Entretanto, viu-se que boa parte da população brasileira não tem o costume de ler assiduamente, ou seja, pouco se lê; e isso é preocupante em uma sociedade onde os níveis de jovens leitores é crítico. Muito se escuta sobre leitura e sua importância, mas a prática é completamente diferente, as pessoas não veem a leitura como um hábito que deve ser seguido continuamente, mas como uma obrigação. Na verdade, não é função simples incluir o hábito da leitura nos jovens, preferencialmente entre 12 e 15 anos, uma vez que estão em processo de construção da personalidade, principalmente sabendo dessa constatação, mas esse é o desafio de professores em conjunto com a família; motivar para que o processo ocorra de forma prazerosa e divertida, de maneira que o indivíduo deixe de lado aquele pensamento de que a leitura é obrigatória, que é exigida pela escola e são restritas aquelas obras impostas pelos currículos, é importante que os jovens saibam que existe mais do que isso, ou seja, que existe livros sobre todos os temas cabíveis, para todos os gostos, que proporciona uma viagem para um mundo fictício onde o aluno pode aprender e ao mesmo tempo ter seu momento de lazer. Cabe, portanto, para Freire (1995, p. 17-21), “à escola e aos professores que são essenciais na influência sobre a leitura no aluno, orientar, mais precisamente, despertar o gosto para o ato de ler.” Uma vez que, o aluno ao ver a família envolvida e comprometida com o hábito da leitura, certamente terá um grande estímulo, uma vez que a família é um espelho para os jovens. A família pode começar o estímulo partir de seu próprio hábito, visto que o jovem, ao ver seus pais ou outros sujeitos de seu círculo social efetuando o ato de ler, sentir-se-á estimulada a conhecer. Essa conduta de encontrar o encanto do mundo modificará o indivíduo, aos poucos, em um leitor. As dificuldades na formação do hábito da leitura em alunos do ensino fundamental vivenciadas no dia a dia escolar são sem dúvida, um tópico essencial, pois aprender a buscar uma metodologia adequada para superação das dificuldades encontradas facilitará o processo de aquisição do conhecimento. Depende muito da perspectiva de cada professor a responsabilidade de traçar um plano de trabalho, focado no desenvolvimento da leitura, como pressuposto fundamental para desenvolver sujeitos conscientes, instruídos a interpretar textos, afirmar relações impulsionar-se ao universo de possibilidades de modo crítico e inovador a fim de conquistar espaços, em uma sociedade marcada pela competitividade. As práticas de leitura no ensino fundamental deverão ser valorizadas pelo professor, que absorverá as que acontecem no cenário social auxiliando assim para a composição de um leitor crítico e capaz de transformar e proporcionar situações de cidadania e responsabilidade social. Frente ao exposto, espera-se que a pesquisa tenha contribuído para intensificar as discussões sobre o tema em destaque. Pretendeu-se, ainda, que as análises bibliográficas utilizadas nesta pesquisa tenham contribuído para os debates sobre as dificuldades na formação do hábito de leitura no ensino fundamental. É importante que o professor procure criar no cotidiano escolar um estimulo diário de leitura: leitura, exposição de histórias, incentivando a procura e a permutação de livros entre os jovens, designando um momento para a leitura em sala de aula, trazendo textos de livros de interesse geral da classe, ou seja, abrindo espaço para que o aluno tenha oportunidade de ler o que lhe agrada, do que ele quer ler aconselhar leituras associadas aos gostos da turma, criar um canto para ler na escola, ampliar a biblioteca da escola através exposição de livros, leitura, adaptação de livros, sair para analisar e conhecer bibliotecas públicas da cidade, entre outras atividades correlacionadas a leitura. Enfim, criar ofertas variadas e instigantes, oferecendo, assim, uma imersão no universo dos livros e oferecendo condições para que ela se torne, de forma efetiva, um exercício interdisciplinar e intertextual são passos fundamentais e significativos para a formação de um novo tipo de leitor. Ler dá aos jovens a oportunidade viver entre dois mundos; o mundo real e o imaginário, o que irá oferecê-los um prazer imenso, é de extrema importância que a leitura seja incentivada pelos educadores, como também pela família dos jovens em questão, só assim haverá a possibilidade de formar sujeitos críticos, aptos para viver em sociedade e astutos de maneira em que tenham um futuro brilhante e digno. 4. METODOLOGIA Este trabalho teve como alicerce estudos teóricos sustentados por autores que se dedicaram e ainda dedicam-se ao estudo da leitura, tais como Richard Bamberg, Paulo Freire, João Wanderlei Geraldi, Ângela Kleiman, Magda Soares, Regina Zilberman, Ezequiel Theodoro da Silva entre outros; como também de pesquisas bibliográficas através de análise de artigos de revistas acessados virtualmente, como também pesquisas em livros dos respectivos autores contidos nas referências do trabalho que falaram sobre o tema em destaque: as dificuldades na formação do hábito de leitura em alunos do ensino fundamental; buscou-se atingir os objetivos propostos inicialmente, que foi primeiramente criar estratégias de modo que a leitura fosse inserida no contexto escolar e social dos alunos diariamente para que forme sujeitos leitores críticos e reflexivos prontos para mudar o mundo em que vivem, e ao mesmo tempo associar o hábito da leitura na escola como fonte de aprendizado e conhecimento. Foram analisadas também pesquisas realizadas em âmbito nacional como a realizada pela organizadora Zoara Failla, intitulada como “Retratos da leitura no Brasil” que teve sua 3ª edição realizada em 2012, da qual seu objetivo foi apontar as perspectivas do número de leitores naquele determinado período. Logo através da análise dos respectivos resultados o trabalho foi incrementado com índices praticamente atuais contidos na pesquisa. Recorreu-se também a reportagens e sites relacionados ao tema proposto e foi desenvolvido, ou seja, criado, com o auxilio desses meios que alicerçaram as ideias de modo que pudessem conduzir de forma inovadora propostas para incluir o hábito da leitura no dia a dia dos jovens do ensino fundamental de modo que eles possam ler o que for de seu agrado, ou seja, ao praticar a leitura deve fazê-la por prazer, precisam ter esta satisfação ao apreciar uma boa leitura, tornando-a um ato satisfatório, e não praticá-la de forma mecânica e meramente desinteressada. Enfim, o respectivo trabalho visou solucionar os problemas de aquisição do hábito da leitura, porém evitou causar mudanças drásticas no contexto escolar diário, ou seja, que os resultados possam trazer avanços significativos nos resultados escolares, e ao mesmo tempo seja possível respeitar as normas impostas pelos conteúdos programáticos e as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica. CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho realizado teve como problematização “Como vencer as dificuldades na formação do hábito da leitura em alunos do ensino fundamental”. O respectivo tema decorreu de debates constantes entre estudiosos da área da educação, além de que a leitura foi e sempre será instrumento na construção de sujeitos críticos. No entanto, havia cada vez menos jovens que possuíam o hábito de ler. Desse modo o estudo buscou colaborar através de pesquisas e praticas metodológicas que visam encontrar meios de atrair os jovens realizando práticas de leitura, uma vez que foi analisada e confirmada a conexão entre a leitura e a construção do saber. A pesquisa foi embasada por análises de autores que se dedicaram, e alguns ainda se dedicam ao estudo da leitura. Foi usado como alicerce também, pesquisas bibliográficas através de artigos, livros, e-books e revistas que falam sobre o assunto. Apesar de o estudo ter tido embasamento diversificado, de contextos históricos e sociais diversos, foi visto uma variação no decorrer do tempo, ou seja, foi percebido um aumento, embora pequeno nos últimos anos. Essa mudança decorreu da possibilidade de acesso aos livros didáticos nas escolas, por parte dos alunos, uma vez que compra-los seria impossível para muitos destes. Tanto a escola, quanto o professor têm papéis imprescindíveis na construção do hábito da leitura discente, porém notou-se que o papel da família também deve estar em sintonia com esse sistema, para que se desenvolvam momentos em que seus filhos sintam prazer em ler. Por meio da pesquisa, foi confirmado que mais da metade dos alunos não encontram em casa um ambiente propício para ler, e por isso cabe à escola promover projetos que estimulem o hábito pela leitura, como também estabeleça uma relação mútua de parceria com a família dos jovens discentes, propondo-se a concretização destes ou demais propósitos. Enquanto