sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Webinar Desenvolvimento de Coleções


SEBPM RECOMENDA:https://www.youtube.com/watch?v=eiU3mtlPn58&feature=youtu.be

Webinar Desenvolvimento de Coleções – Malena Xavier
https://youtu.be/kA_6CX6zym0

Webinar Enraizamento Comunitário – Cida Fernandez
https://www.youtube.com/watch?v=4evIxK_RfuI

Webinar Políticas Públicas – Elisa Machado
https://www.youtube.com/watch?v=eiU3mtlPn58&feature=youtu.be


Atividades das bibliotecas públicas municipais
A biblioteca na qual você trabalha tem desenvolvido alguma atividade interessante de incentivo à leitura? Envie por email um pequeno relato e uma foto do seu trabalho para divulgarmos no novo site da Superintendência. Precisamos dar visibilidade ao que acontece nas nossas bibliotecas!

Assessorias técnicas
O trabalho em uma biblioteca pública é desafiador. Você sabia que o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas Municipais conta com uma equipe altamente capacitada à disposição dos gestores das bibliotecas públicas? As bibliotecárias podem ajudar nas questões sobre seleção, aquisição e tratamento de acervos; organização de acervos e espaços físicos; aquisição de equipamentos e mobiliário; criação de associação de amigos da biblioteca pública; informatização de acervos e serviços; apoio para elaboração e acompanhamento de projetos; desenvolvimento de ações de incentivo à leitura. As demandas podem ser encaminhadas por email (sistema.sub@cultura.mg.gov.br) ou por telefone (31) 3269-1202.

NÃO SE ESQUEÇAM! Mantenha os contatos da biblioteca pública de seu município sempre atualizados. As atualizações podem ser feitas por email (sistema.sub@cultura.mg.gov.br) ou por telefone (31) 3269-1202, somente se houver alguma mudança.

Até a próxima!

Equipe do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas Municipais
Cleide, Cida, Ericka, Nathalia, Silvania, Vânia, Amanda e Sarah
(31) 3269-1202
E-mail: sistema.sub@cultura.mg.gov.br
Site: www.bibliotecapublica.mg.gov.br

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

DICAS DE RECICLAGEM PARA LIVROS, REVISTAS E APOSTILAS

http://www.bibliotecasdobrasil.com/2013/02/livros-revistas-e-apostilas-para.html
sil.com/2013/02/livros-revistas-e-apostilas-para.html

O blog Bibliotecas do Brasil não aceita como doação nenhum dos itens mencionados nesse post, pois somos um site de comunicação e não uma empresa de reciclagem mas te ajudamos a pensar e fazer o descarte correto de materiais recicláveis.

Lançamos o livro 'Ideias para bibliotecas livres - Um manual prático de autogestão independente' onde publicamos capítulos com dicas de extrema utilidade para quem administra espaços de leitura, bibliotecas livres e comunitárias e têm dúvidas em relação ao recebimento de doações de livros didáticos escolares, livros técnicos acadêmicos, apostilas de cursinhos de idiomas e pré-vestibular, revistas semanais, livros jurídicos e grandes coleções de enciclopédias. Também há muitas dicas para quem precisa doar livros de maneira consciente, e colaborar diretamente com o desenvolvimento das bibliotecas sem fazer doações problemáticas.
Em 'Ideias para bibliotecas livres' você vai encontrar orientações para não acumular livros, como selecionar livros antes de doar, como encaminhar livros antigos para doação, sugestões sobre o que fazer com livros danificados. São dicas importantes tanto para pessoas que coordenam bibliotecas quanto para pessoas que querem fazer doação. O livro custa apenas R$22,00 com frete grátis para todo o Brasil. Peça o seu exemplar.


Livros e revistas semanais ou de atualidades antigos, como as revistas Veja, Superinteressante, Isto É, Época e os livros didáticos, as apostilas de cursinho vestibular ou de idiomas - preenchidos ou em branco - as enciclopédias velhas e os livros jurídicos antigos, desatualizados, livros e gibis riscados, rasgados e manchados que já não servem para consulta ou leitura, podem ser aproveitados para reciclagem. 
Muitas pessoas podem achar que nós conhecemos uma escola ou biblioteca comunitária que utilize essas revistas em atividades de recorte em sala de aula, já fizemos até uma enquete perguntando e até hoje ninguém se manifestou. Não conhecemos ninguém que aceite esse material para qualquer tipo de uso, a não ser parareciclagem.
Hoje em dia existem materiais gráficos muitos mais ricos em ilustrações do que as revistas semanais - alguns destinados exclusivamente para recorte infantil nas bancas - e com produção editorial bem mais diversa, ilustrada, colorida e lúdica do que as revistas aqui mencionadas, que na maioria das vezes tem imagens que não deveriam passar pelas mãos de uma criança nem para recorte!

