segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Situação das Bibliotecas Escolares no Brasil : o que sabemos


Situação das Bibliotecas Escolares no Brasil : o que sabemos
Bibl. Esc. em R., Ribeirão Preto, v. 1, n. 1, p. 1-29, 2012.

Situation of school libraries in Brazil: what do we know?
Bernadete Santos Campello
Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.
Professora titular da Escola de Ciência da Informação da UFMG.
E-mail: campello@eci.ufmg.br
Paulo da Terra Caldeira
Mestre em Ciência da Informação pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – IBICT.
Professor adjunto da Escola de Ciência da Informação da UFMG.
E-mail: terra@eci.ufmg.br
Maura Alvarenga
Bolsista de Iniciação Científica (CNPq)
E-mail: maura_de_alvarenga@yahoo.com.br
Laura Valladares de Oliveira Soares
Bolsista voluntária
E-mail: laurinhavalladaresbr@gmail.com
Resumo
Este estudo teve como objetivo conhecer as características de diagnósticos sobre bibliotecas escolares brasileiras, elaborados por diversos autores. Foram identificados e analisados dezoito diagnósticos publicados na literatura da área, de 1979 a 2011, de forma a se obter uma visão do que já se estudou e se conhece a respeito das condições das bibliotecas escolares brasileiras. Foram analisados: os objetivos dos diagnósticos, a metodologia utilizada e a técnica de coleta de dados, o referencial teórico, os resultados obtidos, as conclusões e recomendações feitas pelos autores. A variedade de procedimentos de coleta e análise dos dados utilizados em cada diagnóstico impossibilitou inferências e conclusões mais aprofundadas. No conjunto, esses trabalhos compõem um retrato parcial da biblioteca escolar no país, confirmando a situação precária dessas instituições e tornando mais visíveis os problemas existentes.
Palavras-chave: Bibliotecas escolares. Diagnósticos. Brasil.

1 Introdução
A literatura sobre biblioteca escolar no Brasil é pródiga em apontar a precariedade desta instituição nas escolas do país (VIANNA, CARVALHO, SILVA, 2004). Em tom indignado, muitos dos textos ressaltam a importância da biblioteca escolar e, ao mesmo tempo, chamam atenção para suas fragilidades e deficiências, exortando os responsáveis a tomar providências para mudar a situação. Esse “sentimento” de precariedade começou a se concretizar com a publicação de um estudo em 1979, nos anais do 10º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação. O estudo, denominado Avaliação das bibliotecas escolares de 1º grau na cidade de Londrina, averiguou a situação “real” de 20 bibliotecas de
escolas da rede pública estadual daquele município e confirmou as condições precárias em que funcionavam, concluindo que “Na realidade, a maioria não passa de um ‘depósito de livros’ longe de cumprir os objetivos estabelecidos pela Biblioteconomia” (CRUZ, 1979, p. 848). Desde então, para suprir a necessidade de estudos “menos intuitivos” (CARVALHO, 1884, p. 21) foram realizados outros diagnósticos que levantaram dados de bibliotecas escolares em diversas regiões e municípios do país. Dezoito desses diagnósticos foram identificados na literatura da área (ver ANEXO 1), sendo sete artigos de periódico, cinco trabalhos apresentados em evento, quatro dissertações de mestrado e duas teses de doutorado.
Algumas características desses diagnósticos (forma de publicação, origem institucional dos autores, âmbito geográfico, vinculação e número de bibliotecas estudadas) são apresentadas em ordem cronológica no QUAD. 1. A primeira coluna identifica o primeiro autor do diagnóstico, pelo qual ele será identificado ao longo do presente trabalho.
Os diagnósticos foram publicados entre 1979 e 2011, sendo quinze deles como trabalhos acadêmicos e três como iniciativas de bibliotecários. Foram estudadas, no total, 1365 bibliotecas. Excluindo-se as 114 do estudo de Maciel Filho (que não mencionou a vinculação administrativa das escolas), das 1251 restantes, 1136 pertencem a escolas públicas e 115 a escolas particulares.
Os diagnósticos cobriram as regiões Nordeste (seis diagnósticos), Sudeste (sete) e Sul (cinco). Cinco abrangeram mais de um município, mas a maioria (catorze) estudou bibliotecas de apenas um município, sendo que sete pesquisaram bibliotecas de capitais dos Estados (Florianópolis, Fortaleza, Vitória, Recife, João Pessoa, Belo Horizonte). Os dezoito diagnósticos coletaram dados sobre diversas características de
bibliotecas escolares e, embora esses dados não permitam comparações, no seu conjunto delineiam a situação de um número significativo de bibliotecas escolares do país e podem constituir ponto de partida para estudos mais abrangentes e completos.
2 Objetivo e metodologia
O presente estudo pretende analisar esses diagnósticos, de forma a proporcionar uma visão do que já se estudou e se conhece a respeito das condições das bibliotecas escolares brasileiras. Os dezoito diagnósticos acima identificados e listados no ANEXO 1 formam o corpus de análise do presente estudo. Nesta análise, buscou-se identificar:
a) Os objetivos dos diagnósticos;
b) A metodologia utilizada e a técnica de coleta de dados;
c) O referencial teórico;
d) Os resultados obtidos;
e) As conclusões e recomendações feitas pelos autores.
 O que revelam os diagnósticos
Nesta parte analisam-se os objetivos pretendidos pelos diagnósticos, a metodologia utilizada e o referencial teórico em que se embasaram e, também, os resultados referentes ao espaço físico, ao acervo, ao pessoal e aos serviços e atividades. Além disso, faz-se uma síntese das conclusões e recomendações apresentadas pelos autores.