se desenrolou a construção do trabalho, notou-se que o processo da construção do hábito da leitura, deve ser orientado através de propósitos claros e objetivos por parte do profissional docente, e para isso o professor necessita de sustentação e aprofundamento no conhecimento teórico. Para basear sua prática como docente, deve fazer valer suas ações, de modo que seja um exemplo a ser seguido, ser um leitor inato, ter prazer em ler e motivar os sujeitos a lerem. Também se notou que é muito importante que o docente conheça e reconheça a bagagem cultural e social que seus alunos trazem consigo, ou seja, seus conhecimentos adquiridos ao longo da vida, buscando ampliá-los. Os educadores devem dominar as estratégias necessárias para criar a prática da leitura como hábito e com resultados relevantes para o aluno no âmbito escolar, e ofertando qualidade no seu desenvolvimento em sociedade, buscando apoio no grupo escolar, de modo que contribuam para o aperfeiçoamento dos trabalhos que envolvam a leitura. O trabalho abordou meios para a transformação de estudos que englobam a leitura, por meio do enriquecimento da prática diária de ler e interpretar o mundo em que se vive. Foi possível crer, que esta pesquisa viabilizou a revisão e uma possível reflexão á respeito das práticas pedagógicas na construção do prazer pela leitura, no desenvolvimento do sujeito leitor e a possibilidade de novas “vias” oferecidas pela leitura em sociedade. Concluiu-se que a pesquisa teve como fundamentação autores de grande contribuição em âmbito nacional nos estudos que permeiam questões educacionais. Tais autores tiveram um papel fundamental no desenvolvimento deste trabalho. (MSJournal - 15/05/2017) * Helena de Paula Rampelotto é aluna do curso de Letras (Língua Portuguesa e Literaturas), do Centro Universitário Internacional UNINTER.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Velhos problemas? Público, acervos, leitura e bibliotecários em cenas da história da biblioteca pública Ana Maria de Oliveira Galvão Perspectivas em Ciência da Informação, v.19, número especial, p.211-226, out./dez. 2014 211 Velhos problemas? Público, acervos, leitura e bibliotecários em cenas da história da biblioteca pública Ana Maria de Oliveira Galvão Doutora em Educação. Professora Associada da Faculdade de Educação da UFMG. http://dx.doi.org/10.1590/1981-5344/2277 O artigo tem como objetivo discutir quatro grandes preocupações que têm sido permanentes na história das bibliotecas públicas: o público e o acesso; a constituição dos acervos; o controle sobre os modos de ler; e o papel do profissional responsável por essa instituição. Essas quatro preocupações são discutidas a partir da reconstrução de cenas que as expressaram em diferentes momentos históricos, no Brasil e em outros países. Constatamos que: há uma tensão, ao longo da história, entre atender às demandas do público leitor e as leituras consideradas benéficas pelos bibliotecários e professores na constituição dos acervos das bibliotecas; o par leitura e instrução-educação tem se sobreposto ao par leitura e lazer-diversão na constituição dos acervos; há uma tentativa de controle também dos modos de ler na biblioteca; gradativamente, os papéis atribuídos aos bibliotecários têm se complexificado – de conservador a mediador da leitura. Palavras-chave: Biblioteca pública. História. Leitura. Old problems? Public collections, librarians, and reading scenes in the history of the public library This article aims to discuss four major concerns that have been standing in the history of public libraries: the public and the access; the creation of collections; the control over the ways of reading; the role of the professional in charge of the institution. We discussed these four concerns using the reconstruction of scenes that expressed them in different historical moments, in Brazil and in other countries. We found that: there is a tension, throughout history, between the demands of the readers and the readings considered beneficial by librarians and teachers in the constitution of the collections; reading has been associated with instruction and education more than with leisure and fun, in the constitution of collections; there is also an attempt to control the ways of reading in the library; gradually, the roles of the librarian have complexified – from a conservative to a reading mediator. Keywords: Public library. History. Reading. History. Recebido em 20.11.2014 Aceito em 24.11.2014 1. Introdução Uma prática, um lugar e uma escrita. Michel de Certeau (1982) assim define os elementos que constituem a operação historiográfica. Ao dizer do lugar de produção, o autor refere-se, fundamentalmente, ao lugar institucional do pesquisador – e, por conseguinte, às relações de poder dele constitutivas – e também ao lugar do presente, tempo ocupado, inexoravelmente, pelo historiador. Essas duas dimensões, mesmo que não tenhamos delas consciência, nos faz optar por certas histórias, e não por outras. O fato de ser pesquisadora dos campos da História da Educação e da História da Cultura Escrita tem feito com que eu estude a história das bibliotecas a partir de um olhar muito específico, e isso, certamente, tem consequências nas abordagens escolhidas para tratar o tema neste artigo. O presente também inquieta e interroga, e coloca-nos diante de realidades que nos fazem selecionar, do passado, aquilo que parece mais interessante para compreender uma biblioteca em processo de reconfiguração, diante de um novo contexto social, em que novas mídias, novos gêneros literários e novos públicos são onipresentes. Foi, então, a partir desse duplo olhar construído pelo lugar de produção em que me encontro – institucional e do tempo presente – que, nos últimos anos, ao realizar estudos e pesquisas e, por meio deles, percorrer a história das bibliotecas, tanto no Brasil, quanto em outros países do mundo ocidental, pude constatar que, pelo menos, quatro grandes preocupações têm-se revelado constantes na história das bibliotecas públicas: o público e o acesso; a constituição dos acervos; a necessidade do controle sobre os modos de ler; e o papel do profissional responsável por essa instituição. Neste artigo, abordarei essas quatro preocupações, por meio da discussão de cenas que as expressaram, em diferentes momentos históricos, tanto no Brasil, quanto em outros países. São cenas (re)construídas a partir estudos que realizei mas também, e principalmente, a partir de outros estudos. 6. Considerações finais Os tempos mudaram, as inquietações e ameaças que rondam a biblioteca se transformaram. Mas, a história nos faz pensar sobre a permanência de algumas delas, que continuam a nos atormentar, em relação ao acesso e ao público, ao acervo, ao controle da leitura e ao papel do bibliotecário. Como expandir as bibliotecas até os lugares mais remotos? Como compreender a sua ausência em lugares tão óbvios, como instituições públicas de educação infantil (PEREIRA, 2011)? Como torná-la atraente a um público cada vez mais amplo e com interesses tão diversos? Como dissociá-la da imagem do medo, do silêncio e do sagrado? Como associá- la a um lugar de prazer? Como acolher os neo-leitores, crianças e adultos que, em um país de universalização tardia da escolarização, como o Brasil, começam, nesse início do século XXI, a procurar livros, livrarias e bibliotecas? Como fazer compreender que sempre haverá ameaças aparentes à biblioteca? Como se desvencilhar de uma concepção iluminista de leitura, que atribui ao livro o poder de mudar as mentes? Como, então, libertar-se da ideia de que o neo-leitor é incapaz de construir sua própria trajetória de leitor e insistir em prescrever-lhe o que deve e o que não deve ser lido? Como incorporar a discussão da ideia, na formação de professores e de bibliotecários, de que as boas e as más leituras são uma construção histórico-social e que os cânones literários não são absolutos nem universais? Muitas perguntas. Poucas respostas. Apenas uma certeza – se é que há alguma espécie de certeza quando falamos na perspectiva da História: livros sempre circularam, sempre foram lidos, apesar da escola, apesar da biblioteca. Referências CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. Livros proibidos, ideias malditas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002. CERTEAU, Michel de. A escrita da história. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1982. CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: artes de fazer. Petrópolis: Vozes, 1994. CHARTIER, Anne-Marie; HÉBRARD, Jean. Discursos sobre a leitura (1880- 1980). São Paulo: Ática, 1995. COSTA, Lúcia de Fátima Vieira da; GERMANO, José Willington. Anos 60: leitura e educação popular no discurso dos inquisidores. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, 3., 2002, Anais... Natal, 2002. Disponível em: . Acesso em: 15 mar. 2013