E se você achar que o material  que tem em casa é seguro para crianças e até pode ser utilizado para atividades de recorte e colagem, certifique-se primeiro de que a biblioteca para onde você pretende doar promova essas atividades. Sempre é importante perguntar e informar-se antes de fazer a doação para que a pilha de papéis sem destinação simplesmente não troque de lugar: antes entulhava a sua garagem, agora entulhará a sala de uma biblioteca comunitária. Isso não é legal para nenhum dos envolvidos, então, nossa dica fundamental é:

Pratique o descarte consciente de materiais recicláveis. Encaminhe para reciclagem.


Com a popularização dos barracões, galpões e cooperativas de reciclagem, com a maior compreensão e esclarecimento sobre a profissão do catador de materiais recicláveis, você mesmo pode encaminhar seu material reciclável para o descarte correto seja através de um agente ambiental - o catador, ou entregando pessoalmente em uma cooperativa ou barracão de reciclagem.

Procure cooperativas de reciclagem na sua cidade. Faça do Google o seu melhor amigo. Pesquise! Conversecom os vizinhos, com os moradores do seu bairro, com o pessoal do clube, da feira ou da igreja. Alguém sempre sabe de um local para descartar os materiais recicláveis, onde eles possam ser reutilizados e aproveitados da melhor forma possível. Encaminhe para os barracões, pois eles se transformam em renda para os catadores de material reciclável cooperados. Entre em contato com a prefeitura e as secretarias de meio ambiente da sua cidade e pergunte se eles têm coleta de material reciclável, ou planos para a implantação de coleta seletiva em sua cidade, e qual a destinação que no momento eles providenciam para esse tipo de material. Cobre da administração da sua cidade, é o seu papel como cidadã(o) querer o melhor e exigir que seja feito o melhor pela sua cidade.

Não queime livros. Conheça os 6 passos para uma doação consciente.

Não queime livros. Conheça os 6 passos para uma doação consciente.

Doe para o lugar certo: para cooperativas e barracões de reciclagem, para a coleta seletiva da sua cidade, associação de catadores, ou para catadores de material reciclável que costumam passar pelo seu bairro. Tenha sempre em mente que biblioteca comunitária e projetos de incentivo à leitura não são depósito de material reciclável. Pratique a doação consciente de livros. Se for doar para uma biblioteca PERGUNTE ANTES se esse material terá uso.
Rota da Reciclagem
Um site muito bacana para conhecer e consultar sempre que necessário é o Rota da Reciclagem. Tem um mapa do Brasil onde a pessoa interessada em doar material reciclável (livros, revistas, apostilas, e todo tipo de material que possa ser reciclado) pode procurar locais próximos de sua casa para fazer a entrega desse material. Veja a descrição, acesse o site:
"E você, já sabe onde levar seu lixo? Vai lá: www.rotadareciclagem.com.br. O site Rota da Reciclagem é mais uma ação da Tetra Pak a favor da reciclagem e em defesa do meio ambiente. Este espaço mostra de forma didática como qualquer pessoa interessada pode participar do processo de separação e entrega das embalagens longa vida para a reciclagem. Informa ainda onde estão localizadas as cooperativas de catadores, as empresas comerciais que trabalham com compra de materiais recicláveis e os pontos de entrega voluntária (PEV) que recebem embalagens da Tetra Pak. Este é um serviço que está em constante atualização e VOCÊ pode contribuir bastante para isso. Caso conheça alguma iniciativa de coleta seletiva, seja ela Cooperativa, Comércio ou PEV, que não esteja listada; nos informe para que possamos incluí-la! Assim podemos trabalhar juntos para aumentar essa cadeia de reciclagem!"

Facebook do Rota da Reciclagem.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

6 PASSOS PARA UMA DOAÇÃO CONSCIENTE DE LIVROS

6 PASSOS PARA UMA DOAÇÃO CONSCIENTE DE LIVROS

14.4.15

O princípio de ouro na doação de quaisquer objetos, sejam eles roupas, comida e livros, é a seguinte: faça uma doação consciente.