3.1 O que pretendiam alcançar
Todos os diagnósticos, em maior ou menor grau, tiveram como objetivo coletar e analisar dados quantitativos e/ou qualitativos do que chamaram a “situação real” ou “condições de funcionamento” das bibliotecas. Tais dados dizem respeito, em sua maioria, a: recursos humanos, acervo, serviços oferecidos, espaço físico, mobiliário, aspectos administrativos e financeiros e comunidade de usuários das bibliotecas. Alguns diagnósticos, além da análise de dados quantitativos referentes a esses aspectos, tiveram objetivos mais amplos, como por exemplo:
“Caracterização da ação do bibliotecário escolar...” (MARTINS, 1983, p. 69).
“Avaliar a adequação do acervo tanto na quantidade quanto na qualidade e avaliar o desempenho dos recursos humanos” (CARVALHO, 1984, p. 49).
“... detectar os efeitos de um programa de treinamento para professores que atuam em bibliotecas escolares de 1º e 2º graus e exibição de audiovisual para treinamento de usuários de bibliotecas escolares” (CUARTAS, 1987, p.9).
“... identificar a existência de atividades da biblioteca integradas com as atividades pedagógicas” (BARBOZA, 1991, p. 385).
“Analisar a inclusão das bibliotecas nos planos de educação do estado de Pernambuco e nos programas das escolas públicas de primeiro e segundo graus; analisar a utilização das bibliotecas escolares pelas comunidades usuárias; verificar a adequação do acervo e dos serviços frente às necessidades dos alunos e professores” (BARROS, 1998, p.12).
Um dos diagnósticos (ABREU, 2004) focalizou especificamente a situação dos acervos. Dois estudos (MACIEL FILHO, 2001 e CRUZ, 1979) compararam seus resultados com parâmetros internacionais (UNESCO e IFLA), colocando em evidência as desvantagens das bibliotecas brasileiras. Finalmente, um diagnóstico foi realizado com o objetivo explícito de “... apresentar proposições iniciais de diretrizes e padrões para bibliotecas escolares brasileiras, a fim de melhorar o desenvolvimento e a eficiência dessas bibliotecas” (MAYRINK, 1991, p. 14).
Todos os autores mostraram conhecer de antemão a situação das bibliotecas, caracterizando-a como:
“insatisfatória” (MADUREIRA, 1985, p. 70),
“precária” (QUEIROZ, 1985, p. 8; MARTINS, 1983, p. 68; MADUREIRA, 1985, p. 70),

deficiente” (MACIEL FILHO, 2001, p. 16),

“caótica” (CRUZ, 1979, p. 849; DUARTE, 1998, p. 103),
“grave e alarmante” (NASCIMENTO, 2007, p. 2),
“calamitosa” (PERUCCHI, 1999, p. 82) e
“lastimável” (MARTINS, 1983, p. 106).
Esses autores acreditavam que os resultados obtidos poderiam subsidiar propostas, sugestões e planos para auxiliarem na solução dos problemas identificados. Os trechos abaixo mostram que, na perspectiva de alguns autores, os diagnósticos constituíam o germe para a realização de ações que beneficiassem as bibliotecas da região. Nesse sentido, os diagnósticos
pretendiam:
“... sugerir algumas medidas visando uma mudança da situação atual”

(CRUZ, 1979, p. 842).
“... [servir] de subsídio para um planejamento que poderá ser um instrumento de fortalecimento para o nosso sistema de biblioteca escolar”(CARVALHO, 1984, p. 33).
“... propor subsídios que permitam a melhoria das condições de funcionamento das bibliotecas escolares, visando, a sua integração, de forma objetiva, no processo de ensino-aprendizagem” (MADUREIRA, 1985, p. 22).
“... verificar a situação real das bibliotecas escolares... para posterior elaboração de um plano de ação que atenda aos interesses da população escolar usuária desse serviço” (CUARTAS, 1987, p. 9).
“... apresentar propostas para a melhoria da situação biblioteconômica no contexto educacional” (DUARTE, 1998, p. 83).
“... apresentar uma visão realista das bibliotecas escolares e públicas que possa subsidiar futuras políticas educacionais nos municípios estudados...” (MACIEL FILHO, 2001, p. 295).
“... que os resultados desta pesquisa possam ser utilizados como um cenário para o desenvolvimento e implementação de novas políticas públicas de incentivo à leitura e implantação de bibliotecas em todas as escolas da Rede de Educação” (MARTINS, 2011).

Outros diagnósticos anteviam soluções e mencionavam a criação de programas ou
sistemas de bibliotecas, demonstrando o desejo de solucionar os problemas de forma coletiva
e antecipando uma ação que dependia de forte atuação política. Os trechos abaixo revelam
esta vontade:
“É preciso adotar um programa a nível nacional visando dotar cada escola de uma biblioteca dinâmica e atualizada” (CRUZ, 1979, p. 849).
“... os resultados desta pesquisa poderão servir de argumento [...] para que se obtenha, junto aos órgãos de planejamento educacional de Santa Catarina, a implementação de um sistema de bibliotecas escolares” (ACB, 1981, p. 39).
“... servir de apoio a qualquer implantação e desenvolvimento de um sistema de bibliotecas escolares a nível estadual ou mesmo nacional” (MARTINS, 1983, p. 68).
“... visando à apresentação de subsídios para um futuro planejamento de um
Sistema de Biblioteca Escolar” (CARVALHO, 1984, p. 49).