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Saiba como fazer o regulamento de uma Biblioteca Pública Municipal

By PROCEDATA INFORMÁTICA LTDA | Published: 24 DE JANEIRO DE 2017 Bibliotecária dá dicas para criação de regimento interno Mediante dúvidas enviadas ao Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6), a diretora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas Municipais de Minas Gerais, Cleide Fernandes (CRB-6/2334), dá dicas para criação de regulamento para bibliotecas públicas municipais. A bibliotecária conta que de acordo com o livro “Regulamentos, orçamentos, etcétera: miniguia”, o regulamento deve conter: BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL Nome da unidade, localização, os endereços para contato que incluem o do correio, o da página na internet, correio eletrônico, telefone, etc. Horário e período de funcionamento. Estrutura organizacional, incluindo o nome das seções que compõem a unidade de informação, com contatos. Estrutura física, descrição física da unidade, por exemplo: acervo, sala de estudos, sala de leitura, sala de obras raras, sala de multimeios, etc. Serviços oferecidos, cada um dos serviços deve ser acompanhado de esclarecimentos e detalhes de interesse do usuário. Direitos dos usuários, especificação dos direitos dos usuários na utilização dos produtos e serviços oferecidos pela unidade de informação, os níveis de acesso aos conteúdos do acervo, etc. Deveres dos usuários, discriminação dos deveres dos usuários, como por exemplo, forma de proceder em caso de extravio de material, vestimenta, lanche, etc. Produtos oferecidos, como boletins, sumários, etc. É importante dar publicidade ao regulamento e deixá-lo afixado em local visível. Confira aqui o modelo de regulamento disponibilizado. Modelo de Regulamento REGULAMENTO DA BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL XXXXXXXXXXXXX A Biblioteca Pública Municipal XXXXXXXXXXXXX é uma entidade cultural, sem fins lucrativos, aberta ao atendimento da comunidade em geral, podendo qualquer pessoa freqüentá-la livre e gratuitamente. As seguintes normas disciplinarão o funcionamento da Biblioteca Pública Municipal, bem como o sistema de empréstimo do seu material bibliográfico, obrigando sua observância a todos os que freqüentarem e utilizarem suas dependências e acervo. 1. HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: De 2ª a 6ª feira, das 8h às 19h Aos sábados, das 8h às 12h 2. INSCRIÇÃO DO USUÁRIO/CADASTRO: Documentos solicitados para cadastramento do usuário: a) Documento comprobatório de residência atualizado (em caso de residência alugada, necessita-se da apresentação do contrato de aluguel ou recibo de pagamento). Em caso de alteração de endereço, trazer comprovante atualizado; b) Documentos de identidade, telefone convencional; 3. EMPRÉSTIMO DE OBRAS E PRAZOS: Os usuários terão acesso ao acervo nas seguintes modalidades: 3.1. Consulta interna: a) Obras de referência: dicionários, enciclopédias, bibliografias; b) Periódicos. 3.2 – Consulta externa: a) Os usuários têm direito de retirar como empréstimo até 02 (dois) livros; b) Os usuários têm o direito de retirar os livros pelo prazo de 15 (quinze) dias, podendo renová-los apenas se os mesmos não estiverem reservados; c) O cadastro e a senha são indispensáveis para a retirada de livros. Na falta de qualquer um dos dois, faz-se necessária a apresentação de documento de identidade; d) A retirada da(s) obra(s) e prazo(s) de empréstimo poderão sofrer alterações por parte da biblioteca, em atendimento à conveniência do uso da mesma; e) A devolução das obras deverá ser feita diretamente ao funcionário encarregado de recebê-las. Caso contrário, a devolução não será reconhecida pela biblioteca, ficando o usuário sujeito às multas e penalidades do item 4. 3.3 – Reserva Permite o usuário formalizar o pedido de empréstimo da obra quando a mesma estiver emprestada para outro usuário. a) A reserva deverá ser feita diretamente na Biblioteca desde que o material a ser reservado esteja emprestado; b) A obra reservada ficará disponível para o usuário por 48 horas após sua devolução. Esse contato/controle de verificação se a obra está disponível é de inteira responsabilidade do usuário. 4. MULTAS E PENALIDADES: a) A multa por dia/livro de atraso para empréstimos normais é de R$1,00 (um real), incluindo sábados, domingos e feriados; b) A multa poderá ser quitada através do pagamento do valor em dinheiro ou da doação de livros literários em bom estado (livres de cupins, traças, fungos, sem rabiscos ou faltando qualquer parte). c) O usuário que, excedido o prazo de empréstimo, mantiver obras em seu poder, e que for surpreendido na posse ilegal ou danificando as obras, periódicos ou qualquer material da biblioteca, poderá sofrer as seguintes penalidades: • Perderá o direito de tomar emprestados livros da biblioteca; • Será obrigado ao pagamento de indenização referente ao ato cometido; • A ocorrência será comunicada à direção da biblioteca. 5. DISPOSIÇÕES GERAIS: a) O uso indevido do cadastro por terceiros será de inteira responsabilidade do usuário; b) Sendo a Biblioteca local de estudo, consulta e pesquisa, são proibidas em suas dependências atividades tais como: recreação, lanche, bebida, fumo, celulares (que não estejam em módulo silencioso), fazendo-se obrigatório o silêncio e a fala discreta nos ambientes de estudo; c) É proibida a entrada de usuários no acervo portando qualquer espécie de bolsa, mochila, sacola, fichário ou pasta; d) Os usuários da biblioteca deverão estar convenientemente trajados para poderem ingressar em suas dependências. É expressamente vetado o uso de trajes de banho e a ausência de camisa; e) As visitas orientadas ficam condicionadas a prévio agendamento com a administração da biblioteca; f) Os casos não previstos neste regulamento de uso e empréstimo da Biblioteca Pública Municipal serão resolvidos pela direção da biblioteca.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

BIBLIOTECÁRIO HÍBRIDO

Fernando Modesto [Janeiro/2017] Toda inovação tecnológica gera mudanças das mais diversas. No caso das bibliotecas, o efeito das inovações requer atenção com a necessidade de adaptação dos processos de organização e tratamento da informação, bem como da prestação de serviço. Assim, no espaço dos serviços de informação as tecnologias são disruptivas e, sob aspecto positivo, têm impulsionado a transição das bibliotecas tradicionais (operadas por processos manuais e, posteriormente, por processos informatizados) para o patamar das bibliotecas digitais. São aspectos que estabelecem novos modelos de serviço mais complexos e tecnologicamente desafiadores, com a finalidade de atingir aos interesses e demandas informacionais dos usuários (pessoas e organizações). As mudanças provocadas pela tecnologia, após impacto inicial no ambiente, tende a gerar maior produtividade e, ao mesmo tempo, provocar a redução de recursos (humanos e financeiros), baseados também nas demandas dos usuários. James G. Neal, em artigo “The Entrepreneurial Imperative” (Libraries and the Academy, Jan. 2001, p. 2), comenta que a mudança é uma constante organizacional que estimula estruturas híbridas, programas e atribuições. Com a tecnologia da informação imersa – na sua reflexão, no ambiente do ensino superior – faz-se necessário repensar a educação, passando do modelo de instrução para o paradigma da aprendizagem. É, neste cenário, que as bibliotecas, em especial as universitárias, são pressionadas a reverem seus valores e a adotarem um novo paradigma. O paradigma da aprendizagem. Desta forma, desenvolvem em suas operações uma cultura de compartilhamento baseada em dois elementos importantes: a) um modelo de serviço híbrido estabelecido sob estruturas organizacionais flexíveis; e b) um quadro de pessoal dotado de habilidades híbridas. Lisa Allen, em palestra intitulada “Hybrid Librarians in the 21st Century Library” (ACRL Twelfth National Conference, 2005), ao abordar o tema do ambiente hibrido, destaca que o desenvolvimento da biblioteca digital ultrapassou modelos organizacionais até então existentes para os serviços de biblioteca, caracterizados como escolar, por natureza. A biblioteca digital passa a requisitar um modelo organizacional ou cultural, alinhado a uma nova estrutura de valores, tais como: menos hierárquica, mais facilitadora, colaborativa e evolutiva. No centro deste modelo encontra-se a figura do bibliotecário, definido como “bibliotecário híbrido”. Salienta-se que as bibliotecas precisam manter um escopo de "material genérico” como base do seu acervo de conhecimentos, porém, nesse acervo deve acrescer-se novas áreas de saber. O acréscimo de novos saberes acontece também com a competência do bibliotecário, em especial, do profissional do século 21. As equipes de bibliotecas