Ao doar livros para bibliotecas comunitárias, ou qualquer outra biblioteca do seu interesse, a primeira atitude a ser tomada é entrar em contato com os coordenadores da biblioteca, ou com o setor de doações se for uma biblioteca que disponibiliza esse serviço, e perguntar quais as necessidades e requisitos dos livros que eles precisam ter em seu acervo. O contato com as bibliotecas ou projetos que você queira ajudar pode ser feito através do email, telefone, redes sociais ou através de conhecidos que tenham essa informação.

As demais etapas seguem o bom senso, mas reforçamos aqui alguns fundamentos: ao doar qualquer objeto para outra pessoa (livros, revistas, material didático, enciclopédias, e outros materiais relativos à leitura) sempre faça uma autorreflexão: 


  • Esses livros estão em condições de serem repassados para novos leitores? 
  • Esses livros que estou doando podem ser verdadeiramente reaproveitados?
  • Eu apreciaria receber de outra pessoa esses livros que estou doando? 
  • Esses livros serão realmente úteis e serão utilizados por aqueles que irão recebê-los - ou eu estou supondo que eles serão úteis?

Como selecionar livros para doar: 

 1. Verifique se não está faltando alguma página - Se estiver, esse livro não serve para ser doado. A não ser que seja um livro infantil que valorize figuras e imagens, pode ser reutilizado em atividades recreativas, através de recortes, colagem e montagem de cartazes. Mas para leitura ele não serve. É bom confirmar previamente com a biblioteca se esse material será útil e se eles fazem atividades relacionadas à recorte e colagem; se não for o caso encaminhe para a reciclagem.

 2. Verifique as condições das páginas - se estão sujas, rasgadas, roídas, riscadas, contaminadas, danificadas por algum líquido, manchadas, emboloradas, com forte cheiro de qualquer substância, o livro não serve para ser repassado a um novo leitor;

 3. Livros muito antigos - É sempre bom confirmar com os coordenadores das bibliotecas comunitárias ou públicas se para eles há utilidade nesse material, pois os conhecimentos sempre se atualizam, principalmente em relação à enciclopédias, livros científicos, geográficos, livros de viagem e assim por diante. O blog Bibliotecas do Brasil tem uma pequena lista de locais que aceitam livros didáticos e enciclopédias antigas. 

 4. Enciclopédias Barsas, Larousses, etc - Geralmente essas enciclopédias são doadas em coleções com vários volumes. É importante entrar em contato através de telefone, email ou pelas redes sociais com os coordenadores das bibliotecas comunitárias ou setores de doação das demais bibliotecas, para ver a possibilidade de recebimento dessas coleções, pois algumas bibliotecas não têm espaço para abrigá-las, ou não possuem uma sala específica para o material de referência. Acontece também de não ter uma pessoa que possa estar diariamente em contato com os leitores, para ensiná-los como utilizar essas enciclopédias. O conteúdo precisa estar atualizado. É bom sempre perguntar antes de doar esse material, para que ele não fique encaixotado, sem utilização. Para mais informações sobre esse material leia o nosso post sobre reciclagem.

5. Livros didáticos e livros de cursos de idiomas - O recebimento desse material depende da biblioteca, algumas acham importante ter livros didáticos, e outras dão preferência a variados gêneros de livros. Como no caso das enciclopédias, é sempre bom verificar com a biblioteca se esse material é bem vindo antes de doar. Existem livros didáticos que só fazem sentido na sala de aula com acompanhamento de professores;

6. Livros danificados - O próprio doador pode enviar para a reciclagem ou encaminhar para um local especializado em restauro de livros. Não há a necessidade de enviar os livros danificados como doação para uma biblioteca comunitária ou demais bibliotecas, porque eles não servem mais, a não ser para a reciclagem ou reutilização após restauro. Confirme com a biblioteca antes de doar se ela tem um setor especializado em restauro e se o livro que você quer doar é interessante para o acervo dela. Leia o artigo 'parceria entre bibliotecas e cooperativas de reciclagem'.