Os diagnósticos revelam certa indignação, como exemplificado no trabalho de Cruz (1979, p. 849): “Quando se fala tanto na necessidade de melhorar o padrão de ensino no Brasil, não se pode mais admitir essa situação caótica”. Deixam transparecer um tom de denúncia, claramente explicitado por Nascimento (2007, p. 1) que pretendia diagnosticar e denunciar a real situação das bibliotecas das escolas de ensino fundamental da Rede Estadual de Ensino do Município de Ribeirão Preto - SP. Enfim, percebe-se no discurso dos autores uma crença genuína de que a precariedade das bibliotecas escolares estaria interferindo
negativamente na qualidade da educação e que o desvelamento da situação, por meio desses estudos, constituiria um alerta para os responsáveis.
















Biblioteca escolar



http://gebe.eci.ufmg.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17&Itemid=15http://gebe.eci.ufmg.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17&Itemid=15



Biblioteca Escolar vai além da leitura

Leia a entrevista da Professora Bernadete Santos Campello para a Gazeta Regional de SP

Biblioteca escolar: que espaço é esse?

Com o objetivo de discutir os desafios decorrentes da promulgação da Lei nº 12.244 de 2010, que prevê a universalização das bibliotecas escolares no Brasil e debater os múltiplos aspectos que envolvem a leitura nas escolas e nas bibliotecas, a TV Escola, por meio do programa Salto para o Futuro, realizou a série Biblioteca escolar: que espaço é esse?, que contou com a consultoria de Gláucia Mollo (assessora da Secretaria Municipal de Educação de Campinas/SP) e de Maria José Nóbrega (assessora da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo/SP). Um dos produtos desta série é a publicação Biblioteca escolar: que espaço é esse? onde são apresentados três textos: A Lei e seus desdobramentos, por Graça Maria Fragoso; O papel da biblioteca na formação do leitor, por Luiz Percival Leme Britto; O papel da biblioteca na formação do leitor literário, por Ninfa Parreiras.

Muito além da biblioteca

O bibliotecário Igor Rezende Quintal, responsável pela biblioteca do Sistema Batista Mineiro de Educação, fala à revista Gestão Educacional.



Publicado os anais do 1º Fórum de Pesquisa em Biblioteca Escolar


Publicado os anais do 1º Fórum de Pesquisa em Biblioteca Escolar
 DIEGO IZAC

Os encontros científicos são peças fundamentais no processo de comunicação científica e atualização profissional. Neles os bibliotecários podem atuar como organizadores, ouvintes e/ou palestrantes, sejam em palestras, mesas redondas ou conferências, em apresentações de trabalhos na modalidade pôster ou oral, relatando e divulgando suas pesquisas, teorias e práticas profissionais.
A publicação dos trabalhos e dos principais temas discutidos é feita por meio dos anais, que podem ser publicados em diversos formatos, impresso e digital.
Nos dias 24 e 25 de maio deste ano foi realizado o 1º Fórum de Pesquisa em Biblioteca Escolar na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, promovido pelo Grupo de Estudos em Biblioteca Escolar (GEBE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O tema era a pesquisa científica e de extensão com foco em biblioteca escolar; a formação profissional do bibliotecário escolar e o registro do conhecimento. No evento estavam presentes profissionais, pesquisadores e representantes de entidades de classe, nacionais e internacionais.
Recentemente foram publicados os anais do evento no site do GEBE. Os textos presentes no documento mostram as temáticas debatidas e discutidas durante os dois dias do evento, relatando as ações de instituições acadêmicas, órgãos públicos e movimento associativo. São elas: formação de discentes, educação continuada (cursos de especializações: presencial e a distância), produção de publicações (revista científicas) e de bibliografias (locais e gerais), ações de extensão, relatos de grupos de pesquisas (acadêmicos e profissionais), desenvolvimento e implementação de redes de bibliotecas escolares e avaliação de políticas públicas.
Além desse evento, o GEBE, desde 1998, vem contribuindo positivamente para o desenvolvimento de pesquisas, realizações de eventos, apresentações de trabalhos em encontros estudantis e profissionais e publicações de livros e outros documentos relacionados à temática biblioteca escolar. Destacamos os seguintes: I e o III Seminário Biblioteca Escolar; os livros “Biblioteca escolar: conhecimentos que embasam a prática”, “Como orientar a pesquisa escolar: estratégias para o processo de aprendizagem” e “Como usar a biblioteca na escola: um programa de atividades para o ensino fundamental”; e o documento “Biblioteca escolar como espaço de produção do conhecimento: parâmetros para bibliotecas escolares”.
Para saber mais informações sobre o GEBE e suas iniciativas ligadas a bibliotecas escolares, como a base de dados LIBES (Literatura Brasileira em Biblioteca Escolar), outras publicações e trabalhos apresentados e eventos científicos visite o site do grupo de pesquisa: http://gebe.eci.ufmg.br/
Hugo Oliveira (CRB-6/2938)
Coordenador da Comissão de Divulgação do CRB-6

sábado, 5 de janeiro de 2013

Linguagens documentárias e vocabulários semânticos para a web: elementos conceituais.