precisam apoiar aos usuários no ambiente digital, bem como no ambiente impresso. Neste sentido, necessitam desenvolver e atualizar os seus conhecimentos técnicos e suas competências tecnológicas de forma contínua para atuarem com melhor destreza em ambos os contextos. Para compreender o significado do termo “bibliotecário híbrido”, é preciso estar familiarizado com o conceito da “biblioteca híbrida”. Conceito adotado para um ambiente de informação estruturado em serviços impressos, analógicos e digitais, e que fornecem suporte às necessidades dos usuários a partir da descoberta de informações que possibilite o acesso, uso, manipulação e análise dos recursos de informação providas. Na definição, entende-se que o auxílio aos usuários na busca e localização de informações é apenas uma parte compreensiva dos serviços ofertados pelos bibliotecários. No desempenho da sua atividade profissional, o bibliotecário deve adotar um equilíbrio entre a oferta de serviços e produtos impressos e digitais, baseado na forma de demanda do público. E a demanda evolui conforme a cultura social e tecnológica. Sobre a mudança organizacional no ambiente bibliotecário, pesquisas realizadas em meados da década de 1990 aos primeiros anos do século 21, identificaram estratégias para os recursos humanos existentes em bibliotecas norte-americanas e orientados ao apoio à biblioteca digital e aos serviços baseados em tecnologias computacionais. Essas estratégias redesenham os cargos e atribuições funcionais existentes em bibliotecas. Por exemplo, a posição de “bibliotecário de referência”, numa universidade, se transforma em “bibliotecário instrutor de tecnologia da informação e de referência”. A posição de “bibliotecário responsável pelo suporte no uso do software de automação e acesso às bases de dados”, muda para responsável também pela criação e gestão do website ou do conteúdo da biblioteca nas mídias digitais. Outros exemplos encontrados referem-se à denominação de cargos de bibliotecário como: coordenador de tecnologia educacional de biblioteca; bibliotecário de recursos eletrônicos; ou bibliotecário de serviços de informação digital. Há também designações como: bibliotecário de literacia em informação e instrução tecnológica; e bibliotecário de aplicação digital. Nestas denominações identificam-se o tipo de trabalho e o perfil profissional necessário para o desempenho, devido à ênfase em competências para o uso e aplicação de recursos digitais. As tarefas pertinentes à biblioteca combinam agora várias atividades essências na provisão de serviços e de apoios informacionais. Estudiosos na temática das competências acreditam que as novas funções, no ambiente da biblioteca, refletem uma mudança profunda nas atividades tradicionais para atividades mais amplas e complexas. Atividades que requerem competências técnicas e tecnológicas elevadas, obtidas por meio do estudo continuado (leitura, cursos de capacitação, pós-graduação profissional). As competências tecnológicas estão relacionadas aos recursos eletrônicos, e ao ambiente da Web de dados e das mídias digitais tornados cada vez mais importantes no espaço de atuação do bibliotecário. Embora não se possa determinar a existência de uma tendência no Brasil, analisando o cenário externo, observa-se o significativo requisito de habilidades técnicas relacionadas ao uso de ferramentas e de recursos para web, especialmente para exploração das mídias digitais. Aspecto que se alinha com a ideia da biblioteca híbrida. No Brasil, os usuários de bibliotecas requisitam cada vez mais acessos à coleções e serviços disponíveis através do ambiente Web. Quanto ao novo modelo de serviço informacional, este está baseado no conceito do trabalho colaborativo e em equipe. Há uma série de razões para as bibliotecas realizarem uma transição para esse ambiente de trabalho suportado na colaboração. A literatura indica que muitas bibliotecas já fazem essa transição, ou estão em vias de o fazer. As razões estão relacionadas não só às mudanças tecnológicas e escassez de recursos (humanos e financeiros), mas também aos requisitos de um novo modelo de serviço de biblioteca. Um modelo adaptado ao contexto da educação do século 21, baseado na construção do conhecimento, em contraposição à transmissão do conhecimento. Bibliotecas como espaços de informação e de aprendizagem. Ademais, segundo a literatura consultada, em períodos de recursos escassos e de inovações tecnológicas emergentes, é importante que a gestão da biblioteca proporcione oportunidades aos seus membros, locados em diferentes unidades ou funções informacionais. Que eles possam trabalhar em conjunto no desenvolvimento de objetivos comuns e de novos projetos de organização e disseminação da informação. Em relação à questão das bibliotecas híbridas, para que elas sejam sucedidas na prestação de serviço, devem estabelecer estratégias de relacionamento com o setor de computação (ou informática) existentes na organização. Além de envolver a equipe em iniciativas de literacia em informação, por exemplo. De maneira geral, em ambientes híbridos de informação, os bibliotecários projetam produtos e serviços baseados em sistemas especializados, a fim de desenvolver gateways de informação para os seus usuários. Ações, portanto, que requerem colaboração próxima com o pessoal da computação. No contexto da universidade, enquanto uma comunidade de construção de conhecimentos, as ações colaborativas são essenciais. Essas comunidades, nas quais a biblioteca é parte central, evoluem por meio de atividades que cooperam por meio do processo de repensar formas de apoio ou aprimoramento da construção de conhecimento. Bibliotecas híbridas exigem formas de agir independente, porém com sensibilidade às necessidades da organização e/ou do público. O equilíbrio entre a identificação da missão da biblioteca e da identidade de seu serviço precisa ser alcançado. Entretanto, os membros da equipe da biblioteca envolvidos em atividades colaborativas devem ser valorizados por suas competências e seus pontos fortes, a fim de trabalharem estimulados nessas ações colaborativas, e nos quais espera-se o envolver por uma cultura de compartilhamento dos conhecimentos profissionais. A colaboração pode ser facilitada por meio da formação de equipe. Terminologias como “ambiente em equipe” e “mudança de ambiente” entraram para o vocabulário da Biblioteconomia a partir da década de 1990, refletindo uma alteração no tipo de recrutamento de bibliotecários para o ambiente de trabalho. Como as bibliotecas em um “novo mundo” precisam mudar a sua cultura organizacional, necessitam criar estruturas que reforcem essas mudanças, e mudanças para um ambiente baseado em equipe que perturbem a cultura estabelecida. No caso do ambiente universitário, os bibliotecários são implantados nos setores de informação bibliográfica das unidades acadêmicas onde estudantes e docentes estão localizados com pouca interação entre eles. O esforço de colaboração deve estar baseado no uso de recursos impressos e eletrônicos que promovam o sistema de biblioteca e que combina o alto uso da tecnologia, com o bibliotecário oferecendo uma assistência técnica, bem como assistência de referência tradicional. Em realidade, bibliotecários desempenham múltiplos papeis neste tipo de ambiente. A biblioteca híbrida representa a descoberta da aprendizagem como ferramenta que requer habilidades mais próximas da Biblioteconomia. A composição de equipes colaborativas é destacada com um número ideal situado entre quatro a sete pessoas, orientadas sob objetivos claros e baseados em problemas integrados com as metas da biblioteca, e considerando a importância da comunicação, da autoridade para tomar e implementar decisões por conta própria e contando com um líder experiente, disposto a mudar com habilidade em facilitar e desenvolver relacionamentos. Uma equipe multifuncional precisa ter missão clara, na qual se inclui o propósito da própria equipe, o problema ou oportunidade buscada, e os resultados, recursos e funções almejados. Além disso, esses resultados almejados têm que ser orientados a dados, como as decisões de uma equipe de sucesso estarem baseadas em pesquisa sistematizada e aprendizagem contínua ao invés de limitada apenas ao “pensamento de grupo”. No cenário atual, a biblioteca para atingir um nível de excelência em seus serviços precisa estar conectada em redes com suas próprias estruturas e/ou agências similares. No cenário descrito considera-se que o modelo de biblioteca híbrida incorpora uma equipe composta, entre outros, por bibliotecários híbridos e que chegam ao seu público, bem como forneça recursos tecnológicos (laboratórios, salas multimídias etc.) e mantenha ativa a “mística da biblioteca” como lugar vital de conexão entre pessoas. Além do cuidado em não marginalizar aqueles usuários que procuram uma experiência de biblioteca tradicional. Afinal, a biblioteca tradicional não morreu, ela apenas se transforma ou se transfigura pressionada pelo desenvolvimento tecnológico e pela agilização no atendimento de demandas simples às complexas, por vários canais de comunicação e interação: impresso, analógico e digital.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