 "Eu cuido muito para que os livros tenham sempre uma boa manutenção, e não repasso aqueles que estão se desmanchando, faltando páginas ou mofando. O amor que eu quero que as pessoas dediquem à leitura começa pelo aspecto do livro, pela primeira impressão que o leitor vai ter daquilo que está chegando às suas mãos". - Leticia Tafra da Fontoura do Leitura no Varal

quinta-feira, 30 de junho de 2016

INFORMACAO E CONHECIMENTO: desafios do administrador do futuro


Nas ultimas décadas convivemos com o fato de que o meio empresarial, de um modo geral, vem sofrendo intensas transformações, grande parte causadas pelo desenvolvimento de novos modelos de gestão, do incremento das tecnologias de informação e comunicação, bem como o fenômeno da globalização. Todo esse desenvolvimento culminou no aumento do número de empresas, da mão de obra capacitada e do nível de exigências dos consumidores, fatores esses que geram, naturalmente, a concorrência. Como meio de suportar os intensos avanços da competitividade, as empresas passaram a investir em estratégias de sobrevivência.

No Brasil, especialmente, os modelos baseados em estratégias ganharam grande espaço, já que a abertura de mercado trouxe uma quantidade grande de novas empresas, cujas tecnologias e know how apresentavam-se mais avançados. Desse modo, a partir da década de 1990, o avanço na implementação de modelos de estratégia, a criação de áreas especificas de inteligência nas organizações e a remodelagem profissional nesse âmbito, cresceram de forma exponencial.

Destaca-se que os modelos de gestão se desenvolvem em alta velocidade, ainda que tenhamos tido um período de cem anos na produção de grande parte desses modelos, visto que a administração empresarial tem evoluído sobremaneira desde o início da década de 1910 quando ocorreram grandes saltos em seu desenvolvimento, especialmente no âmbito industrial. Contudo, a década de 1990 passou a produzir provavelmente uma das mais elaboradas concepções sobre gestão, estratégia, inteligência e competitividade do meio empresarial. Naquela década, cujas características acima mencionadas pressionavam as empresas a buscar desenvolvimento, nascia também grande parte dos modelos de gestão baseados em informação. Tais modelos se desenvolvem ate os dias de hoje a passos largos, intensos, avançando para uma sociedade conhecida por representar a “Era da informação”, sendo também muitas vezes identificada por alguns meios como sendo a “Sociedade do Conhecimento”.

Nesse contexto, o papel do administrador passou a ser de superação, já que lidar com informação não se trata de tarefa fácil, considerando-se que esta existe e se dissemina via fluxos informacionais, os quais percorrem as veias das empresas sob as formas formais e informais. Esses fluxos formais e informais são diversos, fluidos, possuindo muitas vezes uma velocidade que dificulta sua apropriação quando estão sob a forma informal. Quanto aos registros e suportes que armazenam os fluxos formais, estes nem sempre são utilizados da forma adequada pelas empresas, já que as mesmas nem sempre lidam de maneira adequada com seus documentos que necessitam de manuseio especial, mas especialmente quando se faz uso de tecnologias, considerando-se que nem todas as empresas conseguem adaptar-se ao uso dos mesmos, sendo ainda que muitas não possuem recursos para os pesados investimentos nesta área. Ao mesmo tempo em que se lida com o desafio da gestão interna da informação, se faz necessário gerir também a informação externa, que independe muitas vezes do próprio negócio na empresa. São as chamadas informações conjunturais, que dizem respeito ao setor especificamente a questões políticas, composição de dados econômicos (micro e macro), incluindo-se também informações culturais, geográficas, regionais, indo até inclusive a esfera biológica. Destaca-se, sob essas considerações, as afirmações de Lopes (2010), porquanto a autora afirma que,

o conhecimento no contexto empresarial é extremamente importante, não somente enfocando o contexto interno, como o compartilhamento de informação sobre as rotinas da empresa. Extrema importância deve dada ao contexto externo, considerando-se os demais interessados nos negócios da empresa como clientes e investidores, por exemplo. Tais públicos necessitam de uma gama de informações que serão fundamentais para o processo de construção de conhecimento sobre os produtos, serviços e negócios de um modo geral. (LOPES, 2010, p. 58)

Nesse sentido, pode-se afirmar que a informação é, sem dúvida, insumo fundamental para o trabalho dos administradores, uma vez que estes tomam suas decisões realizando a avaliação de um conjunto de informações diversas que podem impactar de forma positiva ou negativa nos negócios. Sob essa perspectiva, é fundamental destacar a importância da construção de conhecimento nesses ambientes, já que este é baseado na apropriação de informações, sua interpretação, avaliação por parte dos administradores no que tange ao negócio, ou seja, a apropriação de um conjunto de informações, ou de uma informação especifica, constitui-se como parte fundamental do processo de construção de conhecimento.