http://revistas.ffclrp.usp.br/incid/article/view/175/pdf

Fernanda Maria Melo Alves
Professora doutora do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Carlos III de Madrid
– Espanha
E-mail: fmelo@bib.uc3m.es
MOREIRO GONZÁLEZ, José Antonio. Linguagens documentárias e vocabulários
semânticos para a web: elementos conceituais. Salvador: EDUFBA, 2011. ISBN 978-85-
232-0824-0
A ideia original do livro originou-se nos materiais desenhados para os alunos de cursos de pós-graduação na área de Informação - Documentação. Se a origem tem um claro caráter docente, a elaboração inclui resultados de algumas pesquisas e de outros trabalhos pessoais, assim como o seguimento de tendências e de novidades nos assuntos tratados. Seu valor tem, então, características sintético-analíticas, ao mesmo tempo em que supõe uma proximação conceitual ao estado da arte.
A Web atual oferece deficiências quando à recuperação de informação. Assim o onstra a presença persistente de sobrecarga informativa, a ineficácia das palavras-chave quando se pretende fazer recuperações precisas, a desordem terminológica consequente da falta de autoridade literária ou a ausência crônica de sistemas com PLN. Com ideia de superar estas limitações, a última década teve um crescimento e uma adaptação intensa dos vocabulários e das linguagens que organizam o conhecimento. A sua estrutura e a sua complexidade ficam determinadas pelo uso de léxico alargado, contando inclusive com
estruturas verbais, pela ampliação das relações existentes entre os seus componentes, pela superação da referência a objetos do pensamento e objetos do mundo, enfim, pelo emprego de estruturas lógicas e de mapas conceituais para uma organização dos documentos cada vez mais complexa. Por todas estas razões, procura-se conseguir um tratamento mais apurado das  informações da web.
Assim, na hora de dar resposta aos atuais desafios para a representação do conhecimento, podem considerar-se uns grupos de vocabulários para organizar e representar a informação, sob a perspectiva do léxico utilizado e das relações entre as palavras e os termos que utilizam, como as listas de palavras: folksonomías; as listas de termos: glossários, listas e nomes, e dicionários. Entre eles apareceram os Anéis semânticos (como o que oferece uma arte de Wordnet); as categorizações e classificações: taxonomias,
esquena de categorização; e os grupos de relações, baseados em associações entre os termos e entre os
conceitos: tesauros automáticos ou conceptuais, Topic maps e Ontologias.Todos eles são sistemas de organização e de representação do conhecimento KOS (Knowledge Organization Systems) e servem para fazer a indexação de recursos na Web com diferentes vocabulários alguns deles controlados, outros não). O assunto do livro abarca o estudo de estes vocabulários e seu desenvolvimento conceitual segue praticamente este esquema..
Os sistemas de organização e de representação que empregamos na atualidade surgiram por impulso de uma web que precisa de novas estruturas para responder a novas necessidades, fato que forçou a sua adaptação às linguagens documentais preexistentes. Nesse contexto, esta monografia caminha mais perto das transformações que tiveram os elementos componentes e as estruturas de relacionamento dos vocabulários, para se adaptar a um meio tão exigente, do que dos sucessivos modelos de dados de XML necessários para expressar o conhecimento em estruturas simples predefinidas, como é o caso do emprego de SKOS para codificar tesauros, ou qualquer linguagem documental, em formato RDF.Sem desatender totalmente esses modelos, prima aqui uma perspectiva de análise de conteúdo documental, em que se diferenciam os elementos linguísticos que compõem os vocabulários e as linguagens, de acordo com o emprego de conceitos inferidos, termos unívocos ou palavras livres. Assim como os relacionamentos semânticos que se possam estabelecer entre os referidos elementos, segundo a responsabilidade e a intervenção das pessoas na construção das linguagens e dos vocabulários, e inclusive de acordo com a
aplicação que se estabeleça com a representação de objetos e o uso aberto ou restringido dos
vocabulários. É, sem dúvida, uma visão parcial, mas necessária, para entender a origem, a
transformação e a projeção dos vocabulários e das linguagens documentais que se empregam
para organizar o conhecimento na web, bem como o respectivo enquadramento teórico.
Não duvida em mergulhar na abordagem das bases epistemológicas da representação
da informação, desde a origem da representação conceitual e a sua organização até a origem
das relações entre conceitos para melhor entender a recuperação léxica e terminológica da
informação. Atende com especial dedicação o enriquecimento de relações nos novos
vocabulários como fruto da potencialidade dinâmica e criadora do pensamento.
A partir das necessidades de resposta à trajetória seguida pela representação do
conhecimento temático na web, se faz obrigatório considerar duas magnitudes diferentes, a
Web Semântica e a Web Social (W2.0), que estabeleceram a adequação dos sistemas derepresentação às características e às necessidades da cada uma delas. O texto dá uma atenção
preferente à diferenciação semântica na representação do conhecimento, seguindo o eixo
fixado pela distinção entre o emprego de palavras, termos ou conceitos na constituição dos
vocabulários. Este termo veio ocupar o local do seu precedente das linguagens documentarias,
incluindo-as. E está a converter-se, gradualmente, numa denominação genérica para falar de
estruturas ou de elementos padrão que representam e organizam a informação em Internet. A
sua polissemia pode limitar-se de acordo com o contexto utilizado. De forma que na Web
semântica o conceito de “ontologia” é sinônimo de vocabulário, enquanto na Web Social é o
de “folksonomía”. Para os estandares de metadados, vocabulário é o conjunto de elementos
descritivos e de propriedades. Mas no âmbito dos KOS (Knowledge Organization Systems),
os vocabulários são as estruturas tradicionais de representação como os tesauros ou as
classificações de assunto. Finalmente, para as corporações e as instituições prefere-se o termo
"taxonomia“.
Deste modo, a obra teve que analisar e descrever estes diferentes vocabulários, bem
como percorrer os principais sistemas de representação. Então, se a web impulsionou as
estruturas de organização do conhecimento, mediante a intervenção das Ontologias e das
Taxonomias, também teve que se adaptar às linguagens preexistentes, como é o caso dos
Tesauros, da representação livre mediante palavras-chave, agora folksonomías, e dos mapas
conceituais para desenhar os Topic maps. Como a maioria dos sistemas de organização e de
representação surgiu antes que existisse o ciberespaço, há menos de uma geração, e como
ainda estamos submersos numa forma cultural que aparece inconclusa, os documentalistas do
século XXI enfrentam o problema de criar uma nova geração de sistemas simbólicos ou de
melhorar os precedentes. O conteúdo desta monografia mostra essas novidades e variações,
cuja apresentação esquemática e emprego de uma linguagem direta e cuidada servem para
atingir uma boa exposição conceitual. Por isso, devemos estar gratos à Editora da
Universidade Federal da Bahia, pela oportunidade de divulgar outra obra deste autor, com o
intuito de levar à comunidade lusófona um dos enquadramentos que está a atravessar maiores
mudanças e exigências na área da Informação-Documentação.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Bibliotecas investem em tecnologia para não perder público‏