García Lorca e mais 300 autores espanhóis entram em domínio público

Jesús Ruiz Mantilla e Tommaso Koch - El País - 01/01/2017 http://www.blogdogaleno.com.br/2017/01/04/garcia-lorca-e-mais-300-autores-espanhois-entram-em-dominio-publico No ano de 1936, a Espanha se partiu em duas. E o golpe de Estado que abriu caminho para a Guerra Civil arrasou também um futuro de brilhantismo nas letras ao grito de “Morram os intelectuais!”. Oitenta anos depois, a maioria das feridas daquela época estão cicatrizadas. A Biblioteca Nacional espanhola quer terminar de curá-las e por isso elaborou um índice de autores desaparecidos dos dois lados, cujos direitos passam a domínio público agora. “Foi um ano dramático, no qual se perdeu muito mais do que o imaginável. Resta construir pontes, mais ainda agora que os direitos desses autores ficam à disposição de todos e se multiplicam as possibilidades de difusão de suas obras”, afirma a diretora da BNE, Ana Santos Aramburo. Na Espanha, a lei determina 70 anos a partir da morte de um autor para que sua obra entre em domínio público. A partir de 1o de janeiro do ano seguinte, qualquer pessoa pode usar suas obras, com a condição de respeitar o direito moral e a autoria. No entanto, o sistema, semelhante na maioria dos países, vale apenas para as mortes posteriores a 7 de dezembro de 1987, quando foi reformada a Lei de Propriedade Intelectual. Os autores falecidos antes estão sujeitos à legislação de 1879: seus direitos caducam 80 anos e um dia após a morte, como esclarece o advogado especialista em Propriedade Intelectual Andy Ramos. Assim, a obra de autores como García Lorca e Valle-Inclán, falecidos em 1936, já se tornou disponível a todos. E em 1o de janeiro somou-se a ele Miguel de Unamuno, morto em 31 de dezembro de 1936. Mas esse ano significou muito mais. José Carlos Mainer, catedrático da Universidade de Zaragoza e crítico do EL PAÍS, elaborou uma lista na qual, além dos consagrados, inclui vários autores dessa época a serem lembrados. “O ano de 1936 foi um annus horribilis, mas também mirabilis. Sabemos quem foram seus falecidos célebres. Mas também foi um ano de grandes livros de autores que continuaram vivos: Juan de Mairena, de Machado; Canción, de Juan Ramón Jiménez; o segundo Cántico, de Jorge Guillén; Razón de amor, de Pedro Salinas, La realidad y el deseo, de Luis Cernuda: obras de velhos e de outros que já não eram tão jovens. Isso nos dá a medida do que foi destruído sem chance de recuperação”, comenta. “Para mim, aquele ano continua sendo o erro que abriu uma brecha duradoura no desenvolvimento de nosso país como comunidade cultural e política.” Não só do lado perdedor, mas também entre os que ganharam a guerra. “Falo de Muñoz Seca, a quem sempre deveremos La venganza de don Mendo… Não esquecemos de pessoas de extrema direita que também desapareceram como Ramiro de Maeztu e Manuel Bueno, que deixou Valle-Inclán desamparado e que escreveu em 1936 um romance sobre as culpas dos descontentes do início do século, Los nietos de Danton. Também menciono como escritores três clérigos assassinados: Julián Zarco, que era bibliotecário erudito de El Escorial; Zacarías García Villada, o criador da paleografia espanhola, e o Padre Poveda, criador da Institución Teresiana, que tem papel de destaque no feminismo católico. E, sem dúvida, José Antonio Primo de Rivera e Ramiro Ledesma Ramos, porque, apesar de serem políticos fascistas, escreveram romances”, afirma Mainer. Parece que uma nova vida espera por muitos deles. José Antonio Ponte Far, patrono da Fundación Valle-Inclán, considera que o vencimento dos direitos “vai favorecer a difusão da obra de Valle e o aumento de suas traduções ao galego”. “A passagem para o domínio público é notável. Para vários autores, representou uma publicação muito maior. Mas quantidade não significa qualidade”, adverte Diego Moreno, responsável pela editora Nórdica. É precisamente para aumentar o alcance das criações que a propriedade intelectual, diferentemente da de um carro ou casa, caduca. “Os prazos respondem a um equilíbrio entre o acesso à Cultura, que enriquece a sociedade, e a proteção do autor e de seus descendentes”, acrescenta Ramos. No caso de García Lorca, a receita dos direitos era repartida igualmente entre seus seis herdeiros. “Não são cifras milionárias, mas alguma renda, afinal”, afirma Mercedes Casanovas, da agência Casanovas y Lynch, que gerencia os direitos do poeta granadino. E Moreno conta como se calcula habitualmente o número. Primeiro, multiplica-se a tiragem do livro por seu preço de venda. Entre 8% e 10% do total se destinam aos royalties: normalmente a metade como antecipação e a outra à medida que a obra vai sendo vendida. “As criações de Lorca sempre foram publicadas em muitas editoras, sem contratos exclusivos. Mas ultimamente temos recebido perguntas sobre quando passava a domínio público”, acrescenta Casanovas. Essas dúvidas refletem a confusão envolvendo os direitos autorais. Por exemplo, Lorca já é de todos na Espanha, mas não nos Estados Unidos, onde o prazo depende da data da primeira publicação de cada obra no país. Ao mesmo tempo, muitíssimos autores estrangeiros são liberados em seu país uma década antes dos 80 anos espanhóis e com frequência as editoras nacionais não sabem se já podem publicá-los – como fizeram erroneamente com O grande Gatsby em 2011 – ou não, porque alguém detém os direitos na Espanha. É por isso que muitos entrevistados expressam o mesmo desejo: um portal que permita identificar quem administra os direitos de cada autor, até quando ou se já pertence ao domínio público. A lista da Biblioteca Nacional, pelo menos, é um primeiro passo.

3 livros que vão virar filme em 2017

Cinema 10 - 23/11/2016 Transportar a história de um livro para a telona nem sempre é missão fácil. Muitos amantes da literatura ficam inconformados com os “cortes” necessários para a adaptação, enquanto cinéfilos ressaltam a contribuição dos efeitos especiais e das grandes atuações para dar vida à história contada em papel. Em 2016, grandes obras literárias foram revividas no cinema, como “A Garota No Trem”, “Alice Através do Espelho” e “Como eu Era Antes de Você”. No ano que vem, outras grandes obras também vão estrear como filme no Brasil. Para você já ir se aquecendo, separamos a sinopse de três livros que serão adaptados para o cinema e ainda indicamos onde é possível comprá-los. http://www.blogdogaleno.com.br/2016/11/24/3-livros-que-vao-virar-filme-em-2017 A Longa Caminhada de Billy Lynn (Ben Fountain) O livro Billy Lynn’s Long Halftime Walk, que ainda não foi traduzido para português, conta a história de Billy Lynn, soldado americano, de 19 anos, e seus companheiros de exército. Após serem filmados derrotando inimigos na guerra no Iraque, eles se transformam em sensação no YouTube. O governo os traz de volta para casa para uma turnê pelo país e, durante as últimas horas da visita, Billy vai se misturar com os ricos e poderosos, suportar a política e louvor de seus colegas americanos e se apaixonar. Porém, amanhã ele deve voltar para a guerra. Vencedor do National Book Critics Circle Award, na categoria Ficção, o livro está a venda na Saraiva. Sete Minutos Depois da Meia-Noite (Patrick Ness) O livro, que pode ser encontrado na versão digital na Amazon, conta a história de Connor, um menino de 13 anos que sofre com a doença da mãe, os maltratos da avó e o bullying dos colegas. Todas as noites, Connor acorda de um terrível pesadelo e recebe a visita de um monstro-árvore, que promete o ajudar desde que o garoto nunca minta para ele. Baseado na idéia de Siobhan Dowd, Sete minutos depois da meia-noite é uma história em que fantasia e realidade se misturam, em um livro que traz ilustrações lindíssimas que complementam a sensibilidade do texto. Deixe a Neve Cair (Jhon Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle) Dividido em três histórias distintas que se cruzam em algum momento – O Expresso Jubileu, O Milagre da Torcida de Natal e O Santo Padroeiro dos Porcos – o livro traz contos que acontecem na véspera de Natal e têm como pano de fundo uma forte nevasca. Com uma leitura leve, a obra é voltada para o público adolescente, mas combina bem com um fim de semana na praia. Você pode comprá-lo na Americanas.com. Aproveite as dicas para renovar os livros de cabeceira. Não se esqueça que comprando pelo Méliuz você tem acesso a cupons de desconto exclusivos e ainda recebe de volta, em dinheiro, uma parte do valor gasto (cashback).