Portanto, evidencia-se que a informação é extremamente relevante para a construção de conhecimento no âmbito empresarial, pois é a partir do momento em que o administrador se satisfaz com as informações acessadas e apropriadas, teoricamente está mais bem preparado para tomar a melhor decisão. Para Castells (2005) no novo tipo de economia a fonte fundamental de desenvolvimento se encontra na habilidade de obter novos conhecimentos e aplicá-los a cada espaço das atividades humanas, por meio de procedimentos vinculados a informação.

Considerando-se o atual estágio de competitividade empresarial, já mencionado, que vem marcado por constantes mudanças e necessidade de desenvolvimento, é essencial lançar mão da gestão da informação como ferramenta de análise, identificação e compreensão da estrutura do mercado em que a empresa atua, considerando-se que este instrumento é capaz de auxiliar na definição e no posicionamento estratégico da empresa. Quanto ao posicionamento estratégico e níveis de tomada de decisão, destaca-se a abordagem da Figura 1.

Figura 1: Tomada de decisão baseada em informação e conhecimento no contexto empresarial.
   

 Fonte: Elaborado pela autora


A figura apresentada destaca os níveis existentes dentro de uma empresa, considerados aqui de uma forma genérica, já que um ambiente empresarial possui inúmeros níveis departamentais. Nesse sentido, destaca-se as relações internas e externas da empresa, no tocante a apropriação e uso da informação. Observa-se que o nível estratégico utiliza um conjunto de informações externas, nos níveis micro e macro, não utilizados pelo nível operacional, que por sua vez necessita mais de informações sobre políticas internas, processos, rotinas, métodos racionais e não interpretativos, pois trata-se de uma área que realiza a produção de bens e/ou serviços, ao passo que as áreas estratégicas da empresa realizam todo o processo de tomada de decisão, análise de setor de atuação, considerações sobre abertura de filiais que necessita a avaliação interpretativa e realização de pesquisas, enfim, são tomadas de decisões baseadas em informações, porém, cada um possui focos e fontes distintas, bem como um processo de apropriação particular e, consequentemente, a construção de conhecimento específica.

Quanto ao papel do administrador no processo de apropriação e uso da informação como subsídios para a construção do conhecimento organizacional, pode-se afirmar que este deve considera-lo em função dos indivíduos que nela atuam, seja a partir do conhecimento trazido pelos fundadores ao longo dos anos e que foi sendo construído na medida em que os processos e métodos da empresa foram sendo elaborados. Também se considera o conhecimento advindo de experiências trazidas de fora por executivos contratados, constituindo o conjunto de saberes que fazem parte do conhecimento organizacional.

Pode-se dizer que o administrador torna-se capaz de desenvolver estratégias baseadas em informação e conhecimento, quando passa a compreender questões como:

§  onde estão as informações da empresa;
§  quais os fluxos informacionais existentes no ambiente empresarial;
§  quais são e onde estão as informações do âmbito externo que podem impactar o negócio da empresa;
§  onde está o conhecimento da minha equipe e, especialmente, de que forma eu posso utilizar o conhecimento existente dentro da empresa como ferramenta de gestão estratégica.

Finalizando, argumenta-se que o papel do administrador na gestão da informação deve ser visto como um processo capaz de ampliar as possibilidades estratégicas da empresa, considerando-se que a informação é base para o processo de planejamento, controle financeiro, análise de cenários, pesquisas com consumidores, planejamento de marketing, gestão de estoque, gestão de produção e logística, e a tomada de decisão propriamente dita. Nessa perspectiva reside a necessidade da apropriação e uso oportuno da informação como subsídios para a construção de conhecimento.


Referências

CASTELLS, M. Innovación, libertad y poder en la era de la información. In: FORO SOCIAL MUNDIAL. Conferência…Porto Alegre, 2005.