Bibliotecas investem em tecnologia para não perder público‏


Wi-fi, cadeiras ergonômicas e a digitalização do acervo impresso são algumas
das medidas adotadas por algumas bibliotecas espalhadas pelo Rio de Janeiro

O ambiente calmo das bibliotecas favorece a concentração e é considerado
ideal para o bom desempenho nos estudos. Com receio de perder
frequentadores, algumas estão investindo em modernidade.
Um exemplo é a biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio
de Janeiro, que investiu em equipamentos. Wi-fi e cadeiras ergonômicas estão
no pacote.
Já outras se especializaram em determinadas áreas, como a biblioteca do
Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Ela tem o maior
acervo de livros e publicações de matemática da América Latina, disponíveis
também na forma digital.
Apesar disso, a diretora da Fundação Biblioteca Nacional, Antonieta Cunha,
garante que os livros impressos não perderam força. “Uma biblioteca tem o
aprofundamento do conhecimento que, com certeza, não está na internet. A
internet dá dicas para você chegar a esse conhecimento mais profundo”,
ressalta ela.
Para a professora da UFF Andréa Pavão, os investimentos em modernidade ainda
não refletem a condição atual do Brasil e devem demorar a se firmar no
futuro. “No Brasil, a leitura é um privilégio de classe. 60% das escolas
públicas do país não têm bibliotecas. Então, a leitura digital ainda não
está muito democratizada. O acesso a computador no Brasil ainda é muito
elitista”, aponta a professora.

http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2012/11/bibliotecas-investem-em-tecno
logia-para-nao-perder-publico.html


Ericka Fantauzzi
Gestora de Cultura
Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas Municipais
Superintedência de Bibliotecas Públicas
Secretaria de Estado de Cultura
Tel:(31)3269-1202
Fax:(31)3269-1212

Bibliografia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil


http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/acerv
os_especiais/lit__infantojuvenil/index.php?p=11564

*Caros (as) Colegas*

É com grande satisfação que comunicamos que a *Bibliografia Brasileira de
Literatura Infantil e Juvenil*, produzida pela Seção de Bibliografia e
Documentação da *Biblioteca Monteiro Lobato, *está disponível na versão
online. O endereço é
http://bibliografiainfantilejuvenil@prefeitura.sp.gov.br. Pode ser acessada
também pelo site do Sistema Municipal de Bibliotecas.****

A Empresa Quatro Elementos, por meio de um Termo de Cooperação, desenvolveu
graciosamente o projeto desde a substituição do software Winisis, utilizado
anteriormente para o gerenciamento do banco de dados da Bibliografia, pelo
DSpace até a confecção do site, que permite pesquisar em todos os volumes ou
somente no volume selecionado.

Para mais informações, entre em contato com:

Arlete Martins Benatti
SMC/CSMB/Coord. Informática
abenatti@prefeitura.sp.gov.br
www.bibliotecas.sp.gov.br
Tel. 11 3675-8429****

Atenciosamente,


Ericka Fantauzzi
Gestora de Cultura
Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas Municipais
Superintedência de Bibliotecas Públicas
Secretaria de Estado de Cultura
Tel:(31)3269-1202
Fax:(31)3269-1212

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Livros e afins: A fraternidade secreta dos leitores