A importância da leitura infantil para o desenvolvimento da criança

http://www.blogdogaleno.com.br/2012/06/13/a-importancia-da-leitura-infantil-para-o-desenvolvimento-da-crianca Eline Fernandes de Castro Portal R7 - Brasil Escola “O desenvolvimento de interesses e hábitos permanentes de leitura é um processo constante, que principia no lar, aperfeiçoa-se sistematicamente na escola e continua pela vida afora.” Bamberger Resumo Reconhecer a importância da literatura infantil e incentivar a formação do hábito de leitura na idade em que todos os hábitos se formam, isto é, na infância, é o que este artigo vem propor. Neste sentido, a literatura infantil é um caminho que leva a criança a desenvolver a imaginação, emoções e sentimentos de forma prazerosa e significativa. O presente estudo inicia com um breve histórico da literatura infantil, apresenta conceitos de linguagem e leitura, enfoca a importância de ouvir histórias e do contato da criança desde cedo com o livro e finalmente esboça algumas estratégias para desenvolver o hábito de ler. Palavras-chave: Educação, Literatura Infantil, Leitura, Desenvolvimento da criança. Introdução O estudo realizado tem por objetivo, verificar a contribuição da literatura infantil no desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança. Ao longo dos anos, a educação preocupa-se em contribuir para a formação de um indivíduo crítico, responsável e atuante na sociedade. Isso porque se vive em uma sociedade onde as trocas sociais acontecem rapidamente, seja através da leitura, da escrita, da linguagem oral ou visual. Diante disso, a escola busca conhecer e desenvolver na criança as competências da leitura e da escrita e como a literatura infantil pode influenciar de maneira positiva neste processo. Assim, Bakhtin (1992) expressa sobre a literatura infantil abordando que por ser um instrumento motivador e desafiador, ela é capaz de transformar o indivíduo em um sujeito ativo, responsável pela sua aprendizagem , que sabe compreender o contexto em que vive e modificá-lo de acordo com a sua necessidade. Esta pesquisa visa a enfocar toda a importância que a literatura infantil possui, ou seja, que ela é fundamental para a aquisição de conhecimentos, recreação, informação e interação necessários ao ato de ler. De acordo com as idéias acima, percebe-se a necessidade da aplicação coerente de atividades que despertem o prazer de ler, e estas devem estar presentes diariamente na vida das crianças, desde bebês. Conforme Silva (1992, p.57) “bons livros poderão ser presentes e grandes fontes de prazer e conhecimento. Descobrir estes sentimentos desde bebezinhos, poderá ser uma excelente conquista para toda a vida.” Apesar da grande importância que a literatura exerce na vida da criança, seja no desenvolvimento emocional ou na capacidade de expressar melhor suas idéias, em geral, de acordo com Machado (2001), elas não gostam de ler e fazem-no por obrigação. Mas afinal, por que isso acontece? Talvez seja pela falta de exemplo dos pais ou dos professores, talvez não. O que se percebe é que a literatura, bem como toda a cultura criadora e questionadora, não está sendo explorada como deve nas escolas e isto ocorre em grande parte, pela pouca informação dos professores. A formação acadêmica, infelizmente não dá ênfase à leitura e esta é uma situação contraditória, pois segundo comentário de Machado (2001, p.45) “não se contrata um instrutor de natação que não sabe nadar, no entanto, as salas de aula brasileira estão repletas de pessoas que apesar de não ler, tentam ensinar”. Existem dois fatores que contribuem para que a criança desperte o gosto pela leitura: curiosidade e exemplo. Neste sentido, o livro deveria ter a importância de uma televisão dentro do lar. Os pais deveriam ler mais para os filhos e para si próprios. No entanto, de acordo com a UNESCO (2005) somente 14% da população tem o hábito de ler, portanto, pode-se afirmar que a sociedade brasileira não é leitora. Nesta perspectiva, cabe a escola desenvolver na criança o hábito de ler por prazer, não por obrigação. Contextualizando Literatura Infantil Os primeiros livros direcionados ao público infantil, surgiram no século XVIII. Autores como La Fontaine e Charles Perrault escreviam suas obras, enfocando principalmente os contos de fadas. De lá pra cá, a literatura infantil foi ocupando seu espaço e apresentando sua relevância. Com isto, muitos autores foram surgindo, como Hans Christian Andersen, os irmãos Grimm e Monteiro Lobato, imortalizados pela grandiosidade de suas obras. Nesta época, a literatura infantil era tida como mercadoria, principalmente para a sociedade aristocrática. Com o passar do tempo, a sociedade cresceu e modernizou-se por meio da industrialização, expandindo assim, a produção de livros. A partir daí os laços entre a escola e literatura começam a se estreitar, pois para adquirir livros era preciso que as crianças dominassem a língua escrita e cabia a escola desenvolver esta capacidade. De acordo com Lajolo & Zilbermann, “a escola passa a habilitar as crianças para o consumo das obras impressas, servindo como intermediária entre a criança e a sociedade de consumo”. (2002, p.25) Assim, surge outro enfoque relevante para a literatura infantil, que se tratava na verdade de uma literatura produzida para adultos e aproveitada para a criança. Seu aspecto didático-pedagógico de grande importância baseava-se numa linha moralista, paternalista, centrada numa representação de poder. Era, portanto, uma literatura para estimular a obediência, segundo a igreja, o governo ou ao senhor. Uma literatura intencional, cujas histórias acabavam sempre premiando o bom e castigando o que é considerado mau. Segue à risca os preceitos religiosos e considera a criança um ser a se moldar de acordo com o desejo dos que a educam, podando-lhe aptidões e expectativas. Até as duas primeiras décadas do século XX, as obras didáticas produzidas para a infância, apresentavam um caráter ético-didático, ou seja, o livro tinha a finalidade única de educar, apresentar modelos, moldar a criança de acordo com as expectativas dos adultos. A obra dificilmente tinha o objetivo de tornar a leitura como fonte de prazer, retratando a aventura pela aventura. Havia poucas histórias que falavam da vida de forma lúdica, ou que faziam pequenas viagens em torno do cotidiano, ou a afirmação da amizade centrada no companheirismo, no amigo da vizinhança, da escola, da vida. Essa visão de mundo maniqueísta, calçada no interesse do sistema, passa a ser substituída por volta dos anos 70 e a literatura infantil passa por uma revalorização, contribuída em grande parte pelas obras de Monteiro Lobato, no que se refere ao Brasil. Ela então, se ramifica por todos os caminhos da atividade humana, valorizando a aventura, o cotidiano, a família, a escola, o esporte, as brincadeiras, as minorias raciais, penetrando até no campo da política e suas implicações. Hoje a dimensão de literatura infantil é muito mais ampla e importante. Ela proporciona à criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivo indiscutíveis. Segundo Abramovich (1997) quando as crianças ouvem histórias, passam a visualizar de forma mais clara, sentimentos que têm em relação ao mundo. As histórias trabalham problemas existenciais típicos da infância, como medos, sentimentos de inveja e de carinho, curiosidade, dor, perda, além de ensinarem infinitos assuntos. É através de uma história que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outras regras, outra ética, outra ótica...