LOPES, E. C. Construção de conhecimento em governança corporativa: estudo sobre a criação de valor para tomada de decisão de investidores no mercado de capitais. Marília: Unesp, 2014. 228f. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação - Faculdade de Filosofia e Ciências - Universidade Estadual Paulista (Unesp) - Marília, 2014.
 Sobre Elaine Cristina Lopes
Doutora em Ciência da Informação (UNESP-Marília). Docente do Departamento de Administração da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR).http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=981

FRBR-LRM: mais um requisito para remodelar o catalogador



ColunasFernando Modesto

FRBR-LRM: mais um requisito para remodelar o catalogador[Junho/2016]

Dentre os clássicos da literatura universal, certamente, a obra Os Três Mosqueteiros, criada por Alexandre Dumas (pai), destaca-se como principal na categoria dos romances escritos de capa-e-espada. Aliás, uma dahttp://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=983s obras cuja expressão pode ser encontrada em um sem número de traduções, relacionados à diversas versões e adaptações e que podem ser encontradas em variadas manifestações (impresso e digital). Cada um dos personagens tinha um perfil que se somava aos demais.

Também, pode-se destacar, na área dos HQs, o Quarteto Fantástico que é uma equipe de super-herói de histórias em quadrinhos publicadas pela Marvel Comics, e criado pelo escritor-editor Stan Lee e o ilustrador Jack Kirby, os quais inauguraram um novo nível de realismo no meio. Em todos eles, havia uma equipe de personalidades independentes, cujas competências se completavam, quando associadas.

Por analogia com o reino da catalogação, na atualidade, temos novos protagonistas da fundamentação teórica do registro bibliográfico. São compostos por três diferentes modelos, para aspectos específicos do universo bibliográfico, desenvolvidos de maneira independente por grupos de trabalhos vinculados à IFLA, ao longo dos últimos anos, estes modelos são:

·         Requisitos funcionais para registros bibliográficos (FRBR), com relatório final aprovado em setembro de 1997;
·         Requisitos funcionais para dados de autoridade (FRAD), com relatório final aprovado em março de 2009.
·         Requisitos funcionais para dados de autoridade de assunto (FRSAD), com relatório final aprovado em junho de 2010.

O modelo dos “requisitos funcionais” pretende servir de referência conceitual estruturado no conceito de entidade-relacionamento. Além dos já existentes, novos modelos estão sendo desenvolvidos na medida que o universo bibliográfico se expande digitalmente.

Assim, um quarto requisito está oficializado como novo integrante da família FR dos modelos conceituais. Denomina-se Functional Requirements for Bibliographic Records – Library Reference Model, ou, traduzido como: Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos – Modelo de Referência Bibliotecária, FRBR-LRM – também conhecido como “modelo consolidado” [se um era pouco, dois estava bom, e três era demais, o quarto é para complicar ainda mais a catalogação].

Certamente que os três modelos criados adotam pontos de vistas e soluções distintas para problemas bibliográficos comuns.

O objetivo agora é o de concentrar os três modelos funcionais em um só, de forma a ser aplicado na solução para problemas complexos, com pouca orientação dada pelos modelos preexistentes.

Apesar do FRAD e FRSAD terem sido finalizados respectivamente em 2009 e 2010, constatou-se a necessidade de combinar ou consolidar a família FR em um modelo único e coerente de forma a facilitar a compreensão geral dos modelos e eliminar obstáculos para a sua adoção.

Neste sentido, o Grupo de Revisão do FRBR, desde 2010, iniciou a elaboração do modelo consolidado. Por meio de uma série de reuniões de trabalho se redigiu, em abril de 2012, o primeiro desenho de consolidação das tarefas do usuário, sobre o qual se estrutura os fundamentos do FRBR-LRM. Em 2013, em evento na cidade de Singapura, o Grupo de Revisão do FRBR constituiu o Grupo Editorial de Consolidação (CEG), centrado na reformulação detalhada dos atributos e relacionamentos, e na redação do modelo.

Entre os anos de 2014 e 2015, informes foram emitidos sobre os progressos alcançados pelo Grupo de Revisão do FRBR. O último esboço do relatório final, referente ao trabalho do CEG se constitui em um primeiro informe público sobre o modelo, até então denominado, provisoriamente, pela sigla FRBR-LRM, bem como, os princípios que foram aplicados em seu desenvolvimento.

O FRBR-LRM, a exemplo dos demais requisitos funcionais, é um modelo de referência conceitual baseado na estrutura de modelagem entidade-relacionamento. Em termos gerais de enfoque e metodologia, o processo de modelagem, que resultou no FRBR-LRM, decorre da abordagem adotada no estudo original do FRBR. Entretanto, na seleção das tarefas do usuário que proporcionam o enfoque do modelo, foram consideradas as necessidades de uma ampla variedade de usuários dos dados bibliográficos e de autoridade.