Posted: 18 Dec 2012 08:26 AM PST
“Sua condição de desconhecido elevava-o acima dos demais.
E ainda uma coisa: havia um livro aberto sobre a mesa. Nesse café ninguém jamais abrira um livro sobre a mesa. Para Tereza, o livro era o sinal de reconhecimento de uma fraternidade secreta.” Milan Kundera
E assim se da o encontro do casal que inicia a trama do comentado livro A Insustentável Leveza do Ser do escritor tcheco Milan Kundera. É por conta de Tomas ter um livro aberto sobre a sua mesa em um bar que Tereza o olhará em meio a tantos outros.
Na continuidade dos seu relato o autor nos contas por que isso acontece:
“Contra o mundo de grosseria que a cercava, não tinha efetivamente senão uma arma: os livros que pedia emprestados na biblioteca municipal; sobre tudo os romances: lia-os em quantidade, de Fielding a Thomas Mann. Eles não só lhe ofereciam a possibilidade de uma evasão imaginária, arrancando-a de uma vida que não lhe trazia nenhuma satisfação, mas tinham também para ela um significado como objetos: gostava de passear na rua com um livro debaixo do braço. Eram para ela aquilo que uma elegante bengala era para um dândi do século passado. Eles a distinguiam dos outros.(…)
Portanto, o homem que acabava de chamá-la era ao mesmo tempo desconhecido e membro de uma fraternidade secreta.” Milan Kundera
E toda a história do livro começa por um livro deixado sobre a mesa.
Encontrar com alguém carregando um livro pelas ruas e se identificar com esta pessoa deve ser mais comum do que se pensa. Normalmente temos interesse em saber sobre o livro que está lendo: se é bom, se esta gostando, se já leu outro daquele autor… e já queremos indicar o de nossa preferência naquela área, expressar a nossa opinião sobre o livro, etc. E dos lugares mais improváveis inicia-se uma conversa.
Já vi alguns estudiosos da literatura chamarem de não-lugares da leitura os ônibus, aeroportos, filas de banco, etc. Pois para mim esses são ótimos lugares de leitura, além de serem lugares onde se é capaz de fazer amizades improváveis em torno da leitura. Já tive a oportunidade de desenvolver conversas maravilhosas neste lugares por conta dos livros.
Assim como em diversas sociedades onde os membros se identificam por símbolos, os leitores o fazem pelos livros que carregam em baixo do braço, não com orgulho, não como um adorno, mas como uma companhia que nos dá alegria, prazer  e, por vezes, um tanto de liberdade.
Carregamos também como um objeto identificador da sociedade secreta dos leitores.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Código de Ética do Bibliotecário