É ficar sabendo história, filosofia, direito, política, sociologia, antropologia, etc. sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula (ABRAMOVICH, 1997, p.17) Neste sentido, quanto mais cedo a criança tiver contato com os livros e perceber o prazer que a leitura produz, maior será a probabilidade dela tornar-se um adulto leitor. Da mesma forma através da leitura a criança adquire uma postura crítico-reflexiva,extremamente relevante à sua formação cognitiva. Quando a criança ouve ou lê uma história e é capaz de comentar, indagar, duvidar ou discutir sobre ela, realiza uma interação verbal, que neste caso, vem ao encontro das noções de linguagem de Bakhtin (1992). Para ele, o confrontamento de idéias, de pensamentos em relação aos textos, tem sempre um caráter coletivo, social. O conhecimento é adquirido na interlocução, o qual evolui por meio do confronto, da contrariedade. Assim, a linguagem segundo Bakthin (1992) é constitutiva, isto é, o sujeito constrói o seu pensamento, a partir do pensamento do outro, portanto, uma linguagem dialógica. A vida é dialógica por natureza. Viver significa participar de um diálogo: interrogar, escutar, responder, concordar, etc. Neste diálogo, o homem participa todo e com toda a sua vida: com os olhos, os lábios, as mãos, a alma, o espírito, com o corpo todo, com as suas ações. Ele se põe todo na palavra e esta palavra entra no tecido dialógico da existência humana, no simpósio universal. (BAKHTIN, 1992, p112) E é partindo desta visão da interação social e do diálogo, que se pretende compreender a relevância da literatura infantil, que segundo afirma Coelho (2001, p.17), “é um fenômeno de linguagem resultante de uma experiência existencial, social e cultural.” A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto. Segundo Coelho (2002) a leitura, no sentido de compreensão do mundo é condição básica do ser humano. A compreensão e sentido daquilo que o cerca inicia-se quando bebê, nos primeiros contatos com o mundo. Os sons, os odores, o toque, o paladar, de acordo com Martins (1994) são os primeiros passos para aprender a ler.Ler, no entanto é uma atividade que implica não somente a decodificação de símbolos, ela envolve uma série de estratégias que permite o indivíduo compreender o que lê. Neste sentido, relata os PCN’s (2001, p.54.): Um leitor competente é alguém que, por iniciativa própria, é capaz de selecionar, dentre os trechos que circulam socialmente, aqueles que podem atender a uma necessidade sua. Que consegue utilizar estratégias de leitura adequada para abordá-los de forma a atender a essa necessidade. Assim, pode-se observar que a capacidade para aprender está ligada ao contexto pessoal do indivíduo. Desta forma, Lajolo (2002) afirma que cada leitor, entrelaça o significado pessoal de suas leituras de mundo, com os vários significados que ele encontrou ao longo da história de um livro, por exemplo. O ato de ler então, não representa apenas a decodificação, já que esta não está imediatamente ligada a uma experiência, fantasia ou necessidade do indivíduo. De acordo com os PCN’s (2001) a decodificação é apenas uma, das várias etapas de desenvolvimento da leitura. A compreensão das idéias percebidas, a interpretação e a avaliação são as outras etapas que segundo Bamberguerd (2003, p.23) “fundem-se no ato da leitura”. Desta forma, trabalhar com a diversidade textual, segundo os PCN’s (2001), fazendo com que o indivíduo desenvolva significativamente as etapas de leitura é contribuir para a formação de leitores competentes. A importância de ouvir histórias Ouvir histórias é um acontecimento tão prazeroso que desperta o interesse das pessoas em todas as idades. Se os adultos adoram ouvir uma boa história, um “bom causo”, a criança é capaz de se interessar e gostar ainda mais por elas, já que sua capacidade de imaginar é mais intensa. A narrativa faz parte da vida da criança desde quando bebê, através da voz amada, dos acalantos e das canções de ninar, que mais tarde vão dando lugar às cantigas de roda, a narrativas curtas sobre crianças, animais ou natureza. Aqui, crianças bem pequenas, já demonstram seu interesse pelas histórias, batendo palmas, sorrindo, sentindo medo ou imitando algum personagem. Neste sentido, é fundamental para a formação da criança que ela ouça muitas histórias desde a mais tenra idade. O primeiro contato da criança com um texto é realizado oralmente, quando o pai, a mãe, os avós ou outra pessoa conta-lhe os mais diversos tipos de histórias. A preferida, nesta fase, é a história da sua vida. A criança adora ouvir como foi que ela nasceu, ou fatos que aconteceram com ela ou com pessoas da sua família. À medida que cresce, já é capaz de escolher a história que quer ouvir, ou a parte da história que mais lhe agrada. É nesta fase, que as histórias vão tornando-se aos poucos mais extensas, mais detalhadas. A criança passa a interagir com as histórias, acrescenta detalhes, personagens ou lembra de fatos que passaram despercebidos pelo contador. Essas histórias reais são fundamentais para que a criança estabeleça a sua identidade, compreender melhor as relações familiares. Outro fato relevante é o vínculo afetivo que se estabelece entre o contador das histórias e a criança. Contar e ouvir uma história aconchegado a quem se ama é compartilhar uma experiência gostosa, na descoberta do mundo das histórias e dos livros. Algum tempo depois, as crianças passam a se interessar por histórias inventadas e pelas histórias dos livros, como: contos de fadas ou contos maravilhosos, poemas, ficção, etc. Têm nesta perspectiva, a possibilidade de envolver o real e o imaginário que de acordo com Sandroni & Machado (1998, p.15) afirmam que “os livros aumentam muito o prazer de imaginar coisas. A partir de histórias simples, a criança começa a reconhecer e interpretar sua experiência da vida real”. É importante contar histórias mesmo para as crianças que já sabem ler, pois segundo Abramovich (1997, p.23) “quando a criança sabe ler é diferente sua relação com as histórias, porém, continua sentindo enorme prazer em ouvi-las”. Quando as crianças maiores ouvem as histórias, aprimoram a sua capacidade de imaginação, já que ouvi-las pode estimular o pensar, o desenhar, o escrever, o criar, o recriar. Num mundo hoje tão cheio de tecnologias, onde as informações estão tão prontas, a criança que não tiver a oportunidade de suscitar seu imaginário, poderá no futuro, ser um indivíduo sem criticidade, pouco criativo, sem sensibilidade para compreender a sua própria realidade. Portanto, garantir a riqueza da vivência narrativa desde os primeiros anos de vida da criança contribui para o desenvolvimento do seu pensamento lógico e também de sua imaginação,que segundo Vigotsky (1992, p.128) caminham juntos: “a imaginação é um momento totalmente necessário, inseparável do pensamento realista.”. Neste sentido, o autor enfoca que na imaginação a direção da consciência tende a se afastar da realidade. Esse distanciamento da realidade através de uma história por exemplo, é essencial para uma penetração mais profunda na própria realidade: “afastamento do aspecto externo aparente da realidade dada imediatamente na percepção primária possibilita processos cada vez mais complexos, com a ajuda dos quais a cognição da realidade se complica e se enriquece. (VIGOTSKY, 1992, p.129) ”. O contato da criança com o livro pode acontecer muito antes do que os adultos imaginam. Muitos pais acreditam que a criança que não sabe ler não se interessa por livros, portanto não precisa ter contato com eles. O que se percebe é bem ao contrário. Segundo Sandroni & Machado (2000, p.12) “a criança percebe desde muito cedo, que livro é uma coisa boa, que dá prazer”. As crianças bem pequenas interessam-se pelas cores, formas e figuras que os livros possuem e que mais tarde, darão significados a elas, identificando-as e nomeando-as. É importante que o livro seja tocado pela criança, folheado, de forma que ela tenha um contato mais íntimo com o objeto do seu interesse.A partir daí, ela começa a gostar dos livros, percebe que eles fazem parte de um mundo fascinante, onde a fantasia apresenta-se por meio de palavras e desenhos. De acordo com Sandroni & Machado (1998, p.16) “o amor pelos livros não é coisa que apareça de repente”. É preciso ajudar a criança a descobrir o que eles podem oferecer. Assim, pais e professores têm um papel fundamental nesta descoberta: serem estimuladores e incentivadores da leitura. A literatura e os estágios psicológicos da criança Durante o seu desenvolvimento, a criança passa por estágios psicológicos que precisam ser observados e respeitados no momento da escola de livros para ela. Essas etapas não dependem exclusivamente de sua idade, mas de acordo com Coelho (2002) do seu nível de amadurecimento psíquico, afetivo e intelectual e seu nível de conhecimento e domínio do mecanismo da leitura. Neste sentido, é necessária a adequação dos livros às diversas etapas pelas quais a criança normalmente passa. Existem cinco categorias que norteiam as fases do desenvolvimento psicológico da criança: o pré-leitor, o leitor iniciante, o leitor-em-processo, o leitor fluente e o leitor crítico. O pré-leitor: categoria que abrange duas fases.Primeira infância (dos 15/17 meses aos 3 anos) Nesta fase a criança começa a reconhecer o mundo ao seu redor através do contato afetivo e do tato. Por este motivo ela sente necessidade de pegar ou tocar tudo o que estiver ao seu alcance. Outro momento marcante nesta fase é a aquisição da linguagem, onde a criança passa a nomear tudo a sua volta. A partir