Entendeu-se que os dados poderiam ser utilizados por leitores, estudantes, pesquisadores e outros tipos de usuários, além dos próprios bibliotecários, e por outros agentes inseridos na cadeia da informação bibliográfica, como os editores, distribuidores, provedores, etc.

Semelhante aos modelos FRBR e FRSAD, o FRBR-LRM se ocupa dos dados e funcionalidades que necessitam os usuários, denominados na literatura de usuários finais (e os intermediários que atuam na representação destes usuários finais) no que se refere à satisfação das suas necessidades informacionais.

Da mesma forma, também se ocupa das necessidades dos agentes: bibliotecários, e de outros responsáveis pela criação e manutenção dos dados bibliográficos e que, basicamente, desenvolvem tarefas similares no exercício de suas funções.

No contexto brasileiro, a comunidade bibliotecária envolvida com o processo de compreender as tarefas dos usuários, determinadas pelos novos princípios da catalogação, necessita dedicar melhor atenção ao entendimento e discussão de suas funções e demandas, enquanto agente enfocada pelo novo modelo.

Uma restrição inicial ao FRBR-LRM se refere à necessidade de metadados administrativos, e aos relativos à gestão de dados bibliográficos e de autoridade que também possam satisfazer as necessidades dos usuários. A associação destes dados e das suas tarefas administrativas são vitais para a prestação de serviço. Entretanto, estas tarefas não se encontram tratadas no âmbito e nem no objetivo do modelo consolidado.

Outro aspecto, é que o modelo FRAD difere dos outros dois modelos originais e do FRBR-LRM. O FRAD considera em seus propósitos tanto as necessidades dos usuários finais, como as necessidades dos dados de usos administrativos pelo bibliotecário aplicados na definição das tarefas do usuário.

Neste sentido, o FRBR-LRM se baseia em cinco tarefas genéricas do usuário, que confirmam a sua orientação às necessidades do usuário, a saber:

§  Encontrar: buscar segundo critérios pertinentes a fim de reunir informação sobre um ou vários recursos de interesse.
§  Identificar: entender a natureza dos recursos encontrados e distinguir entre os recursos similares.
§  Selecionar: determinar a pertinência dos recursos encontrados e escolher (aceitando ou excluindo) recursos específicos.
§  Obter: acessar o conteúdo do recurso.

As tarefas do usuário são formuladas sob o enfoque do apoio à capacidade do usuário em realiza-las. Na descrição das tarefas, o termo "recurso" é usado de forma ampla para representar a qualquer das entidades definidas no FRBR-LRM, assim como, aos recursos reais da biblioteca.

A decomposição do processo de busca da informação contido nas cinco tarefas pretende extrair os aspectos básicos deste processo. Ainda que as tarefas se enumerem em uma ordem determinada, a intenção não é a de indicar que estes são passos obrigatórios no processo de busca realizado pelo usuário.

Em realidade, a busca é um processo iterativo e tangencial em qualquer das etapas. Algumas tarefas do usuário podem ocorrer de maneira simultânea na sua mente (identificar eselecionar, por exemplo).

As quatros tarefas (encontrar, identificar, selecionar, obter) podem ser vistas, também, como generalizações das tarefas do FRBR, até por terem os mesmos nomes. As tarefas encontrar eidentificar também aparecem no FRAD e FRSAD.

O FRBR-LRM inclui, também, a tarefa explorar definida no FRSAD, bem como a tarefacontextualizar constante do FRAD. Entretanto, a tarefa justificar do FRAD, em sendo uma tarefa relacionada com o trabalho do bibliotecário, não se encontra abordada no âmbito de aplicação do FRBR-LRM.

Um aspecto específico do Modelo é a definição de uma entidade única de nível superior denominada res (ou "coisa" em latim, uma generalização da entidade do FRSAD denominadathema). As outras dez entidades constantes no Modelo são definidas como subclasses diretas ou indiretas do res. Das dez entidades, oito são consideradas subclasses diretas dores, são elas: obra, expressão, manifestação, item, agente, nomen, lugar, período de tempo. No quadro 01, compila-se estas entidades e suas relações.