Código de Ética do Bibliotecário
RESOLUÇÃO CFB N.º 42 DE 11 DE JANEIRO DE 2002
Dispõe sobre Código do Ética do
Conselho Federal de Biblioteconomia.
O Conselho Federa1 de Biblioteconomia, no uso das atribuições que
lhe são conferidas pela Lei no 4.084, de 30 de junho de 1962 e o
Decreto no 56.725 de 16 de agosto de 1965, resolve:CÓDIGO DE
ÉTICA PROFISSIONAL DO BIBLIOTECÁRIO
SEÇÃO I – DOS OBJETIVOS
Art.1º - O Código de Ética Profissional tem por objetivo fixar
normas de conduta para as pessoas físicas e jurídicas que exerçam
as atividades profissionais em Biblioteconomia.SEÇÃO II – DOS
DEVERES E OBRIGAÇÕES
Art.2º - Os deveres do profissional de Biblioteconomia
compreendem, além do exercício de suas atividades:
a) dignificar, através dos seus atos, a profissão, tendo em vista a
elevação moral, ética e profissional da classe; b) observar os
ditames da ciência e da técnica, servindo ao poder público, à
iniciativa privada e à sociedade em geral; c) respeitar leis e normas
estabelecidas para o exercício da profissão; d) respeitar as
atividades de seus colegas e de outros profissionais; e) contribuir,
como cidadão e como profissional, para o incessante
desenvolvimento da sociedade e dos princípios legais que regem o
país.
Art. 3º - Cumpre ao profissional de Biblioteconomia:
a) preservar o cunho liberal e humanista de sua profissão,
fundamentado na liberdade da investigação científica e na dignidade
da pessoa humana;
b) exercer a profissão aplicando todo zelo, capacidade e honestidade
no seu exercício;
c) cooperar intelectual e materialmente para o progresso da
profissão, mediante o intercâmbio de informações com associações
de classe, escolas e órgãos de divulgação técnica e científica;
d) guardar sigilo no desempenho de suas atividades, quando o
assunto assim exigir;
e) realizar de maneira digna a publicidade de sua instituição ou
atividade profissional, evitando toda e qualquer manifestação que
possa comprometer o conceito de sua profissão ou de colega;
f) considerar que o comportamento profissional irá repercutir nos
juízos que se fizerem sobre a classe;
g) conhecer a legislação que rege o exercício profissional da
Biblioteconomia, assim como as suas alterações, quando ocorrerem,
cumprindo-a corretamente e colaborando para o seu
aperfeiçoamento;
h) combater o exercício ilegal da profissão;
i) citar seu número de registro no respectivo Conselho Regional,
após sua assinatura em documentos referentes ao exercício
profissional;
j) estimular a utilização de técnicas modernas objetivando o controle
da qualidade e a excelência da prestação de serviços ao usuário;
l) prestar serviços assumindo responsabilidades pelas informações
fornecidas, de acordo com os preceitos do Código Civil e do Código
do Consumidor vigentes.
Art.4º - A conduta do Bibliotecário em relação aos colegas deve ser
pautada nos princípios de consideração, apreço e solidariedade.
Art.5º - O Bibliotecário deve, em relação aos colegas, observar as
seguintes normas de conduta:
a) ser leal e solidário, sem conivência com erros que venham a
infringir a ética e as disposições legais que regem o exercício da
profissão;
b) evitar críticas e/ou denúncias contra outro profissional, sem
dispor de elementos comprobatórios;
c) respeitar as idéias de seus colegas, os trabalhos e as soluções,
jamais usando-os como de sua própria autoria;
d) evitar comentários desabonadores sobre a atuação profissional;
e) evitar a aceitação de encargo profissional em substituição a
colega que dele tenha desistido para preservar a dignidade ou os
interesses da profissão ou da classe, desde que permaneçam as
mesmas condições que ditaram referido procedimento;
f) colaborar com os cursos de formação profissional, orientando
e instruindo os futuros profissionais;
g) tratar com urbanidade e respeito os colegas representantes
dos órgãos de classe quando no exercício de suas funções,
fornecendo informações e facilitando o seu desempenho;
h) evitar, no exercício de posição hierárquica, denegrir a imagem
de profissionais subordinados e outros colegas de profissão.
Art. 6º - O Bibliotecário deve, com relação à classe, observar as
seguintes normas:
a) prestigiar as entidades de Classe, contribuindo, sempre que
solicitado, para o sucesso de suas iniciativas em proveito da
coletividade, admitindo-se a justa recusa;
b) zelar pelo prestígio da Classe, pela dignidade profissional e
pelo aperfeiçoamento de suas instituições;
c) facilitar o desempenho dos representantes do órgão
fiscalizador, quando no exercício de suas respectivas funções;
d) acatar a legislação profissional vigente;
e) apoiar as iniciativas e os movimentos legítimos de defesa dos
interesses da classe, participando efetivamente de seus órgãos
representativos, quando solicitado ou eleito;
f) representar, quando indicado, as entidades de Classe;
g) auxiliar a fiscalização do exercício profissional e zelar pelo
cumprimento deste Código de Ética comunicando, com discrição,
aos órgãos competentes, as infrações de que tiver ciência.
Art.7º - O Bibliotecário deve, em relação aos usuários e clientes,
observar as seguintes condutas:
a) aplicar todo zelo e recursos ao seu alcance no atendimento ao
público, não se recusando a prestar assistência profissional,
salvo por relevante motivo;
b) tratar os usuários e clientes com respeito e urbanidade;
c) orientar a técnica da pesquisa e a normalização do trabalho
intelectual de acordo com suas competências.
Art.8º - O Bibliotecário deve interessar-se pelo bem público e,
com tal finalidade, contribuir com seus conhecimentos,
capacidade e experiência para melhor servir a coletividade.
Art.9º - No desempenho de cargo, função ou emprego, cumpre
ao Bibliotecário dignificá-lo moral e profissionalmente.
Art.10 - Quando consultor, é responsabilidade do Bibliotecário
apresentar métodos e técnicas compatíveis com o trabalho
oferecido, objetivando o controle da qualidade e a excelência da
prestação de serviços, durante e após a execução dos
trabalhos.SEÇÃO III - DOS DIREITOS
Art. 11 - São direitos do profissional Bibliotecário:
a) exercer a profissão independentemente de questões
referentes a religião, raça, sexo, cor e idade;
b) apontar falhas nos regulamentos e normas das instituições
em que trabalha, quando as julgar indignas do exercício
profissional, devendo, neste caso, dirigir-se aos órgãos
competentes, em particular, ao Conselho Regional;
c) votar e ser votado para qualquer cargo ou função em órgãos
ou entidades de classe, nos termos da legislação vigente;
d) defender e ser defendido pelo órgão de classe, se ofendido em
sua dignidade profissional;
e) auferir benefícios da ciência e das técnicas modernas,
objetivando melhor servir ao seu usuário, à classe e ao país;
f) usufruir de todos os demais direitos específicos, nos termos