da percepção da criança com o meio em que vive, é possível estimulá-la oferecendo-lhe brinquedos, álbuns, chocalhos musicais, entre outros. Assim, ela poderá manuseá-los e nomeá-los e com a ajuda de um adulto poderá relacioná-los propiciando situações simples de leitura. Segunda infância (a partir dos 2/3 anos) É o início da fase egocêntrica. Está mais adaptada ao meio físico e aumenta sua capacidade e interesse pela comunicação verbal. Como interessa-se também por atividades lúdicas, o “brincar”com o livro será importante e significativo para ela. Nesta fase, os livros adequados, de acordo com Abramovich (1997) devem apresentar um contexto familiar, com predomínio absoluto da imagem que deve sugerir uma situação. Não se deve apresentar texto escrito, já que é através da nomeação das coisas que a criança estabelecerá uma relação entre a realidade e o mundo dos livros. Livros que propõem humor, expectativa ou mistério são indicados para o pré-leitor. A técnica da repetição ou reiteração de elementos são segundo Coelho (2002, p.34) “favoráveis para manter a atenção e o interesse desse difícil leitor a ser conquistado”. O leitor iniciante (a partir dos 6/7 anos) Essa é a fase em que a criança começa a apropriar-se da decodificação dos símbolos gráficos, mas como ainda encontra-se no início do processo, o papel do adulto como “agente estimulador” é fundamental. Os livros adequados nesta fase devem ter uma linguagem simples com começo, meio e fim. As imagens devem predominar sobre o texto. As personagens podem ser humanas, bichos, robôs, objetos, especificando sempre os traços de comportamento, como bom e mau, forte e fraco, feio e bonito. Histórias engraçadas, ou que o bem vença o mal atraem muito o leitor nesta fase. Indiferentemente de se utilizarem textos como contos de fadas ou do mundo cotidiano, de acordo com Coelho (ibid, p. 35) “eles devem estimular a imaginação, a inteligência, a afetividade, as emoções, o pensar, o querer, o sentir”. O leitor-em-processo (a partir dos 8/9anos) A criança nesta fase já domina o mecanismo da leitura. Seu pensamento está mais desenvolvido, permitindo-lhe realizar operações mentais. Interessa-se pelo conhecimento de toda a natureza e pelos desafios que lhes são propostos. O leitor desta fase tem grande atração por textos em que haja humor e situações inesperadas ou satíricas. O realismo e o imaginário também agradam a este leitor. Os livros adequados a esta fase devem apresentar imagens e textos, estes, escritos em frases simples, de comunicação direta e objetiva. De acordo com Coelho (2002) deve conter início, meio e fim. O tema deve girar em torno de um conflito que deixará o texto mais emocionante e culminar com a solução do problema. O leitor fluente (a partir dos 10/11 anos) O leitor fluente está em fase de consolidação dos mecanismos da leitura. Sua capacidade de concentração cresce e ele é capaz de compreender o mundo expresso no livro. Segundo Coelho (2002) é a partir dessa fase que a criança desenvolve o “pensamento hipotético dedutivo” e a capacidade de abstração. Este estágio, chamado de pré-adolescência, promove mudanças significativas no indivíduo. Há um sentimento de poder interior, de ver-se como um ser inteligente, reflexivo, capaz de resolver todos os seus problemas sozinhos. Aqui há uma espécie de retomada do egocentrismo infantil, pois assim como acontece com as crianças nesta fase, o pré-adolescente pode apresentar um certo desequilíbrio com o meio em que vive. O leitor fluente é atraído por histórias que apresentem valores políticos e éticos, por heróis ou heroínas que lutam por um ideal. Identificam-se com textos que apresentam jovens em busca de espaço no meio em que vivem, seja no grupo, equipe, entre outros.É adequado oferecer a esse tipo de leitor histórias com linguagem mais elaborada. As imagens já não são indispensáveis, porém ainda são um elemento forte de atração. Interessam-se por mitos e lendas, policiais, romances e aventuras. Os gêneros narrativos que mais agradam são os contos, as crônicas e as novelas. O leitor crítico (a partir dos 12/13 anos) Nesta fase é total o domínio da leitura e da linguagem escrita. Sua capacidade de reflexão aumenta, permitindo-lhe a intertextualização. Desenvolve gradativamente o pensamento reflexivo e a consciência crítica em relação ao mundo. Sentimentos como saber, fazer e poder são elementos que permeiam o adolescente. O convívio do leitor crítico com o texto literário, segundo Coelho (2002, p.40) “deve extrapolar a mera fruição de prazer ou emoção e deve provocá-lo para penetrar no mecanismo da leitura”. O leitor crítico continua a interessar-se pelos tipos de leitura da fase anterior, porém, é necessário que ele se aproprie dos conceitos básicos da teoria literária. De acordo com Coelho (ibid, p.40) a literatura é considerada a arte da linguagem e como qualquer arte exige uma iniciação. Assim, há certos conhecimentos a respeito da literatura que não podem ser ignorados pelo leitor crítico. Conclusão Desenvolver o interesse e o hábito pela leitura é um processo constante, que começa muito cedo, em casa, aperfeiçoa-se na escola e continua pela vida inteira. Existem diversos fatores que influenciam o interesse pela leitura. O primeiro e talvez mais importante é determinado pela “atmosfera literária” que, segundo Bamberguerd (2000, p.71) a criança encontra em casa. A criança que houve histórias desde cedo, que tem contato direto com livros e que seja estimulada, terá um desenvolvimento favorável ao seu vocabulário, bem como a prontidão para a leitura. De acordo com Bamberguerd (2000) a criança que lê com maior desenvoltura se interessa pela leitura e aprende mais facilmente, neste sentido, a criança interessada em aprender se transforma num leitor capaz. Sendo assim, pode-se dizer que a capacidade de ler está intimamente ligada a motivação. Infelizmente são poucos os pais que se dedicam efetivamente em estimular esta capacidade nos seus filhos. Outro fator que contribui positivamente em relação à leitura é a influência do professor. Nesta perspectiva, cabe ao professor desempenhar um importante papel: o de ensinar a criança a ler e a gostar de ler. Professores que oferecem pequenas doses diárias de leitura agradável, sem forçar, mas com naturalidade, desenvolverão na criança um hábito que poderá acompanhá-la pela vida afora. Para desenvolver um programa de leitura equilibrado, que integre os conteúdos relacionados ao currículo escolar e ofereça uma certa variedade de livros de literatura como contos, fábulas e poesias, é preciso que o professor observe a idade cronológica da criança e principalmente o estágio de desenvolvimento de leitura em que ela se encontra. De acordo com Sandroni & Machado (1998, p.23) “o equilíbrio de um programa de leitura depende muito mais do bom senso e da habilidade do professor que de uma hipotética e inexistente classe homogênea”. Assim, as condições necessárias ao desenvolvimento de hábitos positivos de leitura, incluem oportunidades para ler de todas as formas possíveis. Freqüentar livrarias, feiras de livros e bibliotecas são excelentes sugestões para tornar permanente o hábito de leitura. Num mundo tão cheio de tecnologias em que se vive, onde todas as informações ou notícias, músicas, jogos, filmes, podem ser trocados por e-mails, cd’s e dvd’s o lugar do livro parece ter sido esquecido. Há muitos que pensem que o livro é coisa do passado, que na era da Internet, ele não tem muito sentido. Mas, quem conhece a importância da literatura na vida de uma pessoa, quem sabe o poder que tem uma história bem contada, quem sabe os benefícios que uma simples história pode proporcionar, com certeza haverá de dizer que não há tecnologia no mundo que substitua o prazer de tocar as páginas de um livro e encontrar nelas um mundo repleto de encantamento. Se o professor acreditar que além de informar, instruir ou ensinar, o livro pode dar prazer, encontrará meios de mostrar isso à criança. E ela vai se interessar por ele, vai querer buscar no livro esta alegria e prazer. Tudo está em ter a chance de conhecer a grande magia que o livro proporciona. Enfim, a literatura infantil é um amplo campo de estudos que exige do professor conhecimento para saber adequar os livros às crianças, gerando um momento propício de prazer e estimulação para a leitura. Trabalho científico apresentado à Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, como requisito parcial para a obtenção do Título de graduada em Licenciatura Específica em Português. ELINE FERNANDES DE CASTRO Impulsionar publicação