Quadro 01: Entidades do FRBR-LRM
Entidade
Definição
Fonte
Res
Qualquer entidade no universo do discurso
Renomeado do FRSAD: Thema
Obra
Mantido do FRBR
Expressão
Mantido do FRBR
Manifestação
Mantido do FRBR
Item
Mantido do FRBR
Agente
Entidade que exerce relações de responsabilidade com aObras, Expressões,Manifestações ou Item.
Nova: superclasse de Pessoa eGrupo
Pessoa
Ser humano individual
Mantido do FRBR
Grupo
Coletivo ou organização de pessoas que utiliza um nome particular e atua como uma unidade.
Nova: inclui os tipos Família e Entidade Corporativa
Nomen
Qualquer signo ou disposição de signos pelo qual uma entidade é conhecida
Fusão de FRSAD: Nomen; e FRAD: Nome e Ponto de acesso controlado (inclui o tipo Identificador)
Lugar
Extensão de espaço dada
Readaptado do FRBR: Lugar
Período de tempo
Extensão temporal com um princípio, um final e uma duração
Nova
Fonte: Compilado do Relatório do FRBR-LRM

As duas entidades finais (lugar e período de tempo) são subclasses da entidade agente que é composta de pessoa e grupo.

Por último, no FRBR-LRM estão predefinidos três tipos específicos de entidades: família eentidade corporativa, que são tipos de grupos, e o identificador que é um tipo de nomen.

Ainda, diferente dos modelos FR existentes, o FRBR-LRM estrutura suas entidades mediante relações hierárquicas. Significa que algumas entidades se declaram como superclasses de outras entidades que, portanto, têm relações de subclasse com aquelas.

Qualquer instância de uma entidade subclasse é também uma instância da superclasse. Esta relação é expressa como IsA (é um/a). Isto permite simplificar o modelo e evitar a repetição dos atributos e as relações que se definem.

Por exemplo, no FRBR-LRM a entidade pessoa é uma subclasse da entidade agente; isto pode expressar-se como: Pessoa ßàIsAßàAgente.

Posto que todas as pessoas são agentes, qualquer relação ou atributo que se aplica à entidade agente, também será aplicada à entidade pessoa, sem necessidade de ser definidos explicitamente para a entidade pessoa.

Isto não se cumpre no sentido inverso; as relações ou atributos definidos explicitamente para as entidades subclasse não se aplicam automaticamente a toda a superclasse. Assim, por exemplo, a entidade pessoa tem com a entidade lugar a relação: é o lugar de nascimento de; esta relação não se mantém para aqueles agentes que são grupos (os tipos família e entidade corporativa).

No geral, com exceção daquelas entidades relacionadas por hierarquias IsA, as entidades declaradas no modelo não estão articuladas. As entidades não articuladas não podem ter nenhuma instância que às vezes sejam uma instância de mais de uma destas entidades.

Estes últimos parágrafos, procuram ilustrar a abordagem geral do modelo, indicando que a finalidade do FRBR-LRM não é de um simples processo de encaixar os três modelos em um único conjunto, mas um exercício de modelagem para resolver as diferenças entre os modelos. Ele requer um olhar atento dos profissionais aos modelos existentes, com vistas a incorporar os conhecimentos adquiridos desde suas publicações, e por meio dos quais se possa subsidiar o processo de pesquisa realizada pelo usuário, além da experiência com a aplicação dos modelos conceituais no ambiente de trabalho bibliotecário.

Entretanto, observa-se que o Modelo tem recebido questionamento por parte da comunidade bibliotecária. Dentre os questionamentos, comenta-se a existência de muitas hipóteses por trás do relatório apresentado e que não são compartilhados com a comunidade profissional, incluído o contexto global do FRBR-LRM.

Por exemplo, indaga-se se ele pretende ser um modelo para sistemas de bibliotecas reais? Também, a exemplo do FRBR, as tarefas do usuário são consideradas inadequadas para expressar a complexidade das necessidades dos utilizadores a quem o catálogo bibliográfico deve satisfazer.

Nota-se, nas primeiras discussões, que o FRBR-LRM apresenta pouca clareza em relação ao modelo de entidade e a finalidade de um modelo conceitual, dentro desse contexto. Há dúvida se o FRBR-LRM é um modelo descritivo do universo bibliográfico, ou se tem a intenção de ser prescritivo dos dados bibliográficos que descrevem os recursos da biblioteca.

Enfim, como no HQ, aguardemos os próximos capítulos; e como nos romances de capa-e-espada esperemos que nos capítulos finais, se chegue a um bom termo na compreensão da história.

 Fernando Modesto