da legislação que cria e regulamenta a profissão de bibliotecário;
g) preservar seu direito ao sigilo profissional, quando portador
de informações confidenciais;
h) formular, junto às autoridades competentes, críticas e/ou
propostas aos serviços públicos ou privados, com o fim de
preservar o bom atendimento e desempenho profissional.
SEÇÃO IV – DAS PROIBIÇÕES
Art. 12 - Não se permite ao profissional de Biblioteconomia, no
desempenho de suas funções:
a) praticar, direta ou indiretamente, atos que comprometam a
dignidade e o renome da profissão;
b) nomear ou contribuir para que se nomeiem pessoas sem
habilitação profissional para cargos privativos de Bibliotecário, ou
indicar nomes de pessoas sem registro nos CRB;
c) expedir, subscrever ou conceder certificados, diplomas ou
atestados de capacitação profissional a pessoas que não preencham
os requisitos indispensáveis ao exercício da profissão;
d) assinar documentos que comprometam a dignidade da Classe;
e) violar o sigilo profissional;
f) utilizar a influência política em benefício próprio;
g) deixar de comunicar aos órgãos competentes as infrações legais
e éticas que forem de seu conhecimento;
h) deturpar, intencionalmente, a interpretação do conteúdo explícito
ou implícito em documentos, obras doutrinárias, leis, acórdãos e
outros instrumentos de apoio técnico do exercício da profissão, com
intuito de iludir a boa fé de outrem;
i) fazer comentários desabonadores sobre a profissão de
Bibliotecário e de entidades afins à profissão;
j) permitir a utilização de seu nome e de seu registro a qualquer
instituição pública ou privada onde não exerça, pessoal ou
efetivamente, função inerente à profissão;
l) assinar trabalhos ou quaisquer documentos executados por
terceiros ou elaborados por leigos, alheios a sua orientação,
supervisão e fiscalização;
m) exercer a profissão quando impedido por decisão administrativa
transitada em julgado;
n) recusar a prestar contas de bens e numerário que lhes sejam
confiados em razão de cargo, emprego ou função;
o) deixar de cumprir, sem justificativa, as normas emanadas dos
Conselho Federal e Regionais, bem como deixar de atender a suas
requisições administrativas, intimações ou notificações, no prazo
determinado;
p) utilizar a posição hierárquica para obter vantagens pessoais ou
cometer atos discriminatórios e abuso de poder;
r) aceitar qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de
admissão por sexo, idade, cor, credo, e estado civil.
SEÇÃO V – DAS INFRAÇÕES DISCIPLINARES E PENALIDADES
Art.13 - A transgressão de preceito deste Código, constitui infração
ética, sujeita às seguintes penalidades:
a) advertência reservada;
b) censura pública;
c) suspensão do registro profissional pelo prazo de até três anos;
d) cassação do exercício profissional com apreensão de carteira
profissional;
e) Multa de 1 a 50 (cinquenta) vezes o valor atualizado da
anuidade.
§ 1º - A pena de multa, de um a cinqüenta vezes o valor atualizado
da anuidade, poderá ser combinada com qualquer das penalidades
enumeradas nas alíneas "a a d" deste artigo, podendo ser aplicada
em dobro no caso de reincidência.
§ 2º - A falta de pagamento da multa no prazo estipulado,
determinará a suspensão do exercício profissional, sem prejuízo da
cobrança por via executiva.
§ 3º - A suspensão por falta de pagamento de anuidade, taxas e
multas somente cessará com o recolhimento da dívida, podendo
estender-se por até três anos, decorridos os quais o profissional
terá, automaticamente, cancelado o seu registro, se não resgatar o
débito, sem prejuízo da cobrança executiva.
§ 4º - A pena de cassação do registro profissional acarretará ao
infrator a perda do direito de exercer a profissão em todo Território
Nacional, e conseqüente apreensão da carteira de identidade
profissional.
§ 5º - Ao infrator suspenso por débito será admitida a reabilitação
profissional, mediante novo registro, satisfeitos, além das anuidades
em débito, as multas e demais emolumentos e taxas cabíveis.
§ 6º - As penalidades serão anotadas na carteira profissional e
no cadastro do CRB, sendo comunicadas ao CFB, demais
Conselhos Regionais e ao empregador.
Art.14 - Compete originalmente aos CRB o julgamento das
questões relacionadas a transgressão de preceito do Código de
Ética, facultado o recurso de efeito suspensivo, dirigido ao CFB,
competindo a este, ainda, originalmente, o julgamento de
questões relacionadas à transgressões de preceitos do Código de
Ética praticadas por Conselheiros Regionais e Conselheiros
Federais, bem como transgressões de bibliotecários que atinjam
diretamente o Conselho Federal.
Parágrafo Único - O recurso deverá ser interposto dentro do
prazo 30 (trinta) dias a contar da data do recebimento da
notificação da decisão de primeira instância.
SEÇÃO VI – DA APLICAÇÃO DE SANÇÕES
Art.15 - O CFB, deve baixar resolução estabelecendo normas
para apuração das faltas e aplicação das sanções previstas neste
Código, pautando-se pelo princípio do contraditório e da ampla
defesa, garantidos pela Constituição Federal.
Art.16 - Na aplicação de sanções éticas serão consideradas
como atenuantes:
a) falta cometida em defesa de prerrogativa profissional;
b) ausência de punição anterior;
c) prestação de relevantes serviços à Biblioteconomia.
SEÇÃO VII - DOS HONORÁRIOS PROFISSIONAIS
Art.17 - O Bibliotecário deve exigir justa remuneração por seu
trabalho, levando em conta as responsabilidades assumidas, o
grau de dificuldade no desenvolvimento e efetivação do trabalho,
bem como o tempo de serviço dedicado, sendo-lhe livre firmar
acordos sobre honorários e salário.
Art.18 - O Bibliotecário deve fixar previamente o valor dos
serviços, de preferência por contrato escrito, considerados os
elementos seguintes:
a) a relevância, o vulto, a complexidade e a dificuldade do
serviço a executar;
b) o tempo que será consumido para a realização do trabalho;
c) a possibilidade de ficar impedido da realização de outros
serviços;
d) as vantagens que advirão para o contratante com o serviço
prestado;
e) a peculiaridade de tratar-se de cliente eventual, habitual ou
permanente;
f) o local em que o serviço será prestado.
SEÇÃO VIII – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art.19 - Qualquer modificação deste Código somente poderá ser
efetuada pelo CFB, nos termos das disposições legais, ouvidos os
CRB.
Art.20 - O presente Código entra em vigor em todo o Território
Nacional a partir de sua publicação, revogadas as disposições em
contrário.
José Fernando Modesto da Silva
Presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia
Publicado no Diário Oficial da União de 14.01.02, seção I. p. 64

Fonte: http://www.crb14.org.br/UserFiles/File/Código%20de%20Ética%20Bibliotecário.pdf